Aconteceu assim, meio de repente. Cá estava eu, fazendo um misto de faxina com arrumação em minha estante de livros, quando decidi que a atividade seria mais divertida com uma boa música como trilha sonora. Depois, parei para observar e sentir o clima do dia (porque sim, eu escolho o que vou escutar de acordo com o meu humor e o clima), e aí, não teve outra: The Beatles, uma de minhas bandas preferidas de todos os tempos - na verdade, até eu conhecer o Pink Floyd, os caras de Liverpool eram os meus grandes amores musicais, aí, conheci os lunáticos e a disputa ficou acirrada.

De qualquer forma, o fato é que John, Paul, George e Ringo fazem parte da minha vida desde antes de eu nascer. Acontece que papai, em um belo dia entre as décadas de 1960 e 1970, escutou a música Michelle e decidiu que se um dia tivesse uma filha ela seria batizada com esse nome francês. Quem era a dita cuja na composição de Lennon/McCartney, eu não faço a menor ideia, porém seria legal saber. Vai que ela era uma mulher muito horrível que partiu o coração de um dos dois? Sei lá. Se alguém souber, por favor, me diga, ok?

Agora, depois de toda essa enrolação, lhes informo que o objetivo principal deste post - que só é anunciado no terceiro parágrafo - é listar aqui as minhas cinco canções preferidas daquela que é hoje considerada a banda mais aclamada da história da música popular. Tarefa árdua, preciso dizer, já que é simplesmente impossível escolher apenas cinco dentre todas as maravilhosas composições dos Beatles. Vejam bem, estamos falando da maior banda de todos os tempos. 

Enfim, vamos à lista! E que fique claro que se já é impossível escolher cinco, mais complicado ainda é escolher qual dentre essas cinco é a melhor de todas. Logo, irei apresentá-las por ordem de lançamento, ok? Ready, set, go!

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In My Life (Rubber Soul, 1965)
Já ouviram dizer que quando alguém já está bem velhinho, nos últimos anos de vida, começa a pensar no que fez em seus anos de juventude e a se arrepender - ou não! - de seus feitos? Então, é isso que eu sinto (?) quando escuto In My Life. Não que eu saiba o que é chegar ao fim da vida e começar a pensar no que deixei para trás, porque, obviamente, não sei. A sensação é de nostalgia e também de tristeza. Apesar de ser assinada como uma composição Lennon/McCartney, essa música é, na verdade, uma obra de John Lennon - a.k.a. meu Beatle preferido. ♥

Strawberry Fields Forever (Magical Mystery Tour, 1967)
"Living is easy with eyes closed, misunderstandig all you see. It's getting hard to be someone, but it all works out, it doesn't matter much to me" e com essa Strawberry Fields Forever me ganhou de vez! Te amo, John Lennon e obrigada por taking me down to strawberry fields, where nothing is real and there's nothing to get hung about. ♥

While My Guitar Gently Weeps (White Album, 1968)
Composição de George Harrison (que também faz os vocais), While My Guitar Gently Weeps é uma música que me deixa melancólica. Mas não é uma melancolia ruim, é algo inexplicável. Rolou uma forte identificação com a frase "with every mistake we must surely be learning" e a participação de Eric Clapton fazendo o solo de guitarra é algo quase transcendental. ♥

Here Comes The Sun (Abbey Road, 1969)
Daí que a sua vida está toda errada: a faculdade só te estressa, o relacionamento com o boy tá indo por rio abaixo, seu cabelo vive a lógica bed hair day e, por motivos de "sempre pode piorar", está chovendo. No meio disso tudo, você olha pela janela do seu quarto é vê um sol tímido surgindo, deixando seus raios brilharem e tudo fica mais bonito e colorido. Quem nunca? É por isso que eu adoro essa composição, também de autoria de George Harrison. ♥

