Imagine a seguinte situação: é noite e você está passeando pelas ruas de Paris, apreciando a arquitetura, a vida boêmia, pensando no quanto de história a cidade tem. De repente, escuta o som de doze badaladas. É meia-noite e você acaba de ser transportado para o passado. Isso aconteceu em “Meia Noite em Paris”, de Woody Allen, lançado em junho de 2011.

Com filmes conhecidos por terem como cenário a cidade de Nova York, Woody Allen repete o feito realizado em alguns de seus filmes mais recentes (“Você vai encontrar o homem dos seus sonhos”, “Match Point” e “Vicky Christina Barcelona”) e opta por um cenário diferente: Paris.  

Porém, mesmo com a mudança de local, todos os elementos característicos em um filme de Woody Allen se fazem presentes em “Meia Noite em Paris”: personagens frustrados, neuróticos, que sofrem de um vazio existencial, sempre em busca da felicidade – sem necessariamente encontrá-la; diálogos irônicos e sarcásticos, cheios daquilo que todos sentimos, mas que nunca conseguimos expressar em palavras; e reflexões sobre a vida e o seu significado.

Gil Pender (Owen Wilson), um escritor de roteiros para filmes de Hollywood, viaja para Paris com sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e seus sogros. Apesar de ser bem sucedido no que faz e ter estabilidade financeira, Gil não se sente feliz como roteirista e decide escrever um livro. Assim como seu autor, o protagonista do romance é um homem bastante saudosista, dono de uma “loja nostálgica” – local onde se pode encontrar objetos antigos, de épocas diferentes.  

Desde o primeiro diálogo de “Meia Noite em Paris” – em que só escutamos as vozes, acompanhadas por imagens de diversos pontos da cidade e uma música instrumental que remete à Paris do início do século XX, utilizando-se de um recurso comum nos filmes de Allen – fica claro para o telespectador que Gil é um cara nostálgico, infeliz com o presente e que gostaria de viver em uma época diferente.  

Para ele, o melhor período para se viver é na Paris dos anos 1920, habitada por escritores, pintores, fotógrafos e cineastas modernos. Em determinado momento do filme, o sonho de Gil se realiza e ele é transportado para a sua “Era de Ouro”, onde encontra os seus ídolos – Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Cole Porter, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Henri Matisse, entre outros. A partir daí, Gil começa a refletir sobre rumo de sua vida, sobre sua fixação com o passado e quais são as suas expectativas futuras. E tudo isso vem carregado de um tom neuroticamente cômico e dramático.

Com diálogos marcantes e frases que causam impacto, o roteiro de “Meia Noite em Paris” não poderia ser mais original. Cheio de referências, percebidas principalmente nos diálogos (destaque para as falas de Hemingway, que faz menções à sua obra “O Sol também se levanta”), que vêm acompanhados por uma dose de nonsense, o roteiro revela que Gil é o alter-ego neurótico e gago de seu criador. Woody Allen expõe no texto - e também na tela - os seus questionamentos e percepções acerca da vida, do passado inatingível e da sensação de nostalgia que se faz presente durante a existência do ser humano. Tais elementos garantiram a Allen o Globo de Ouro e o Oscar pelo melhor roteiro original.

O elenco também é um show a parte. É difícil imaginar outro ator, além de Owen Wilson, que seja capaz de transmitir a essência de Gil Pender ao telespectador; Rachel McAdams é a perfeita noiva californiana e superficial; Michael Sheen (Paul) faz um ótimo pseudo-intelectual e Marion Cotillard (vencedora do Oscar de “Melhor Atriz”, por seu trabalho em “Piaf – um hino ao amor”), está encantadora como a francesa Adriane. É interessante chamar a atenção para Adrien Brody e a sua versão para Salvador Dalí, provavelmente o personagem que rende a cena mais cômica do filme.

Em meio a tantos aspectos positivos é praticamente impossível encontrar defeitos em “Meia Noite em Paris”. O filme nos mostra que a arte não é melhor ou superior à vida, mas sim um modo de compreendê-la e que a função do artista – independentemente de qual é a época em que vive – é tornar a existência algo mais leve e agradável. 


3 Comentários

  1. Ai sweet, acredita que eu ainda não vi esse filme?
    Quero ver a tanto tempo e ainda não tive a oportunidade :/
    Agora com esse post fiquei mais curiosa ainda.
    Me parece maravilhoso, em todos os aspectos!
    Amo o Woody e tenho certeza que vou me apaixonar pelo filme.
    Espero ver logo!

    Xoxos, Wonka

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  2. Eu quase passei mal vendo esse filme, me vi no personagem principal! Era tudo o que eu queria que acontecesse comigo. Achei lindo, foi um dos filmes mais lindos que eu vi no ano passado. Ai, deu vontade de ver de novo, que bom que vai passar em Julho hehe :)

    beijos!

    www.glamour-vintage.blogspot.com

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  3. Eu sou apaixonada por esse filme. O cenário, trilha-sonora, atores, figurino, tudo perfeito, não? Woody Allen é o mestre, além de ser um dos meus diretores prediletos, no meu ranking só perde pro Tarantino e o Kubrick. Você gostaria de se tornar parceira do blog? Beijão <3

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