Segunda-feira o ano chega ao fim e eu e meus botões estamos aqui pensando no 2012 que se vai. Foi um ano bastante interessante para mim, principalmente no quesito musical. Descobri muita coisa nova e acabei percebendo que estou numa fase meio indie, mas atual. Com essa ideia em mente, resolvi fazer um post com uma breve retrospectiva musical, mostrando para vocês um pouquinho do que mais marcou o meu 2012. Lembrando que nem tudo o que vou mostrar aqui foi lançado este ano, tá? Preparados? Então, vamos!


Lana Del Rey
Conheci Lana Del Rey em janeiro, às vesperas do lançamento do álbum Born To Die. Gostei tanto, mas tanto que tive que escrever um post sobre a cantora e suas incríveis músicas com um toque de retrô e sonoridade moderna (que você pode ler aqui). Me acabei de escutar o álbum lançado no início do ano, porém, não caí de amores pelo Paradise Edition. Como a faixa título já apareceu por aqui, vou compartilhar com vocês outra faixa que gosto bastante: Summertime Sadness. (Para escutar, clique aqui).

Ed Sheeran
Já contei para vocês como conheci o Ed Sheeran aqui. Desde então, não consigo largar as músicas desse sujeito ruivo e incrivelmente fofo. Seu álbum de estreia, + (pronúncia: plus), fez a trilha sonora do meu ano com toda a certeza dessa vida. Como no outro post já falei bastante sobre ele, vou compartilhar apenas o vídeo de Give Me Love (clique aqui para escutar), a minha música preferida.

Feist 
Nunca liguei para Feist. E, para ser bem sincera, nunca escutei de verdade nenhum de seus trabalhos até conhecer a música Graveyard em um episódio de One Tree Hill. A mesma música também fez parte da quinta temporada de Gossip Girl. Como gostei muito da música, resolvi escutar o álbum em que a dita cuja se encontra: Metals, de 2011. Por ter uma sonoridade que remete a dias frios, este álbum marcou principalmente o meu inverno de 2012. A faixa escolhida para aparecer aqui no post é The Bad In Each Other. (Para escutar, clique aqui)

Angus & Julia Stone 
Os irmãos australianos Angus e Julia Stone formaram um dueto e inciaram suas carreiras musicais em 2006. Porém, a blogueira que vos escreve só teve acesso à dupla em 2012...não se sabe o porquê. Acredito que a faixa de maior sucesso deles tenha sido Big Jet Plane, do álbum Down The Way, lançado em 2010 e que eu cansei de escutar nas rádios este ano. A dupla faz um som meio folk-indie bastante relaxante. Ótimo para noites de verão ou tardes de inverno chuvosas. Para o post, escolhi a música que considero a mais bela da banda: Yellow Brick Road (clique aqui para escutar). O solo de guitarra no final é muito amor.  ❤

Gotye 
Outro que bombou na minha vida esse ano foi o belga-australiano Gotye - que na verdade se chama Wolden De Backer, mas ok. Neste post aqui, falei bastante sobre o álbum de estreia do cantor e mostrei as minhas faixas preferidas. Apenas acrescentarei que Gotye fez a trilha sonora da minha vida até uns dois meses atrás, quando simplesmente cansei de escutar. A voz dele lembra um pouco a do Sting - e, me matem, mas tem horas que parece a do Bono - e suas músicas combinam muito com dias de outono, meio nubladinhos. A escolhida para o post - obviamente - é a conhecidíssima Somebody That I Used To Know (se ainda tiver coragem de escutar, clique aqui), porém em sua versão original, e não naquele remix HORROROSO que já tive o desprazer de escutar nas rádios.

Blue Foundation 
E, para finalizar a retrospectiva: Blue Foundation. A primeira vez que escutei Blue Foundation foi assistindo Crepúsculo, que tem Eyes On Fire (clique aqui para escutar) na trilha sonora. Na época, 2008, nem liguei. Mas, esse ano resolvi escutar o álbum Life of a Ghost e o fato é que, no momento, este é o álbum da minha vida. Tudo e todas as faixas neste trabalho me agradam. Tudo. Sem exceções. Uma experiência bem agradável que realizei em 2012 foi escutar o Life of a Ghost enquanto lia A Culpa é das Estrelas, do John Green. O resultado foi harmonioso e agradável. Indico o álbum para noites/madrugadas de insônia e dias de temperatura amena.


(Para escutar os álbuns completos, basta clicar nas capas)


Já posso riscar mais um livro da minha lista de metas de leitura para 2013: "Marina", do Carlos Ruiz Zafón. Minha primeira leitura de 2012 foi um livro dele e, desde então, estou completamente apaixonada por sua forma de escrever.

"Ninguém entende nada da vida enquanto não entender a morte"

Em "Marina", Zafón nos faz viajar novamente pela Barcelona do passado. Desta vez, o leitor se encontra no final da década de 1970 e acompanha a história do adolescente Óscar Drai. Estudante de um colégio interno católico e bastante rígido, Óscar é um rapaz responsável que adora passar suas horas vagas passeando pelo centro de Barcelona, desvendando os mistérios das construções históricas da cidade. Em um de seus passeios, repara pela primeira vez a presença de um antigo casarão, escondido em um canto de uma rua igualmente escondida.

Curioso - principalmente pela presença de um gato atacando um pardal -, Óscar se aproxima da casa apenas para ficar ainda mais intrigado com o canto de uma voz feminina que parece sair da construção. No momento em que decide entrar na casa para descobrir o que está acontecendo, Óscar tem a sua vida mudada para sempre.

Alguns dias depois, Óscar conhece Marina, uma jovem encantadora com idade próxima à sua e que adora mistérios. Juntos, os dois resolvem visitar o antigo cemitério da cidade e descobrem que em todos os últimos domingos do mês uma dama vestida de preto costuma visitar uma lápide sem identificação, exceto por uma marca: uma borboleta negra. Unidos pela curiosidade, Óscar e Marina decidem seguir a dama de preto e desvendar o seu mistério. Com esse gancho, Zafón nos faz voltar a um passado ainda mais distante, apresentando um mistério bastante envolvente.

Sei que sou suspeita para falar dos livros do autor, mas achei "Marina" realmente muito bom. A narrativa é muito gostosa e envolvente, do tipo que prende o leitor. Os personagens são cativantes e, aos poucos, sentimos vontade de saber um pouco mais sobre eles. O mistério central do livro também não decepciona, fazendo com que a cada fim de capítulo o desespero para descobrir o desfecho da história aumente (o livro tem poucas páginas, o que motivou ainda mais a minha vontade de terminar). Um dos aspectos que mais gosto na forma de escrever do Zafón é a forma como ele descreve as situações, fazendo uso de expressões criativas e divertidas sem deixar o leitor entediado. Com "Marina", por vezes, me arrepiei com os acontecimentos narrados que beiram o bizarro. É um misto de Edgar Allan Poe e...não sei o quê. A "investigação" de Óscar e Marina nos leva a perceber que a misteriosa dama de preto é apenas a ponta do iceberg e Zafón nos guia numa incrível jornada ao passado, cheia de altos e baixos e grandes reviravoltas. 

Em linhas gerais, "Marina" é um livro de mistério, com uma narrativa agradável e surpreendente. Indico à todos que - assim como eu - amam os livros do Zafón e também para aqueles que nunca leram nada do autor (se quiserem saber um pouco mais sobre ele, leiam a resenha que fiz sobre o livro "O jogo do anjo"). Ah, vale lembrar que este livro não faz parte da série do Cemitério dos livros esquecidos escrita pelo autor.


A minha lista de leituras para o ano que vem já pode eliminar um livro! As vantagens de ser invisível, de Stephen Chbosky, nos traz a história de Charlie, um adolescente não muito sociável que está prestes a iniciar o High School - algo como o Ensino Médio que temos por aqui - em uma nova escola.

Charlie é um garoto tímido, do tipo que está sempre sozinho, se isola e não costuma socializar muito com outras pessoas. A ideia de iniciar o High School em uma escola nova é muito assustadora, por isso, ele resolve que precisa contar o que acontece com ele - os fatos, suas lembranças, suas sensações, etc. - para alguém de confiança, alguém que não tentou dormir com aquela pessoa naquela festa. Dessa forma, o livro é escrito por Charlie em forma de cartas em que ele vai narrando o que aconteceu. As cartas sempre iniciam com "Dear friend" e terminam com "Love always, Charlie" - a edição que li é em inglês, por isso, as citações não estão em português.

Conforme a leitura avança, podemos conhecer um pouco da família de Charlie e a sua ligação com cada um de seus membros; o interessante é que ele nunca menciona o nome de ninguém, chamando sempre de "meu pai", "minha irmã", "meu avô", etc., e a única exceção é a sua Tia Helen. Desde a primeira carta, já fica claro que Charlie tem uma ligação muito forte com a sua tia e que algo muito ruim aconteceu com ela, mas ele demora um pouco para nos explicar o que aconteceu.

Já no começo, fica claro que Charlie é um garoto problemático que já precisou fazer muita terapia para superar algum trauma que só fica claramente explicado na parte final do livro - até lá, o leitor já formou inúmeras teorias -, e que está relacionado à sua dificuldade de socializar, de participar na vida. Em sua nova escola, Charlie encontra apoio nas amizades de Patrick - o garoto mais legal da escola, super engraçado e amigo de todos - e Sam, uma garota doce, simpática e, de certa forma, ingênua.

