Não vou esconder: adoro livros do gênero infantojuvenil. Não todos, claro. Tenho preferência por aqueles que contam a história de crianças super espertas, no estilo Sessão da Tarde, que aprontam altas confusões. Por isso, fiquei louca para ler "Casa de segredos" assim que ouvi falar na sua existência por meio de um vídeo da Lauren - não consegui encontrar o vídeo, me desculpem. Claro que o fato de um dos autores ter dirigido dois dos filmes de "Harry Potter" e ter escrito o roteiro de dois dos meus clássicos preferidos da infância só contribuiu para aumentar a minha vontade de ler. Graças ao boy, que me deu o livro de presente \o/, pude fazer isso durante o mês de agosto.

Escrito por Chris Columbus (diretor dos dois primeiros "Harry Potter" e roteirista de "Os Goonies" e "Os Gremlins") e Ned Vizzini (autor de "It's Kind of a Funny Story", adaptado para o cinema em 2010), "House of Secrets" (primeiro livro de uma série) nos traz a história dos irmãos Cordelia, Brendan e Eleanor Walker. Logo no início do livro, ficamos sabendo que os Walker eram ricos e costumavam levar uma vida abastada, porém, depois de um incidente que custou o emprego do Sr. Walker e muitos processos, a situação financeira da família mudou bastante. Já no primeiro capítulo, descobrimos que os Walker têm vivido em hotéis baratos e estão à procura de uma nova residência.

É nessas circunstâncias que eles chegam à Kristoff's House - a casa do título -, uma belíssima moradia em São Francisco construída durante o início do século XX por Dever Kristoff, um famoso escritor. Durante a visita, os três irmãos se assustam com um suposto vulto de algo ou alguém que resolveu se esconder atrás da casa, porém, ao tentarem descobrir o que havia acontecido, encontram apenas uma estátua meio deteriorada de um anjo. Cordelia parece indiferente; Eleanor afirma ter visto uma mulher careca se esconder atrás da casa; Brendan não sabe se acredita, mas morre de medo. Após uma conversa com a corretora imobiliária, os Walker descobrem que a casa foi recentemente restaurada e que está a venda por um preço bastante acessível, incluindo a mobília de época. Surpresos e muito contentes, o Sr. e a Sra. Walker decidem fechar o negócio. Brendan acha muito esquisito o fato de a casa não ter uma placa informando que está a venda e acha mais esquisito ainda o fato de a estátua de anjo ter simplesmente desaparecido.

Algumas coisas acontecem a partir daí e, por motivos ~que não posso falar~os irmãos Walker são transportados, junto com a casa e sem os pais, para o universo dos livros de Denver Kristoff, um lugar povoado por cavaleiros medievais sedentos de sangue, um piloto da Primeira Guerra Mundial, gigantes, piratas e uma rainha que se alimenta de dedos de criancinhas. Assustados e com medo do destino que seus pais tiveram, os Walker irão descobrir aos poucos o motivo que os colocou naquela situação, assim como segredos de sua família e do próprio Denver Kristoff. Só então, poderão saber como voltar para casa.

De uma forma geral, gostei do ritmo de "Casa de segredos"; a narrativa é contagiante e prende a atenção durante a maior parte do tempo. A única ressalva que faço nesse aspecto é que em determinado momento fiquei com a sensação de que os autores se perderam um pouco e enrolaram muito para solucionar um problema. Tirando essa parte, que fica mais ou menos na metade, o livro é um prato cheio para aqueles que, como eu, adoravam passar as tardes no sofá assistindo "Os Goonies", "Jumanji" e "A História Sem Fim".

Os protagonistas também são um ponto bastante positivo. Além de serem divertidos e coerentes em suas personalidades, são de fácil identificação. Cada um tem uma característica mais forte: Cordelia, com 15 anos, adora ler e sente que nunca lerá tudo que há para ser lido; Brendan, com 12 anos, é o oposto da irmã, pois detesta a companhia dos livros, preferindo filmes no estilo "Jurassic Park" e videogames; Eleanor é a mais nova e, no auge de seus 8 anos, acaba por ser a mais madura dos três irmãos e a voz da razão quando Cordelia e Brendan começam a discutir. Ela é disléxica e é bem interessante vê-la lutando contra isso e contando com o apoio da irmã. De certa forma, os Walker me lembraram um pouco os irmãos Baudelaire de "Desventuras em Série", só que em um mundo onde magia é real. E a relação entre Cordelia e Brendan segue a linha da relação entre Carter e Sadie Kane.

