Lembro de ter assistido à A Casa do Lago logo que chegou às locadoras, em 2006. Na época, achei o filme legalzinho e nem dei muita bola. Aí, um dia desses, sem muito o que fazer, resolvi dar uma segunda chance ao filme e achei adorável. Muito bonitinho mesmo.

O filme nos traz a história de Kate Forster (Sandra Bullock), uma médica que vive em função de sua profissão e está sempre sozinha, exceto pela companhia de sua cachorrinha, com quem vive numa casa à beira de um lago em uma cidazinha. Certo dia, Kate decide que está cansada da vida que está levando e decide se mudar para uma cidade grande, onde poderá trabalhar em um hospital agitado. Antes de partir, ela deixa uma carta para o novo inquilino na caixa de correio da casa.

Ao chegar ao seu novo lar, em uma casa à beira de um lago, Alex Wyler (Keanu Reeves) fica intrigado com uma carta deixada pela antiga locatária da casa, que se desculpava pelas marcas de pegada de cachorro deixadas na entrada. Alex acha tudo muito esquisito, pois não encontrou marca nenhuma. Outro fator que o intriga é o fato de a casa estar com uma aparência de abandonada, com a pintura descascada e toda empoeirada, como se estivesse fechada há anos. De uma forma muito estranha, Alex e Kate passam a se corresponder, sempre deixando as cartas na caixa de correio na frente da casa do lago, sem nunca se encontrarem.

Gostei tanto desse filme que decidi que irei comprar o DVD para a minha coleção. Indico à todos.


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Já fazia um tempinho que eu estava querendo ler mais um livro de Jane Austen - já li o Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade -, aí, quando encontrei o livro Persuasão nessa edição lindinha da Martin Claret, tive que comprar e ler rapidinho.

Última obra escrita por Jane Austen e publicada em 1918, após a sua morte, Persuasão traz a história de Anne Elliot, uma heroína que foge dos padrões de Austen. A obra está ambientada em um período em que a burguesia começava a ascender na Inglaterra - os novos ricos atingiam este status como resultado de seu trabalho - , enquanto a nobreza decadente tentava se manter no topo. 

Os Elliot são justamente essa nobreza decadente, que não tem onde cair morta, mas continua se importando com o status de cada uma das pessoas que cruza o seu caminho. Sir Walter Elliot e sua filha mais velha, Elizabeth, são aquele tipo de gente que só se importa com carruagens de luxo e jantares extravagantes; Para Sir Walter, Elizabeth é mais bela de suas filhas e, mesmo já estando em uma idade avançada, ainda tem grandes chances de se casar com um herdeiro de nome importante. Mary, a filha mais nova de Sir Walter, se casou com Charles Musgrove, herdeiro de uma grande fortuna. Apesar de ter um bom coração e estar sempre disposta a ajudar àquelas que necessitam, Mary também é um tanto preconceituosa, acreditando que apenas aqueles que nasceram em um berço nobre são merecedores de seu respeito e atenção.

No meio disso tudo está a protagonista, o "patinho feio" da família. Uma mulher de bons modos, meiga e que adora leitura, Anne é completamente diferente de seu pai e de suas irmãs. Aos 27 anos, ela já perdeu as esperanças de um dia se casar e ainda sofre em silêncio pelo rompimento de um noivado 8 anos antes. Frederick Wentworth e Anne Elliot se apaixonaram e pretendiam casar, mas Anne foi persuadida por Lady Russell - a mulher que a havia criado após a morte de sua mãe - a repensar a sua decisão, pois Wentworth não tinha absolutamente nada e, por isso, não era merecedor do amor da senhorita Anne. O destino, porém, resolveu pregar uma peça em Anne ao colocar Frederick Wentworth - agora um rico capitão, parte da nova classe social emergente - novamente em sua vida e prestes a se casar com uma de suas amigas.

A leitura de Persuasão foi bastante agradável, mesmo com o excesso de descrições bastante comuns nos livros de Jane Austen. Gostei do fato de a protagonista ser mais velha, ao contrário das irmãs Dashwood (Razão e Sensibilidade) e das irmãs Benett (Orgulho e Preconceito), que são adolescentes ou jovens adultas. Alguns elementos me irritaram um pouco, mas acho que é porque se trata de uma época distante e bem diferente. Como de costume, Jane Austen faz uma crítica à sociedade inglesa, porém em Persuasão ela não o faz de maneira sutil como em seus outros livros. Acredito que, até o momento, este seja o meu livro preferido da autora. 

Em tempo: em uma das cenas de A Casa do Lago, Kate e Alex conversam sobre Persuasão, o livro preferido de Kate. <3 


Até poucos meses atrás não tinha a mínima ideia de quem era Paula Pimenta e tampouco conhecia a sua famosa série de livros "Fazendo Meu Filme". Conheci por meio do blog "A Series of Serendipidy", da Melina Souza e, desde então, fiquei curiosa para saber do que se tratava.

