O post de hoje é sobre "Água para elefantes" - tanto o livro da canadense Sara Gruen, quanto o filme dirigido por Francis Lawrence. Como acontece com toda adaptação para o cinema, algumas alterações no decorrer dos fatos pode ser percebida no roteiro e com "Água para elefantes" não poderia ser diferente.

De maneira geral, a história principal é a mesma em ambos os casos. A narrativa tem início com Jacob Jankowski, um senhor de 90 e poucos anos, que resolve contar a história de como se envolveu com o mundo do circo. A partir de então, leitor e espectador são transportados para os Estados Unidos dos anos 1930.

Jacob Jankowski era um estudante de veterinária prestes a conseguir o seu diploma quando recebe a notícia de que seus pais foram mortos em um acidente de carro. Como se não bastasse a morte dos pais, Jacob tem que encarar a realidade de que a hipoteca da casa da família está vencida e que, em questão de dias, se transformará em um homem sem teto e sem dinheiro. Em um momento de desespero, o rapaz resolve fugir de sua vida, correndo pela estrada até se jogar dentro de um trem em movimento.

Sem perceber, naquele momento Jacob estaria mudando os rumos de sua vida para sempre. O trem em que havia pulado não era um trem qualquer, mas o trem do circo dos Irmãos Benzini, "o maior espetáculo da Terra". A princípio, Jacob se encontra ameaçado naquele ambiente um tanto hostil. Mas as coisas mudam,quando conhece August, que ao saber de sua quase-formação em veterinária, lhe oferece um emprego como veterinário do circo. Jacob conhece também Marlena, estrela principal do espetáculo e esposa de August, e se apaixona por ela instantaneamente. 

Ele e Marlena tem em comum o amor pelos animais e essa união se torna ainda mais forte com a chegada de Rosie, uma elefanta teimosa e desobediente. Aos poucos, Jacob começa a perceber que, ao contrário do que parece aos olhos das grandes plateias, o circo dos Irmãos Benzini está longe de ser "o maior espetáculo da Terra". Ali artistas e trabalhadores não se misturam, os salários não são pagos de forma justa e August era um homem com constantes alterações de humor.

As mudanças percebidas na adaptação do livro para o cinema são bastante sutis, provavelmente para se encaixarem melhor nas quase duas horas de filme. A primeira alteração que percebi foi a ausência de Tio Al, que no livro é o dono do circo dos Irmãos Benzini; no filme, August - antes apenas responsável pelos animais - se transforma no dono do circo. As origens de Marlena também mudam na adaptação, assim como não fica muito clara qual é a situação mental e psicológica de August - no livro é tudo bem explicadinho.

A forma como a narrativa é contruída também muda. No livro, Jacob vive em uma casa de repouso e as lembranças de seus anos dourados surgem como flashbacks. Já no filme, não fica claro onde Jacob vive, apenas se sabe que ele chegou tarde para assistir ao espetáculo de circo da cidade e, por isso, começa a conversar com o dono do circo, a quem conta as suas histórias - em nenhum momento interrompidas, como acontece em "Titanic", por exemplo. Além dessas mudanças mais perceptíveis, tem aquelas praticamente não notadas, como o fato de Jacob ser ruivo, e Robert Pattinson não, e Marlena ser morena, bem ao contrário da legalmente loira Reese Witherspoon.

Já a escolha do elenco, se me permitem dizer, foi triste. Sim, triste. Não há nada que defina melhor a completa falta de química entre Pattinson e Witherspoon. E até Christoph Waltz - que dá vida a August e que, sem sombra de dúvidas, é o melhor ator do elenco -, não está lá grandes coisas, como se fosse um eco de seu personagem em "Bastardos Inglórios". Ah, vale lembrar que Rosie é praticamente largada em segundo plano no filme - que, diga-se de passagem, se chama "Água para eleantes". A fotografia é um dos pontos positivos e merece grande destaque, porque é realmente muito bonita. Muito mesmo. Principalmente nas cenas dos espetáculos.

Para resumir, direi apenas que recomendo a leitura do livro "Água para Elefantes", pois é bastante envolvente, apesar de não ter a melhor história do mundo. Quanto ao filme, se você leu o livro, assista apenas por curiosidade e sem muitas expectativas. Se você só assistiu ao filme, não leia o livro, porque irá se decepcionar ou com um, ou com o outro. Eu, particularmente, fico com o livro.