Li o livro em sua versão original, em inglês, e até o momento em que escrevo este post não encontrei nenhuma informação de quando "Casa de segredos" será traduzido para o português. Aparentemente, o livro é lançamento lá fora e, acho que por isso, deve demorar um pouquinho para chegar aqui. Se eu descobrir alguma coisa, conto para vocês. Se alguém souber de algo em relação à isso, é só dizer nos comentários que eu edito o post :)

Quanto ao nível de dificuldade do inglês direi apenas que acredito que aqueles que já estão acostumados a ler livros em inglês não devem encontrar dificuldades; se você está no fim do intermediário ou no avançado deve conseguir sem problemas. Lembrando que: não sou professora de inglês, ok? Estou apenas dizendo o que acho que aconteceria. A melhor forma de saber se você consegue ler esse livro é perguntando ao seu professor ou, quem sabe, tentar ler alguns capítulos na Livraria Cultura (sei que lá tem!). Achei o nível de dificuldade parecido com o de "A Pirâmide Vermelha", que também li na versão original.

Para finalizar o post, direi que sim, recomendo muito a leitura de "Casa de segredos". E a J.K. Rowling também! \o/


Resolvi começar a semana aqui no blog com um estilo de post que estava esquecido faz um tempo. Há alguns dias estava procrastinando no Tumblr quando encontrei as ilustrações da artista australiana Jirka Väätäinen, que retrata as heroínas da Disney com traços mais realistas, fazendo com que pareçam pessoas de verdade e não apenas desenhos. Gostei tanto do trabalho dela que resolvi compartilhar as imagens com vocês :)


Branca de Neve (Branca de Neve e os Sete Anões, 1937) 
Cinderella (Cinderella, 1950)

Alice (Alice no País das Maravilhas, 1951)

Wendy (Peter Pan, 1953)


Tinker Bell / Sininho (Peter Pan, 1953)


Aurora (A Bela Adormecida, 1959)
Ariel (A Pequena Sereia, 1989)
Bella (A Bela e a Fera, 1991)

Jasmine (Aladdin, 1992)


Pocahontas (Pocahontas, 1995)


Esmeralda (O Corcunda de Notre Dame, 1996)


Mégara (Hércules, 1997)

Mulan (Mulan, 1998)

Jane (Tarzan, 1999)


Tiana (A Princesa e o Sapo, 2009)


Rapunzel (Enrolados, 2010)


Merida (Valente, 2012)


Edição em 31 de março de 2015
Recentemente, a artista criou mais duas ilustrações para a série.

Anna (Frozen, 2013)
Elsa (Frozen, 2013)


As minhas preferidas são: Jane, Wendy, Alice, Rapunzel e Elsa.




Não é segredo para quem acompanha o canal: eu adorei "Convite para um homicídio", da Agatha Christie. De fato, foi a minha leitura preferida durante o mês de julho. Pois bem, vamos à resenha!

Em "Convite para um homicídio", Agatha Christie nos apresenta uma típica manhã no pequeno vilarejo de Chipping Cleghorn, nos apresentando o cotidiano de seus moradores e alguns de seus hábitos, como o de religiosamente ler o caderno de classificados no Chipping Cleghorn Gazette. A narrativa inicia com o que poderia ser um dia corriqueiro, como qualquer outro, não fosse um anúncio peculiar no jornal: um homicídio iria acontecer às 18h30 na residência de Letty Paddock e todos estavam convidados.

Como era de se esperar o anúncio obteve bastante repercussão. Uns acharam que se tratava de uma brincadeira de mal gosto planejada por Patrick, sobrinho de Letty Paddock; outros resolveram acreditar que se tratava de um convite para jogar detetive. A suposta anfitriã não poderia estar mais surpresa com o convite, já que ela não sabia de nada, e, ao perceber que não teriaescapatória, resolve fazer uns breves preparativos para receber os "convidados". No fim da tarde, um grupo de pessoas decide comparecer ao evento. Alguns para, de fato, brincar de detetive; outros apenas para saber do que se trata; e tem aqueles que só vão para saber das últimas fofocas da região. porque sempre tem gente assim, né?

Os comes e bebes foram preparados, os convidados foram pontuais e chegou a hora de começar a brincadeira... as luzes se apagaram. Um homem mascarado abre a porta da frente. É possível escutar o som de dois disparos. O homem cai, morto, no chão da sala de visitas.

E assim, mais uma vez, Agatha Christie consegue nos prender a mais um mistério. Dessa vez, acompanharemos a investigação do inspetor Craddock, que contará com a ajuda de ninguém mais, ninguém menos que a adorável Miss Jane Marple - uma velhinha que, por trás dos cabelos brancos e das agulhas de tricô, esconde muita inteligência e sagacidade. 