Let It Be (Let It Be, 1970) 
Quando tinha 9 anos, essa era a minha música preferida dos Beatles. Quando a gente viajava, sempre pedia para meu pai colocar essa música para tocar no rádio. Na época, o que me encantava era a melodia e a voz de Paul (compositor). Anos mais tarde, depois de aprender a falar em inlês, é que fui saber do que Let it Be tratava e, aí, foi impossível não amar mais. Sua vida tá um caos e você não sabe o que fazer para resolver? Let it be. Simples assim. Essa música me faz pensar que, por pior que as coisas estejam, elas um dia podem melhorar; e o que temos que fazer é ter calma e deixar estar. Ah, e o fato de ela fazer parte do último álbum dos Beatles - lançado depois de a banda já ter se separado - lhe confere um ar de despedida. É um tanto triste, mas bem bonito. ♥


"Apaixonada por palavras", de Paula Pimenta, é uma coletânea que reúne 55 crônicas escritas pela autora entre dezembro de 2000 e junho de 2009. 
Até o ano passado, eu não fazia ideia de quem era Paula Pimenta e só li, até agora, o primeiro livro da sua popular série Fazendo Meu Filme. A leitura, uma das primeiras do ano (na verdade, comecei na última semana de dezembro), é bastante agradável e, apesar da minha demora em terminar, posso afirmar que gostei. É que eu enrolo mesmo para ler coletâneas e afins. Sei lá, a leitura não me prende, aí, vou lendo aos pouquinhos...

Ao contrário dos demais livros da autora, "Apaixonada por palavras" não tem como foco apenas o público infanto-juvenil, mas sim pessoas de todas as idades. Na contra-capa, podemos ler alguns depoimentos de leitores entre 14 e 62 anos! No que diz respeito à leitura, o que mais gostei foi de ter conhecido um pouco sobre a Paula Pimenta durante as diferentes fases de sua vida, assim como o que ela pensa sobre determinados temas como relacionamentos, amizade, amor, faculdade, sonhos...

Quando cheguei ao fim, concluí que Paula Pimenta é uma mulher doce, com seus 32 anos, mas com alma de uma eterna adolescente. E não falo isso como uma crítica negativa, ok?

O livro é muito bonito visualmente falando. Logo que vi a capa, fiquei curiosa para saber do que se tratava. As balinhas coloridas são muito amor; o título de cada crônica é escrito em vermelho, com a fonte da capa, assim como os trechos mais importantes - de acordo com a autora. O mais fofo é que, ao fim de cada crônica, tem um coraçãozinho vermelho ao lado do ponto final <3

Agora, vou colocar aqui alguns trechos das crônicas que mais me marcaram durante a leitura, ok? 

A angústia da espera
"Lembro-me muito bem de uma vez, nem há tanto tempo assim, quando eu finalmente consegui ficar com aquele menino que para mim era o mais lindo, simpático e inteligente entre todos os outros do mundo, e eu pensava que dali pra frente todos os meus problemas tinham se acabado. Quanta inocência..."

Mortos-vivos
"É fácil perdoar depois que se passa muito tempo. (...) Os fantasmas voltam, ilesos, mas é quase certo que com eles voltem também os motivos que os fizeram morrer".

Platônica Crônica
"Mas por que algumas pessoas se satisfazem em amar de longe? O que leva uma pessoa a escrever poemas, cartas, músicas e nunca mostrar para quem o inspirou?"


Para o amor entrar
"Seja causando felicidade ou tristeza, amor é coisa que influi pra valer no humor, na vida e até no peso de qualquer pessoa".


Velhice
"O que tem que ser mudado é essa ilusão de que quem é jovem é superior. Será que que sou melhor do que a minha mãe apenas porque a minha pele é mais lisa do que a dela? Pois eu digo que a minha avó é superior a nós duas juntas".

Apesar do clima meio "lugar comum" que o livro traz, a leitura é gostosa, leve e fácil. Ótima para matar o tempo, sem muita pretensão, sabe? O segredo está em não ter muitas expectativas.