(Título original: Sandy, tão comum...)
Muito bem, já escutei, já assisti e li entrevistas, além de algumas críticas. Agora chegou minha vez de falar o que achei do álbum da Sandy. Pois bem, vamos lá. Em primeiro lugar, antes de escutar ao trabalho, uma coisa deve ficar bem clara: esqueçam a Sandy que todo o Brasil conhece, pois nem de longe se trata de algum projeto no estilo Sandy e Junior.

Sandy Leah (pronuncia – se leá) tem 27 anos, é uma mulher casada e com uma carreira sólida no campo musical que é de dar inveja a muita gente. Após a separação da dupla com o irmão, a cantora passou por um período de afastamento da mídia, no qual, creio eu, se dedicou a sua vida pessoal. Após três anos, ela apresenta ao público o seu primeiro trabalho solo: Manuscrito.

O álbum é uma produção dirigida por Lucas Lima (marido de Sandy) e Junior Lima. Pode parecer cômodo contar com o auxílio dessas pessoas, mas na verdade trata-se de um ato de coragem. Veja bem, tanto Lucas, quanto Junior são músicos experientes e de respeito no meio musical, no entanto, nenhum deles tem renome como produtor. Logo, o que para alguns pode ser uma ação acomodada, para mim é um risco que valeu a pena. O resultado é positivo.

Sandy assina as letras das 13 faixas que compõe o álbum, em parceria com Lucas, Junior e com a cantora britânica Nerina Pallot. Além disso, ela também é responsável pelos arranjos, além de tocar piano em algumas faixas. Pode – se dizer que este é o primeiro trabalho em que ela se envolve diretamente em todos os aspectos. Nada passava sem a aprovação da cantora, que também atua como coordenadora musical.

Como o título sugere, as letras seriam seus manuscritos, e refletem muito de sua personalidade. É como se, pela primeira vez, ela falasse de maneira sincera sobre o que sente e vive. Sandy, antes vista como uma princesinha meiga e eternamente sorridente, aparece em Manuscrito como uma pessoa que vive no século XXI e que, como todos nós, sofre com o mundo que enxerga. Muitas vezes parece até se tratar de uma pessoa melancólica. Mas aí, me pergunto: quem não tem seus momentos de tristeza? Em entrevistas, a cantora disse, que é nos momentos mais melancólicos que tem inspiração para compor.

As letras são bastante introspectivas e carregadas, razão para o uso de arranjos mais simples. A cantora explicou que quando a mensagem é forte, não existe a necessidade de músicas cheias de detalhes rebuscados, que podem tirar a atenção das letras.

Destaques

Pés Cansados 
Quantas vezes simplesmente cansamos da vida como ela é e pensamos em desistir do que fazemos e até mesmo dos nossos sonhos? É mais ou menos essa a ideia da música. No fim, “depois de quase desistir”, compreendemos que é importante continuar no trilho, no caminho. É a primeira música de trabalho.

Quem Eu Sou 
Quando se é jovem, quantas vezes nos olhamos no espelho e nos fazemos exatamente essa pergunta? No fundo, estamos sempre buscando nos encontrar enquanto vivemos. Provavelmente é a faixa mais “agitada”.

Tempo
Sabe quando acontece uma coisa ruim, seguida de uma onda de acontecimentos ruins que até nos esquecemos de como era a vida sem eles? A música fala sobre isso, mas ao mesmo tempo nos oferece uma solução: a esperança de que é só uma fase e que “vai passar”.

Mais um rosto
Enxergo como uma continuação de “Abri os Olhos” (última música de trabalho em dupla). Na música, a cantora diz se disfarçar sempre. É aquela velha história de nunca podermos nos mostrar como realmente somos, forçados a nos esconder por trás de máscaras. 

Dias Iguais
A música tem trechos cantados em inglês pela cantora Nerina Pallot. É uma das faixas mais angustiantes, no entanto com o arranjo mais bonito do álbum. A letra discorre a respeito da mesmice de todos os dias, onde esperamos por algo que não sabemos exatamente o que é, e que sabemos que de alguma forma não vai acontecer.