Mesmo sabendo que Charlie passou por algo traumático, a narrativa nas cartas nem sempre é pesada. Muito pelo contrário, em alguns momentos é engraçada, em outros, traz reflexões e, em outros, apenas nos conta as histórias dos personagens ou a rotina de Charlie em um determinado dia. É uma leitura bem simples e agradável. Com o tempo, já estava tão envolvida com a história, que considerava Charlie meu amigo. Sentia as alegrias dele e sofria com suas tristezas.

"When we got out of the tunnel, Sam screamed this really fun scream, and there it was. Downtown. Lights and buildings and everything that makes you wonder. Sam sat down and started laughing. Patrick started laughing. I started laughing. And in that moment, I swear, we were infinite".

O livro me lembrou muito O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, um dos meus livros preferidos e um clássico que aborda justamente questões da adolescência, como se sentir deslocado e a dificuldade em se adaptar ao mundo dos adultos. Aliás, este é um dos livros que Charlie lê e nos fala sobre. Seu professor de literatura, Bill, percebe as dificuldades de Charlie e lhe indica uma série de livros que possam lhe ajudar de alguma forma. Eis alguns títulos: O apanhador no campo de centeio, O grande Gatsby, On The Road, O sol é para todos, Este lado do paraíso, Uma ilha de paz, Almoço nu e A vida nos bosques.

Além das referências literárias, Charlie nos traz várias indicações musicais. Como o livro se passa no início dos anos 1990 (entre agosto de 1991 e agosto de 1992), a maioria delas são conhecidas: The Smiths, Nirvana, Fletwood Mac, Smashing Pumpkins, U2 e por aí vai. Uma experiência bem legal é ler o livro escutando as músicas.

As vantagens de ser invisível é um livro sobre a adolescência e traz temas fortes como violência, uso de drogas, abuso e homossexualidade. Mas tudo de uma maneira bem sutil e delicada. Quando a leitura acaba, a saudade bate e ficamos curiosos para saber mais sobre a vida de Charlie e de seu universo. Indico à todos que, como eu, amam O apanhador no campo de centeio.


Desde que me despedi de "Harry Potter", em 2007, nunca mais encontrei uma série que me viciasse e me deixasse com vontade de devorar os livros imediatadamente. Isso mudou este ano, porque conheci não uma, mas DUAS séries que me encantaram demais. A primera foi a de "Jogos Vorazes". Juro que li tudo em mais ou menos quinze dias. A segunda ainda não terminei, mas já estou completamente apaixonada pelo enredo, pela narrativa e, principalmente, pelos personagens.

Lembra quando estávamos na escola e a professora de História falava sobre a Grécia Antiga, a Mitologia Grega e todos aqueles deuses do Monte Olimpo? Então, agora imagine que toda a parte que envolve a mitologia, os deuses, os heróis e monstros fosse verdadeira. É sobre isso que o livro "O ladrão de raios" trata.

Primeiro livro da série Percy Jackson e os Olimpianos, "O ladrão de raios", de Rick Riordan, nos traz a história de Perceu Jackson - ou Percy, como ele prefere ser chamado - um menino nova iorquino de doze anos que leva, aparentemente, uma vida normal. Percy mora com sua mãe e com seu padrasto fedorento em um apartamento no Upper East Side, porém, não os vê com muita frequência pois passa a maior parte do tempo em colégios internos, de onde acaba sendo sempre expulso. Os motivos das expulsões são variados, mas sempre envolvem uma série de acontecimentos estranhos, como uma professora que simplesmente resolve atacá-lo em uma excursão à um museu. Ah, antes de atacar, a professora se transformou em um monstro.

Após mais um desses acontecimentos estranhos, Percy acaba conhecendo o Acampamento Meio-Sangue, um lugar onde os heróis - filhos de mortais e deuses - treinam suas habilidades e aprendem a se defender de possíveis ataques de monstros. Lá, Percy conhece Quíron, um centauro responsável pelo treinamento dos heróis, que lhe explica que os deuses do Olimpo existem de verdade, assim como todos os mitos gregos. Ao mesmo tempo, descobre-se que um artefato muito importante e valioso foi roubado do Monte Olimpo e Percy se transforma no principal suspeito. Na companhia de seus amigos Grover, um sátiro, e Annabeth, filha de Atena, Percy parte em uma missão para recuperar o artefato, provar a sua inocência e proteger o mundo Ocidental de mais uma guerra entre os deuses.

A princípio, a minha opinião sobre a série era negativa e...preconceituosa. Sim, preconceituosa, porque o pouco que eu sabia da história era baseado no filme - que eu não assisti, diga-se de passagem. Mas aí, depois de uma certa insistência da minha irmã e de uma amiga, tive que ceder e ler. A narrativa, feita pelo próprio Percy, é muito divertida, simples e cheia - mas assim, cheeeia - de sarcasmo. Do começo ao fim, o Percy tem umas tiradas animais. Sério. Perdoem o vocabulário, mas é que só consigo definir assim. Claro que as tiradas são próprias de um garoto de 12 anos, né? Mas nem por isso são menos divertidas.

Até a metade do livro, estava achando tudo muito bacana, mas de alguma forma, parecia que a leitura não tinha engatado. Eu estava lendo rápido e tal, mas não conseguia entender qual era a do livro, porque estava tudo muito simples, tudo muito previsível. Mas, é claro que Rick Riordan não ia fazer isso comigo. Ele tinha que me surpreender no final. E foi justamente aí que Percy me ganhou. Devorei o segundo volume e, no momento, estou lendo o terceiro - tão maravilhoso e surpreendente quanto os volumes anteriores.

Outra coisa bem interessante, é a forma como a Mitologia Grega é apresentada no livro: "se você está familiarizado com esses personagens ancestrais, vai ficar impressionado pelo modo como Riordan os utiliza. Se não os conhece, esta será uma apresentação empolgante". Esta citação foi retirada do jornal The Guardian, e aparece na capa do Livro Três, "A Maldição do Titã", e serve muito bem para explicar a sensação que tive ao ler o livro. Fiquei impressionada pela maneira como Riordan "brinca" com os deuses em sua história e o melhor é que tudo faz sim muito sentido. Indico a leitura à todos aqueles que gostam de uma boa aventura. E que fique claro que não é porque se trata de um livro escrito para um público infanto-juvenil que a história é boba e sem graça, viu?


 (Ou: Sobre ser livre para ler o que quiser)

Há algumas semanas (ou foi um mês?) o blog Happy Batatinha lançou o Meme Literário de Um Mês, no qual cada dia os blogueiros tinham que responder à uma pergunta relacionada às suas leituras. Não participei do meme, mas andei lendo as respostas de um monte de gente por aí e foi bem legal - tanto para ver sugestões, quanto para conhecer um pouquinho mais dos blogueiros e blogueiras que sigo. Enfim, entre todas as perguntas, teve uma em especial que me chamou atenção e gostaria de compartilhar com vocês um pouco do que penso sobre o assunto, ok? 

O que você acha da elitização da literatura?(Você acha que realmente só é intelectualizado aquele que lê os clássicos da literatura? Que ler 1000 livros “de banca” não equivalem a 10 clássicos? O que você acha das pessoas que criticam a literatura “para a massa”, os blockbusters literários? É mesmo possível julgar o nível de intelecto de uma pessoa pelo que ela lê? Você tem algum preconceito literário?)

Não gosto de pensar em literatura como algo elitizado. Claro que para mim é fácil dizer, já que tive acesso à educação de qualidade e pais que sempre me incentivaram a ler. Nem todo mundo pode ter isso. Porém, já cansei de encontrar gente com as mesmas oportunidades que eu tive e que não gosta de ler, acha que é perda de tempo. Da mesma forma, já encontrei muita gente que não teve acesso à uma boa educação, mas que foi atrás, correu atrás de seus sonhos e que já leu muito mais que os leitores assíduos que encontramos por aí. Claro que a "elite" tem um acesso muito mais fácil aos livros, até porque, infelizmente, livros ainda são muito caros aqui no Brasil.

Outro ponto que gostaria de destacar é que a leitura é uma forma de lazer, logo, espera-se que seja algo divertido. Se uma pessoa se diverte lendo Nicholas Sparks e Cinquenta tons de cinza, ótimo! Se gosta de Franz Kafka e George Orwell, ótimo também! Se gosta de leitura teórica/acadêmica e isso te faz feliz, perfeito! O que importa é você ser feliz lendo o que você gosta de ler. Eu, particularmente, não consigo ler romances de banca, mas não tenho absolutamente nada contra quem o faz. Da mesma forma, não costumo ler muito chick-lit, detestei Crepúsculo e não tive o mínimo interesse pela trilogia Cinquenta tons. Ah, também não manjo quase nada de literatura brasileira (shame on me, I know). Isso tudo me faz uma pessoa melhor ou pior? Claro que não. 

Sendo assim, ninguém deveria ser julgado por gostar de Stephenie Meyer, Meg Cabot, E.L. James, Paulo Coelho, Dan Brown ou qualquer outro escritor que pisa ou que já tenha pisado neste planeta. Até onde eu sei, o Brasil é um país livre, uma democracia e, sendo assim, cada um de seus cidadãos é livre para gostar do que quiser e para ler o que quiser. Com exceção do vestibular.

E não, não se pode medir o intelecto de ninguém com base em suas preferências literárias. A gente é tudo o que a gente lê, vê e escuta; e com isso quero dizer que muito do que a gente consome culturalmente influencia em nossa maneira de pensar e de enxergar o mundo e seus indivíduos. Com isso em mente, eu procuro manter um certo equilíbrio em minhas leituras, que variam entre best-sellers e clássicos. Mas essa sou eu, esse é o meu jeito de enxergar as coisas e ele funciona para mim. Quem sou eu para sair dizendo para as pessoas o que elas podem ou não podem fazer? O que devem ou não devem ler? 