"Um verão para toda vida" é um filme australiano baseado no românce homônimo de Michael Noonan e dirigido por Rod Hardy. Situado na década de 1960, o filme conta a história de um verão na vida de Maps (Daniel Radcliffe), Misty (Lee Cormie), Spit (Drew McAlistair) e Sparks (Christian Byers), também conhecidos como os "december boys" - ou "aniversariantes de dezembro" - , quatro garotos órfãos que vivem em um orfanato católico no deserto australiano.

Acostumados a verem crianças pequenas sendo adotadas, as esperanças de adoção dos garotos diminui a cada dia. Porém, quando são enviados - como um presente de aniversário da madre superiora do orfanato - para passar o verão em uma cidadezinha litorânea, os protagonistas começam a enxergar uma luz no fim do túnel. Hospedados na casa dos McAnsh, um casal idoso, os jovens logo começam a explorar a região e se interessam principalmente por um casal vizinho - "Fearless" (Sullivan Stapleton) e Teresa (Victoria Hill) - que não consegue ter filhos e que começa a cogitar a possibilidade de adoção. Maps - o mais velho dos quatro - está no auge de sua adolescência e encontrará em Lucy (Teresa Palmer) o perfeito primeiro amor. Também conhecem Shellback (Ralph Cotterill), um velho pescador fascinado por um grande peixe chamado Henry, que vive na região há muitos anos e que nunca se deixou pescar.

Diante da possibilidade de adoção, os quatro amigos/irmãos inseparáveis começam a competir entre si, para mostrar à Fearless e Teresa quem poderia ser o melhor filho em potencial. Ao mesmo tempo, enfrentam o sentimento de rejeição durante uma das fases de transição mais frustrantes na vida de um ser humano: a adolescência. É um momento de questionamento, de decepções, da perda da inocência e de solidão.

Falando de uma maneira geral, "Um verão para toda vida" é aquele tipo de filme que você tem que assistir para sentir a essência, compreender a mensagem. O enredo pode parecer simples, mas há uma profundidade reflexiva absurda. É um filme sobre família, amor e amizade. Sobre os vínculos criados entre as pessoas. Sinceramente, acho que este é um dos filmes mais bonitos que já assisti até o presente momento.

O elenco, apesar de não muito conhecido - aliás, não conhecia ninguém além do Daniel Radcliffe -, é ótimo; a fotografia é belíssima, assim como os ângulos de filmagem; a trilha sonora dispensa qualquer tipo de comentário, de tão perfeita que é. Desde Who'll Stop the Rain?, do Creedance Clearwater Revival, passando pelas composições originais de Carlo Giacco, até chegar ao tema principal, December Boys, composto e cantado por Peter Cincotti, a trilha sonora do filme não deixa a desejar em absolutamente nenhum aspecto, conferindo inclusive, um belíssimo tom à narrativa. 


Para começar a semana aqui no blog resolvi aceitar o desafio da postagem coletiva proposta pelo blog Volta, Mundo Blogueiro. A ideia é postar sobre coisas das quais gostamos mas que, por algum motivo, não somos capazes de confessar a ninguém. Ao pensar sobre o que poderia escrever aqui, algumas ideias surgiram; por isso, resolvi listar cinco delas. Estão preparados? Então, vamos lá!

Andar de ônibus
Ok, isso pode soar muito estranho. Principalmente quando você parar para pensar que eu moro em São Paulo, capital. Mas a verdade é que eu realmente gosto de andar de ônibus - exceto em horários de rush e em dias de chuva. Vejam bem: não moro perto da universidade onde estudo e gasto cerca de 1h30 para chegar ao meu destino. Quem mora em São Paulo sabe que o trânsito por aqui não é coisa de Deus. Como os meus horários normalmente não são aqueles considerados caóticos, sempre consigo um bom lugar no ônibus, normalmente vazio. Aí, aproveito para escutar música - e conhecer novos artistas - e colocar a leitura em dia. Só esse ano, já conheci Angus & Julia Stone, Gotye e Feist; além de ler uma biografia da Marilyn Monroe e, mais recentemente, A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan. 