Após escutar Manuscrito, constatei que Sandy é um ser humano como qualquer outro, cheio de dúvidas, questionamentos pessoais sobre a vida e sobre o mundo. No fim de tudo, é uma pessoa comum e totalmente diferente da figura no imaginário criado pela imprensa ao longo de seus quase 20 anos de carreira. O que vemos em Manuscrito é uma cantora se reinventando e finalmente se apresentando. 

Texto originalmente postado em um blog já falecido, mas que resolvi importar para este espaço. - M.



No dia 13 de março, Axl Rose e a nova formação do Guns N’ Roses subiram no palco do Estádio do Palestra Itália, para apresentar a nova turnê e mostrar que o Guns continua sendo, bem, o Guns N’ Roses. A última vez que a banda esteve no país, foi em 2001, no Rock in Rio.

Tá certo que o show estava marcado para começar às 21h30, e o público sabia que teriam três shows de abertura, entre eles, o de Sebastian Bach, convidado especialmente para abrir os shows da banda aqui no Brasil.

Às 21h50, Sebastian sobe no palco e começa o show de abertura. Aquilo não foi uma abertura. Francamente, ninguém toca mais de 8 músicas em uma apresentação de abertura. Cada vez que uma música terminava, Bach se virava para o público e avisava: “essa é a última, São Paulo”. Depois que a “última” chegava ao fim, ele anunciava a próxima última música de sua apresentação.

Agora, engana –se quem pensa que a apresentação do ex-Skid Row, foi uma chatice. Muito pelo contrário, Sebastian apresentou músicas inéditas de seu novo trabalho e tocou clássicos de sua carreira como 18 And Life e I Remember You. Sua apresentação terminou às 23h30.

Rapidamente, uma equipe técnica começa a organizar o palco para o grande show da noite. À meia – noite, o palco já estava montado, mas o som que se escutava era Highway to Hell, do AC/DC, provavelmente em CD. O público já estava impaciente. Começaram a rolar boatos de que a banda não se apresentaria, tendo em vista o “bolo” que Axl deu em um grupo de celebridades que deveriam assistir a um show da banda em uma boate, na dia 11.

De repente, as luzes se apagam. O relógio marca 00h40. Escuta- se o som dos primeiros riffs de Chinese Democracy, e a banda começa a se posicionar no palco. Axl Rose entra cantando. Muitos gritos! Logo após o primeiro refrão, Rose ordena que os demais integrantes parem de tocar imediatamente. O motivo: algum indivíduo na ala vip se sentiu no direito de arremessar uma garrafa/copo no vocalista. Depois de xingar o elemento, Axl se virou para a sua platéia e, gentilmente, perguntou: “de onde devemos continuar?”. Deste momento em diante, a banda estava completamente perdoada pelo “pequeno” atraso de 3 horas.

No set list, estavam presentes sucessos dos primeiros álbuns da banda, as músicas novas, covers, como Live and Let Die, de Sir Paul McCartney, e solos dos novos integrantes (uma forma de apresentação dos músicos). Destaque para o solo de Dizzy Reed no piano, para o clássico Ziggy Stardust, de David Bowie, seguido pela belíssima Street of Dreams.

Apesar das músicas da nova fase do Guns serem ótimas, o público se arrepiou mesmo foi com os clássicos. Logo após a abertura, a banda seguiu com Welcome to the Jungle, e nem é preciso dizer que o estádio tremeu na hora que Axl perguntou ao público se sabiam onde estavam. “Do you know where you are? You’re in the jungle, baby!”.

Chegou a hora do solo de Axl. Tranquilamente, se sentou ao piano e começou a tocar e cantar o clássico do Pink Floyd, Another Brick in the Wall, Pt.2, e a galera gritou junto no famoso “hey, teachers! Leave the kids alone!”. Em seguida, Rose começou a tocar os primeiros acordes de November Rain, as lágrimas começaram a rolar e os aparelhos celulares começaram a balançar no alto.