Ainda não conhecia Miss Marple e fiquei feliz ao descobrir que "Convite para um homicídio" marca a sua estreia na literatura policial. Sem saber, acabei escolhendo o primeiro livro da personagem e, se me permitem dizer, não consigo pensar em uma maneira melhor para introduzir Miss Marple. Quanto ao mistério em questão, apenas direi que foi um dos melhores que li da autora até agora; não consegui, de forma alguma, descobrir quem era o assassino e vocês não tem ideia de como fiquei surpresa quando o mistério foi revelado. 

A coerência com que Agatha liga cada um dos pontos e pistas da investigação me deixou bastante irritada com a minha falta de capacidade para perceber o que estava bem na minha cara, rs. Gente, sério, tudo faz sentido e a solução é bastante satisfatória. A narrativa dispensa comentários extensos: é Agatha em sua melhor forma. Para concluir, direi apenas que "Convite para um homicídio" é sim uma leitura recomendada e que pode funcionar muito bem como porta de entrada para aqueles que ainda não estão familiarizados com os romances da autora.


Firme na minha promessa de tentar assistir mais filmes, cá estou para falar um pouco sobre os filmes da semana passada. Não trago nenhum lançamento por motivos de: muito frio e muita preguiça de sair de casa e ir até o cinema assistir a nova aventura do Percy Jackson ou a gangue da Emma Watson. Sendo assim, fiz uso do Netflix e risquei dois itens da minha lista "assistir antes de morrer". Vamos lá!

O Professor Aloprado (The Nutty Professor, 1963)
Direção: Jerry Lewis | Gênero: Clássico/comédia/ficção-científica | Avaliação: 3/5

Sinopse: Julius Kelp (Jerry Lewis) é professor de química em uma universidade e, devido à sua aparência um tanto desajeitada, é ridicularizado por um de seus alunos na frente de toda a turma. Após receber ajuda de Stella (Stella Stevens), uma bela estudante, Julius decide que precisa mudar a sua realidade e, por isso, cria uma poção que o transforma em um homem muito atraente. No entanto, os efeitos da poção, além de mudarem a sua personalidade, não são temporários. 

Comentários: Já conhecia o enredo por causa do remake (?) estrelado por Eddie Murphy nos anos 1990, mas ainda assim não me lembrava de tudo com precisão. Vou ser sincera: apesar de gostar muito de assistir a filmes clássicos, "O professor aloprado" não estava na minha lista de prioridades imediatas e, se não fosse pelo frio e pela preguiça é bem provável que não teria assistido. No geral, achei um bom filme; com momentos engraçados que me renderam boas risadas. Gostaria de destacar a cena da transformação que, além de um tanto bizarra, me fez lembrar imediatamente de "O médico e o monstro". Comédias nesse tipo não me atraem muito, mas acho que esse filme merece ser assistido por se tratar de um clássico do gênero.

***

Gilbert Grape - Aprendiz de sonhador (What's Eating Gilbert Grape, 1993)
Direção: Lasse Hallstöm | Gênero: Drama/romance | Avaliação: 5/5

Sinopse: Gilbet Grape (Johnny Depp) vive em uma cidade pequena e sua vida está longe de ser a de um jovem comum. Após o suicídio de seu pai, Gilbert passa a sustentar a sua família complicada: duas irmãs excêntricas e egocêntricas (Laura Harrington e Mary Kate Shellhardt), a mãe obesa e Arnie (Leonardo DiCaprio), o irmão caçula que sofre com uma deficiência mental. Sem muita perspectiva, enquanto se envolve em um relacionamento com uma mulher casada e trabalha em um mercado local, Gilbert começa a ver a sua vida mudar com a chegada de Becky (Juliette Lewis), uma jovem misteriosa que nunca fica em uma mesma cidade por muito tempo. 

Comentários: "Gilbert Grape" está na minha lista de filmes para assistir antes de morrer desde 2003, quando me declarava a Sra. Depp (shame on me!) e até hoje não sei o que me levou a enrolar tanto para assistir. De qualquer forma, foi uma experiência maravilhosa poder ver dois dos meus atores preferidos no inicio de suas carreiras. Johnny Depp bem distante dos personagens estranhos pelos quais se tornou conhecido nos últimos anos e Leonardo DiCaprio anos antes de se transformar em Jack Dawson e, posteriormente, em um dos melhores atores de Hollywood - na minha opinião, claro. Aliás, nesse filme, ele já deixou bem claro que era um ator bastante competente ao nos apresentar Arnie com tanta veracidade, inocência e doçura. Ouso até dizer que roubou a cena e ofuscou os demais colegas de elenco. Em linhas gerais, Gilbert Grape é um filme leve, um tanto previsível em alguns momentos e com uma mensagem bonita no final. Recomendado para uma tarde fria de domingo.