O mais importante é a pessoa gostar de ler e se divertir fazendo isso. E com essa afirmação, eu finalizo o post de hoje.

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PS: amanhã será a minha banca de TCC. Por favor, me desejem sorte! Obrigada! Beijos


Lembro de ter assistido à A Casa do Lago logo que chegou às locadoras, em 2006. Na época, achei o filme legalzinho e nem dei muita bola. Aí, um dia desses, sem muito o que fazer, resolvi dar uma segunda chance ao filme e achei adorável. Muito bonitinho mesmo.

O filme nos traz a história de Kate Forster (Sandra Bullock), uma médica que vive em função de sua profissão e está sempre sozinha, exceto pela companhia de sua cachorrinha, com quem vive numa casa à beira de um lago em uma cidazinha. Certo dia, Kate decide que está cansada da vida que está levando e decide se mudar para uma cidade grande, onde poderá trabalhar em um hospital agitado. Antes de partir, ela deixa uma carta para o novo inquilino na caixa de correio da casa.

Ao chegar ao seu novo lar, em uma casa à beira de um lago, Alex Wyler (Keanu Reeves) fica intrigado com uma carta deixada pela antiga locatária da casa, que se desculpava pelas marcas de pegada de cachorro deixadas na entrada. Alex acha tudo muito esquisito, pois não encontrou marca nenhuma. Outro fator que o intriga é o fato de a casa estar com uma aparência de abandonada, com a pintura descascada e toda empoeirada, como se estivesse fechada há anos. De uma forma muito estranha, Alex e Kate passam a se corresponder, sempre deixando as cartas na caixa de correio na frente da casa do lago, sem nunca se encontrarem.

Gostei tanto desse filme que decidi que irei comprar o DVD para a minha coleção. Indico à todos.


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Já fazia um tempinho que eu estava querendo ler mais um livro de Jane Austen - já li o Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade -, aí, quando encontrei o livro Persuasão nessa edição lindinha da Martin Claret, tive que comprar e ler rapidinho.

Última obra escrita por Jane Austen e publicada em 1918, após a sua morte, Persuasão traz a história de Anne Elliot, uma heroína que foge dos padrões de Austen. A obra está ambientada em um período em que a burguesia começava a ascender na Inglaterra - os novos ricos atingiam este status como resultado de seu trabalho - , enquanto a nobreza decadente tentava se manter no topo. 

Os Elliot são justamente essa nobreza decadente, que não tem onde cair morta, mas continua se importando com o status de cada uma das pessoas que cruza o seu caminho. Sir Walter Elliot e sua filha mais velha, Elizabeth, são aquele tipo de gente que só se importa com carruagens de luxo e jantares extravagantes; Para Sir Walter, Elizabeth é mais bela de suas filhas e, mesmo já estando em uma idade avançada, ainda tem grandes chances de se casar com um herdeiro de nome importante. Mary, a filha mais nova de Sir Walter, se casou com Charles Musgrove, herdeiro de uma grande fortuna. Apesar de ter um bom coração e estar sempre disposta a ajudar àquelas que necessitam, Mary também é um tanto preconceituosa, acreditando que apenas aqueles que nasceram em um berço nobre são merecedores de seu respeito e atenção.

No meio disso tudo está a protagonista, o "patinho feio" da família. Uma mulher de bons modos, meiga e que adora leitura, Anne é completamente diferente de seu pai e de suas irmãs. Aos 27 anos, ela já perdeu as esperanças de um dia se casar e ainda sofre em silêncio pelo rompimento de um noivado 8 anos antes. Frederick Wentworth e Anne Elliot se apaixonaram e pretendiam casar, mas Anne foi persuadida por Lady Russell - a mulher que a havia criado após a morte de sua mãe - a repensar a sua decisão, pois Wentworth não tinha absolutamente nada e, por isso, não era merecedor do amor da senhorita Anne. O destino, porém, resolveu pregar uma peça em Anne ao colocar Frederick Wentworth - agora um rico capitão, parte da nova classe social emergente - novamente em sua vida e prestes a se casar com uma de suas amigas.

A leitura de Persuasão foi bastante agradável, mesmo com o excesso de descrições bastante comuns nos livros de Jane Austen. Gostei do fato de a protagonista ser mais velha, ao contrário das irmãs Dashwood (Razão e Sensibilidade) e das irmãs Benett (Orgulho e Preconceito), que são adolescentes ou jovens adultas. Alguns elementos me irritaram um pouco, mas acho que é porque se trata de uma época distante e bem diferente. Como de costume, Jane Austen faz uma crítica à sociedade inglesa, porém em Persuasão ela não o faz de maneira sutil como em seus outros livros. Acredito que, até o momento, este seja o meu livro preferido da autora. 

Em tempo: em uma das cenas de A Casa do Lago, Kate e Alex conversam sobre Persuasão, o livro preferido de Kate. <3 


Até poucos meses atrás não tinha a mínima ideia de quem era Paula Pimenta e tampouco conhecia a sua famosa série de livros "Fazendo Meu Filme". Conheci por meio do blog "A Series of Serendipidy", da Melina Souza e, desde então, fiquei curiosa para saber do que se tratava.

A princípio, ao ler o que a Mel disse, achei bacaninha, mas meio manjadinho. Meio draminhas de adolescentes no colégio e etc., e, por um lado, é meio assim. O grande diferencial - a meu ver - é o fato de ter sido escrito por uma autora brasileira. Por favor entendam que eu gostei do livro, achei super divertido e adorei as referências à cultura pop. Vou parar de enrolar.

"Fazendo Meu Filme - A Estreia de Fani" é o primeiro livro de uma série de quatro volumes escritos por Paula Pimenta. Narrado em primeira pessoa pela protagonista, Estefânia - ou Fani, para os amigos -, "Fazendo Meu Filme" trata do universo adolescente, dos anseios e descobertas dessa fase da vida. 

Fani é uma garota de 16 anos que - ao contrário de muitas meninas de sua idade - não gosta muito de sair de casa, de ir à festas badaladas e de participar de todas essas formas de interação jovem. Para ela, a melhor coisa do mundo é sentar no sofá e assistir à um DVD enquanto devora um delicioso brigadeiro de panela.

"(...) ter que ficar fazendo carinha de boa para não ter que aturar a todo minuto alguém vindo perguntar o motivo da minha braveza...Ufa! Prefiro sinceramente ficar no meu quarto, meu castelinho encantado, com meus livros, DVDs, computador..."

Quando não está assistindo aos seus DVDs ("Uma Linda Mulher", "As Patricinhas de Beverly Hills" e "Para Sempre Cinderela" são alguns de seus preferidos), Fani está junto com Gabi, Natália e Leo - seus melhores amigos -, ou dividindo o seu tempo entre as aulas de inglês e as lições de casa do colégio católico em que estuda. Fani sonha em um dia ser cineasta, pois a sua grande paixão na vida é o cinema.

Sua vida muda quando seus pais lhe apresentam uma oportunidade que poderá abrir muitas portas em seu futuro: um intercâmbio de um ano na Inglaterra! Fani fica encantada com a ideia, porém fica dividida entre aceitar a proposta dos pais e manter a sua rotina com seus amigos, em Belo Horizonte. Se me permitem, vou citar aqui um trechinho da contra-capa do livro:

" (...) É sobre isso que trata este livro: o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida de continuar a sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em outro país e mergulhar num mundo de novas possibilidades."

Fani é uma garota comum e acredito que seja justamente por isso que seja tão popular entre as leitoras da blogosfera. É impossível não se identificar com ela em algum ponto da história. Estudar na mesma turma que uma patricinha chata e fresca, ter uma quedinha por algum professor, se sentir desconfortável em uma festa cheia de gente, não se lembrar do primeiro porre, sofrer por causa dos exercícios de matemática...Para todas estas situações, minhas leitoras, eu vos pergunto: quem nunca?

Ao ler o livro, muitas vezes, eu tinha a sensação de estar conversando com Fani, de conhecê-la, como se ela fosse uma amiga minha. Assim como Fani, nunca fui muito de sair de casa, detestava boa parte das pessoas na minha escola e, para mim, uma grande diversão era passar as tardes curtindo a minha coleção de DVDs.

Uma coisa que achei bem legal em "Fazendo Meu Filme" é que cada capítulo inicia com uma citação de algum filme da coleção de Fani, e essa citação está relacionada aos acontecimentos do capítulo. Os capítulos são curtinhos e fáceis de ler, o que faz com que a leitura seja bem rápida.

Quem gosta de assistir a filmes - principalmente comédias românticas - vai adorar a leitura, porque a Fani acaba listando vários títulos e comentando um pouquinho; de certa forma, o livro serve também como um guia de filmes. Além dos filmes, adorei as referências musicais: The Police, Oasis, Tribalistas...Muito legais mesmo.

Já no que diz respeito ao design do livro, não tenho do que reclamar. A diagramação é boa e lembra um pouco a de "O Diário da Princesa"; o tamanho da letra também é bom. Só as páginas brancas que incomodam um pouco, porque cansa mais, mas fora isso, ok. A arte da capa é maravilhosa, super feminina e adolescente.

Mesmo com um enredo meio batido, recomendo a leitura de "Fazendo Meu Filme - A Estreia de Fani" à todo mundo que é fã de comédias românticas adolescentes e chick-lit. Fani é brasileira e é a primeira vez que eu leio um livro para adolescentes brasileiras escrito por uma autora brasileira. É uma leitura descontraída e ótima para passar o tempo aproveitando uma nostalgia leve. Gostei, pretendo comprar e ler as continuações.


