Há algumas semanas decidi iniciar uma releitura de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, a tempo de ir ao cinema para assistir a nova adaptação cinematográfica dirigida por Baz Luhrman. Ambas as experiências foram positivas e tentarei falar brevemente sobre elas nesse post, acompanhado de vídeo novo no canal :)

Em O grande Gatsby, Nick Carraway narra uma série de acontecimentos que marcaram a sua vida no verão de 1922, quando se mudou de sua cidade natal no oeste dos Estados Unidos para Long Island. Vivendo em um chalé simples, mas rodeado por mansões na vizinhança, logo no início de sua narrativa, Nick se impressiona com o luxo e a movimentação na casa de seu vizinho, Jay Gatsby, um homem sobre o qual todos ouviram falar, mas que ninguém conhece. Rola toda uma aura misteriosa a respeito desse sujeito.

Gatsby é famoso na região pelas festas absurdamente badaladas e luxuosas que oferece em seu "pequeno" castelo para todos aqueles que quiserem comparecer aos eventos. Ao contrário do que acontece com todos os que aparecem nas festas de Gatsby, Nick recebe um convite assinado pelo próprio anfitrião, que insiste para que ele compareça à próxima festa. Curioso e com um certo receio, Nick resolve ir e ao chegar lá, se surpreende ao descobrir que praticamente ninguém conhece Gatsby e muitos nem sequer o viram.

Além do vizinho peculiar, excêntrico e completamente desconhecido, Nick vai nos apresentar à Daisy, sua prima distante e rica que casou com um homem igualmente rico; Tom, o marido de Daisy; e Jordan Baker, uma jogadora de golfe famosa e amiga de longa data de Daisy. Já no começo da narrativa, descobrimos que a vida matrimonial de Tom e Daisy não é tão perfeita quando parece ser, mas sim rodeada de segredos. E o único que parece ter conhecimento dos segredos é Nick, o narrador-observador. 

Conhecido por retratar a chamada Era do Jazz em suas obras, F. Scott Fitzgerald publicou O grande Gatsby em 1925, um período em que os Estados Unidos viviam a prosperidade econômica, antes do grande crash da bolsa de valores em 1929. Apesar de retratar a vida luxuosa e glamourosa da alta sociedade, a obra tem também faz uma sutil crítica ao materialismo e a superficialidade presentes na vida das pessoas dessa elite.

No que diz respeito à narrativa de O grande Gatsby, não posso mentir. Na primeira vez que li, levei semanas para vencer os três ou quatro capítulos iniciais, que se arrastavam em uma narrativa lenta, sem muitos acontecimentos e que parecia não levar a lugar nenhum. Felizmente, as coisas melhoraram quando Gatsby entrou na história e aí, me apaixonei pelo livro. Recomendo a leitura à todos que gostam de conhecer os clássicos, ou que tenham a curiosidade de conhecer Fitzgerald, ou que estejam curiosos para assistir ao filme.

Quanto ao filme, serei direta: adorei. A adaptação está muito bem feita, com uma trilha sonora surpreendente, um roteiro bem feito, fotografia belíssima e um elenco mais que competente. Tobey McGuire, para mim, ficou perfeito como Nick - um personagem que eu nunca consegui imaginar - e Leonardo DiCaprio dispensa comentários, pois, claramente, nasceu para ser Gastby. Sério, gente, ele está IGUAL ao Gatsby do livro. Simples assim. Recomendo muito; mas antes, leia ao livro :)

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Comprei um Kobo. Em abril finalmente resolvi abandonar as minhas concepções não muito claras a respeito dos e-readers e comprei um Kobo. Mas esse post não tem nada a ver com o meu Kobo, apenas com a minha primeira leitura realizada com ele. Desde que fiquei sabendo da existência de A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra, fiquei curiosa para conhecer a história ali narrada e seus personagens. Com a minha nova aquisição em abril pensei com meus botões e decidi que este seria o melhor livro para estrear o Kobo. Minhas expectativas eram muita altas. Em relação a ambos, livro e e-reader. Apenas um deles correspondeu às expectativas. O Kobo.
Gostaria de deixar bem claro que não detestei A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra, de Robin Sloan. De forma alguma. O livro é divertido, interessante e até me fez rir com algumas passagens, mas ainda assim não me ganhou. Sabe quando você abre o freezer, naquele dia em que a temperatura se iguala à do deserto do Saara, e encontra aquele pote de sorvete lindo te esperando e aí, você vai todo alegre e serelepe abrir o pote só para se frustrar ao descobrir que, na verdade, era feijão? Pois então, foi mais ou menos assim que me senti em relação ao livro de Robin Sloan. Queria sorvete de flocos e ganhei feijão congelado. 