Não vou esconder e nem mentir: quando estava no auge dos meus 12 anos me considerava uma grande fã da Hilay Duff. E isso durou até, mais ou menos, a metade do ensino médio. Nunca parei de gostar dela, apenas parei de acompanhar a sua carreira. Mas ainda hoje, se eu ligar a televisão e estiver passando alguma das comédias românticas teens que ela protagonizou, não penso duas vezes e assisto como se não houvesse amanhã.

Caso você que está lendo esse texto não saiba de quem estou falando, vamos à contextualização. Hilary Duff é uma cantora e atriz estadunidense que ficou bastante famosa durante o começo dos anos 2000, quando protagonizou a série teen Lizzie McGuire, no Disney Channel. Desde então, ela conciliou a carreira de atriz com a de cantora - já lançou três álbuns de estúdio e duas coletâneas - e, agora, com a de escritora.

Introduções e explicações realizadas, vamos ao tema do post de hoje Elixir, o primeiro livro da trilogia escrita por Hilary Duff - junto com Elise Allen -, que venceu por um voto na enquete para escolher a próxima resenha do blog.

Elixir vai nos trazer a história de Clea Raymond, uma adolescente estadunidense de 17 anos bastante famosa. O motivo de sua fama se deve às profissões de seus pais: a mãe é uma senadora e o pai é um cirurgião bastante renomado nos Estados Unidos. Logo no início da história ficamos sabendo que Clea está vivendo um período de luto, pois seu pai - que além de ser um cirurgião, também participava de uma ONG que ajudava locais em situações precárias - havia desaparecido em uma missão no Rio de Janeiro. Buscas foram realizadas durante um ano, mas nada foi encontrado; nem o pai de Clea ou pistas de seu paradeiro. Dessa forma, o Sr. Raymond foi declarado morto e sua família realizou um funeral.

Talvez por conta de sua fama, Clea opta por estudar em casa e se priva da experiência de high school - eu não a julgo por isso! -, passando a trabalhar como freelancer para algumas revistas, exercendo uma de suas maiores paixões: a fotografia. Devido a sua profissão, Clea costuma viajar o mundo. E sim, eu achei bem incoerente o fato de uma adolescente de 17 anos sair por aí, visitando os quatro cantos do planeta com a autorização dos pais. Mas ok, a gente releva essas coisas. Também percebemos logo no início que a relação de Clea com sua mãe não é muito boa. Não chega a ser um desastre, mas há uma certa distância, já que ambas não conversam sobre o Sr. Raymond.

Vivendo essa situação bastante angustiante, Clea começa a ver a sua vida virar de cabeça para baixo quando retorna de uma viagem de férias para a Europa e resolve passar as fotografias para o seu computador. Nesse momento, algo bastante incomum chama a sua atenção: um homem misterioso aparece no fundo de todas as suas fotos. E ela não tem recordação de tê-lo visto durante a viagem ou nos momentos em que fazia aquelas fotografias. Como se as fotografias já não fossem invasivas o suficiente - além de perturbadoras, convenhamos -, Clea começa a ter sonhos estranhos com esse homem misterioso. E é por isso que resolve falar sobre este estranho ocorrido para Ben, um de seus melhores amigos que, na hora, já fica alarmado e parece saber muito mais do que deixa transparecer.

A partir desse ponto, o leitor começa a fazer uma série de perguntas e a realizar uma série de descobertas que vão deixando a narrativa cada vez mais interessante. O livros nos é narrado pela própria Clea, o que acaba por ser positivo, pois podemos ter acesso aos seus medos e às suas convicções. Eu, particularmente, me surpreendi com a protagonista que, mesmo trazendo muitas características corriqueiras em personagens femininas de romances YA, não deixa de ter algum diferencial, de ter alguma personalidade.

Quanto ao enredo em si, apenas direi que me surpreendi. Mas isso se deve ao fato de eu não ter lido nenhuma sinopse, logo, fui descobrindo as coisas conforme elas iam acontecendo. Claro que, em determinado ponto, comecei a prever o que ia acontecer, mas nem por isso gostei menos da leitura. A minha leitura de Elixir foi feita em inglês - como disse nos vídeos, foi um dos primeiros livros no idioma que comprei, mas acabou esquecido na estante por dois anos - e não encontrei problemas; acredito que aqueles que já estão terminando o intermediário podem arriscar sem medo.

Mas, e aí, recomendo a leitura de Elixir? Antes de qualquer coisa, é preciso ter em mente que esse é um livro sem muita pretensão além de entreter, o que o faz muito bem. Traz uma história envolvente e personagens interessantes - mesmo que, por vezes superficiais. Como mencionei no início, Elixir é o início de uma trilogia, ou seja, não espere um final conclusivo. Não criou expectativas e está procurando uma história cativante e envolvente para te acompanhar numa tarde de sábado? Te recomendo Elixir.