E para abrir uma nova semana por aqui, vou postar as respostas da tag que recebi da Marcela, do blog Glamour Vintage. As regras são bem simples: postar 11 coisas sobre mim; responder as 11 perguntas feitas pela pessoa que te enviou a tag; criar 11 perguntas e escolher 11 blogs para participarem da tag. Então, vamos lá?

11 coisas sobre mim
- Sou filha mais velha;
- Estou no último semestre do curso de jornalismo;
- Sou completamente viciada em chocolate;
- Assistir a filmes da Era de Ouro de Hollywood me deixa muito, mas muito feliz;
- Sou fã de Pink Floyd;
- Detesto quando as pessoas começam a falar alto demais, meio que aos berros;
- Dias frios, cinzentos e chuvosos são o suficiente para me deixar num estado de espírito deprimido;
- Adoro a combinação Pizza + Coca-cola e se pudesse, viveria só disso;
- Tenho um cachorro - um basset pretinho chamado Scooby - que mora com meus avós no interior;
- Odeio acordar cedo. Sou um ser noturno e gosto de acordar quando já está claro;
- Se pudesse, faria uma coleção de bonecas Barbie.

***


Perguntas da Marcela

1. Se pudesse acordar amanhã falando qualquer língua fluentemente, qual língua escolheria?
Provavelmente francês ou italiano, porque são duas línguas que acho muito bonitas.

2. Qual foi a maior aventura da sua vida até agora?
Pergunta difícil, rs. Mas acho que a maior aventura da minha vida até agora foi o curso de jornalismo.

3. Tornaria o seu blog "comercial"? 
Nunca parei para pensar nisso, na verdade. Então...não sei.

4. Se você pudesse voltar ao passado, em que época teria vivido? 
Com certeza os anos 1980. Muitas cores, Michael Jackson, Madonna, Cindy Lauper, clássicos da Sessão da Tarde, bad hair day todos os dias e polainas.

5. Qual a primeira coisa que você faz ao acordar?
Olhar o meu celular para descobrir que horas são e pesquisar qual é a previsão do tempo para o dia.

6. O que você vê ao olhar para fora da janela do seu quarto?
A lavanderia. Cadê o glamour nessa vida??

7. Se você tivesse que ouvir somente uma música pelo resto da vida, qual seria?
Shine on you Crazy Diamond, do Pink Floyd.

8. Como você se vê daqui 10 anos?
Espero estar realizada em uma profissão, independente financeiramente e (por que não?) bem resolvida.

9. Qual seu filme preferido?
Tenho muitos filmes preferidos e por isso fica difícil citar apenas um. Por isso, ficarei com a trilogia De volta para o futuro.

10. Sua casa está pegando fogo e você pode salvar somente um objeto (sem exceção!). O que você salvaria? (Não pode ser nada vivo).
Minha bolsa, com tudo o que estiver dentro - com sorte não precisarei ir no Poupatempo para fazer novos documentos e ainda terei meu cartão de crédito.

11. Onde você gostaria de estar neste exato momento?
Hum...em algum lugar tranquilo e silencioso, lendo ou escutando música na companhia do meu namorado.

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Minhas perguntas
1. Qual o seu momento preferido do dia?
2. Existe algo que você realmente deteste? Se sim, o quê?
3. Prefere dias de sol ou de chuva?
4. Qual é o seu signo?
5. Tem alguma comida preferida?
6. Se você pudesse fazer apenas uma coisa apara melhorar o mundo, o que seria?
7. Se pudesse passar um dia vivendo a vida de outra pessoa, quem você escolheria ser?
8. Existe algo que é obrigatório na sua bolsa?
9. Todos os livros do mundo serão destruídos e você poderá salvar apenas um. Que livro você salvará?
10. O que você faria se descobrisse que o mundo vai acabar amanhã?
11. Cite alguma frase ou palavra ou música ou ditado poupular (?) que você ache inspirador.

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11 blogs que devem responder às perguntas: 



O post de hoje é sobre "Água para elefantes" - tanto o livro da canadense Sara Gruen, quanto o filme dirigido por Francis Lawrence. Como acontece com toda adaptação para o cinema, algumas alterações no decorrer dos fatos pode ser percebida no roteiro e com "Água para elefantes" não poderia ser diferente.

De maneira geral, a história principal é a mesma em ambos os casos. A narrativa tem início com Jacob Jankowski, um senhor de 90 e poucos anos, que resolve contar a história de como se envolveu com o mundo do circo. A partir de então, leitor e espectador são transportados para os Estados Unidos dos anos 1930.

Jacob Jankowski era um estudante de veterinária prestes a conseguir o seu diploma quando recebe a notícia de que seus pais foram mortos em um acidente de carro. Como se não bastasse a morte dos pais, Jacob tem que encarar a realidade de que a hipoteca da casa da família está vencida e que, em questão de dias, se transformará em um homem sem teto e sem dinheiro. Em um momento de desespero, o rapaz resolve fugir de sua vida, correndo pela estrada até se jogar dentro de um trem em movimento.

Sem perceber, naquele momento Jacob estaria mudando os rumos de sua vida para sempre. O trem em que havia pulado não era um trem qualquer, mas o trem do circo dos Irmãos Benzini, "o maior espetáculo da Terra". A princípio, Jacob se encontra ameaçado naquele ambiente um tanto hostil. Mas as coisas mudam,quando conhece August, que ao saber de sua quase-formação em veterinária, lhe oferece um emprego como veterinário do circo. Jacob conhece também Marlena, estrela principal do espetáculo e esposa de August, e se apaixona por ela instantaneamente. 

Ele e Marlena tem em comum o amor pelos animais e essa união se torna ainda mais forte com a chegada de Rosie, uma elefanta teimosa e desobediente. Aos poucos, Jacob começa a perceber que, ao contrário do que parece aos olhos das grandes plateias, o circo dos Irmãos Benzini está longe de ser "o maior espetáculo da Terra". Ali artistas e trabalhadores não se misturam, os salários não são pagos de forma justa e August era um homem com constantes alterações de humor.

As mudanças percebidas na adaptação do livro para o cinema são bastante sutis, provavelmente para se encaixarem melhor nas quase duas horas de filme. A primeira alteração que percebi foi a ausência de Tio Al, que no livro é o dono do circo dos Irmãos Benzini; no filme, August - antes apenas responsável pelos animais - se transforma no dono do circo. As origens de Marlena também mudam na adaptação, assim como não fica muito clara qual é a situação mental e psicológica de August - no livro é tudo bem explicadinho.

A forma como a narrativa é contruída também muda. No livro, Jacob vive em uma casa de repouso e as lembranças de seus anos dourados surgem como flashbacks. Já no filme, não fica claro onde Jacob vive, apenas se sabe que ele chegou tarde para assistir ao espetáculo de circo da cidade e, por isso, começa a conversar com o dono do circo, a quem conta as suas histórias - em nenhum momento interrompidas, como acontece em "Titanic", por exemplo. Além dessas mudanças mais perceptíveis, tem aquelas praticamente não notadas, como o fato de Jacob ser ruivo, e Robert Pattinson não, e Marlena ser morena, bem ao contrário da legalmente loira Reese Witherspoon.

Já a escolha do elenco, se me permitem dizer, foi triste. Sim, triste. Não há nada que defina melhor a completa falta de química entre Pattinson e Witherspoon. E até Christoph Waltz - que dá vida a August e que, sem sombra de dúvidas, é o melhor ator do elenco -, não está lá grandes coisas, como se fosse um eco de seu personagem em "Bastardos Inglórios". Ah, vale lembrar que Rosie é praticamente largada em segundo plano no filme - que, diga-se de passagem, se chama "Água para eleantes". A fotografia é um dos pontos positivos e merece grande destaque, porque é realmente muito bonita. Muito mesmo. Principalmente nas cenas dos espetáculos.

Para resumir, direi apenas que recomendo a leitura do livro "Água para Elefantes", pois é bastante envolvente, apesar de não ter a melhor história do mundo. Quanto ao filme, se você leu o livro, assista apenas por curiosidade e sem muitas expectativas. Se você só assistiu ao filme, não leia o livro, porque irá se decepcionar ou com um, ou com o outro. Eu, particularmente, fico com o livro.


"Um verão para toda vida" é um filme australiano baseado no românce homônimo de Michael Noonan e dirigido por Rod Hardy. Situado na década de 1960, o filme conta a história de um verão na vida de Maps (Daniel Radcliffe), Misty (Lee Cormie), Spit (Drew McAlistair) e Sparks (Christian Byers), também conhecidos como os "december boys" - ou "aniversariantes de dezembro" - , quatro garotos órfãos que vivem em um orfanato católico no deserto australiano.

Acostumados a verem crianças pequenas sendo adotadas, as esperanças de adoção dos garotos diminui a cada dia. Porém, quando são enviados - como um presente de aniversário da madre superiora do orfanato - para passar o verão em uma cidadezinha litorânea, os protagonistas começam a enxergar uma luz no fim do túnel. Hospedados na casa dos McAnsh, um casal idoso, os jovens logo começam a explorar a região e se interessam principalmente por um casal vizinho - "Fearless" (Sullivan Stapleton) e Teresa (Victoria Hill) - que não consegue ter filhos e que começa a cogitar a possibilidade de adoção. Maps - o mais velho dos quatro - está no auge de sua adolescência e encontrará em Lucy (Teresa Palmer) o perfeito primeiro amor. Também conhecem Shellback (Ralph Cotterill), um velho pescador fascinado por um grande peixe chamado Henry, que vive na região há muitos anos e que nunca se deixou pescar.

