Já começo o texto afirmando que sou suspeita na hora de falar sobre qualquer coisa escrita por Carlos Ruiz Zafón. Com isso esclarecido, entendam que serei bastante parcial. "O príncipe da névoa", apesar de ter sido lançado aqui no Brasil no ano passado, é, na verdade, o primeiro livro de Carlos Ruiz Zafón, publicado em 1993. Diferente do que acontece com a trilogia (ou seria tetralogia?) do Cemitério dos livros esquecidos, aqui temos uma escrita menos trabalhada e rebuscada, mas não menos envolvente e gostosa de ser degustada. 

Escrito para um público juvenil, o livro é ambientado em 1943 e traz a história de Max Carver, um garoto de 13 anos que junto com a sua família - composta por pai, mãe, uma irmã de 15 anos (Alícia) e uma irmã de 8 anos (Irina) - se muda da Espanha para uma cidade litorânea inglesa; o motivo da mudança era a Segunda Guerra Mundial. Contrariado e infeliz, Max, a princípio não gosta da ideia, mas aos poucos vai se apaixonando pela nova cidade. O verão, o sol e a vista para o mar acabam ajudando e logo nos primeiros dias, os três irmãos começam a fazer amizades. Max e Alícia conhecem Roland, um rapaz de 17 anos que vive com o seu avô na torre do farol da cidade; Irina conhece um gato na estação de trem e resolve adotá-lo.

Tudo parecia estar ocorrendo muito bem, até o momento em que Max resolveu explorar um bosque que ficava atrás de sua casa. Em meio a tanta vegetação, o garoto encontrou algo que parecia um cemitério, cheio de estátuas que se assemelhavam a figuras de um circo ambulante. Uma se destacava entre todas: um palhaço bastante macabro. Além dessa estranha descoberta, a nova residência dos Carver parece esconder um segredo, Alícia passa a ter sonhos muito estranhos e Irina escuta vozes. E tudo isso está relacionado ao mistério do Príncipe da névoa...

Acho que já disse tudo que poderia ser dito sem estragar a leitura. Na parte de trás do livro, uma citação do Financial Times resume muito bem o que pode ser encontrado em "O príncipe da névoa": Zafón mistura generosamente amores adolescentes, pactos demoníacos, lobos do mar, palhaços assustadores e destroços mal-assombrados. É um livro que traz elementos de diferentes gêneros, o que o torna difícil de ser classificado (aliás, todos os livros do Zafón parecem ter essa característica), o que, de forma alguma, pode ser encarado como algo negativo. Essa mistura de romance, terror, aventura e mistério rende momentos de tensão, alegria e até de choro durante a leitura. Se eu pudesse descrever "O príncipe da névoa" de uma forma mais visual seria algo como um pôr-do-sol na praia após um dia quente de verão. Com algumas pitadas de macabro no meio.

Além da narrativa bastante envolvente e fluida de Zafón, o livro tem poucas páginas, podendo ser lido em apenas um dia. O que pode ser muito bom e muito ruim, já que os personagens são bastante cativantes e podem deixar o leitor com saudades após o término da leitura. O melhor conselho que posso dar é que o leitor deguste aos poucos desse livro que já entrou para os meus favoritos do ano que acabou de começar. Leitura recomendada para jovens e adultos que gostam de histórias de mistério e aventura, mas que também gostam de histórias sobre amizade e família e - por que não? - sobre crescer.

Título original: El Príncipe de La Niebla
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradução: Eliana Aguiar
Editora: Suma de Letras
Páginas: 180
ISBN: 9788581051222


11 Comentários

  1. Nossa, fiquei super interessada em ler esse livro. Amo livros assim. Beijos Michas!

    http://sereniissima.blogspot.com.br/

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    1. Leia sim, Gabrielle!

      É um pouco diferente dos outros livros do Zafón (só a escrita), mas é muito gostoso de ler :)

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  2. Eu li esse livro ano passado. Achei legal, um livro fácil e rápido de ler (talvez por ser voltado ao público YA). Porém, não achei espetacular. Apesar de ter um fator de horror e mistério, eu não fiquei totalmente assustada ou surpreendida com o livro. Mas não deixa de ser um bom livro, recomendo para quem ainda não leu - é sempre bom ler qualquer coisa do Zafón :)

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    1. Concordo, Daniela. É sempre bom ler qualquer coisa do Zafón.

      Também não me assustei ou tive calafrios com esse livro, mas acho que fui justamente por se direcionado a um público mais juvenil, né? Mas ainda assim, achei uma leitura muito gostosa, que adoraria ter feito quando era mais nova :)

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  3. Nunca li nada do autor, sua resenha é bastante intrigante, me deixou curiosa!
    Bjs

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    1. Oi, Rafa

      Esse livro é bom mesmo. Mas olha, se quer realmente conhecer o Zafón recomendo Marina ou A Sombra do Vento :)
      Não que O Príncipe da Névoa seja ruim, mas, como é o primeiro livro dele, muita coisa ainda estava em formação, sabe? Ainda assim, é uma boa leitura :)

      Beijos

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  4. 1993? Publicado quando nasci? Melhor ainda! (sou dessas que se apegam a esses detalhes haha)

    Não sabia que se tratava de uma história durante a Segunda Guerra Mundial - sempre gosto desse tema. E muito bacana o garoto morar num farol!

    Mas... Palhaço? Really? *engole em seco* É.. Eu tenho medo de palhaços, ainda mais desses tenebrosos :(

    Adorei as fotos e apesar do "macabro", fiquei MUITO curiosa! Até porque nunca li nada do autor, então já viu... Dedos coçam para conhecer logo a sua escrita e a sua imaginação haha

    Beijos, Michas!
    Mell Ferraz
    http://www.literature-se.com/

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    1. Você é 1993? Mesmo ano da minha irmã :)

      Então, a parte sobre a Segunda Guerra Mundial é bem sutil; aparece mais como um pretexto para a mudança da família, não tem muita importância para a história em si...

      Pois é, palhaço. É meio bizarro, sabe? Juro que se não tivesse lido de tarde, não teria conseguido dormir, ahaha. Mas é muito bom, sério. Ah, se for conhecer o Zafón por esse livro, lembre que esta foi a sua estreia. Ele melhorou muito a forma de contar histórias. Ainda assim, O Príncipe da Névoa é uma boa leitura :)

      Beijos :)

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  5. Desnecessário dizer o quanto você á me deixou com vontade de ler, né?
    Mas a parte do palhaço... o owu. Eu tenho muito medo de palhaços, muito mesmo.
    Posso pular essa parte?
    Beijos

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    1. Hahaha, eee! Te convenci a ler mais um do Zafón <3

      A parte do palhaço é creepy mesmo, mas não é tão macabra quanto o Corelli de O Jogo do Anjo, juro! Pode ler sem medo :)

      Beijos

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  6. Vou lee esse depois de ler a sombra do vento.. So vejo elogios entao espero gostar


    http://foreverabookaholic.blogspot.com.br

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