Estou até com vergonha do tempo que demorei para postar essa resenha aqui, sério. Me desculpem mesmo. Mas, é como eu digo: antes tarde do que nunca!

Quando ainda estava participando do Desafio Literário 2013, tinha escolhido "O mistério do Trem Azul" para a leitura de julho e, mesmo desistindo do desafio um mês antes, resolvi ler porque Agatha Christie é sempre bem-vinda. Caso você que está lendo essa resenha não saiba de quem estou falando, vamos fazer uma breve contextualização, ok? Agatha Christie foi uma escritora britânica bastante conhecida do século XX que ficou famosa por escrever romances policiais. A maioria das histórias da Rainha do Crime - como era chamada - contam com a participação de um detetive;os mais conhecidos são Hercule Poirot, Miss Marple, Parker Pyne e Tommy e Tuppence Beresford (serei sincera ao dizer a vocês que só conhecia os dois primeiros).

Agora que já contextualizamos vamos ao caso em questão. "O mistério do Trem Azul", publicado em 1928, nos apresenta a Riviera Francesa, local onde os ricos britânicos costumavam passar o inverno e que servirá como cenário para a narrativa de Agatha. Ruth faz parte da alta sociedade britânica e é bastante infeliz em seu casamento com Derek Kettering que só se casou pela fortuna do pai da moça e a trai com uma dançarina. Determinado a convencer a filha a pedir um divórcio, Rufus Van Aldin, um milionário norte-americano, resolve presenteá-la com um mimo: um colar de rubis conhecido como Coração de Fogo, famoso e cobiçado por ter pertencido a muitos reis, imperadores e czares, além de ter uma história recheada de tragédias e mortes.

Dias após garantir ao pai que irá se divorciar de Derek, Ruth embarca no Trem Azul, rumo à Riviera Francesa. O motivo que a levava até lá era desconhecido. Durante a primeira noite no trem, Ruth Kettering é assassinada de forma bastante brutal e seus rubis são roubados. Ninguém observou nada de estranho durante a noite e o crime só foi descoberto no dia seguinte. Para sorte da polícia francesa e para a alegria do leitor, Hercule Poirot estava à bordo do Trem Azul e resolve investigar o crime que, aparentemente, não deixou nenhuma pista.

Ao longo da investigação vamos descobrindo como era a vida de Ruth Kettering e, consequentemente, os suspeitos começam a surgir, como, por exemplo, um possível amante que era alguém de seu passado. Além de acompanharmos Hercule Poirot em sua investigação, conhecemos Katherine Grey, uma dama de companhia que herdou uma grande fortuna e que também estava à bordo do Trem Azul, sendo a última pessoa que viu a vitima com vida.

Sinceramente, não entendi muito bem qual foi a utilidade de Katherine Grey na história. No começo, até compreendi, já que ela havia sido a última pessoa a conversar com Ruth Kettering, mas ainda não entendi qual foi a necessidade de contar toda a história da personagem. Não que ela fosse desinteressante, muito pelo contrário, durante a leitura eu fiquei mais preocupada com a vida de Katherine do que com a solução do crime, que diga-se de passagem parece ter sido esquecido durante parte do livro.

De uma forma geral, esperava mais de "O mistério do Trem Azul". Não que seja um livro ruim, mas de modo algum pode ser considerado um dos melhores da autora. A sensação que tive foi que, em algum momento, Agatha se perdeu; se esqueceu do crime. Não sei. O fato é que tudo fica muito solto, a narrativa para de focar na investigação, começa a mostrar a vida cotidiana dos personagens e...bleh. Se perde. No fim das contas, não gostei nem um pouco da solução do crime, porque a meu ver, ao contrário do que ocorreu com outros livros da autora, as pistas deixadas não foram muito explicadas e não consegui ligar muitos pontos. Ficou faltando algo. Nem o brilhantismo de Hercule Poirot me ajudou.

Por fim, apenas recomendo esse livro para quem já está habituado ao estilo da autora. Se você nunca leu nada escrito por Agatha Christie, recomendo a leitura de "E não sobrou nenhum" (ou "O caso dos dez negrinhos"), "Assassinato no Expresso do Oriente" e "Convite para um homicídio"; são livros excelentes que servirão positivamente como porta de entrada para a obra da Rainha do Crime.


Então eu li O oceano no fim do caminho. Pelo que pude perceber, o livro dividiu opiniões. Vi gente que amou e vi gente que esperava mais. Não vi ninguém que tenha detestado. Gostaria de deixar claro que não sou nenhuma expert em Neil Gaiman e que meus conhecimentos sobre a obra do autor se resumem a Lugar Nenhum, a adaptação de Stardust para o cinema que assisti há anos e a dois episódios de Doctor Who. Fim. Com tudo esclarecido, vamos ao que interessa: o que eu achei de O oceano no fim do caminho?