Diante da possibilidade de adoção, os quatro amigos/irmãos inseparáveis começam a competir entre si, para mostrar à Fearless e Teresa quem poderia ser o melhor filho em potencial. Ao mesmo tempo, enfrentam o sentimento de rejeição durante uma das fases de transição mais frustrantes na vida de um ser humano: a adolescência. É um momento de questionamento, de decepções, da perda da inocência e de solidão.

Falando de uma maneira geral, "Um verão para toda vida" é aquele tipo de filme que você tem que assistir para sentir a essência, compreender a mensagem. O enredo pode parecer simples, mas há uma profundidade reflexiva absurda. É um filme sobre família, amor e amizade. Sobre os vínculos criados entre as pessoas. Sinceramente, acho que este é um dos filmes mais bonitos que já assisti até o presente momento.

O elenco, apesar de não muito conhecido - aliás, não conhecia ninguém além do Daniel Radcliffe -, é ótimo; a fotografia é belíssima, assim como os ângulos de filmagem; a trilha sonora dispensa qualquer tipo de comentário, de tão perfeita que é. Desde Who'll Stop the Rain?, do Creedance Clearwater Revival, passando pelas composições originais de Carlo Giacco, até chegar ao tema principal, December Boys, composto e cantado por Peter Cincotti, a trilha sonora do filme não deixa a desejar em absolutamente nenhum aspecto, conferindo inclusive, um belíssimo tom à narrativa. 


Para começar a semana aqui no blog resolvi aceitar o desafio da postagem coletiva proposta pelo blog Volta, Mundo Blogueiro. A ideia é postar sobre coisas das quais gostamos mas que, por algum motivo, não somos capazes de confessar a ninguém. Ao pensar sobre o que poderia escrever aqui, algumas ideias surgiram; por isso, resolvi listar cinco delas. Estão preparados? Então, vamos lá!

Andar de ônibus
Ok, isso pode soar muito estranho. Principalmente quando você parar para pensar que eu moro em São Paulo, capital. Mas a verdade é que eu realmente gosto de andar de ônibus - exceto em horários de rush e em dias de chuva. Vejam bem: não moro perto da universidade onde estudo e gasto cerca de 1h30 para chegar ao meu destino. Quem mora em São Paulo sabe que o trânsito por aqui não é coisa de Deus. Como os meus horários normalmente não são aqueles considerados caóticos, sempre consigo um bom lugar no ônibus, normalmente vazio. Aí, aproveito para escutar música - e conhecer novos artistas - e colocar a leitura em dia. Só esse ano, já conheci Angus & Julia Stone, Gotye e Feist; além de ler uma biografia da Marilyn Monroe e, mais recentemente, A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan. 

Ler revistas femininas
Sim, eu gosto e leio. Não todo mês, mas leio. Não sei o que acontece no contexto em que vivo, mas parece que ler revistas voltadas para o público feminino é algum tipo de crime inafiançável e imperdoável. E eu me pergunto o porquê. Será que as pessoas pensam que só pelo fato de eu gastar uns cinco reais na banca da esquina comprando a minha edição da Gloss me tornarei uma pessoa menos inteligente e incapaz de acompanhar discussões de cunho existencialista? O fato é que eu adoro ler e reservo pelo menos algumas horinhas na minha semana para me divertir com uma leitura leve sobre as tendências da próxima estação. Pronto, falei!

Adoro bonecas
Eu confesso! Tenho 22 anos e adoro entrar em lojas infantis para ver os novos lançamentos da Barbie. Desde criança, sempre adorei brincar de boneca. Cresci e parei de brincar, mas confesso que adoro bonecas. Não sei o porquê, mas as acho simplesmente lindas, principalmente aquelas de edições comemorativas, de colecionador. Outras que me fascinam são aquelas das princesas Disney, principalmente as da Ariel. Juro que se tivesse dinheiro, compraria todas e depois as colocaria em uma prateleira para mostrar para as pessoas que viessem me visitar.

Pop teen dos anos 1990
Como já disse ali em cima, tenho 22 anos e, se pararem para fazer as contas, verão que fui criança nos anos 1990. Época de Spice Girls, Backstreet Boys, Britney Spears e Sandy & Junior. Gente, tive uma infância muito feliz por causa dessas pessoas. Ainda era muito nova para assistir MTV, aí, lembro que os meus clipes preferidos eram aqueles que passavam durante a programação dos canais infantis, como Fox Kids, Cartoon Network, Nikelodeon e o Disney Channel. Até hoje me acabo nos Karaokês da vida cantando Wannabe e Baby...One More Time e, eventualmente, escuto o acústico Sandy & Junior - sim, eu comprei o CD e sim, eu tenho o CD e o DVD solos da Sandy. E sim, eu fui assistir ao show da turnê Manuscrito. Fim.

Assistir a programação da TV aberta brasileira
Chega domingo e é aquela tristeza na televisão aberta brasileira, certo? ERRADO! Todo fim de domingo meu dia fica mais colorido graças ao quadro Rola ou Enrola, do programa da Eliana, seguido do Vamos Brincar de Forca, apresentado pelo ilustre Sílvio Santos e depois pelas últimas etapas do programa O Último Passageiro, da Rede TV! Já virou rotina sentar junto com o namorado e assistir à essa sequência todo domingo à tarde. I REGRET NOTHING! E já que estamos falando de televisão, vou acrescentar um bônus: novelas. Todo mundo fala mal, diz que novela é coisa de gente desocupada ou com preguiça de pensar (pelo menos é o que eu ouço no meu contexto), mas a verdade é que todo mundo quando senta para assistir, fica fascinado. Até meu pai já cedeu aos encantos de Cheias de Charme. Por isso, confesso que, sempre que a vida fica mais tranquila, me dedico à pelo menos uma novela! Minhas preferidas são O Clone, Chocolate com Pimenta, O Beijo do Vampiro, Anjo Mal, Alma Gêmea, A Favorita, e por aí vai. Gostaria de dar um destaque especial para os clássicos mexicanos Maria do Bairro e A Usurpadora. Afinal de contas, quem nunca quis ser Paola Bracho, né?

Agora que consegui listar cinco guilty pleasures na minha vida, e lembrei de pelo menos mais uns três. Mas vou deixá-los para outra ocasião, ok? Rs.

***

Nota de 27/03/2017:
Michas de 27 > abismo > Michas de 22. 
Perdoem o pedantismo, meus caros. E não se esqueçam: feelings are the only facts.



"Amor na Tarde" (1957), do cineasta Billy Wilder, é exatamente aquele tipo de filme que instantaneamente me chama a atenção. Primeiro, porque sou absolutamente fascinada pelos filmes da chamada Era de Ouro de Hollywood - todo aquele glamour me encanta, rs - e, segundo, porque um dos meus maiores guilty pleasures na vida é sentar e assistir a uma comédia romântica enquando me acabo com uma barra de chocolate. Quando soube que "Amor na Tarde" era estrelado pela adorável Audrey Hepburn, não pude demorar mais para assistir. Apesar de todos aclamarem "Bonequinha de Luxo" (1961), vou confessar que nenhum filme com Audrey me encantou mais que "Sabrina" (1954), também dirigido por Wilder. Logo, minha expectativa em relação à "Amor de Tarde" era alta. E não me decepcionei. Afinal, como poderia me decepcionar com Billy Wilder? IMPOSSÍVEL.

O filme começa quando o detetive particular Claude Chavasse (Maurice Chavalier) é contratado para seguir a esposa de um cliente, o qual desconfia que sua esposa mantém uma relação extraconjugal enquanto ele está fora do país, à negócios. Logo fica claro que o marido tinha razão. Humilhado, o cliente de Chavasse planeja fazer justiça com as próprias mãos, matando o amante de sua esposa, Frank Flannagan (Gary Cooper). É nesse momento que entra Ariane Chavasse (Audrey Hepburn), filha do detetive, que tentará de tudo para evitar o crime de assassinato. Inclusive encontrar os amantes e alertá-los sobre os planos de vingança do marido traído.

Ariane Chavasse é uma mocinha meiga, por volta de seus 19 anos, que estuda música e toca violoncelo. Órfã de mãe, foi criada pelo pai, um sujeito superprotetor que sempre fez de tudo para mantê-la afastada dos casos que investiga. Ariane, no entanto, é muito curiosa e sempre mexe nos arquivos confidenciais de seu pai enquanto faz a faxina na casa. Em um desses momentos ela encontra a foto de Frank Flannagan e se apaixona à primeira vista.

Frank Flannagan é um milionário solteirão, cujo a maior diversão na vida é sair viajando o mundo conquistando mulheres. Muitos dos casos em que se envolveu foram investigados por Claude Chavasse e, por isso, Ariane sabe muito de seu passado. Com as informações que tem sobre Flannagan e inspirada por outros casos investigados por seu pai, Ariane cria uma personagem e fabrica uma série de relacionamentos amorosos, nos quais supostamente teria se envolvido, para poder atraír Flannagan. Aos poucos, Flannagan começa a se sentir atraído por Ariane, com quem só pode se encontrar no período da tarde.

"Amor na Tarde" é uma comédia romântica bastante divertida, com diálogos cheios da ironia elegante de Billy Wilder e, apesar de abordar temas polêmicos - uma mocinha inocente e virgem se apaixona por um homem mais velho, no qual são despertados os mais intensos instintos sexuais - , se mostra bastante ingênuo. Acredito que isso tenha acontecido por conta da censura da época, bem mais rígida que a atual. Dessa forma, muito do que se passa em "Amor na Tarde" é apresentado em insinuações e o espectador é quem tem que ligar os pontos.

