(Aquele em que espero um mês para dar as caras e ainda falo sobre 2016)

Pois bem, o Carnaval já passou, o Oscar também, assim como o meu aniversário. Já exorcizei 2016 da minha vida. Contudo, espíritos com negócios inacabados insistem em assombrar as páginas deste inóspito espaço da world wide web, de forma que pendências ainda se fazem presentes e eu preciso fazer algo a respeito. Principalmente porque me impus o desafio de só escrever sobre as coisas de 2017 quando tiver finalizado a award season do bloguinho. Então, sem mais delongas, senhoras e senhores, se preparem: peguem a prataria, o sal e os isqueiros e venham comigo abrir uns caixões para a gente queimar uns restos mortais! coloquem seus figurinos de gala, estourem a champagne e coloquem We are the champions para tocar! Com vocês, a terceira (e última!) parte do Lunatic Pisces Awards 2016, também conhecida como a retrospectiva de séries.

Disclaimer: de forma alguma fui capaz de acompanhar todas as séries que chegaram ao catálogo da Netflix em 2016 ou as estreias da Fall Season americana. Seria uma tarefa inviável! Assim, acho importante destacar que a retrospectiva traz as séries que eu assisti em 2016 e que, de alguma forma, marcaram o meu ano e merecem algum destaque nesta singela publicação.
(Se preparem mais uma vez, porque lá vem textão)


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{Janeiro de 2017}

Faz um milhão de anos desde que gravei o último vídeo para o meu canal no YouTube e como, até o momento, não me bateu nenhum arrependimento ou vontade de fazer algo a respeito, irei utilizar este espaço para comentar brevemente sobre as minhas leituras durante o mês de janeiro (leia: duas mini-resenhas e depois comentários curtos sobre o que estou lendo). 

Postcards from the Edge (Carrie Fisher)
Aqui somos apresentados à Suzanne Vale, uma jovem atriz que, após sofrer uma overdose e passar meses internada em uma clínica de reabilitação, precisa se readaptar à sua vida e carreira. O livro é dividido em duas partes: a primeira trata do período em que a protagonista está internada e a segunda, dos meses que se seguem depois que é liberada.

Acho que o que eu mais gostei na leitura é o quê de autobiografia. Para mim, foi impossível não imaginar Suzanne com a aparência de Carrie ou não considerar muitas das observações da personagem como sendo as da própria autora. Basta assistir a alguma entrevista com a atriz para conhecer um pouco de seu humor, que também se faz presente no livro. Assim, cada comentário vem carregado de uma boa dose de sarcasmo e, claro, de crítica à Hollywood e o estilo de vida que propaga. Creio que as situações vividas por Suzanne sejam recorrentes na indústria cinematográfica - puxação de saco de gente pedante, o vício em drogas, a escolha de uns papeis meio duvidosos porque é o que tem, as amizades falsas, as fofocas nos banheiros das festas, etc.  - e duvido que Carrie Fisher tenha sido a primeira pessoa a tratar delas, contudo, há sim aquele peso por se tratar das palavras de alguém que viveu e viu aquela realidade bem de perto. Ainda no que toca na questão da autobiografia, também achei inevitável relacionar a relação conturbada de Suzanne com sua mãe com a da própria Carrie com Debbie Reynolds. No caso, senti algumas alfinetadas.

O que mais me marcou, talvez, tenha sido a forma como Carrie tratou da dependência química. Por meio de trechos de diários de Suzanne e de outro personagem, Alex, o leitor tem acesso aos pensamentos de uma pessoa viciada e que luta contra isso, mas que também lida com a perversidade de seu vício. Gostei principalmente do momento em que ela retrata um momento de recaída. Fiquei meio sem fôlego e definitivamente angustiada. Saber também sobre como pode ser reclusivo o período de readaptação à sociedade depois da reabilitação foi algo que me chamou a atenção porque, realmente, nunca tinha parado para pensar nesta questão. Creio que, mesmo sem entrar em pormenores e usar os termos exatos, o livro também aborda a depressão e a bipolaridade - dois distúrbios que fizeram parte da vida de Carrie Fisher.

De forma geral, gostei do livro. Não morri de amores, mas gostei de ter lido pois sinto que pude conhecer um pouco mais sobre Carrie Fisher, uma mulher que admiro. Como cheguei a mencionar em outro post, comecei a leitura em uma edição antiga e com uma tradução bem ruim e, por isso, pode ser que tenha perdido parte do encanto da leitura. Se puder, leia no idioma original. Ah, o livro tem uma continuação - The Best Awful -, que não sei exatamente sobre o que trata, mas tenho sim o interesse em ler eventualmente.


