Desde janeiro, quando escutei pela primeira vez o álbum de estreia de Lana Del Rey, “Born To Die”, não consigo escutar outra coisa. E não é de hoje que fico ensaiando escrever algo sobre a moça e/ou seu trabalho... Porém sempre acabo adiando por algum motivo irrelevante no momento.
Lana Del Rey – nome artístico de Elizabeth Grant – é, provavelmente, uma das artistas mais populares do cenário musical atual (ok, meio independente, mas é atual). Nascida em uma família abastada em Nova Iorque (Elizabeth Grant é filha de um milionário), a jovem lançou o seu primeiro álbum – Kill Kill – sob um selo independente com o nome Lizzy Grant. Mais tarde,foi aconselhada por produtores e advogados a mudar seu nome para algo que se aproximasse mais de seu estilo musical. Foi então que surgiu Lana Del Rey; na época, a cantora viajava muito para Miami, onde conversava em espanhol com amigos de Cuba, para quem o nome lembrava o glamour da região.

Conhecida pela aparência meio vintage, Lana apresenta tanto em suas músicas, como em seus videoclipes, uma atmosfera nostálgica que remete à Era de Ouro da Hollywood dos anos 1950. Em outubro de 2011 lançou o single Video Games – o primeiro a receber grande repercussão mundial – e, três meses depois lançou o seu álbum de estreia Born to Die

O álbum inteiro tem um “quê” de retrô, meio no estilo das músicas da Duffy, porém mais agitadas e, contraditoriamente, modernas (fez sentido?). “Born To Die” reúne faixas com temáticas que vão desde lamentações densas e melancólicas de um coração partido até mensagens de consolo para meninas abandonadas pelos namorados, passando por declarações completamente apaixonadas que, por vezes, resgatam aquele espírito de liberdade e urgência da juventude dos anos 1960.

Born To Die conta com 15 faixas, das quais vale a pena destacar Video Games, Blue Jeans, Summertime Sadness, This is What Makes Us Girls e a faixa-título. Esta última é, para mim, a faixa mais intensa e bonita de todo o álbum da Lana.

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Born to Die

Sometimes love is not enough and the road gets though I don't know why. Keep making me laugh, let's go get high. The road is long, we carry on. Try to have fun in the meantime. 


Born to Die tem uma atmosfera pesada e, contraditoriamente, suave. Com uma letra densa, a música encontra um pouco de tranquilidade na melodia e no jeito de cantar de Lana. Não dá para definir em apenas uma palavra o que é o tema da canção, já que ela trata de uma série de sensações e sentimentos, que juntos encontram algo em comum. Fez sentido?

O eu-lírico da música - creio eu que seja Lana - sente-se preso, sufocado, como se cada dia fosse o último de sua vida. A moça se sente perdida, apaixonada e sabe que tanto ela, quando a pessoa que ama, "nasceram para morrer". Pela letra não fica claro o motivo que a leva a pensar dessa forma. E nem precisa. Acho mais interessante desse jeito, assim cada um pode fazer a sua própria interpretação. O clipe da música também ajuda na hora de "criar" uma explicação para a letra, mas ainda assim, alguns aspectos ficam na subjetividade.


Diamonds are a girl's best friend!
Sem saber muito sobre o que escrever neste primeiro post, resolvi recorrer à um filme- que assisti ontem à noite, para ser bem precisa. Sem saber se é pela minha estranha fixação por coisas antigas, ou se é por causa da biografia de Marilyn Monroe escrita pelo americano J. Randy Taraborrelli que estou lendo no momento (leia-se desde janeiro, cof cof) , a escolha foi "Os Homens Preferem as Loiras", de 1953.

O enredo do filme é bem simples, sem muito segredo. Dirigida por Howard Hawks, a comédia-romântica traz duas dançarinas: Dorothy e Lorelei, vividas por Jane Russell e Marilyn Monroe, respectivamente (na época o nome de Marilyn ainda não aparecia como o primeiro do elenco e ela recebeu menos da metade do salário de Russell para participar do filme). À convite do milionário Gus Esmond (Toddy Noonan), noivo de Lorelei, as duas amigas viajam à Paris em um cruzeiro. A viagem é, na verdade, um plano de Gus para testar a fidelidade de Lorelei; ele chega até a contratar um detetive particular, interpretado por Elliott Reid, para espionar a moça.

Como fica claro, desde o início do filme, Lorelei é uma mulher que se importa bastante com posses e dinheiro, além de ser completamente louca por diamantes. Na cena de abertura do longa, enquanto canta "Two Little Girls From Littlerock" ela explica que não importa se o homem é novo, velho, alto, baixo, magro ou gordo; o que importa é se ele é rico ou pobre. Dessa forma, ao embarcar no cruzeiro, nenhum dos homens da equipe de atletismo que lá também estavam lhe chamou a atenção, ao contrário de Sir Francis Beekman (Charles Coburn), um homem casado, rico e bem mais velho que se sente atraído por Lorelei. A partir de então, é uma confusão atrás da outra.

"Os Homens Preferem as Loiras" é um musical divertido, com belos figurinos, músicas marcantes e atuações impressionantes também. Porém, nada prende tando a atenção do espectador como Marilyn Monroe. Não dá para explicar o que acontece, pois mesmo por trás de todas aquelas caras e bocas - por vezes, meio forçadas - meus olhos não conseguiam parar de olhar para Marilyn. Linda, alegre e - por que não? - talentosa.

1953 foi um ano importante na carreira de Monroe, pois foi quando alcançou o estrelato e o posto de diva do cinema que ocupa até os dias atuais. Até então, ela só havia interpretado papéis pequenos em grandes produções. Ainda naquele ano, Marilyn pode ser vista em "Torrentes de Paixão" e "Como Agarrar um Milionário". É interessante mencionar que a Fox pensou em contratar Betty Grable para participar da produção, mas optou por Marilyn, por acreditar que ela traria maior sex appeal para o filme. A escolha foi tão certa que até o fim de sua carreira, Marilyn lutou para se livrar da imagem de loira poderosa e sedutora, porém bobinha e fútil.

O ponto alto de "Os Homens Preferem as Loiras" é sem sombra de dúvidas o número "Diamonds Are a Girl's Best Friend", interpretado por Marilyn vestida com um longo vestido rosa, acompanhada por vários homens de smolking. A cena foi tão marcante que já recebeu inúmeras citações no mundo pop como o videoclipe de "Material Girl", de Madonna, e uma releitura do número feita por Nicole Kidman em "Moulin Rouge" (2001). A mais recente delas pareceu na série adolescente Gossip Girl.

Nota do futuro (28.11.2016): apesar de o arquivo do blog indicar a existência de posts anteriores, este é o primeiro post oficial do La vie en rose..., o antigo nome deste espaço.