Com um certo atraso em aparecer por aqui - devido à complicações do tipo TCC - venho cumprir a minha promessa de escrever um post sobre o filme "Para Roma, Com Amor", de Woody Allen. Como expliquei no post anterior, no último fim de semana, aproveitei o frio que fazia aqui em São Paulo e fui ao cinema, com meu namorado, para assistir ao mais recente filme do diretor americano.

Depois de me emocionar com o belíssimo "Meia-noite em Paris" (2011), fiquei ansiosa pelo próximo filme de Woody, e minha ansiedade aumentou ainda mais quando descobri que o novo trabalho seria filmado em Roma, com as atuações da atriz-mais-linda-do-momento, Penélope Cruz, e o próprio Woody Allen. É possível que toda essa expectativa tenha alterado a minha percepção do filme. Mas também é possível que não. Enfim, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Em "Para Roma, Com Amor", Woody Allen nos apresenta mais uma obra de sua "fase europeia" - quem conhece os trabalhos do diretor, sabe de sua fixação com Nova York e de sua dificuldade em filmar em outras cidade; padrão que foi rompido com "Match Point" (Londres), "Vicky Christina Barcelona" e "Meia-noite em Paris"  - mas o resultado, se parece, em alguns aspectos, com um cartão - postal da cidade (li essa expressão em alguma crítica e achei interessante dividir aqui). Não é que o filme seja terrível, mas não é tão bom como o anterior.

Narrando, de forma paralela, quatro histórias diferentes - que não se relacionam em nenhum momento, o filme tenta fazer uma homenagem à Roma. Porém, o resultado está mais próximo de um emaranhado de histórias e personagens que não cativam totalmente o espectador, tendo Roma apenas como um plano de fundo. Em uma das histórias temos o casal de americanos - vivido por Woody Allen e Judy Davies - que viaja à Roma para conhecer o namorado italiano de sua filha (Alison Pill, que já trabalhou com Allen em "Meia-noite em Paris"). Woody - cômicamente neurótico, como já era de se imaginar -  aparece aqui, como um empresário aposentado do ramo de óperas. Ao descobrir que o pai de seu genro é um tenor nato, ele vai fazer absolutamente TUDO para convencê-lo se apresentar para um grande público.

Outra narrativa é a de um trabalhador comum da classe média italiana interpretado por Roberto Benigni que, de um dia para o outro, se transforma em uma celebridade instantânea, sem nunca ter feito nada para merecer isso. Fica claro para o espectador que o interesse absurdo da mídia em saber o que o homem come no café-da-manhã ou como escolhe as suas cuecas, assim como a constante perseguição pelos paparazzi, não passa de uma forte crítica ao culto às celebridades vivido na sociedade contenporânea. Em alguns momentos, essa parte da narrativa gera momentos engraçados, dignos de comédia. Porém, é meio nonsense.

Depois temos Jesse Einsenberg (o eterno Mark Zuckerberg, de "A Rede Social"), um estudante americano de arquitetura que vive em Roma com a sua namorada. Em uma certa tarde, ele encontra com seu ídolo profissional, vivido por Alec Baldwin, no caminho de volta para casa. Dali para frente, Baldwin se transforma magicamente na consciência de Einsenberg. O jovem é alertado pela namorada que uma amiga - uma atriz americana, que vive tudo intensamente, vivida por Ellen Page (a Juno) - acabou de sair de um relacionamento sério, está arrasada e que, por isso, irá passar alguns dias na casa deles, para espairecer. O problema é que a mocinha tem algum tipo de sex appeal (para mim, completamente inexistente) que atrai o estudante. E aí, já dá para imaginar a situação.

Por fim, temos o casalzinho recém-casado, vindo do interior à procura de melhores oportunidades de emprego na cidade grande. A esposa, cansada da viagem, resolve ir ao salão, se produzir para conhecer os familiares de seu esposo. No meio do caminho, ela se perde e vai parar no meio de uma locação cinematográfica, se envolve com um astro do cinema italiano e vai parar no quarto de hotel em que este está hospedado. Enquanto isso, angustiado por não saber onde sua esposa se encontra, preocupado em não se atrasar para a reunião de família, o marido é abordado por Anna , uma prostituta  - interpretada perfeitamente pela estonteante Penélope Cruz, falando italiano muito bem falado - que, devido à uma confusão se convence de que ele é o seu cliente. Devo dizer, que Penélope, assim como Woody, são o ponto alto do filme.

Quanto à Roma, o filme se preocupa apenas em mostrar os pontos turísticos já manjados em qualquer produção cinematográfica realizada na cidade, como a Fontana di Trevi e o Coliseu. A trilha sonora é ok, mas dispensa comentários. Sinceramente, esperava muito mais de "Para Roma, Com Amor". Porém, o que me consola é que Woody Allen lança um filme por ano, logo, é de se esperar que o próximo  - gravado em Nova York - seja melhor.

Ainda assim, apesar de todos esses aspectos negativos que apontei, se você é fã de Woody Allen e admira o seu trabalho, vale à pena conferir, de verdade. Mesmo parecendo meio sem pé e nem cabeça, o filme rende algumas risadas, além de belíssimas imagens da capital italiana.


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