O elenco é exemplar, porém, com alguns desequilíbrios. Gary Cooper não é nem de longe aquilo que podemos chamar de Don Juan; é um excelente ator, mas convenhamos, ele não é nenhum Marlon Brando. A primeira opção de Billy Wilder para dar vida à Frank Flannagan era Cary Grant, porém o ator teve que recusar a proposta. No fim, nada disso importa porque quem rouba a cena é Audrey Hepburn. Mais uma vez, Audrey surpreende interpretando uma espécie de "Lolita Wilderiana", mas sempre mantendo aquele ar dócil, amável.

Maurice Chavalier também está muito bem como o investigador Claude Chavasse e John McGuiver se mostra um ótimo marido traído. Suas cenas ganham um "quê" extra graças ao seu jeitinho meio enrolado de falar. Outro bônus é a madame que mora no apartamento abaixo do de Flannagan - vivida por Olga Valéry -  junto com seu cachorrinho yorkshire. Agora, voltando ao casal principal: apesar do claro desequilíbrio entre Cooper e Hepburn, não sei como, a química funciona muito bem no filme, culminando na belíssima cena final, na estação de trem.

E para finalizar o post, vou apenas reforçar que "Amor de Tarde" é uma excelente comédia romântica, no estilo clássico, que nos remete à uma época dourada. Vale a pena conferir!


Há dois anos, enquanto caminhava despretensiosamente por uma livraria, esbarrei com "On The Road", de Jack Kerouac. Após ler a sinopse fiquei desesperada para ler. Considerado a Bíblia da Geração Beat, "On The Road" é a narrativa alucinante das viagens de Sal Paradise e Dean Moriarty pelos Estados Unidos. O livro está situado em um contexto de pós-Segunda Guerra Mundial, quando os jovens norte-americanos, numa tentativa de compreender o mundo e a vida, rompem com os valores morais de uma sociedade tradicional e conservadora. O espírito de liberdade - intelectual e sexual - e experimentação presente no livro, viria a exercer enorme influência nos movimentos de contracultura dos anos 1960, como o dos hippies.

A narrativa do livro é intensa e, por vezes, frenética. Cheia de movimento, drogas, psicodelia e jazz, chega a ser quase cinematográfica. Por isso, não vou negar que, assim que soube que a obra seria adaptada para as telonas, comecei a contar os dias para a grande estreia. Principalmente porque desta vez, o projeto de fato iria acontecer. Publicado pela primeira vez em 1957, "On The Road" demorou mais de quarenta anos para ser adaptado ao cinema. Desde 1978, quando o diretor americano Francis Ford Coppola ("O Poderoso Chefão") adquiriu os direitos de adaptação do livro, o projeto vinha mudando de mãos até que finalmente encontrou um rumo com o brasileiro Walter Salles ("Diários de Motocicleta"). Em entrevista, o diretor disse que dedicou quase oito anos pesquisando e estudando a obra de Kerouac antes de iniciar as gravações.

Já familiarizado com a linguagem de roadmovie, Walter Salles, de fato, foi a melhor escolha para a versão cinematográfica de "On The Road", aqui chamada de "Na Estrada". Ao começar a assistir ao filme, logo de cara, percebi algumas diferenças e, depois de pesquisar, soube que elas se deviam ao fato de o filme ser adaptado direto do manuscrito original de Jack Kerouac, nunca antes publicado. Em 1951, após realizar um mochilão pelos Estados Unidos, regado à drogas e álcool, Kerouac documentou suas aventuras vividas ao lado de Neal Cassidy, outro escritor norte-americano. Devido aos excessos contidos na narrativa - que contrariavam os valores vigentes na época - "On The Road" só foi publicado em 1957, porém em uma versão censurada, por exigência da editora. Nela, Kerouac se transforma em Sal Paradise, e Cassidy, no lendário Dean Moriarty.

Sal Paradise (Sam Riley) é um escritor à procura de inspiração. Após a morte de seu pai, ele conhece Dean Moriarty (Garrett Hedlund), um ex-presidiário, completamente avesso à valores morais e com uma habilidade quase magnética para atrair mulheres. Sal logo se fascina pela liberdade que Dean exala, enquanto este, se encanta com o talendo de Sal para a escrita. Logo, ambos se tornam amigos e caem na estrada, onde fazem mochilão pelos Estados Unidos. A eles se junta Marylou (Kristen Stewart), a jovem esposa de Dean - ela tem apenas 16 anos. Durante um tempo, eles formam um trio feliz que desbrava os EUA, curtindo a liberdade, bebendo, fumando, usando drogas e escutando jazz.

Com o desenrolar da história, novos personagens são apresentados. Destaques para Camille (Kirsten Dunst) e Old Bull Lee (Viggo Mortensen) e Carlo Marx (Tom Sturridge)  - até Alice Braga fez uma rápida participação como Terry, uma mulher com quem Sal se envolve durante um período.

Em linhas gerais, posso afirmar que Walter Salles acertou na adaptação de "On The Road" e na seleção do elenco talentosíssimo. Sim, até a inexpressiva Kristen "Bella Swan" Stewart se mostra excelente naquele que, provavelmente, será o melhor papel de sua vida. Quanto aos protagonistas, não me lembro de tê-los visto em nenhum outro filme antes de "Na Estrada", o que foi ótimo. Os rapazes, justamente por não serem muito famosos, não geraram muita expectativa, e acabaram por se revelarem dois grandes talentos. Não consigo imaginar um Dean Moriarty melhor que o de Garrett Hedlund. Viggo Mortensen e Amy Adams são um show à parte.

O único ponto que pode ser considerado negativo é o aspecto meio lento da narrativa. "On The Road" é um livro intenso, cheio de movimento e jazz, por isso, era de se imaginar que a adaptação cinematográfica fosse seguir essas caracteríticas à risca, mas não. Porém, mesmo esse ínfimo detalhe não é suficiente para ofuscar a bela poesia visual que é "Na Estrada". Um filme feito por e para loucos, loucos para viver, loucos para falar, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e não falam obviedades, mas queimam, queimam, queimam como fogos de artificio em meio à noite.


Com um certo atraso em aparecer por aqui - devido à complicações do tipo TCC - venho cumprir a minha promessa de escrever um post sobre o filme "Para Roma, Com Amor", de Woody Allen. Como expliquei no post anterior, no último fim de semana, aproveitei o frio que fazia aqui em São Paulo e fui ao cinema, com meu namorado, para assistir ao mais recente filme do diretor americano.

Depois de me emocionar com o belíssimo "Meia-noite em Paris" (2011), fiquei ansiosa pelo próximo filme de Woody, e minha ansiedade aumentou ainda mais quando descobri que o novo trabalho seria filmado em Roma, com as atuações da atriz-mais-linda-do-momento, Penélope Cruz, e o próprio Woody Allen. É possível que toda essa expectativa tenha alterado a minha percepção do filme. Mas também é possível que não. Enfim, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Em "Para Roma, Com Amor", Woody Allen nos apresenta mais uma obra de sua "fase europeia" - quem conhece os trabalhos do diretor, sabe de sua fixação com Nova York e de sua dificuldade em filmar em outras cidade; padrão que foi rompido com "Match Point" (Londres), "Vicky Christina Barcelona" e "Meia-noite em Paris"  - mas o resultado, se parece, em alguns aspectos, com um cartão - postal da cidade (li essa expressão em alguma crítica e achei interessante dividir aqui). Não é que o filme seja terrível, mas não é tão bom como o anterior.

Narrando, de forma paralela, quatro histórias diferentes - que não se relacionam em nenhum momento, o filme tenta fazer uma homenagem à Roma. Porém, o resultado está mais próximo de um emaranhado de histórias e personagens que não cativam totalmente o espectador, tendo Roma apenas como um plano de fundo. Em uma das histórias temos o casal de americanos - vivido por Woody Allen e Judy Davies - que viaja à Roma para conhecer o namorado italiano de sua filha (Alison Pill, que já trabalhou com Allen em "Meia-noite em Paris"). Woody - cômicamente neurótico, como já era de se imaginar -  aparece aqui, como um empresário aposentado do ramo de óperas. Ao descobrir que o pai de seu genro é um tenor nato, ele vai fazer absolutamente TUDO para convencê-lo se apresentar para um grande público.

Outra narrativa é a de um trabalhador comum da classe média italiana interpretado por Roberto Benigni que, de um dia para o outro, se transforma em uma celebridade instantânea, sem nunca ter feito nada para merecer isso. Fica claro para o espectador que o interesse absurdo da mídia em saber o que o homem come no café-da-manhã ou como escolhe as suas cuecas, assim como a constante perseguição pelos paparazzi, não passa de uma forte crítica ao culto às celebridades vivido na sociedade contenporânea. Em alguns momentos, essa parte da narrativa gera momentos engraçados, dignos de comédia. Porém, é meio nonsense.

Depois temos Jesse Einsenberg (o eterno Mark Zuckerberg, de "A Rede Social"), um estudante americano de arquitetura que vive em Roma com a sua namorada. Em uma certa tarde, ele encontra com seu ídolo profissional, vivido por Alec Baldwin, no caminho de volta para casa. Dali para frente, Baldwin se transforma magicamente na consciência de Einsenberg. O jovem é alertado pela namorada que uma amiga - uma atriz americana, que vive tudo intensamente, vivida por Ellen Page (a Juno) - acabou de sair de um relacionamento sério, está arrasada e que, por isso, irá passar alguns dias na casa deles, para espairecer. O problema é que a mocinha tem algum tipo de sex appeal (para mim, completamente inexistente) que atrai o estudante. E aí, já dá para imaginar a situação.