O livro traz a história de Clay Jannon, um jovem web-designer desempregado que se vê obrigado a mudar de carreira por conta da recessão econômica que atingiu os EUA em 2008. Ele conseguiu um emprego como funcionário da Livraria 24 horas do Mr. Penumbra, um velhinho estranho e misterioso. Clay fica responsável pelo turno que vai das 22h até às 6h, o que, a princípio, acha incrível já que ninguém deve frequentar livrarias durante este horário. Entre as regras do novo emprego, duas chamam a atenção de Clay: 1) ele deve manter um registro de todas as pessoas que entrarem na loja e esse registro não deve conter apenas o nome do cliente, mas uma descrição física do mesmo, assim como as roupas que estiver vestindo; 2) não deve, sob hipótese alguma, mexer nos livros que ficam no alto de uma estante.

Logo na primeira noite de trabalho, Clay percebeu que, ao contrário do que pensava, a livraria tinha clientes durante o horário de seu turno. Clientes que fugiam do normal, pois todos tinham uma aparência estranha - alguns meio paranoicos - e sempre pegavam livros da seção que Penumbra o proibira de mexer, a qual Clay passou a de chamar de "registro pré-histórico", pois eram livros muito, muito, muito, muito antigos. A loja, além de funcionar como um livraria e um sebo, parece ter uma função parecida com a de uma biblioteca, pois esses clientes alugavam os livros do registro pré-histórico e, depois de alguns dias, os devolviam e pediam outros.

Mesmo sabendo que não estava autorizado a mexer naqueles livros, Clay resolveu desobedecer a regra...E eu vou parar por aqui, porque não quero estragar a narrativa para aqueles que se interessaram pelo livro. O que posso dizer é que Clay se interessa pelo que encontrou nos livros e embarca em uma "investigação" a respeito da livraria, do Mr. Penumbra e de seus clientes. E ele não faz isso sozinho, pois vai contar com a ajuda de um amigo bilionário e uma menina hacker que trabalha para o Google.

Agora, vamos aos motivos que me fizeram não gostar tanto de A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra quanto eu queria ter gostado. O primeiro deles é o rumo em que a história começa a caminhar; esperava que fosse seguir uma linha, mas me enganei e a coisa é completamente diferente do que eu imaginei que seria. Estava esperando algo meio Agatha Christie e se você pensou o mesmo, pode ser que se frustre também. Na verdade, o que encontrei foi algo entre o RPG - assunto sobre o qual não entendo e não posso falar - e algo que realmente não sei definir. Outra coisa que me incomodou foi a superficialidade dos personagens. Eu gosto de personagens bem construídos, daqueles que a gente conhece a história e se sente próximo, sabe? No entanto, a história de Robin Sloan não precisa de personagens muito aprofundados e, se parar para pensar, até que a superficialidade deles foi boa para o andamento da narrativa. Mas ainda assim, não gostei.

Ainda assim, o livro trouxe algumas questões convidativas à reflexão, como, por exemplo, o conflito entre o conhecimento antigo (armazenado em livros) e o conhecimento novo (internet) e a forma como hoje mudamos a nossa forma de buscar informações - o bom e velho "ah, joga no Google" -, assim como as obtemos de forma bastante superficial. Outra questão que me atraiu foi a discussão a respeito de uma possível substituição dos livros físicos pelos e-books; achei isso incrível, já que estava lendo no Kobo.

Em linhas gerais, para mim, A Livraria 24 do Mr. Penumbra foi um bom entretenimento e nada além disso. Gostaria de ter amado este livro como muita gente amou, mas não foi o que aconteceu. Não rolou química entre o livro e esta que vos escreve. No entanto, ainda recomendo a leitura para aqueles que se interessaram pela história; pode ser que outros achem interessante justamente aquilo que não me agradou.


Sabe quando a sequência de leituras se torna cansativa, nada cativante e você sente uma vontade desesperadora de voltar à sua "zona de conforto"? Pois então, a minha "zona de conforto" sempre foi marcada por livros de aventuras juvenis, protagonizadas por uma galerinha do barulho que apronta altas confusões - sim, eu roubei esses termos da chamada da Sessão da Tarde and I regret nothing. A verdade é que eu ADORO histórias que envolvem mistério, aventuras e crianças/pré-adolescentes/adolescentes prodígio. Sério.