***
O oceano no fim do caminho nos traz a história de...um homem/menino. Sim, vou me referir ao protagonista dessa maneira porque ele não tem nome e se o tem, o mesmo não é mencionado no livro. Tudo começa quando o protagonista, já adulto, retorna à cidade em que viveu a sua infância por conta do velório de um parente. Ao chegar, talvez por angústia, talvez por não saber como reagir aos comentários dos convidados, ele resolve sair do local do velório, entrar no carro e dirigir até o fim da rua. A intenção inicial era poder rever a casa em que viveu tantos momentos marcantes de sua infância, mas, a casa foi demolida há anos. Dessa forma, o protagonista resolve continuar dirigindo até chegar à Fazenda Hempstock, onde vivia Lettie - uma amiga de infância -, na companhia da mãe e da avó.

Ele entra na casa e é recebido por uma senhora, que o reconhece. Ainda abalado por conta do velório, ele pede para entrar na casa e ver o lago que fica no quintal. Lago que, anos atrás, Lettie o havia convencido que era um oceano. Após sentar em um banco na beira do lago e começar a observar a água, o protagonista conduz o leitor durante a narrativa de suas memórias, apresentando fatos que marcaram parte de sua infância - fatos esquecidos, ou talvez recordados de forma diferente.

Só posso contar isso porque qualquer coisa a mais pode estragar a leitura. Penso de forma parecida com a da Amanda: parte da graça de O oceano no fim do caminho é ir descobrindo as coisas conforme elas vão acontecendo, conforme elas vão sendo contadas. Mesmo que a história seja narrada por um homem adulto, acompanhamos as aventuras de uma criança de sete anos e observamos tudo a partir de seu ponto de vista inocente, que não entende muito bem porque a vida é do jeito que é.

É o tipo de leitura que cada um vai interpretar de uma maneira diferente. E isso se deve ao fato de Neil Gaiman remeter à infância. Fica difícil não se identificar com a inocência do protagonista, com os questionamentos que ele faz. Durante a leitura, muitas vezes, me peguei lembrando de quando eu tinha sete anos e da forma como eu costumava encarar o mundo. Quando terminei, não sabia explicar - e ainda não sei - o que sentia. Era um misto de nostalgia, angustia e melancolia. Mas sabe quando é possível enxergar beleza nesses estados? Então, foi justamente o que aconteceu! Neil Gaiman é famoso por inserir elementos fantásticos em suas histórias e com O oceano no fim do caminho não poderia ser diferente. Mas, ao contrário do que aconteceu em Lugar nenhum, a fantasia não é foco principal do livro novo. Pelo menos não a meu ver.

Em linhas gerais, querem saber se recomendo a leitura de O oceano no fim do caminho? Sim, mas talvez não seja a melhor opção para quem não conhece nada do autor. Não porque seja um livro ruim - longe disso! - mas porque estamos falando de um livro mais introspectivo, mais reflexivo, que mexe com o emocional. Tem aventura, fantasia e imaginação? Claro que tem, afinal de contas, a vida de uma criança de sete anos é cheia desses elementos, mas é como eu disse, eles não são o foco principal na narrativa.


Uma semana depois, chegou a hora de concluir a maratona literária. Como ficou mais ou menos compreendido pela última atualização, não tive muito tempo para ler durante o fim de semana. Sendo assim, a minha maratona durou apenas cinco dias, terminando na sexta-feira. 

Durante esses cinco dias, consegui superar a minha meta inicial de ler apenas dois livros, pois li dois livros e meio: "O oceano no fim do caminho" (a metade final; resenha amanhã), "Convite para um homicídio" (resenha em breve) e "Elixir" (resenha em breve também). Mesmo sem ler uma frase nos últimos dois dias de maratona, estou feliz com o meu desempenho. Acho que fiz boas escolhas de leitura e ainda consegui reduzir um pouco o número de livros abandonados na minha estante. \o/

Total de página lidas durante a maratona: 744

Em relação à experiência em si, direi apenas que gostei e que acho que é uma ótima forma de fazer com que a gente leia mais do que costumamos. Não sei se vou conseguir repetir sempre, mas recomendo muito para quem gosta de ler bastante! Gravei um vídeo comentando, de forma breve, cada uma das minhas leituras. Confira abaixo:



Post atrasado para contar como foi o quinto dia da Maratona Literária. Vamos lá! A redução no número de páginas continuou, ou seja, ontem li menos do que li na quinta. Mas tudo bem. Terminei a leitura de "Elixir" e direi apenas que gostei bastante do livro, mesmo sabendo da enorme carga de críticas negativas que ele recebeu. Mantenho a minha opinião anterior: "Elixir" está longe de ser uma obra-prima, tem seus defeitos, mas é uma leitura agradável. Acho que, antes de julgar o livro pela sinopse - ou pela autora -, é preciso ter em mente que é algo despretensioso.