A princípio, ao ler o que a Mel disse, achei bacaninha, mas meio manjadinho. Meio draminhas de adolescentes no colégio e etc., e, por um lado, é meio assim. O grande diferencial - a meu ver - é o fato de ter sido escrito por uma autora brasileira. Por favor entendam que eu gostei do livro, achei super divertido e adorei as referências à cultura pop. Vou parar de enrolar.

"Fazendo Meu Filme - A Estreia de Fani" é o primeiro livro de uma série de quatro volumes escritos por Paula Pimenta. Narrado em primeira pessoa pela protagonista, Estefânia - ou Fani, para os amigos -, "Fazendo Meu Filme" trata do universo adolescente, dos anseios e descobertas dessa fase da vida. 

Fani é uma garota de 16 anos que - ao contrário de muitas meninas de sua idade - não gosta muito de sair de casa, de ir à festas badaladas e de participar de todas essas formas de interação jovem. Para ela, a melhor coisa do mundo é sentar no sofá e assistir à um DVD enquanto devora um delicioso brigadeiro de panela.

"(...) ter que ficar fazendo carinha de boa para não ter que aturar a todo minuto alguém vindo perguntar o motivo da minha braveza...Ufa! Prefiro sinceramente ficar no meu quarto, meu castelinho encantado, com meus livros, DVDs, computador..."

Quando não está assistindo aos seus DVDs ("Uma Linda Mulher", "As Patricinhas de Beverly Hills" e "Para Sempre Cinderela" são alguns de seus preferidos), Fani está junto com Gabi, Natália e Leo - seus melhores amigos -, ou dividindo o seu tempo entre as aulas de inglês e as lições de casa do colégio católico em que estuda. Fani sonha em um dia ser cineasta, pois a sua grande paixão na vida é o cinema.

Sua vida muda quando seus pais lhe apresentam uma oportunidade que poderá abrir muitas portas em seu futuro: um intercâmbio de um ano na Inglaterra! Fani fica encantada com a ideia, porém fica dividida entre aceitar a proposta dos pais e manter a sua rotina com seus amigos, em Belo Horizonte. Se me permitem, vou citar aqui um trechinho da contra-capa do livro:

" (...) É sobre isso que trata este livro: o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida de continuar a sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em outro país e mergulhar num mundo de novas possibilidades."

Fani é uma garota comum e acredito que seja justamente por isso que seja tão popular entre as leitoras da blogosfera. É impossível não se identificar com ela em algum ponto da história. Estudar na mesma turma que uma patricinha chata e fresca, ter uma quedinha por algum professor, se sentir desconfortável em uma festa cheia de gente, não se lembrar do primeiro porre, sofrer por causa dos exercícios de matemática...Para todas estas situações, minhas leitoras, eu vos pergunto: quem nunca?

Ao ler o livro, muitas vezes, eu tinha a sensação de estar conversando com Fani, de conhecê-la, como se ela fosse uma amiga minha. Assim como Fani, nunca fui muito de sair de casa, detestava boa parte das pessoas na minha escola e, para mim, uma grande diversão era passar as tardes curtindo a minha coleção de DVDs.

Uma coisa que achei bem legal em "Fazendo Meu Filme" é que cada capítulo inicia com uma citação de algum filme da coleção de Fani, e essa citação está relacionada aos acontecimentos do capítulo. Os capítulos são curtinhos e fáceis de ler, o que faz com que a leitura seja bem rápida.

Quem gosta de assistir a filmes - principalmente comédias românticas - vai adorar a leitura, porque a Fani acaba listando vários títulos e comentando um pouquinho; de certa forma, o livro serve também como um guia de filmes. Além dos filmes, adorei as referências musicais: The Police, Oasis, Tribalistas...Muito legais mesmo.

Já no que diz respeito ao design do livro, não tenho do que reclamar. A diagramação é boa e lembra um pouco a de "O Diário da Princesa"; o tamanho da letra também é bom. Só as páginas brancas que incomodam um pouco, porque cansa mais, mas fora isso, ok. A arte da capa é maravilhosa, super feminina e adolescente.

Mesmo com um enredo meio batido, recomendo a leitura de "Fazendo Meu Filme - A Estreia de Fani" à todo mundo que é fã de comédias românticas adolescentes e chick-lit. Fani é brasileira e é a primeira vez que eu leio um livro para adolescentes brasileiras escrito por uma autora brasileira. É uma leitura descontraída e ótima para passar o tempo aproveitando uma nostalgia leve. Gostei, pretendo comprar e ler as continuações.