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Reza a lenda que o ano só começa de verdade depois do Carnaval e, por isso, vou aproveitar que ainda estamos no fim de janeiro para dar continuidade à ~award season~ deste prestigioso espaço da world wide web. Na segunda parte do Lunatic Pisces Awards, irei falar sobre as músicas, as vozes, as bandas e os álbuns que fizeram do meu fatídico 2016 um ano tolerável. Já começo por dizer que fazia muito tempo que não me sentia tão "musical" como me senti em 2016. É claro que tô sempre escutando música, mas não me recordo quando foi a última vez que fiz isso quase que com a mesma frequência com que respiro. Atribuo esta peculiaridade em minha personalidade ao fato de que o ano passado foi devastadoramente tenebroso e que apenas com uma trilha sonora 24/7 foi possível lidar com tamanho pesadelo.

E se 2016 foi um ano difícil, cheio de dores e crises para todos nós, no departamento musical foi só alegria. Primeiramente, porque resolvi explorar mais as funcionalidades e o catálogo do Spotify à procura de ~descobertas da semana~ e, segundamente (?), porque abracei de vez a causa dos sentimentos como únicos fatos. E uma vez que fiz isso, não teve volta, abri as portas da felicidade e uma revolução aconteceu por aqui. Na real, se tivesse que descrever a vibe musical de 2016, diria que foi um constante *screams internally*. Mas, chega de enrolação e me deixem explicar como é que essa folia vai funcionar: começarei por entregar troféus para os vencedores de algumas categorias criadas por mim e depois, partirei para a fabulosa lista dos meus discos favoritos de 2016.
Disclamer: acho importante frisar que 1) não escutei todos os lançamentos de 2016 e 2) o post é sobre o que eu escutei em 2016 e, por isso, a retrospectiva irá incluir coisas que não necessariamente foram lançadas durante o ano. Na verdade, a maior parte dos álbuns é de 2015 (risos) (sou sempre aquela que chega atrasada para a festa).
E agora, sem mais delongas, senhoras e senhores, eis a minha Retrospectiva Musical 2016!
(se preparem, porque é textão)


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É uma verdade universalmente desconhecida o fato de que eu levo um pouco a sério a escolha da primeira leitura do ano. Não sou uma pessoa que pensa muito antes de decidir qual será o próximo habitante da minha mesa de cabeceira; costumo escolher o que vou ler meio-no-impulso-meio-Deus-no-comando e se não rolar, tudo bem, vida que segue, tem outros livros. Contudo, a coisa muda de figura quando falamos da Primeira Leitura do Ano™.

Vejam bem, não estou falando apenas de uma leitura, mas sim daquele que será o pontapé inicial de mais uma jornada literária. Não posso simplesmente olhar para a estante e, aleatoriamente, tirar algo de lá. Não. A escolha do primeiro livro do ano é um procedimento que exige muito cuidado, dedicação, análise, pesquisa, etc. Gosto de pensar que a intensidade do esforço dedicado durante o processo é diretamente proporcional à qualidade literária do meu ano. As chances de encarar doze meses de leituras ~mais ou menos~ por conta de um começo mal planejado é real. E é por isso que começo a pensar no primeiro livro do ano desde dezembro. Deu certo na maioria dos casos.

***

Se a memória não falha, comecei 2010 com as palavras de Michael J. Fox em Um otimista incorrigível. Lembro que, na época, havia acabado de sobreviver ao meu primeiro ano de faculdade e à avalanche de emoções, concepções, desconstruções e decepções que essa fase da vida acarreta. Para coroar o bolo com uma cereja, lidei com um heartbreak e precisei por um fim em um dos relacionamentos mais tóxicos que já vivi. Assim, acompanhar um dos atores que mais me marcaram falando sobre as dificuldades de lidar com a descoberta do Mal de Parkinson durante o auge de sua carreira e das mudanças que ocorreram em sua vida - pessoal e profissional - sem se entregar às bad vibes foi inspirador. Hoje sei que foi com essa leitura que compreendi aquele ditado (?) que diz que quando uma porta se fecha, outras se abrem. Foram palavras otimistas para dar início a um ano que me trouxe O mundo de sofia, On The Road e Bukowski. Analisando do futuro, foi um ano bem legal. Já estava acostumada com o ritmo da faculdade, já estava em #paz comigo, me divertia horrores com os migos e fui à uma quantidade obscena de shows de rock internacional. 2010, que ano bom. SDDS, 2010.

