New Orleans, 1937

O dr. John Cukrowicz (Montgomery Clift) é um neurocirurgião especializado em lobotomia que trabalha em um hospital mantido pelo estado, sempre com problemas financeiros. Por esta razão, Cukrowicz decide que irá abandonar a instituição. É neste momento que seu superior lhe informa a respeito de uma proposta enviada pela aristocrada Violet Venable (Katherine Hepburn).

A sra. Venable é uma viúva que recentemente perdeu o filho, Sebastian, morto em circunstâncias misteriosas durante uma viagem à Europa. Catherine Holly (Elizabeth Taylor), sobrinha de Violet Venable, viajava junto com Sebastian e, após presenciar o momento de sua morte, sofreu um colapso nervoso, que resultou em perda de memória, ataques de histeria e um comportamento agressivo. Depois de mandar interná-la em uma instituição mantida por freiras, Violet Vaneble recorre ao dr. Cukrowicz, na esperança de que este possa achar uma solução para a situação de sua sobrinha - por meio da lobotomia.

Em troca do tratamento, a sra. Venable oferece, como pagamento, uma quantia alta de dinheiro (alta para os padrões da época, pós-1929 e a crise econômica que se sucedeu), que seria mais que o suficiente para melhorar os recursos da instituição onde o dr. Cukrowicz trabalha. Aceitando o acordo, John Cukrowicz resolve conhecer a srta. Holly e percebe que a jovem tem sérios problemas psicológicos, porém, acredita que a lobotomia não seja a melhor saída para sua situação. Catherine parece sofrer de um bloqueio pós-traumático, parece saber de algo que sua tia não quer que seja revelado.

Essa é a história de "De repente, no último verão" (1959), filme adaptado da peça de Tennessee Williams com o mesmo título e dirigido por Joseph L. Mankiewikz ("A Malvada", 1950). Com um enredo interessante e intrigante, o filme prende a atenção do espectador, abordando temas não convencionais e considerados tabu - insanidade mental, canibalismo, assassinato e homoafetividade. Porém, devido à forte censura da época, decorrente do Macarthismo, tais temáticas são abordadas de forma bastante sutil, por meio de insinuações e alusões, o que pode resultar em uma compreensão confusa por parte do espectador menos observador.

Outro aspecto negativo da narrativa é que a história só começa a ficar realmente interessante a partir dos 45 minutos de filme. Até lá, o espectador tem que encarar uma série de diálogos extensos , e por vezes sonolentos, entre as persnagens de Montgomery Clift e Katherine Hepburn. A situação muda positivamente quando Liz Taylor entra em cena, provavelmente não em seu melhor momento no cinema, porém estonteamente bela. O papel lhe rendeu a indicações aos prêmios Oscar e Globo de Ouro como melhor atriz. Katherine Hepburn também concorreu ao troféu da Academia pelo filme. Na mesma noite, a produção também competia pela estatueta de melhor produção em preto-e-branco. Das quatro indicações, apenas Elizabeth Taylor foi agraciada com o Globo de Ouro, em 1960.

Apesar do elenco estrelado liderando a produção, o filme recebeu críticas controversas à época de seu lançamento, em 1959. E com razão, pois apesar de se tratar de uma adaptação, "De repente, no último verão" é um filme que passa a impressão de não ter sido "revisado". Com um começo lento, aspectos cruciais para a compreensão não passam de simples menções - que podem ter diferentes interpretações -, chegando à um clímax que mais parece avulso no meio da narrativa, mostrando uma cena que não funciona. 

Porém, mesmo com esses detalhes desagradáveis, "De repente, no último verão" é uma opção que vale à pena para aqueles que se interessam pelo cinema realizado durante a chamada Era de Ouro de Hollywood, pois captura muito bem a essência do período e presenteia o público com as atuações de grandes nomes.


6 Comentários

  1. Eu adoro esse trio; Clift, Hepburn e Taylor. Ainda não assisti esse filme, mas já está anotado na minha lista. É o tipo de filme que gosto de assistir. Beijão<3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Assista sim, Iza! Apesar de uns detalhes negativos, acho que você vai gostar. Não sei você, mas adoro filmes desse período, principalmente se estão em preto e branco :)

      Espero que goste.

      Beijos

      Excluir
  2. Oi!

    Nunca tinha ouvido falar sobre esse filme, mas achei que vale apena, pois a hhistória parece ser interessante!

    Gostei muito do seu comentário no meu post sobre o filme 500 dias com ela; eu tb já passei por um relacionamento muito ruim e já achei o meu Outono... tanto que vamos nos casar no dia 14/07... :D

    Beijão e boa quinta!

    izabellaniquito.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha só! Que lindo, Bella! Parabéns e felicidade para os dois! :)

      Beijos para você e boa noite!

      Excluir
  3. Ainda não assisti este filme, apesar de adorar os filmes dessa época. Fiquei curiosa.
    Gostei muito do seu comentário lá no blog e vim conhecer o seu espaço. Já me encantei! Adorei a linguagem do blog, amei a alusão a La vie em Rose, por toda a história envolvida nesta canção.Também adoro filmes e sou pisciana,rs!Obrigada pelo toque lá no comentário. Ainda estou um pouco aborrecida pelo rumo que minha amiga decidiu tomar.bjns
    cadernocolorido@blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Clê,

      Que bom que gostou do blog e que legal que você também é de peixes haha, somos meio loucas, não?

      Obrigada pela visita e pelos elogios!

      Uma boa noite para você.

      Beijos

      Excluir