Divagações sobre "O Festim dos Corvos"

Como combinado, vim falar sobre as minhas impressões a respeito de O Festim dos Corvos, o quarto livro das Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. Tentarei, da melhor forma possível, manter o texto sem spoilers pesados, mas entendam que precisarei contextualizar um pouco, ok? Então, se não quiser saber de absolutamente nada - personagens que aparecem, ritmo de leitura, etc. -, não leia o post. Ah, tentarei ser breve. (Fracassarei terrivelmente nessa tarefa).

Antes de começar, acho importante explicar como conheci a história em As Crônicas de Gelo e Fogo. Não tem mistério nenhum: Game of Thrones, na HBO. Simples assim. Viciada em seriados que sou, fiquei super empolgada quando ouvi falar na série - até então, não tinha ideia de que fosse baseada em livros - e minha animação aumentou quando vi que o Sean Bean estava no elenco. Não sou fã dele e, mesmo detestando o Boromir, peguei uma simpatia pelo sujeito. Por motivos de faculdade, acabei não acompanhando a primeira temporada e descobrindo que tudo ali tinha originado nas páginas de um calhamaço. Gente, entrei em pânico quando vi a quantidade de livros que tinha para ler e surtei com a quantidade de páginas nos livros da série do Sr. Martin. Obviamente, considerei a possibilidade de ler os livros, mas a consideração foi rápida. No final, a batalha Livros com mais de 800 páginas versus superprodução da HBO foi vencida pela opção mais rápida.


Sobrevivi às reviravoltas no final da primeira temporada e morri de raiva com as reviravoltas da segunda, mas nada - ABSOLUTAMENTE NADA - vai superar o misto revolta-choque que foi o penúltimo episódio da terceira temporada, com o tal do Casamento Vermelho. A partir daí, decidi que não ia mais depender da HBO para saber os rumos de Westeros, ia encarar os livros. Mas com um porém: não ia ler o que já sabia que acontecia. Sendo assim, comecei pelo que seriam as 300 páginas finais de A Tormenta de Espadas, o terceiro livro da série. E agora, darei início ao objetivo principal do post, ok? Enrolei demais, sorry.

Após a sequência de mortes inesperadas de gente que parecia ter importância na série e em Westeros e as reviravoltas nas tramas de alguns personagens principais que ocorrem no final do terceiro livro, o início de O Festim dos Corvos não poderia ser mais desanimador. Mesmo com a narrativa bem fluida do Sr. Martin, os fatos apresentados nas primeiras 300 (?) páginas não parecem ter importância alguma, ou revelar nada de significante para a história principal. Junte isso aos pontos-de-vista de personagens considerados ~chatinhos~ pela maioria e você terá a fórmula para empacar durante a leitura.

Sobrevivendo a esse começo, as coisas vão ficando menos maçantes, porém não mais interessantes. É como se várias coisas iguais fossem acontecendo durante cada capítulo. A personagem que está viajando por Westeros parece viajar o tempo todo, a sonsa continua sonsa por boa parte do tempo, a louca continua loucamente ridícula, como era de se esperar. Entendem? Muita coisa acontece, mas nada parece acontecer. É como se, depois de matar muita gente e colocar muitas guerras, Sr. Martin precisasse de um tempo para deixar a poeira baixar e Westeros precisasse se estabilizar antes de partir para mais guerras.

No fundo, pelo que entendi, é um livro diferente dos outros e acaba funcionando como uma ponte para o que virá. Os narradores aqui são a gente do povo e os personagens que não receberam muito destaque até então. Particularmente, gostei de conhecer o Jaime Lannister e descobrir que ele não é o idiota que pensei que fosse. Saber como funciona a mente de Cersei Lannister/Baratheon também foi agradável e, mesmo detestando a mulher, não há como negar que me diverti lendo seus capítulos. Ri do quanto ela pode ser ridícula. Já os capítulos de Briene não foram tão legais assim na verdade foram bem chatos, melhorando apenas no final.

Outro fator que merece destaque é o fato de que, aparentemente, pela primeira vez, os leitores podem saber mais a respeito de duas casas de Westeros: Greyjoy (das Ilhas de Ferro) e os Martell (de Dorne). O que mais me chamou a atenção ao saber sobre essas casas e ~regiões~ foi a maneira como a política deles é diferente da de Porto Real e do resto de Westeros. Apesar de detestar os capítulos focados nos membros da família Greyjoy, me interessei bastante pela maneira como eles elegem seus líderes e também pela religião deles. Já os Martell vinham me interessando desde o livro anterior, com as partes sobre o Príncipe Oberin e sobre a relação da família com os Targaryen. Em O Festim dos Corvos podemos conhecer a Princesa Arianne que é mais uma personagem feminina forte! Adoro esse aspecto na série :)

Além dos personagens citados, também acompanhamos os passos das garotas Stark - que agora usam nomes diferentes - e os de Samwell Tarly, da Patrulha da Noite. Arya, legal. Sam, not so much. Sansa, sonsa quase até o final. Porém, acho que após os acontecimentos nos capítulos finais, Sansa deve melhorar bastante. No quarto livro não acompanhamos aqueles que são considerados por muita gente os melhores da série: Tyrion, Dany e Jon Snow. Sr. Martin resolveu brincar de pegadinha e dividiu o livro em duas partes. A primeira é O Festim dos Corvos e a segunda é a primeira parte de A Dança dos Dragões. Sinto pena de quem teve que esperar pelo quinto livro; o cara demorou mais de cinco anos para lançar.

E, por fim, acho válido mencionar que em O Festim dos Corvos podemos conhecer mais sobre o lado místico/sobrenatural/mágico da série. Não sei bem como desenvolver essa ideia sem contar muito do enredo, por isso apenas aceitem um é muito interessante e vale à pena ler, ok? Se você é como eu e quase largou o livro, não desista! Mesmo com a lentidão e tédio, as coisas melhoram bastante no final. 

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