Por fim, temos o casalzinho recém-casado, vindo do interior à procura de melhores oportunidades de emprego na cidade grande. A esposa, cansada da viagem, resolve ir ao salão, se produzir para conhecer os familiares de seu esposo. No meio do caminho, ela se perde e vai parar no meio de uma locação cinematográfica, se envolve com um astro do cinema italiano e vai parar no quarto de hotel em que este está hospedado. Enquanto isso, angustiado por não saber onde sua esposa se encontra, preocupado em não se atrasar para a reunião de família, o marido é abordado por Anna , uma prostituta  - interpretada perfeitamente pela estonteante Penélope Cruz, falando italiano muito bem falado - que, devido à uma confusão se convence de que ele é o seu cliente. Devo dizer, que Penélope, assim como Woody, são o ponto alto do filme.

Quanto à Roma, o filme se preocupa apenas em mostrar os pontos turísticos já manjados em qualquer produção cinematográfica realizada na cidade, como a Fontana di Trevi e o Coliseu. A trilha sonora é ok, mas dispensa comentários. Sinceramente, esperava muito mais de "Para Roma, Com Amor". Porém, o que me consola é que Woody Allen lança um filme por ano, logo, é de se esperar que o próximo  - gravado em Nova York - seja melhor.

Ainda assim, apesar de todos esses aspectos negativos que apontei, se você é fã de Woody Allen e admira o seu trabalho, vale à pena conferir, de verdade. Mesmo parecendo meio sem pé e nem cabeça, o filme rende algumas risadas, além de belíssimas imagens da capital italiana.


Imagine a seguinte situação: é noite e você está passeando pelas ruas de Paris, apreciando a arquitetura, a vida boêmia, pensando no quanto de história a cidade tem. De repente, escuta o som de doze badaladas. É meia-noite e você acaba de ser transportado para o passado. Isso aconteceu em “Meia Noite em Paris”, de Woody Allen, lançado em junho de 2011.

Com filmes conhecidos por terem como cenário a cidade de Nova York, Woody Allen repete o feito realizado em alguns de seus filmes mais recentes (“Você vai encontrar o homem dos seus sonhos”, “Match Point” e “Vicky Christina Barcelona”) e opta por um cenário diferente: Paris.  

Porém, mesmo com a mudança de local, todos os elementos característicos em um filme de Woody Allen se fazem presentes em “Meia Noite em Paris”: personagens frustrados, neuróticos, que sofrem de um vazio existencial, sempre em busca da felicidade – sem necessariamente encontrá-la; diálogos irônicos e sarcásticos, cheios daquilo que todos sentimos, mas que nunca conseguimos expressar em palavras; e reflexões sobre a vida e o seu significado.

Gil Pender (Owen Wilson), um escritor de roteiros para filmes de Hollywood, viaja para Paris com sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e seus sogros. Apesar de ser bem sucedido no que faz e ter estabilidade financeira, Gil não se sente feliz como roteirista e decide escrever um livro. Assim como seu autor, o protagonista do romance é um homem bastante saudosista, dono de uma “loja nostálgica” – local onde se pode encontrar objetos antigos, de épocas diferentes.  

Desde o primeiro diálogo de “Meia Noite em Paris” – em que só escutamos as vozes, acompanhadas por imagens de diversos pontos da cidade e uma música instrumental que remete à Paris do início do século XX, utilizando-se de um recurso comum nos filmes de Allen – fica claro para o telespectador que Gil é um cara nostálgico, infeliz com o presente e que gostaria de viver em uma época diferente.  

Para ele, o melhor período para se viver é na Paris dos anos 1920, habitada por escritores, pintores, fotógrafos e cineastas modernos. Em determinado momento do filme, o sonho de Gil se realiza e ele é transportado para a sua “Era de Ouro”, onde encontra os seus ídolos – Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Cole Porter, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Henri Matisse, entre outros. A partir daí, Gil começa a refletir sobre rumo de sua vida, sobre sua fixação com o passado e quais são as suas expectativas futuras. E tudo isso vem carregado de um tom neuroticamente cômico e dramático.

Com diálogos marcantes e frases que causam impacto, o roteiro de “Meia Noite em Paris” não poderia ser mais original. Cheio de referências, percebidas principalmente nos diálogos (destaque para as falas de Hemingway, que faz menções à sua obra “O Sol também se levanta”), que vêm acompanhados por uma dose de nonsense, o roteiro revela que Gil é o alter-ego neurótico e gago de seu criador. Woody Allen expõe no texto - e também na tela - os seus questionamentos e percepções acerca da vida, do passado inatingível e da sensação de nostalgia que se faz presente durante a existência do ser humano. Tais elementos garantiram a Allen o Globo de Ouro e o Oscar pelo melhor roteiro original.

O elenco também é um show a parte. É difícil imaginar outro ator, além de Owen Wilson, que seja capaz de transmitir a essência de Gil Pender ao telespectador; Rachel McAdams é a perfeita noiva californiana e superficial; Michael Sheen (Paul) faz um ótimo pseudo-intelectual e Marion Cotillard (vencedora do Oscar de “Melhor Atriz”, por seu trabalho em “Piaf – um hino ao amor”), está encantadora como a francesa Adriane. É interessante chamar a atenção para Adrien Brody e a sua versão para Salvador Dalí, provavelmente o personagem que rende a cena mais cômica do filme.

Em meio a tantos aspectos positivos é praticamente impossível encontrar defeitos em “Meia Noite em Paris”. O filme nos mostra que a arte não é melhor ou superior à vida, mas sim um modo de compreendê-la e que a função do artista – independentemente de qual é a época em que vive – é tornar a existência algo mais leve e agradável. 


Depois de quase uma semana sem postar nada por aqui, resolvi escrever sobre um livro que estive lendo nas últimas semanas. Como amante da leitura desde meus 10 ou 11 anos, não consigo ficar muito tempo sem ter algum livro na minha cabeceira - às vezes mais de um - e detesto quando minha lista de leituras tem que ser adiada por conta das responsabilidades acadêmicas de faculdade...Mas chega de enrolação e vamos direto ao ponto, né?

O livro O jogo do anjo", do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón, é aquele tipo de leitura que prende a atenção do leitor desde a primeira até a última página. A primeira obra que li de Zafón foi A sombra do vento e, justamente por ter adorado a leitura, fiquei bastante curiosa para ler outros trabalhos publicados. Tanto A sombra do vento, quanto O jogo do anjo fazem parte de uma trilogia - ou seria tetralogia? - de histórias que tem como cenário a Barcelona dos anos 1920 e 1930. É interessante mencionar que, apesar de independentes, as histórias se entrelaçam e podem ser lidas em qualquer ordem. Em ambos os livros, Zafón apresenta aos leitores lugares como o Cemitério dos livros esquecidos e a livraria Sempere e Filhos, lugares fascinantes que qualquer leitor assíduo teria um grande prazer em conhecer. 

Narrado em primeira pessoa, O jogo do anjo traz a história de David Martín, "um jovem escritor caído em desgraça". Filho de uma família desestruturada - em que a mãe abandona o lar e o pai é um ex-combatente de guerra alcóolatra, violento e ignorante -, David encontrou nos livros o consolo para as mazelas de sua infância e, com o passar dos anos, decidiu que se tornaria um escritor. Já adolescente, encontrou o seu primeiro emprego - com a ajuda de Pedro Vidal, um grande amigo de família abastada - em um jornal local, onde cuidava na editoria de polícia. Mais tarde, passou a escrever pequenos contos policiais.

Após a saída do jornal, David passou a trabalhar para uma pequena editora, mal administrada e bastante desorganizada, que lhe encomendou uma série de livros policiais que teria que assinar sob um pseudônimo. Preso em tal situação, sem dinheiro para arcar com suas despesas básicas e morando em uma pensão que mais parecia um pulgueiro, David recebe uma proposta irrecusável feita por um ediror estrangeiro chamado Andreas Corelli. O sujeito, que afirma conhecer o trabalho de David, lhe encomenda uma obra que poderá impactar os rumos da História e da humanidade e, em troca, oferece uma quantia imensurável em dinheiro e algo mais que não irei revelar (risos).

A partir de então, o leitor encontra uma série de mistérios meticulosamente elaborados e anseia por suas resoluções. Com personagens apaixonantes - como o Sr. Sempere e a jovem Isabella - O jogo do anjo traz uma estrutura narrativa impossível de explicar, porém extremamente envolvente. Em determinados momentos, Zafón pode ser bastante descritivo, até meio barrroco, em outros, narra uma sequência de ação digna de cinema. Com diálogos bem trabalhados e diretos, outro elemento que cativa na obra é o senso de humor do autor, carregado de sarcasmo. Quanto ao enredo, é difícil classificar em gênero. Em partes pareceaventura, em outras suspense, terror, romance...É uma mistura de vários elementos e por isso, difícil de rotular. Particularmente, achei O jogo do anjo um tanto sombrio, em comparação com A sombra do vento, porém, não menos apaixonante. 

Indico à todos aqueles que adoram passar horas e mais horas na companhia de um bom livro.


Desde que escutei pela primeira vez "Making Mirrors" (2011) , do cantor belga-australiano Gotye, estabeleci um ritual diário de sempre escutar o álbum. E, preciso dizer, não é algo árduo que faço sem prazer algum; muito pelo contrário, as músicas de Gotye são tão boas, que combinam com qualquer momento do dia. "Making Mirrors" é constituído de músicas calmas e melancólicas, assim como faixas mais agitadas e com uma atmosfera mais positiva.

Gotye é o nome artístico de Wolder De Backer, cantor belga que se mudou para a Austrália com sua família aos dois anos de idade. Atualmente reside em Melbourne e é um dos artistas mais consagrados do país. Gotye é um multi-instrumentita, compositor e cantor que até 2010 já havia lançado dois álbuns por gravadoras independentes, além de integrar a banda australiana de indie-pop The Basics, com quem lançou três álbuns independentes desde 2002.

