"Amor na Tarde" (1957), do cineasta Billy Wilder, é exatamente aquele tipo de filme que instantaneamente me chama a atenção. Primeiro, porque sou absolutamente fascinada pelos filmes da chamada Era de Ouro de Hollywood - todo aquele glamour me encanta, rs - e, segundo, porque um dos meus maiores guilty pleasures na vida é sentar e assistir a uma comédia romântica enquando me acabo com uma barra de chocolate. Quando soube que "Amor na Tarde" era estrelado pela adorável Audrey Hepburn, não pude demorar mais para assistir. Apesar de todos aclamarem "Bonequinha de Luxo" (1961), vou confessar que nenhum filme com Audrey me encantou mais que "Sabrina" (1954), também dirigido por Wilder. Logo, minha expectativa em relação à "Amor de Tarde" era alta. E não me decepcionei. Afinal, como poderia me decepcionar com Billy Wilder? IMPOSSÍVEL.

O filme começa quando o detetive particular Claude Chavasse (Maurice Chavalier) é contratado para seguir a esposa de um cliente, o qual desconfia que sua esposa mantém uma relação extraconjugal enquanto ele está fora do país, à negócios. Logo fica claro que o marido tinha razão. Humilhado, o cliente de Chavasse planeja fazer justiça com as próprias mãos, matando o amante de sua esposa, Frank Flannagan (Gary Cooper). É nesse momento que entra Ariane Chavasse (Audrey Hepburn), filha do detetive, que tentará de tudo para evitar o crime de assassinato. Inclusive encontrar os amantes e alertá-los sobre os planos de vingança do marido traído.

Ariane Chavasse é uma mocinha meiga, por volta de seus 19 anos, que estuda música e toca violoncelo. Órfã de mãe, foi criada pelo pai, um sujeito superprotetor que sempre fez de tudo para mantê-la afastada dos casos que investiga. Ariane, no entanto, é muito curiosa e sempre mexe nos arquivos confidenciais de seu pai enquanto faz a faxina na casa. Em um desses momentos ela encontra a foto de Frank Flannagan e se apaixona à primeira vista.

Frank Flannagan é um milionário solteirão, cujo a maior diversão na vida é sair viajando o mundo conquistando mulheres. Muitos dos casos em que se envolveu foram investigados por Claude Chavasse e, por isso, Ariane sabe muito de seu passado. Com as informações que tem sobre Flannagan e inspirada por outros casos investigados por seu pai, Ariane cria uma personagem e fabrica uma série de relacionamentos amorosos, nos quais supostamente teria se envolvido, para poder atraír Flannagan. Aos poucos, Flannagan começa a se sentir atraído por Ariane, com quem só pode se encontrar no período da tarde.

"Amor na Tarde" é uma comédia romântica bastante divertida, com diálogos cheios da ironia elegante de Billy Wilder e, apesar de abordar temas polêmicos - uma mocinha inocente e virgem se apaixona por um homem mais velho, no qual são despertados os mais intensos instintos sexuais - , se mostra bastante ingênuo. Acredito que isso tenha acontecido por conta da censura da época, bem mais rígida que a atual. Dessa forma, muito do que se passa em "Amor na Tarde" é apresentado em insinuações e o espectador é quem tem que ligar os pontos.

O elenco é exemplar, porém, com alguns desequilíbrios. Gary Cooper não é nem de longe aquilo que podemos chamar de Don Juan; é um excelente ator, mas convenhamos, ele não é nenhum Marlon Brando. A primeira opção de Billy Wilder para dar vida à Frank Flannagan era Cary Grant, porém o ator teve que recusar a proposta. No fim, nada disso importa porque quem rouba a cena é Audrey Hepburn. Mais uma vez, Audrey surpreende interpretando uma espécie de "Lolita Wilderiana", mas sempre mantendo aquele ar dócil, amável.

Maurice Chavalier também está muito bem como o investigador Claude Chavasse e John McGuiver se mostra um ótimo marido traído. Suas cenas ganham um "quê" extra graças ao seu jeitinho meio enrolado de falar. Outro bônus é a madame que mora no apartamento abaixo do de Flannagan - vivida por Olga Valéry -  junto com seu cachorrinho yorkshire. Agora, voltando ao casal principal: apesar do claro desequilíbrio entre Cooper e Hepburn, não sei como, a química funciona muito bem no filme, culminando na belíssima cena final, na estação de trem.

E para finalizar o post, vou apenas reforçar que "Amor de Tarde" é uma excelente comédia romântica, no estilo clássico, que nos remete à uma época dourada. Vale a pena conferir!


2 Comentários

  1. Oi!

    Super dica, a Audrey tá linda, muito mais do que em "Bonequinha de Luxo"! :D


    Beijão e bom final de semana!

    izabellaniquito.blogspot.com

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  2. Tem Audrey Hepburn, já virei fã. Preciso assistir esse filme urgentemente. Amei a dica, muito obrigada mesmo! As fotos estão um luxo também! Beijos e bom final de semana!

    vintageiz.blogspot.com

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