Bem na hora em que começa a “parte agitada” da música, Axl fez uma pausa. Abaixou a cabeça. Olhou para o público. Respirou. Olhou para os demais integrantes, e fez o sinal de aprovação. A banda continuou. Eis que entra o som de guitarra, e vem em mente a imagem de Slash tocando no meio do deserto. O problema? Slash não está lá, e faz anos. No palco, os três guitarristas surpreendem no solo final, ao mesmo tempo que fogos explodem no palco e Axl canta os versos finais da música. Muitos gritos e aplausos confirmam a aprovação do público.

O conhecido cover de Knockin’ on Heavens Door, de Bob Dylan, não poderia faltar. E foi provavelmente um dos momentos mais emocionantes da noite. Nessa música, Axl pediu desculpas pelo atraso e explicou que não compareceu ao show fechado no dia 11, porque não concorda com esse tipo de evento, disse que faz shows para os fãs e não para celebridades que querem shows exclusivos. Não concordou em fazer a apresentação, mas que mesmo assim, alguém havia confirmado a presença da banda. Neste momento, aproveitou para pedir desculpas por não alcançar todas as notas altas, devido a uma forte gripe que atingiu toda a banda, e que também foi o motivo do atraso. Axl Rose pediu desculpas pela voz, mas as falhas vocais não eram perceptíveis. Foi surpreendente a capacidade apresentada em This I Love, em que Rose alcançou notas altíssimas.

Antes de finalizar o show, a banda apresentou Patience, com direito a um estádio de futebol inteiro assoviando de braços erguidos com celulares brilhando. O Guns se despediu, como de costume, com Paradise City, que também não deixou a desejar. Após a execução da última música, a banda se reuniu no palco, e agradeceu ao som ensurdecedor dos berros de “Guns N’ Roses! Guns N’ Roses!”.

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Texto originalmente publicado em um blog já falecido, mas que resolvi importar para este espaço. Por favor, perdoem o tom meio ~pedante~ de quem acha que sabe de tudo; eu era uma jovem universitária. #PAZ

- M.



Some are like water, some are like the heat
Some are a melody and some are the beat
Sooner or later they all will be gone
Why don't they stay young?

Depois das festas de fim de ano e de assistir a queima de fogos na praia e debaixo da chuva, chegou a hora de escutar a primeira música de 2010. Ativei o shuffle do mp3 player e esperei ansiosamente pela surpresa. O resultado foi interessante: Forever Young.

Fechei os olhos e escutei calmamente a cada palavra que era cantada. Basicamente, a música fala de como a vida passa rápido e de como é difícil imaginar o processo de envelhecimento. 

Let us die young or let us live forever. Acho que todo jovem já pensou e desejou isso. A questão não é querer morrer jovem, mas sim não querer envelhecer. Não, não se trata de não querer envelhecer. Trata – se do medo de envelhecer.

Vejam bem, a velhice faz parte do processo natural da vida de um ser humano. Você nasce, cresce, vive e morre. Simples assim. No entanto, não sei vocês, mas só a ideia de ficar velha já é suficiente para fazer meu cérebro travar.

É claro que sinto medo de envelhecer, e acredito que muitas pessoas também sintam, e que muitas das que não sentem, é porque não pararam para pensar nessa situação. 

Talvez o medo não esteja tanto no ato de envelhecer, mas sim no que podemos perder durante o processo. Quando se é jovem, se enxerga o mundo e a vida com certos olhos e me parece que, ao envelhecer, mudamos a maneira como observamos o que está ao nosso redor...

É como se perdêssemos aquela “essência” típica da juventude. Mas o que é que eu sei sobre isso? Tenho apenas 19 anos e a minha vida está só começando. Mesmo assim, tenho medo de rugas.

It's so hard to get old without a cause
I don't want to perish like a fading horse
Youth is like diamonds in the sun,
And diamonds are forever


Um ótimo 2010!



Texto originalmente postado em um blog já falecido, mas que resolvi importar para este espaço.
- M.