Em 2010, Gotye lançou online o primeiro single do álbum, "Eyes Wide Open", que foi recebido de maneira positiva e emplacou como número 25 na parada Triple J, da Austrália. Porém, o sucesso internacional veio com o lançamento oficial de "Making Mirrors", em 2011; mais precisamente com a segunda música de trabalho: "Somebody That I Used To Know". A faixa conta com a participação da cantora neozelandesa Kimbra, e atingiu o número 1 nas paradas musicais do mundo inteiro, recebendo inclusive uma versão no seriado musical Glee. Gotye explicou que a música não diz respeito à um relacionamento específico, mas sim da soma de experiências que ele viveu em diferentes relações, uma junção dos sentimentos.

Apesar do enorme reconhecimento internacional de "Making Mirrors", o Gotye confessou que encontrou dificuldades relacionadas à indecisão e depressão durante o processo criativo do álbum. Um pouco dessa sensação pode ser percebido nas faixas "Smoke and Mirrors" e "Save Me". "Houve certos momentos em que pensei que não fosse conseguir terminar uma música que estava fazendo ou que em algum instante iria desistir de tudo", explicou à Rolling Stone australiana. 

Em linhas gerais, "Making Mirrors" é resultado de um processo de introspecção, apresentando letras intimistas. "Trata principalmente de reflexões - o 'olhe para si mesmo' que um espelho oferece, assim como a maneira como isso permite novas perspectivas sobre as coisas que estão ao seu redor", explicou Gotye em uma entrevista à ABC.

A alusão ao espelho ocorre em decorrência da capa do álbum. A imagem é, na verdade, uma obra feita pelo pai de Gotye (porém, com algumas alterações feitas por computação) que o cantor encontrou em meio a um monte de papéis antigos que estavam no celeiro de seus pais. "O espelho reflete na arte do álbum e está bastante relacionado à reflexão pessoal e à introspecção das músicas".

Gostaria de chamar atenção para a estranha semelhança entre a voz de Gotye e a de Sting - e, às vezes, a de Bono. Entre as doze faixas de "Making Mirrors", merecem destaques: "Somebody That I Used To Know", "I Feel Better", "State Of The Art", "Smoking Mirrors", "Don't Worry, We'll Be Watching You" e "Save Me".

Para finalizar o post quero dizer que não tem como falar de Gotye em apenas um texto. Só os vídeos de suas músicas já merecem um post (quem sabe mais para a frente?); por isso tentei apresentar brevemente o cantor e um pouco de seu trabalho. Quem realmente se interessou, precisa escutar o "Making Mirrors". O canal do Gotye no Youtube também é bem interessante, pois contém tanto os vídeos mais recentes dele, como uns de trabalhos anteriores.  


New Orleans, 1937

O dr. John Cukrowicz (Montgomery Clift) é um neurocirurgião especializado em lobotomia que trabalha em um hospital mantido pelo estado, sempre com problemas financeiros. Por esta razão, Cukrowicz decide que irá abandonar a instituição. É neste momento que seu superior lhe informa a respeito de uma proposta enviada pela aristocrada Violet Venable (Katherine Hepburn).

A sra. Venable é uma viúva que recentemente perdeu o filho, Sebastian, morto em circunstâncias misteriosas durante uma viagem à Europa. Catherine Holly (Elizabeth Taylor), sobrinha de Violet Venable, viajava junto com Sebastian e, após presenciar o momento de sua morte, sofreu um colapso nervoso, que resultou em perda de memória, ataques de histeria e um comportamento agressivo. Depois de mandar interná-la em uma instituição mantida por freiras, Violet Vaneble recorre ao dr. Cukrowicz, na esperança de que este possa achar uma solução para a situação de sua sobrinha - por meio da lobotomia.

Em troca do tratamento, a sra. Venable oferece, como pagamento, uma quantia alta de dinheiro (alta para os padrões da época, pós-1929 e a crise econômica que se sucedeu), que seria mais que o suficiente para melhorar os recursos da instituição onde o dr. Cukrowicz trabalha. Aceitando o acordo, John Cukrowicz resolve conhecer a srta. Holly e percebe que a jovem tem sérios problemas psicológicos, porém, acredita que a lobotomia não seja a melhor saída para sua situação. Catherine parece sofrer de um bloqueio pós-traumático, parece saber de algo que sua tia não quer que seja revelado.

Essa é a história de "De repente, no último verão" (1959), filme adaptado da peça de Tennessee Williams com o mesmo título e dirigido por Joseph L. Mankiewikz ("A Malvada", 1950). Com um enredo interessante e intrigante, o filme prende a atenção do espectador, abordando temas não convencionais e considerados tabu - insanidade mental, canibalismo, assassinato e homoafetividade. Porém, devido à forte censura da época, decorrente do Macarthismo, tais temáticas são abordadas de forma bastante sutil, por meio de insinuações e alusões, o que pode resultar em uma compreensão confusa por parte do espectador menos observador.

Outro aspecto negativo da narrativa é que a história só começa a ficar realmente interessante a partir dos 45 minutos de filme. Até lá, o espectador tem que encarar uma série de diálogos extensos , e por vezes sonolentos, entre as persnagens de Montgomery Clift e Katherine Hepburn. A situação muda positivamente quando Liz Taylor entra em cena, provavelmente não em seu melhor momento no cinema, porém estonteamente bela. O papel lhe rendeu a indicações aos prêmios Oscar e Globo de Ouro como melhor atriz. Katherine Hepburn também concorreu ao troféu da Academia pelo filme. Na mesma noite, a produção também competia pela estatueta de melhor produção em preto-e-branco. Das quatro indicações, apenas Elizabeth Taylor foi agraciada com o Globo de Ouro, em 1960.

Apesar do elenco estrelado liderando a produção, o filme recebeu críticas controversas à época de seu lançamento, em 1959. E com razão, pois apesar de se tratar de uma adaptação, "De repente, no último verão" é um filme que passa a impressão de não ter sido "revisado". Com um começo lento, aspectos cruciais para a compreensão não passam de simples menções - que podem ter diferentes interpretações -, chegando à um clímax que mais parece avulso no meio da narrativa, mostrando uma cena que não funciona. 

Porém, mesmo com esses detalhes desagradáveis, "De repente, no último verão" é uma opção que vale à pena para aqueles que se interessam pelo cinema realizado durante a chamada Era de Ouro de Hollywood, pois captura muito bem a essência do período e presenteia o público com as atuações de grandes nomes.


Desde janeiro, quando escutei pela primeira vez o álbum de estreia de Lana Del Rey, “Born To Die”, não consigo escutar outra coisa. E não é de hoje que fico ensaiando escrever algo sobre a moça e/ou seu trabalho... Porém sempre acabo adiando por algum motivo irrelevante no momento.
Lana Del Rey – nome artístico de Elizabeth Grant – é, provavelmente, uma das artistas mais populares do cenário musical atual (ok, meio independente, mas é atual). Nascida em uma família abastada em Nova Iorque (Elizabeth Grant é filha de um milionário), a jovem lançou o seu primeiro álbum – Kill Kill – sob um selo independente com o nome Lizzy Grant. Mais tarde,foi aconselhada por produtores e advogados a mudar seu nome para algo que se aproximasse mais de seu estilo musical. Foi então que surgiu Lana Del Rey; na época, a cantora viajava muito para Miami, onde conversava em espanhol com amigos de Cuba, para quem o nome lembrava o glamour da região.

Conhecida pela aparência meio vintage, Lana apresenta tanto em suas músicas, como em seus videoclipes, uma atmosfera nostálgica que remete à Era de Ouro da Hollywood dos anos 1950. Em outubro de 2011 lançou o single Video Games – o primeiro a receber grande repercussão mundial – e, três meses depois lançou o seu álbum de estreia Born to Die

O álbum inteiro tem um “quê” de retrô, meio no estilo das músicas da Duffy, porém mais agitadas e, contraditoriamente, modernas (fez sentido?). “Born To Die” reúne faixas com temáticas que vão desde lamentações densas e melancólicas de um coração partido até mensagens de consolo para meninas abandonadas pelos namorados, passando por declarações completamente apaixonadas que, por vezes, resgatam aquele espírito de liberdade e urgência da juventude dos anos 1960.

Born To Die conta com 15 faixas, das quais vale a pena destacar Video Games, Blue Jeans, Summertime Sadness, This is What Makes Us Girls e a faixa-título. Esta última é, para mim, a faixa mais intensa e bonita de todo o álbum da Lana.

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Born to Die

Sometimes love is not enough and the road gets though I don't know why. Keep making me laugh, let's go get high. The road is long, we carry on. Try to have fun in the meantime. 


Born to Die tem uma atmosfera pesada e, contraditoriamente, suave. Com uma letra densa, a música encontra um pouco de tranquilidade na melodia e no jeito de cantar de Lana. Não dá para definir em apenas uma palavra o que é o tema da canção, já que ela trata de uma série de sensações e sentimentos, que juntos encontram algo em comum. Fez sentido?

O eu-lírico da música - creio eu que seja Lana - sente-se preso, sufocado, como se cada dia fosse o último de sua vida. A moça se sente perdida, apaixonada e sabe que tanto ela, quando a pessoa que ama, "nasceram para morrer". Pela letra não fica claro o motivo que a leva a pensar dessa forma. E nem precisa. Acho mais interessante desse jeito, assim cada um pode fazer a sua própria interpretação. O clipe da música também ajuda na hora de "criar" uma explicação para a letra, mas ainda assim, alguns aspectos ficam na subjetividade.