Com isso em mente, estava eu, toda tristonha após a leitura do Diário de Anne Frank e não muito alegre com as desventuras em série na vida Liesel Meminger, a menina que roubava livros, quando resolvi iniciar a minha jornada com As Crônicas dos Kane, trilogia escrita pelo JK Rowling dos EUA: Rick Riordan. Ao contrário do que acontece com as séries Percy Jackson e os Olimpianos e Os Heróis do Olimpo, fiquei com a sensação de que As Crônicas dos Kane eram subestimadas, sabe? Como se não recebessem a devida atenção. :(

O fato é que quando peguei minha linda edição hardcover em inglês - presente do boy ♥ - não consegui fechá-la até que minha cabeça começasse a doer e/ou eu começasse a sentir sono. Vejam bem, a última vez que isso aconteceu foi com o desfecho da saga Potter. A verdade é que Rick Riordan conseguiu me manter interessada na narrativa durante praticamente todas as 528 páginas e eu me senti como se tivesse 11 anos novamente. Foi IN-CRÍ-VEL. Sabem por quê? Porque ter 11 anos era bom demais. Tudo era mais lindo quando eu tinha 11 anos.

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A Pirâmide Vermelha é o primeiro livro da trilogia já citada nos parágrafos anteriores. Assim como acontece nas outras séries de Riordan, aqui também vamos lidar com mitologia; dessa vez, a egípcia. Carter e Sadie Kane - com 14 e 12 anos, respectivamente - são irmãos que foram criados separadamente após a morte misteriosa de sua mãe. Enquanto Sadie foi para Londres morar com os avós maternos e levar uma vida mais próxima do que pode ser considerado normal, Carter ficou com seu pai, Julius, um egiptólogo - que é tipo um arqueólogo especializado em Egito -, vivendo em Los Angeles. Ok, teoricamente. Por conta de sua profissão, Julius estava sempre viajando e, consequentemente, arrastando o filho para toda sorte de sítios arqueológicos. 

De acordo com a decisão tomada no tribunal, Julius só poderia ver a filha duas vezes AO ANO - gente, o que é isso? - e é justamente em uma dessas visitas que a narrativa de A Pirâmide Vermelha começa. É véspera de natal e Julius e Carter vão buscar Sadie na casa dos avós para passarem um adorável momento familiar - só que não, porque Carter e Sadie são praticamente estranhos um para o outro e a garota não é muito próxima do pai - e Julius decide levá-los ao...Museu Britânico, para ver a seção de artefatos egípcios. Numa das raras ocasiões que tem para estar na companhia dos dois filhos. No natal. É. (Legal esse Julius ¬¬')

Ao chegar ao museu, Julius se dirige à sala em que se encontra a Pedra da Roseta, um artefato egípcio muito importante para a compreensão dos hieróglifos. Ele pede aos filhos que esperem no corredor e que não entrem na sala. Mas é claro que Carter e Sadie desobedecem e acabam encontrando pai realizando um ritual que acaba por libertar cinco deuses do Antigo Egito: Osíris, Horus, Isís, Néftis e Set. Quando isso acontece, Julius encontra tempo apenas para gritar aos filhos que fujam, antes de ser aprisionado por Set, o deus do caos, em circunstâncias que prefiro não revelar.

A partir de então, a vida de Carter e Sadie Kane vai mudar completamente e nós, leitores, somos convidados a acompanhar as suas aventuras/desventuras, aprendendo sobre a cultura e os mitos egípcios, enquanto os irmãos lutam contra o tempo para derrotar Set e libertar seu pai.

No que diz respeito à narrativa, ela é contada em primeira pessoa pelos irmãos Kane, de forma alternada: dois capítulos do Carter e dois capítulos da Sadie, se revezando. Achei isso bem interessante, mas, em alguns momentos, encontrei dificuldade para saber quem era o narrador. Mesmo Carter e Sadie tendo personalidades bem diferentes, nas narrativas isso não fica muito claro, a princípio. Mas nem por isso a narrativa deixa de fluir bem

Recomendo a leitura para aqueles que, como eu, adoram uma aventura infantojuvenil cheia de ação, mistérios, magia e reviravoltas. Certamente irei ler as sequências O Trono de Fogo e A Sombra da Serpente.