Ler revistas femininas
Sim, eu gosto e leio. Não todo mês, mas leio. Não sei o que acontece no contexto em que vivo, mas parece que ler revistas voltadas para o público feminino é algum tipo de crime inafiançável e imperdoável. E eu me pergunto o porquê. Será que as pessoas pensam que só pelo fato de eu gastar uns cinco reais na banca da esquina comprando a minha edição da Gloss me tornarei uma pessoa menos inteligente e incapaz de acompanhar discussões de cunho existencialista? O fato é que eu adoro ler e reservo pelo menos algumas horinhas na minha semana para me divertir com uma leitura leve sobre as tendências da próxima estação. Pronto, falei!

Adoro bonecas
Eu confesso! Tenho 22 anos e adoro entrar em lojas infantis para ver os novos lançamentos da Barbie. Desde criança, sempre adorei brincar de boneca. Cresci e parei de brincar, mas confesso que adoro bonecas. Não sei o porquê, mas as acho simplesmente lindas, principalmente aquelas de edições comemorativas, de colecionador. Outras que me fascinam são aquelas das princesas Disney, principalmente as da Ariel. Juro que se tivesse dinheiro, compraria todas e depois as colocaria em uma prateleira para mostrar para as pessoas que viessem me visitar.

Pop teen dos anos 1990
Como já disse ali em cima, tenho 22 anos e, se pararem para fazer as contas, verão que fui criança nos anos 1990. Época de Spice Girls, Backstreet Boys, Britney Spears e Sandy & Junior. Gente, tive uma infância muito feliz por causa dessas pessoas. Ainda era muito nova para assistir MTV, aí, lembro que os meus clipes preferidos eram aqueles que passavam durante a programação dos canais infantis, como Fox Kids, Cartoon Network, Nikelodeon e o Disney Channel. Até hoje me acabo nos Karaokês da vida cantando Wannabe e Baby...One More Time e, eventualmente, escuto o acústico Sandy & Junior - sim, eu comprei o CD e sim, eu tenho o CD e o DVD solos da Sandy. E sim, eu fui assistir ao show da turnê Manuscrito. Fim.

Assistir a programação da TV aberta brasileira
Chega domingo e é aquela tristeza na televisão aberta brasileira, certo? ERRADO! Todo fim de domingo meu dia fica mais colorido graças ao quadro Rola ou Enrola, do programa da Eliana, seguido do Vamos Brincar de Forca, apresentado pelo ilustre Sílvio Santos e depois pelas últimas etapas do programa O Último Passageiro, da Rede TV! Já virou rotina sentar junto com o namorado e assistir à essa sequência todo domingo à tarde. I REGRET NOTHING! E já que estamos falando de televisão, vou acrescentar um bônus: novelas. Todo mundo fala mal, diz que novela é coisa de gente desocupada ou com preguiça de pensar (pelo menos é o que eu ouço no meu contexto), mas a verdade é que todo mundo quando senta para assistir, fica fascinado. Até meu pai já cedeu aos encantos de Cheias de Charme. Por isso, confesso que, sempre que a vida fica mais tranquila, me dedico à pelo menos uma novela! Minhas preferidas são O Clone, Chocolate com Pimenta, O Beijo do Vampiro, Anjo Mal, Alma Gêmea, A Favorita, e por aí vai. Gostaria de dar um destaque especial para os clássicos mexicanos Maria do Bairro e A Usurpadora. Afinal de contas, quem nunca quis ser Paola Bracho, né?

Agora que consegui listar cinco guilty pleasures na minha vida, e lembrei de pelo menos mais uns três. Mas vou deixá-los para outra ocasião, ok? Rs.

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Nota de 27/03/2017:
Michas de 27 > abismo > Michas de 22. 
Perdoem o pedantismo, meus caros. E não se esqueçam: feelings are the only facts.



