Em "O Palácio de Inverno", John Boyne nos apresenta a Gueórgui Jachmenev, um senhor russo com seus 80 e poucos anos, que vive em Londres e que, em 1981, está prestes a perder Zoia, o amor de sua vida, que se encontra internada em fase terminal de um câncer. Sabendo da situação de sua esposa, Gueórgui começa a lembrar e narrar alguns acontecimentos da vida que tiveram juntos.

Paralelamente à essa narrativa, um Gueórgui mais jovem, no auge de sua adolescência, nos conta como deixou de ser um mero camponês, filho de lavrador que vivia em uma pequena aldeia no interior russo, para se transformar no mais novo membro da Guarda Imperial do czar Nicolau II, com uma missão especial: ser o guarda-costas do pequeno Alexei, herdeiro do trono russo. Através dos olhos de Gueórgui, podemos conhecer um pouco do que era a vida no Palácio de Inverno, a residência do czar e de sua família, em São Petersburgo. 

No que diz respeito à narrativa, a forma como John Boyne a construiu é muito criativa: ambas se intercalam; a narrativa de Gueórgui velho segue uma ordem decrescente, enquanto a narrativa do jovem Gueórgui ocorre de forma crescente. O clímax acontece quando ambas as narrativas se encontram. Outro ponto interessante e que merece ser ressaltado é que, enquanto acompanhamos as narrativas de vida de Gueórgui, podemos notar que acontecimentos marcantes do século XX - como a Revolução Russa, a Segunda Guerra Mundial e a morte de Stalin - servem como pano de fundo.

Particularmente, sempre me interessei por esse lado da história russa, que envolve a dinastia Romanov e este livro de John Boyne foi a escolha perfeita. Misturando ficção com realidade, o resultado obtido pelo autor é em um romance histórico emocionante, cheio de segredos e um desfecho excelente. O que mais gostei foi poder "conhecer" um pouco mais alguns personagens que marcaram a história russa e mundial, como a grã-duquesa Anastasia e o padre Grigori Rasputin.

Falando em linhas gerais, recomendo muito a leitura de "O Palácio de Inverno" para aqueles que estão à procura de um livro envolvente ou que gostam de romances históricos.

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Não tinha a mínima intenção de fazer um post - escrito ou em vídeo - a respeito de "A Hospedeira", de Stephenie Meyer, autora que havia me prometido jamais voltar a ler. Porém, passada a luta para terminar o livro, percebi que não o achei desagradável e até me identifiquei um pouco com alguns personagens. E, como a autora realmente me surpreendeu, resolvi que seria justo dedicar um espaço aqui para falar um pouco sobre esta leitura. Aproveitarei também para dar o meu breve parecer a respeito do filme, tudo bem?

Ambientado no futuro, "A Hospedeira" apresenta um mundo em que a humanidade foi quase extinguida após a invasão do planeta por uma espécie parasita de aliens, que captura homens e mulheres e "possui" seus corpos para que, assim, possam existir. Melanie Stryder, parte da resistência humana, vive isolada no deserto junto com seu irmão caçula, Jamie, e Jared, seu namorado. Após descobrir que sua prima ainda resistia à invasão em outra cidade, Melanie decide viajar para encontrá-la. Porém, no caminho é interceptada por Buscadores (Seekers) - aliens responsáveis pela captura de humanos - e acaba se transformando em mais uma vitima da invasão. Ao contrário de muitos humanos, Melanie luta contra a presença de Peregrina (Wanderer) - a parasita que ocupa o seu corpo e que já viveu várias encarnações diferentes em outros planetas - e em diversas situações, acaba por interferir em suas ações. 

A história é narrada por Peregrina que, de tanto escutar os pensamentos de Melanie, acaba confundindo os seus sentimentos com os dela e, consequentemente, se preocupando com Jamie e Jared. Dessa forma, Peregrina decide que fará o possível para protegê-los e esconder o paradeiro de ambos da Buscadora que capturou Melanie. Movida por sentimentos que desconhece e pela motivação de Melanie para reencontrar sua família, Peregrina abandona a vida que levava na civilização e parte para o deserto, onde sabe que deverá encontrar não apenas Jamie e Jared, mas um abrigo de sobreviventes.

