Até o ano passado não conhecia John Green e só o fiz por meio do livro gracinha A culpa é das estrelas. Mas vou ser sincera: o livro que queria ler mesmo era Quem é você, Alasca?; o que não consegui fazer pois o livro estava simplesmente esgotado ou difícil de encontrar ou caro demais. No fim das contas, acabei lendo A culpa é das estrelas, livro que até hoje não sei dizer se gosto ou não. De qualquer forma, na época, uma coisa ficou clara: preciso voltar a ler algo escrito por John Green.

Este ano consegui - FINALMENTE! - ler Quem é você, Alasca? em inglês, mas saibam que com o sucesso adquirido com A culpa é das estrelas, as livrarias voltaram a vender a edição brasileira. Ou seja, agora livro está super fácil de encontrar. Enfim, vamos ao livro.

Quem é você, Alasca? é o primeiro de John Green, publicado em 2005, e nos traz a história de Miles, um adolescente introspectivo e sem muitos amigos - um wallflower. Ele gosta muito de ler biografias e memorizar as últimas palavras de pessoas importantes. A sua preferida é uma frase dita pelo padre e escritor do Renascimento François Rabelais: "Vou em busca do Grande Talvez". Intrigado, Miles decide ir para um colégio interno longe de casa, à procura de seu Grande Talvez.

No colégio, o protagonista logo faz amizade com seu roomate, Chip - que prefere ser chamado de Coronel -, e por meio dele, conhece Alasca, por quem se apaixona quase a primeira vista. Alasca é aquilo que poderíamos chamar de uma pessoa "de lua"; em alguns momentos é extremamente divertida, extrovertida e comunicativa; em outros, se torna completamente autodestrutiva, introspectiva e se afasta de tudo e de todos. Sempre à procura do significado do Labirinto mencionado por Simón Bolívar antes de morrer, Alasca é um mistério para Miles. Um mistério que ele tenta decifrar durante o livro.

Vale mencionar que a narrativa não foca somente na relação (?) entre Miles e Alasca. O leitor também é convidado a conhecer o cotidiano do colégio. Por meio das aulas com Mr. Hyde, Miles e o leitor passam a levantar questões a respeito de fé e religião - meio no estilo O apanhador no campo de centeio - ; acompanhamos também a vida dos adolescentes fora do colégio, seus conflitos, dúvidas e descobertas.

Quem é você, Alasca? é voltado para um público mais adolescente. Mas isso não quer dizer que não tenha uma certa profundidade. Muito pelo contrário, ao lê-lo muitas vezes me peguei recordando os tempos em que o único que me entendia era Holden Caulfield - do já mencionado O apanhador no campo de centeio - e concluí que assim como As vantagens de ser invisível, esse era mais um livro que gostaria de ter lido quando era mais nova.

Recomendo a leitura de Quem é você, Alasca? para aqueles que gostaram dos livros que falei acima e para aqueles que gostam de histórias de adolescentes com mais profundidade, no estilo The O.C., por exemplo. Acho interessante mencionar que, mesmo que tenha sido escrito por John Green e que os personagens principais sejam adolescentes, Quem é você, Alasca? é bem diferente de A culpa é das estrelas. Claro que a escrita divertida e sarcástica do autor se faz presente em ambas as narrativas, mas, a meu ver, acho bem mais fácil se identificar com os personagens da estreia de John Green.


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2 Comentários

  1. Michas, fico muito feliz por você ter gostado do livro. Sou apaixonada por ele. Sabe quando um livro te oferece exatamente tudo o que você precisa naquele momento específico? Esse fez isso por mim. Me fez rir, me fez pensar. Não chorei, mas fiquei melancólica e pensei à beça. Às vezes isso até vale mais pra mim do que algumas lágrimas. Acho que preciso concordar que quem curtiu Perks e Catcher in the Rye vai amar. Porque eu AMO esses três livros demais e quase com o mesmo carinho. O único porém é que não sinto vontade de proteger o Miles, sabe? Ele sabe se virar mais do que Holden e Charlie. Adorei a resenha. Sempre adoro seus vídeos e textos :)

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  2. Michas,

    O livro está na minha lista desse ano. Apesar de eu ter dito pra mim mesma que precisava ler coisas mais adultas, fiz uma exceção para o John Green. Uma coisa nos livros dele ainda continua. Apesar das personagens Gus e Hazel serem diferentes de Miles e Alaska, os quatro são igualmente filosóficos, "crianças" muito adultas pra idade deles. Eles questionam sobre a vida, a morte, presente, passado e futuro e é isso que eu gosto nos livros do John Green.

    Adorei a sua resenha!

    Beijos,

    Mari

    http://www.caixadamari.com/

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