"Amor na Tarde" (1957), do cineasta Billy Wilder, é exatamente aquele tipo de filme que instantaneamente me chama a atenção. Primeiro, porque sou absolutamente fascinada pelos filmes da chamada Era de Ouro de Hollywood - todo aquele glamour me encanta, rs - e, segundo, porque um dos meus maiores guilty pleasures na vida é sentar e assistir a uma comédia romântica enquando me acabo com uma barra de chocolate. Quando soube que "Amor na Tarde" era estrelado pela adorável Audrey Hepburn, não pude demorar mais para assistir. Apesar de todos aclamarem "Bonequinha de Luxo" (1961), vou confessar que nenhum filme com Audrey me encantou mais que "Sabrina" (1954), também dirigido por Wilder. Logo, minha expectativa em relação à "Amor de Tarde" era alta. E não me decepcionei. Afinal, como poderia me decepcionar com Billy Wilder? IMPOSSÍVEL.

O filme começa quando o detetive particular Claude Chavasse (Maurice Chavalier) é contratado para seguir a esposa de um cliente, o qual desconfia que sua esposa mantém uma relação extraconjugal enquanto ele está fora do país, à negócios. Logo fica claro que o marido tinha razão. Humilhado, o cliente de Chavasse planeja fazer justiça com as próprias mãos, matando o amante de sua esposa, Frank Flannagan (Gary Cooper). É nesse momento que entra Ariane Chavasse (Audrey Hepburn), filha do detetive, que tentará de tudo para evitar o crime de assassinato. Inclusive encontrar os amantes e alertá-los sobre os planos de vingança do marido traído.

Ariane Chavasse é uma mocinha meiga, por volta de seus 19 anos, que estuda música e toca violoncelo. Órfã de mãe, foi criada pelo pai, um sujeito superprotetor que sempre fez de tudo para mantê-la afastada dos casos que investiga. Ariane, no entanto, é muito curiosa e sempre mexe nos arquivos confidenciais de seu pai enquanto faz a faxina na casa. Em um desses momentos ela encontra a foto de Frank Flannagan e se apaixona à primeira vista.

Frank Flannagan é um milionário solteirão, cujo a maior diversão na vida é sair viajando o mundo conquistando mulheres. Muitos dos casos em que se envolveu foram investigados por Claude Chavasse e, por isso, Ariane sabe muito de seu passado. Com as informações que tem sobre Flannagan e inspirada por outros casos investigados por seu pai, Ariane cria uma personagem e fabrica uma série de relacionamentos amorosos, nos quais supostamente teria se envolvido, para poder atraír Flannagan. Aos poucos, Flannagan começa a se sentir atraído por Ariane, com quem só pode se encontrar no período da tarde.

"Amor na Tarde" é uma comédia romântica bastante divertida, com diálogos cheios da ironia elegante de Billy Wilder e, apesar de abordar temas polêmicos - uma mocinha inocente e virgem se apaixona por um homem mais velho, no qual são despertados os mais intensos instintos sexuais - , se mostra bastante ingênuo. Acredito que isso tenha acontecido por conta da censura da época, bem mais rígida que a atual. Dessa forma, muito do que se passa em "Amor na Tarde" é apresentado em insinuações e o espectador é quem tem que ligar os pontos.

O elenco é exemplar, porém, com alguns desequilíbrios. Gary Cooper não é nem de longe aquilo que podemos chamar de Don Juan; é um excelente ator, mas convenhamos, ele não é nenhum Marlon Brando. A primeira opção de Billy Wilder para dar vida à Frank Flannagan era Cary Grant, porém o ator teve que recusar a proposta. No fim, nada disso importa porque quem rouba a cena é Audrey Hepburn. Mais uma vez, Audrey surpreende interpretando uma espécie de "Lolita Wilderiana", mas sempre mantendo aquele ar dócil, amável.

Maurice Chavalier também está muito bem como o investigador Claude Chavasse e John McGuiver se mostra um ótimo marido traído. Suas cenas ganham um "quê" extra graças ao seu jeitinho meio enrolado de falar. Outro bônus é a madame que mora no apartamento abaixo do de Flannagan - vivida por Olga Valéry -  junto com seu cachorrinho yorkshire. Agora, voltando ao casal principal: apesar do claro desequilíbrio entre Cooper e Hepburn, não sei como, a química funciona muito bem no filme, culminando na belíssima cena final, na estação de trem.

E para finalizar o post, vou apenas reforçar que "Amor de Tarde" é uma excelente comédia romântica, no estilo clássico, que nos remete à uma época dourada. Vale a pena conferir!