Desde que escutei pela primeira vez "Making Mirrors" (2011) , do cantor belga-australiano Gotye, estabeleci um ritual diário de sempre escutar o álbum. E, preciso dizer, não é algo árduo que faço sem prazer algum; muito pelo contrário, as músicas de Gotye são tão boas, que combinam com qualquer momento do dia. "Making Mirrors" é constituído de músicas calmas e melancólicas, assim como faixas mais agitadas e com uma atmosfera mais positiva.

Gotye é o nome artístico de Wolder De Backer, cantor belga que se mudou para a Austrália com sua família aos dois anos de idade. Atualmente reside em Melbourne e é um dos artistas mais consagrados do país. Gotye é um multi-instrumentita, compositor e cantor que até 2010 já havia lançado dois álbuns por gravadoras independentes, além de integrar a banda australiana de indie-pop The Basics, com quem lançou três álbuns independentes desde 2002.

Em 2010, Gotye lançou online o primeiro single do álbum, "Eyes Wide Open", que foi recebido de maneira positiva e emplacou como número 25 na parada Triple J, da Austrália. Porém, o sucesso internacional veio com o lançamento oficial de "Making Mirrors", em 2011; mais precisamente com a segunda música de trabalho: "Somebody That I Used To Know". A faixa conta com a participação da cantora neozelandesa Kimbra, e atingiu o número 1 nas paradas musicais do mundo inteiro, recebendo inclusive uma versão no seriado musical Glee. Gotye explicou que a música não diz respeito à um relacionamento específico, mas sim da soma de experiências que ele viveu em diferentes relações, uma junção dos sentimentos.

Apesar do enorme reconhecimento internacional de "Making Mirrors", o Gotye confessou que encontrou dificuldades relacionadas à indecisão e depressão durante o processo criativo do álbum. Um pouco dessa sensação pode ser percebido nas faixas "Smoke and Mirrors" e "Save Me". "Houve certos momentos em que pensei que não fosse conseguir terminar uma música que estava fazendo ou que em algum instante iria desistir de tudo", explicou à Rolling Stone australiana. 

Em linhas gerais, "Making Mirrors" é resultado de um processo de introspecção, apresentando letras intimistas. "Trata principalmente de reflexões - o 'olhe para si mesmo' que um espelho oferece, assim como a maneira como isso permite novas perspectivas sobre as coisas que estão ao seu redor", explicou Gotye em uma entrevista à ABC.

A alusão ao espelho ocorre em decorrência da capa do álbum. A imagem é, na verdade, uma obra feita pelo pai de Gotye (porém, com algumas alterações feitas por computação) que o cantor encontrou em meio a um monte de papéis antigos que estavam no celeiro de seus pais. "O espelho reflete na arte do álbum e está bastante relacionado à reflexão pessoal e à introspecção das músicas".

Gostaria de chamar atenção para a estranha semelhança entre a voz de Gotye e a de Sting - e, às vezes, a de Bono. Entre as doze faixas de "Making Mirrors", merecem destaques: "Somebody That I Used To Know", "I Feel Better", "State Of The Art", "Smoking Mirrors", "Don't Worry, We'll Be Watching You" e "Save Me".

Para finalizar o post quero dizer que não tem como falar de Gotye em apenas um texto. Só os vídeos de suas músicas já merecem um post (quem sabe mais para a frente?); por isso tentei apresentar brevemente o cantor e um pouco de seu trabalho. Quem realmente se interessou, precisa escutar o "Making Mirrors". O canal do Gotye no Youtube também é bem interessante, pois contém tanto os vídeos mais recentes dele, como uns de trabalhos anteriores.  


Deixe um comentário