Para ser sincera, nunca tive interesse em ler a série Os Instrumentos Mortais. Por nenhum motivo específico. Apenas não me interessei pela história. Porém, o mesmo não posso dizer a respeito da outra série da mesma autora, As Peças Infernais. Desde que assisti ao vídeo da Evelyn à respeito de Anjo Mecânico - o primeiro livro da trilogia -, fiquei morrendo de curiosidade e no mês passado pude, finalmente, fazer algo à respeito. Li, gostei e agora venho aqui falar um pouco sobre o livro para vocês. Ah, li no Kobo, por isso não tenho imagens para mostrar, ok? :(

Antes de começar, é preciso avisar que os acontecimentos apresentados em As Peças Infernais são anteriores aos apresentados em Os Instrumentos Mortais. Ambientado no século XIX, Anjo Mecânico traz a história de Tessa Gray, uma jovem de 16 anos que perdeu os pais ainda muito nova e que, no início do livro, vive com uma tia em Nova Iorque. Seu irmão, Nate, um viciado em jogatina, partiu para Londres por conta de uma proposta de emprego e raramente entra em contato. As coisas começam a mudar quando a tia de Tessa morre e Nate lhe envia uma carta falando para ela ir morar com ele em Londres.

Com as malas prontas, Tessa parte para a Terra da Rainha - na época, a Vitória - e é aí que as coisas começam a dar errado. Logo ao chegar na cidade, Tessa percebe que Nate não estava à sua espera e que enviara duas senhoras - de nomes bem suspeitos, diga-se de passagem - para recebê-la em seu nome. Um tanto contrariada, a moça resolve acreditar nas duas e é sequestrada. Enquanto é mantida em cativeiro, Tessa é obrigada pelas senhoras Black e Dark - eu disse que os nomes eram suspeitos, não? - a desenvolver uma habilidade que, até então, ela nem sabia que tinha: a capacidade de se transformar em outras pessoas.

Bom, não vou falar muito sobre como esse "treinamento" é realizado, mas aviso que em determinado momento, Tessa consegue escapar do cativeiro e vai parar num instituto de Caçadores de Sombra, onde vai conhecer Charlotte, Henry, Jessamine, Jem e, claro, Will - o boy magia do livro. Aos poucos, Tessa começa a compreender que o mundo que ela achava que conhecia não é exatamente tão claro assim; que, além do mundo dos humanos, existe o submundo, povoado por criaturas sobrenaturais, como vampiros, feiticeiros e demônios. Além dos já citados Nephilim, os Caçadores de Sombra, que são...uma espécie de guerreiros do bem, que protegem os humanos dos seres cruéis do submundo.

A narrativa, no geral, flui bem. Nunca tinha lido nada da autora, mas gostei da forma como ela termina os capítulos, deixando um gancho para o próximo e, ao mesmo tempo, alimentado a curiosidade do leitor. Dois mistérios prendem a atenção durante a maior parte do tempo: 1) o que é Tessa? e 2) o que aconteceu com Nate?, mas não é como se o foco ficasse nisso durante toda a narrativa. Em determinados momentos, o leitor até se esquece de Tessa e Nate e passa a se preocupar mais com outros aspectos. O livro traz também um pouco de steampunk, gênero que pouco conheço e do qual nunca li nada, logo, Anjo Mecânico funcionou como uma porta de entrada.

O livro, assim como seu universo e personagens, são bastante coerentes, e eu enxergo isso como algo positivo, porque tá difícil encontrar isso nessas séries YA, convenhamos. Cassandra Clare conseguiu dosar bem a quantidade de mistério e, principalmente, de romance. Em nenhum momento fiquei com raiva de Tessa - a protagonista adolescente - ou senti que a narrativa estava enrolada demais em conflitos amorosos. Como disse, tudo aparece na dosagem certa. Ou, quase tudo. Senti falta de um pouco mais de ação, mas nada que estrague o livro. Outra coisa que me incomodou um pouco foi a falta de explicação do que é o que, sabe? Tudo bem que essa série foi escrita depois de Os Instrumentos Mortais, mas ainda assim, o que acontece com aqueles que - como eu - não tem um pingo de interesse na história de Clary Fray, mas que ainda assim, se interessaram pela de Tessa Gray? Joguem no Google e se virem? Tem que ver isso aí.

No geral, a leitura de Anjo Mecânico foi positiva. Não superou as minhas expectativas, porém está longe de ter sido péssima. Atribuo a minha falta de empolgação ao fato de que ando meio sem paciência para essas séries YA. Recomendo a leitura? Recomendo para aqueles que gostam de histórias de mistério que envolvam elementos sobrenaturais e de fantasia e que não se incomodem com personagens adolescentes. Vou continuar a ler? Sim, mas não será a minha prioridade no momento.


4 Comentários

  1. Michas, me interessei bastante por essa saga. Coloquei na minha lista de leituras já. Amo o jeito que a Cassandra escreve. Estou lendo Instrumentos Mortais e creio que você irá gostar, te acompanho a um tempo aqui no La vi em rose e sei que você não gosta de mimimi e em Instrumentos Mortais não tem isso, sabe? É uma saga cheia de ação e conflitos, e prende muito também. Acho que você deveria arriscar. Em breve farei uma resenha no meu blog sobre o primeiro e o segundo livro. Bjos!


    http://versejas.blogspot.com.br/

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    1. Gabi,

      Anjo Mecânico é bem interessante. Espero que as continuações também sejam. Ainda não me convenci a ler Os Instrumentos Mortais...mas, vamos com calma. Vai que depois das Peças Infernais eu não mudo de ideia, né? Vamos ver...

      Vou ler as suas resenhas!

      Beijos

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  2. Tessa Grey é muito melhor que a Clary. E eu concordo. Por mais que os livros pertençam ao mesmo universo, Peças Infernais deveria ser um ponto de entrada também na mitologia. Pelo menos nesse primeiro volume (até pq ninguém começa a ler coisa de série logo no segundo livr... OH WAIT, eu já fiz isso).
    No geral ele é muito mais legal que os Instrumentos. A ideia é melhor, o desenvolvimento é melhor... Mas acho que é justamente por isso: esses livros saíram quando as aventuras da Clary estavam na metade. Então a autora já tinha aprendido mais coisas em relação ao desenvolvimento do plot.
    O segundo é legal, bro. Só que me irritou DEMAIS (por isso minha review no Goodreads). Pode ser que, quando eu o li, não estivesse nos melhores momentos também, haha.

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    1. Então, meu problema com Os Intrumentos Mortais é que já não fui com a cara da Clary. E muito menos do Jace (que pra mim é apenas um Edward mais rebelde, posso estar enganada, mas acho que nem tanto). Por isso, resolvi ler O Anjo Mecânico, porque toda a ideia de Londres Vitoriana e Steampunk me interessaram. Achei o primeiro livro legal - não levando em conta a falta de esclarecimento para novos leitores no universo -, previsível em algumas partes mas com algumas reviravoltas surpreendentes. Acho que vou continuar, mas nem será minha prioridade...ahahaha

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