Gostei muito da trama principal e, mesmo com a sensação de que o tema abordado é bastante batido, me envolvi muito com a narrativa, por vezes me surpreendendo com o desenrolar dos acontecimentos. Fiquei também com a impressão de que alguns tópicos foram abandonados e/ou mal desenvolvidos, mas, como sei que tem continuações, vou relevar. E sim, pretendo ler os demais livros da série, porque realmente quero saber como essa história vai acabar. Quando? Não tenho ideia. Mas pretendo escrever uma resenha do primeiro livro.

Depois de "Elixir", resolvi que começaria a ler "House of Secrets" - o primeiro livro de uma trilogia escrita por Chris Columbus e Ned Vizzini -, mas isso ainda não aconteceu. Ontem foi sexta-feira e, contrariando a minha natureza caseira, resolvi sair com o boy e os amigos. Cheguei em casa de madrugada e fui dormir. Hoje, sábado, ainda não consegui parar para ler. Não costumo ler muito nos finais de semana, mas vou tentar. De qualquer forma, amanhã conto para vocês como foi. 

Total de páginas lidas:113

Mais uma vez li menos que no dia anterior, mas, ainda assim, foi mais do que costumo ler normalmente. Sendo assim, estou satisfeita. E, se parar para pensar, já cumpri a minha meta estabelecida antes da maratona: eu li, pelo menos, dois livro! Ou seja, agora, o que vier, é lucro! \o/


Hoje, ao contrário dos outros dias, quase não me dediquei às minhas leituras. Em partes porque não acordei com aquela vontade imediata de pegar um livro, por isso, optei por ocupar meu tempo fazendo outras coisas. E, olhando por esse lado, até que foi bastante produtivo. Escrevi a resenha de "Lugar Nenhum", que estava devendo, e ainda coloquei vídeo novo no canal! E, gente, não sei como é com vocês, mas eu demoro um pouco para editar meus vídeos. Mas, como estou participando da maratona e é bem difícil que eu fique sem ler pelo menos um pouco por dia, continuei a leitura de "Elixir".

Ontem, quando parei a leitura, a história não estava tão interessante. Sabe quando tem um capítulo meio sem graça no livro? Então, foi isso que aconteceu e acho que foi parte da razão para eu não querer ler hoje logo pela manhã. De qualquer forma, resolvi pegar o livro, já no fim da tarde, com uma ideia em mente: se não melhorasse, pausaria a leitura e pegaria outra coisa para ler. Felizmente, não precisei fazer isso, porque a história ficou MUITO interessante. Fiquei lendo alguns comentários sobre o livro no Goodreads e vi que muita gente não gostou - em partes por ser da Hilary Duff - ou não se impressionou, achando o livro bem mediano.

Olha, não acho que "Elixir" seja o melhor livro do mundo, mas para alguém que não tinha nenhuma expectativa, a leitura está se mostrando bastante prazerosa. Já me apeguei aos personagens e suas respectivas histórias. Acho que o segredo para gostar desse livro é não esperar muito e ter em mente que é algo sem pretensão, entendem? Sem expectativas. Mas depois que eu terminar a leitura, venho aqui contar o que achei de verdade...vai que o final é decepcionante, né? 

Total de páginas lidas: 130

Ao contrário do que vinha acontecendo - sempre um aumento - hoje o número de páginas diminuiu. Mas, tudo bem, pois foi como eu disse, não me dediquei 100% à maratona. E é aquilo que sempre digo: ler é algo que faço por prazer e quando tenho vontade. Hoje, não senti tanta vontade e, ainda assim, consegui ler mais do que costumo. Sendo assim, estou feliz com o meu desempenho. Já no que diz respeito aos próximos dias, já vou adiantando: existe a possibilidade do número de páginas reduzir bastante, pois não costumo ler muito nos finais de semana. Mas...veremos!


Vou confessar que até uns dois anos atrás o nome Neil Gaiman não tinha absolutamente nenhum significado para mim. Sério, não me lembro de ter escutado falar no cara e se havia escutado, não me recordava. Provavelmente, o único contato que havia tido com a sua obra foi aquela adaptação de Stardust estrelada pela Claire Danes. E só. E nem me lembrava direito do filme. Ainda não me lembro.