Aí, dei as boas-vindas à 2011 com O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (a.k.a. autor que preciso conhecer mais). Respeitando a tradição de início de ano, estava no litoral e, entre mergulhos e sonecas, acompanhava a intensa e complexa história do jovem que vende sua alma em troca da juventude eterna. Irei poupá-los da rasgação de seda, apenas leiam este livro, por favor. Da mesma forma que as experiências vividas pelo protagonista da narrativa de Oscar Wilde oscilam entre agradáveis e o oposto disto, meu 2011 se revelou um ano agridoce. Foi durante este período que lidei com a primeira (?) e, possivelmente, pior crise de aNsIeDaDe de toda a minha existência. Contudo, concluí o ano com positividade e, novamente, na praia, onde iniciei meu contato com as histórias de Carlos Ruiz Zafón.

2012 também foi um ano bem legal e eu não poderia esperar menos de uma fase que tem início com A Sombra do Vento. O livro tem a sua quantidade de dor, violência, melancolia e muito sofrimento. Mas também consegue ser doce, divertido, assustador, mágico, envolvente e mais um monte de coisas que só livros realmente especiais podem ser. No livro da minha vida, escrevi os capítulos sobre ter 22 anos e comemorar meu aniversário com a casa cheia de amigos e familiares, fazer TCC, me formar na faculdade e, obviamente, não ter a menor ideia do que fazer depois disso. Mas, assim como acontece nas histórias de Zafón, foi em 2012 que meu avô sofreu um AVC e, consequentemente, mudanças do tipo doloroso começaram a ocorrer lentamente. Sem sombra de dúvidas, um ano agridoce.

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Na minha família temos uma tradição de sempre nos despedir do/iniciar o ano na praia. É assim desde que me entendo por gente e, mesmo quando rola um ~atraso~, para nós é como se a transição de um ano para o outro só estivesse realizada depois de alguns dias de praia, mar e muito sol. Este foi o caso dessa vez.

Passei a virada do ano em São Paulo e, embora agradável,  a ocasião não teve muito impacto. Não senti aquela vibe de mudança, sabem? Teve também o fato de que meus pais estavam longe, coisa que já tinha acontecido antes, mas mesmo assim, me gerou estranhamento. Preciso registrar que Ano Novo sem o pavê da minha mãe não é a mesma coisa.

Assim, me despedi de 2016 na companhia da minha irmã, meu cunhado e uma amiga deles. Demos muita risada, comemos e bebemos bastante, escutamos música e, claro, assistimos ao Show da Virada na Globo - porque somos brasileiros e é assim que as coisas acontecem por aqui. Também foi possível ver fogos pela sacada, o que eu achei ótimo porque, por mais que deteste o barulho, acho lindo de assistir e penso que é um costume legal para receber uma nova fase. Principalmente depois do fatídico 2016.

Das tradições particulares, a única que consegui manter foi a de ativar o shuffle e deixar o destino escolher a primeira música do ano e, consequentemente, lançar o tom do novo período que se inicia. Faço isso todo ano e tenho um ritual: espero o momento adequado - normalmente, quando as coisas estão mais calmas e eu já estou de pijama, deitada na cama e pronta para dormir -, apago as luzes, coloco fones de ouvido e deixo o modo aleatório fazer a sua mágica. Confesso que, de todos os costumes de despedida/início de ano,  este é o meu preferido. Sempre fico nervosa e apreensiva, com medo de começar o ano com uma nota negativa. Contudo, 2017 chegou de forma louvável ao escolher Rhiannon, do Fleetwood Mac, para sua estreia. Quédizê, não dá para esperar coisas ruins de um ano que começa com Fleetwood Mac. 
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Mas, como ia dizendo, temos a tradição de viver a transição de um ano para o outro na praia. E foi assim que, depois de jogar uns biquinis, uns vestidos e umas Havaianas na mala, na madrugada do dia seis de janeiro, caí na estrada junto com meus pais e minha irmã. Desde criança, gosto de fazer essa viagem e conheço de vista vários pontos da estrada. Adoro ver a paisagem de concreto de São Paulo ir se transformando em campos verdes - cheios de plantações de eucaliptos e de vaquinhas no pasto - e, depois, em vegetação litorânea. O céu muda, as cores mudam, o ar muda. E, consequentemente, as vibes mudam. Enquanto cochilava e escutava a minha playlist de rock pé na estrada, pude assistir ao nascer do sol. Viver é bom demais!

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