Originada em 1862 - mas publicada apenas em 1865 - a história de "Alice no País das Maravilha"s, de Lewis Carroll, nos apresenta a garotinha Alice que, entediada pelos estudos, acaba adormecendo. Em seu sonho, ela enxerga um coelho branco - vestido de forma elegante e carregando um relógio de bolso - que grita, desesperado, que está atrasado para um compromisso. Decidida a saber o que está acontecendo, Alice resolve seguir o coelho e cai em sua toca, que é, na verdade, a entrada para o País das Maravilhas.

Lá ela conhece uma série de personagens inusitados e vive diversas situações inexplicáveis, como encontrar animais falantes, um bebê que vira porco e um gato que sorri. Além, de tentar decifrar o enigma da diferença entre um corvo e uma escrivaninha e fugir da Rainha de Copas, que nutre uma estranha obsessão por mandar cortar as cabeças de seus súditos.

Já em "Alice Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá", publicado em 1871, Lewis Carroll nos apresenta ao mundo dentro do espelho. Mais uma vez adormecida, Alice atravessa o espelho da sala de sua casa e vai parar em um mundo completamente absurdo e estruturado na forma de um tabuleiro de xadrez. Nesta história, a garota desempenha a função de peão e, como quer se tornar uma rainha, terá que atravessar todo o tabuleiro.

Durante a sua jornada pelas casas até chegar à casa da rainha, Alice encontra mais uma vez personagens bastante inusitados: Humpty Dumpty - com quem tem um diálogo sobre "desaniversários" -, os irmãos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum - que lhe recitam poesias - e a Rainha Vermelha, personagem bastante interessante e que diz coisas bem absurdas.

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É engraçado observar como cada leitura pode ter o seu momento certo e se for realizada no momento errado pode passar uma impressão completamente diferente. Aqueles que me acompanham desde que comecei o blog/canal devem se lembrar de como sofri para tentar ler este livro no ano passado e de como detestei a narrativa de Lewis Carroll.

Mas dessa vez foi diferente. Convencida pela Mell Ferraz, resolvi dar mais uma chance à menina Alice e que bom que o fiz. Adorei a leitura do começo ao fim e, juro, é impossível pensar em algo negativo para dizer. O aspecto nonsense da história - e objeto das críticas mais ferrenhas à obra de Lewis Carroll - foi justamente o que mais me agradou e me fez morrer de amores pelo livro. Acho que a graça em "Alice" é justamente essa: o nonsense, o fato de que nada faz sentido e de que está tudo bem assim, afinal de contas, estamos falando de um sonho, certo? Uma vez que você abraça a causa do absurdo, tudo faz sentido e é só se jogar de cabeça na brincadeira.

Polêmicas sobre o autor à parte, gosto de pensar que Lewis Carroll criou personagens interessantíssimos que, ao mesmo tempo são capazes de divertir e incomodar com suas personalidades marcantes, cômicas e absurdas. Gostaria de destacar o Gato de Cheshire que até agora não sei se me agradou ou me incomodou; o mesmo vale para a Lagarta Azul. Outro aspecto na narrativa que me chamou a atenção é o quanto é complicado se lembrar em detalhes de alguns trechos do livro. É realmente como acontece quando sonhamos. Agora, enquanto escrevo este texto, estou confusa em relação à várias partes, principalmente as de "Através do Espelho".

Sobre a segunda história, direi que a achei muito mais absurda do que "Alice no País das Maravilhas", se é que isso faz algum sentido. É como se no primeiro livro pudéssemos encontrar uma certa linearidade nos acontecimentos, já em "Através do Espelho", as mudanças de cenário e personagens são muito mais abruptas. É tudo muito mais bizarro e mais próximo de um sonho mesmo.

O único "problema" que encontrei foi o fato de que o livro faz muitas referências ao contexto histórico vivido pela Inglaterra na época em que Carroll escreveu esta história, o século XIX. Tais referências aparecem na forma de trocadilhos - mais fáceis de compreender na língua original - nas poesias e cantigas e também em alguns diálogos entre os personagens. Esse "problema" nem é algo que atrapalhe muito a leitura, apenas impede que tenhamos uma compreensão maior (ou não) da obra. Acredito que mesmo realizando a leitura em inglês, poderia encontrar dificuldades para compreender as referências, tendo em vista que estão relacionadas à história de outro país e de outra cultura

De uma forma geral, recomendo a leitura de "Alice" à todos, adultos e crianças. O segredo é se deixar levar pelo nonsense e não tentar procurar explicações lógicas e plausíveis para tudo o que acontece na história. Feito isso, é só deixar a narrativa te levar. Boa leitura! 

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No vídeo abaixo, além de contar as minhas impressões sobre "Alice", comento um pouco as adaptações para o cinema feitas pelos estúdios Disney.


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Sobre a minha edição (bolso de luxo, da Zahar), além de ser uma fofura na forma de livo, posso dizer que está bem diagramada e traz também as ilustrações originais de John Tenniel e a tradução premiada de Maria Luiza X. de A. Borges. Tirei algumas fotos:



6 Comentários

  1. Michas, amei. Concordo com você em todos os sentidos! Beijos!!

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  2. Michas, meu bem :) Adorei seu texto. Legal como a experiência de cada pessoa é diferente né?
    Mas isso que vc falou, de ter dificuldades de lembrar o que acontece no livro, aconteceu comigo. Tive de procurar várias coisas enquanto escrevia o meu texto pro blog.
    Beijos

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    1. Nem me lembro mais das coisas em Através do Espelho. Sério. Muito confuso! E só acho que lembro bem do primeiro livro por causa do filme...e só lembro das partes do filme. Tem uma parte com uma tartaruga que está meio apagada ahahaha

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  3. Não consigo pensar em Alice sem associar a psicotrópicos. Sério. Enfim... não sei se Carroll tinha o estado mental alterado quando escreveu essa história ou se apenas tinha uma imaginação hiperativa, mas é essa a sensação que tive ao ler. O bom é que o universo do país das maravilhas é tão rico que é possível reler o livro inúmeras vezes e continuar se encantando e descobrindo algo totalmente novo. E essa edição é um amor! Estou pensando seriamente em adquirir uma para substituir as minhas antigas e modestas.
    beijo!

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    1. Então, é meio complicado falar sobre os psicotrópicos, já que não tem nada muito claro sobre isso e também há o fato de que naquela época muita coisa era legalmente permitida, né? E, claro, há também a questão de não saber qual era a real intenção do autor hehe

      Mas acho que é uma história muito boa! E que vou reler várias e várias vezes. E que ainda assim vou ficar sem entender um monte de coisa ahahhaa

      Essa edição é linda! Compre sim <3

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