"A última carta de amor", de Jojo Moyes, traz duas histórias que se desenrolam ao longo de quase quarenta anos. Ellie é uma jornalista de vinte e poucos anos que enfrenta uma situação complicada: está em um relacionamento com um homem casado. Apesar de todos os seus amigos lhe dizerem que tudo não passa de um passatempo, Ellie acredita que seu amante irá abandonar a sua esposa para ficar com ela. A relação consome e ocupa tanto espaço em sua vida que a jovem passa a negligenciar seu lado profissional, não comparecendo à reuniões de pauta e deixando de sugerir matérias. Ao se dar conta disso, Ellie decide impressionar a sua chefe e se provar capaz de ocupar o seu espaço no jornal.

Para desenvolver uma reportagem sobre as diferenças entre os anos 1950 e a atualidade, Ellie vai até o arquivo do jornal em que trabalha à procura de reportagens que evidenciassem o comportamento da sociedade no passado e acaba encontrando uma carta. Na verdade, uma carta escrita por um homem à sua amada, pedindo-lhe que, se ainda o amasse, que o fosse encontrar no local e na hora indicados por escrito. Curiosa a respeito do paradeiro daquelas pessoas e sobre o destino que tiveram, Ellie resolve investigar o assunto e transformá-lo em uma reportagem. Com a ajuda de Rory, um rapaz que trabalha no arquivo, a jornalista começa a juntar as peças de uma conturbada história de amor.

Paralelamente, o leitor acompanha também a história de Jennifer, uma mulher que, após sofrer um acidente de carro, acorda em um hospital sem nenhuma memória recente a respeito de sua vida. Aos poucos e com a ajuda de familiares e amigos, Jennifer começa a descobrir quem é: casada com um homem muito rico, é bastante influente na alta sociedade da qual faz parte e é conhecida por sua beleza e por suas festas. Desconfiada das pessoas ao seu redor, suas lembranças começam a ficar ainda mais confusas quando encontra uma carta de amor escondida em seu armário; uma carta que não fora escrita por seu marido.

O livro é dividido em três partes, que são narradas de diferentes pontos de vista (ao todo são quatro) e de forma não-linear; estes dois aspectos contribuem bastante para aguçar a curiosidade do leitor e, ao mesmo tempo, mantê-lo preso à leitura.

Serei sincera, até o fim da primeira parte não me senti muito atraída pelo enredo. Atribuo este fato à narrativa de Jojo Moyes que é muito cinematográfica (cheia de expressões que indicam que as ocorrem no presente; exemplos: "ela chega", "ela entra e abre o envelope") e que, às vezes, parece estar implorando para que a história seja adaptada para a telona.

Outro problema que encontrei em algumas partes da narrativa foi o excesso de descrição desnecessária, como, por exemplo, um parágrafo para explicar o ato de colocar chá em uma xícara. Isso não acontece com frequência, mas durante as poucas partes em que ocorreu, fiquei bastante incomodada. Passada esta primeira impressão, as coisas começaram a melhorar e, de repente, não conseguia abandonar a leitura. O que mais me chamou atenção foi o elenco de personagens bem desenvolvidos e bastante críveis. Adorei cada um deles, até aqueles que poderiam ser chamados de "os vilões da história".

De uma forma geral, é uma história muito bonita e bastante envolvente, do tipo que faz o leitor torcer pela felicidade de alguns personagens e ficar feliz com as desventuras nas vidas de outros. É uma leitura que recomendo principalmente àqueles que gostam de uma boa história de amor cheia de suspiros.