Com exceção do prólogo e dos dois primeiros capítulos, achei o início de "A Hospedeira" bastante enfadonho e enrolado. Essa sensação me acompanharia ao longo de diversas partes do livro. Com isso não quero dizer que o livro seja ruim, muito pelo contrário, é um bom livro de uma autora bem ruim. Stephenie Meyer não se qualifica naquilo que posso considerar uma boa autora, me desculpem 

Eu deveria ter pesquisado um pouco sobre o livro e a forma como fora estruturado, poupando-me assim de uma série de aborrecimentos e atrasos literários. Estava conversando com uma amiga a respeito do livro e acabamos chegando à uma conclusão: o livro é bom, a história é interessante, os personagens são cativantes, a narrativa, no entanto, não flui em determinados pontos. E isso acontece porque, a meu ver, é como se Stephenie Meyer quisesse me lembrar constantemente que o livro fora escrito por ela. De acordo com a orelha da minha edição, A Hospedeira é o primeiro livro da autora voltado para o público adulto, porém, não é o que parece. Assim como na saga dos vampiros, nós leitores, fomos obrigados a conviver com os mimimis adolescentes de Bella Swan e sua eterna dúvida entre Edward e Jacob, em A Hospedeira, acompanhamos uma alienígena presa num corpo humano, forçada a lidar com sentimentos conflitantes e, como já era de se esperar, um triângulo amoroso. Porque sempre tem um triângulo amoroso no meio desses livros e isso, normalmente, é o motivo que me leva a não gostar tanto deles.

É como se uma narrativa interessante e - por que não? - eletrizante fosse constantemente interrompida para ceder espaço aos conflitos amorosos. Não que estes conflitos não sejam bons para o desenvolvimento dos personagens, mas ainda assim, o excesso deles em determinadas partes é incômodo e completamente desnecessário. Faz com que uma história legal e interessante que poderia facilmente ser escrita em 400 e poucas páginas termine em 619. Vejam bem, mais de cem páginas de puros mimimis e blablablas. Tem gente que gosta, mas este não é o meu caso. 

Mesmo com as minhas reclamações, ainda acho que "A Hospedeira" é um bom livro. Vale à pena ler? Sim, desde que você tenha em mente que, mesmo os protagonistas não sendo adolescentes, o livro é sim voltado para um público jovem adulto; dessa forma, você vai sim encontrar diversos aspectos comuns em livros para este tipo de público, o que pode ser positivo para uns e negativo para outros. Depende muito do seu gosto literário. Quanto ao filme, achei que foi uma boa adaptação - gente, não deve ser fácil adaptar 619 páginas em um único filme - , mas como é de se esperar de filmes baseados em livros, muita coisa ficou de fora. Nada de importante, que vá interferir na compreensão da história. Em linhas gerais: recomendo, mas se você tiver outras leituras em mente, dê prioridade à elas.


Demorei, mas resenhei! Uma das minhas leituras do mês de março foi o esperadíssimo livro Morte súbita, de J.K. Rowling, que chegou às livrarias brasileiras em novembro do ano passado e que eu ganhei de natal da minha amiga-secreta da faculdade Mari :) Vou confessar que não estava tão interessada pelo livro, pretendendo apenas lê-lo em consideração à J.K. Rowling, uma das autoras responsáveis por eu gostar tanto de ler. Mas, com o passar dos meses e depois de ler e assistir a algumas resenhas, resolvi colocar Morte súbita na lista de prioridades literárias. E ainda bem que o fiz, porque foi uma das minhas leituras mais agradáveis do ano até agora.

Mas chega de blablablá e vamos direto ao ponto, né? As minhas impressões da leitura podem ser conferidas no vídeo abaixo. Peço perdão pelo tamanho do vídeo, mas é que o livro, além de ter muitos personagens, levanta muitas questões que precisavam ser mencionadas na resenha, ok? Espero que gostem :)