Pois bem, o fato é que de uns tempos para cá, o nome Neil Gaiman não parava de cruzar os meus caminhos, juro. Fosse num vídeo no Youtube, fosse num passeio pela livraria, fosse num episódio de Doctor Who...o cara estava em todos os lugares e eu decidi que isso deveria ser algum tipo de sinal divino me avisado que eu PRECISAVA ler algo escrito por esse homem. Depois de fazer pesquisas a respeito de seus livros - e me assustar com os preços cobrados por alguns deles nas livrarias aqui de São Paulo -, fui convencida pela Nayara a começar a leitura de Lugar Nenhum. Já na primeira noite de leitura, devorei as primeiras setenta páginas e só parei porque precisava mesmo dormir. A vontade era de continuar a leitura durante a madrugada.

***

Lugar Nenhum - primeiro romance de Neil Gaiman, publicado em 1996 - vai nos trazer a história de Richard Mayhew, um escocês que vive em Londres e leva uma vida aparentemente normal: trabalha em um escritório e está prestes a se casar com Jessica, uma bela e chata mulher. Em uma noite, enquanto se dirigia para um jantar com o chefe de Jessica, Richard é surpreendido ao encontrar uma garota bastante ferida - que parece ter brotado do nada, diga-se de passagem - caída no chão. Ele decide ajudá-la e, mesmo achando curioso o fato de ela pedir para não ser levada para um hospital, a leva para casa.

É a partir daí que a vida de Richard para de fazer sentido. Ainda em seu apartamento, Richard descobre que o nome da garota é Door e que ela estava fugindo do Senhor Croup e do Senhor Vandemar, duas pessoas (?) que receberam ordens para matá-la. Se não fosse por Richard, Door poderia estar morta. E por causa disso, ele sofreria as consequências.

No dia seguinte, após se despedir de Door, Richard percebe que se tornou invisível para aqueles que antes faziam parte de sua vida. Não é mais reconhecido no escritório, seu melhor amigo não sabe quem ele é, Jessica nunca o conheceu, seu apartamento foi vendido. Richard se tornou invisível. Pior que isso, é como ele nunca tivesse existido. Por mais peculiar que seja a sua situação, Richard não demora a perceber que não é o único em tal condição. Descobre também a existência da Londres-de-Baixo - situada no subsolo da Londres-de-Cima -, um enorme labirinto nos esgotos, povoado por toda sorte de gente e criaturas, como monstros, monges, nobres do passado e ratos, claro. E é óbvio que Door só poderia vir dali.

Mas quais foram os motivos que a levaram a fugir? Por que queriam matá-la? E por que apenas Richard parecia ser capaz de enxergá-la naquela noite em que estava ferida? Essas são algumas das perguntas que o leitor faz enquanto mergulha na narrativa construída por Gaiman, que faz uso de muita criatividade ao nos apresentar esse mundo novo que é a Londres-de-Baixo, um lugar sem noções claras de tempo e espaço.

É lá que Richard irá conhecer o Marquês de Carabas, um homem meio obscuro e difícil de decifrar, pois sua personalidade é cheia de enigmas. O Marquês se une a Richard e Door em uma missão - que eu não vou contar, para não estragar a graça - e, no meio do caminho eles irão conhecer personagens bastante inusitados, como a caçadora Hunter e o anjo Islington. Ah, e ainda terão que lutar contra o tempo, pois os Senhores Croup e Vandemar não desistiram da ideia de matar Door.

Não fazia ideia do que esperar desse livro e morria de medo de não gostar, porque se isso acontecesse, iria ficar sempre com um pé atrás antes de resolver ler qualquer outra coisa escrita por Neil Gaiman. Fiquei feliz por ter escolhido começar com Lugar Nenhum que, pelo que pude perceber, não figura na lista das obras-primas do autor, como Deuses Americanos e Sandman. O que mais me encantou durante a leitura é que, de alguma forma, a história tem algum elemento não identificado que me fez lembrar dos desenhos animados que eu gostava de assistir quando era criança - aqueles produzidos nos anos 1980 que envolviam jovens e magia.

Eu sei que pareci meio vaga na última frase, mas é que eu realmente não sei qual é o elemento que me fez gostar tanto de Lugar Nenhum. Só sei que gostei! E o único motivo de ter tirado uma estrelinha na minha avaliação final é que, quando terminei a leitura, fiquei com a sensação de que algo ficou faltando. Mas nem isso foi capaz de estragar a experiência. Muito pelo contrário, do começo ao fim, a narrativa de Gaiman me prendeu, me deixou curiosa para descobrir qual seria a nova descoberta de Richard naquele mundo subterrâneo esquisitíssimo. 

Justamente por essa capacidade incrível ao contar uma história que considero Lugar Nenhum uma leitura super recomendada, que pode, inclusive, ser uma porta de entrada para aqueles que, com eu, não conheciam o trabalho do autor. Dessa forma, recomendo sim a leitura!