"Cidades de Papel", terceiro livro de John Green, traz a história de Quentin Jacobsen, um adolescente que está prestes a concluir o último ano do high school e já tem todo o seu futuro planejado: faculdade, um bom emprego e sucesso. Quentin nutre uma discreta (?) paixão por Margo Roth Spiegelman, sua antiga amiga de infância que, com o tempo, se afastou e se transformou na garota mais ~problemática~ e popular da escola. Quando crianças, os dois presenciaram uma situação traumática e, enquanto Quentin superou tudo relativamente bem - já que seus pais são psicólogos -, Margo não teve a mesma sorte.

Após anos sem manterem contato, além de cumprimentos cordiais nos corredores da escola, Margo aparece na janela do quarto de Quentin no meio da noite e lhe pede para ajudá-la em um plano. Juntos, os dois vão viver muitas aventuras durante a madrugada e Quentin passa a acreditar que a antiga amizade será retomada e um possível romance terá início. Porém, no dia seguinte, as coisas são completamente diferentes do esperado: Margo Roth Spiegelman simplesmente desaparece. Como não é a primeira vez que algo do tipo acontece, os amigos mais próximos, os pais da garota e a polícia não prestam muita atenção ao ocorrido e simplesmente ignoram.

O único que parece genuinamente preocupado com o paradeiro da garota é Quentin que, aos poucos, percebe que ela lhe deixou pistas para encontrá-la. Decidido a descobrir o que há de errado com Margo e contando com a ajuda de Radar (o amigo nerd e dono de um site tipo a Wikipédia), Ben (o amigo tosco tipo o Howard de "The Big Bang Theory") e Lacey (a suposta melhor amiga de Margo), Quentin começa a juntar as peças do quebra-cabeça que é Margo e que podem levá-lo até ela.

***

Vou ser sincera: até algumas semanas atrás não sabia muito bem o que pensar sobre John Green. Ao contrário de metade do mundo, não morri de amores por "A Culpa é das Estrelas" (até hoje não sei o que achei deste livro, gente) e, apesar de ter gostado de "Quem é você, Alasca?", nada do autor havia falado diretamente comigo. Já estava considerando a possibilidade de John Green ser apenas um cara legal que escrevia livros legais e que o problema estava comigo que já não tinha idade para me identificar com seus personagens. Ainda bem que me enganei.

Tudo começou com este vídeo da Stela e aí, a leitura de "Cidades de Papel" se tornou algo inevitável. Com uma temática um pouco mais palpável, o livro difere bastante da história de Hazel e Gus e se aproxima de "Quem é você, Alasca?", tratando de temas como a morte e o nosso propósito no mundo. Gostei muito do significado das chamadas cidades de papel e a relação que John Green estabeleceu entre elas e os seres humanos.

Outro fator que achei interessante durante a leitura é a forma como o ato de criar expectativas em relação a algo ou alguém é desenvolvida. Durante toda a história, Quentin imagina inúmeras versões de Margo, a maioria delas baseadas apenas em suas expectativas ou na ideia superficial que tinha dela. Demora bastante até ele começar a enxergá-la como uma garota normal, humana como todas as outras.

Ao contrário do que senti ao ler os outros livros citados do autor, fiquei com a sensação de que "Cidades de papel" não foi um livro escrito para um público jovem adulto. Longe de mim vir aqui dizer que uma pessoa precisa ter determinada idade para ler um livro, mas acredito que este livro exige que o leitor tenha passado por algumas experiências para que possa ter uma compreensão maior da obra. Experiências pelas quais uma pessoa com seus 14 ou 15 anos muitas vezes ainda não passou (há exceções, claro). Falando como uma pessoa que acaba de chegar aos 24, "Cidades de papel" fez muito mais sentido para mim agora do que poderia ter feito há dez anos.

E para concluir o texto, preciso dizer que um dos grandes atrativos no livro é composto pelas referências ao poema "Folhas de relva", de Walt Whitman, e ao livro "A redoma de vidro", de Sylvia Plath (que já entrou para a minha TBR). Agora posso dizer com convicção que gosto de verdade de um livro do John Green; livro que entrou para os meus preferidos do ano (até o momento) e que eu recomento para aqueles que gostaram de "Quem é você, Alasca?" e/ou se perguntam constantemente o que querem para as suas vidas. Lembrando que é sempre válido encarar tudo despretensiosamente e sem criar altas expectativas. Estou falando de um livro sobre entrelinhas, ok?


14 Comentários

  1. Ei Michas :)
    Sabe o que eu acho mais legal no John Green? Ele definitivamente não é um autor de uma obra só. Digo isso porque, apesar de absolutamente amar "A Culpa é das Estrelas", adoro o fato de que cada um que lê os 4 tem uma opinião diferente sobre o preferido! Conheço gente que tem como queridinho cada um deles, e acho isso fantástico! Eu pouco liguei para OTK, enquanto minha amiga que achou ACEDE forçado, achou OTK absolutamente sensacional.
    Beijos!

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    1. Analu, concordo muito com você: John Green não é autor de um livro só.

      É muito interessante observar como os gostos das pessoas são diferentes, né? Confesso que morro de medo de OTK; acho que deve ser beeeem chatinho e, por isso, não pretendo ler tão cedo. Vou priorizar Will e Will, ahaha. Gostei de A culpa é das estrelas, só achei muito distante de mim, entende? Não consegui me relacionar com os personagens e sentir a dor deles. Já Cidades de papel e Quem é você, Alasca? foram um pouco mais plausíveis.

      Beijos

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  2. Ainda não li nada do John Green mas morro de curiosidade :) e agora que li a tua resenha, com mais curiosidade fiquei... tenho que ver se o compro!!

    * maryredhair *

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    1. Oi, Mary

      Gosto bastante dos livros do John Green. Minha dica é: não crie expectativas; não que os livros sejam fracos, mas, ultimamente, tenho ficado com a sensação de que todo mundo cria expectativas absurdas em relação aos livros dele e depois se decepcionam. Para começar recomendo Quem é você, Alasca? e A culpa é das estrelas, os dois livros mais conhecidos dele e bastante diferentes entre si :)

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  3. Ai Michas, que alegria achar alguém que ama esse livro tanto quanto eu! Normalmente as pessoas acham Cidades de Papel meio sem graça, mas eu absolutamente amei, foi uma leitura que mexeu muito comigo. Sabe quando você fica pensando em tudo que o livro te fez sentir e refletir por semanas, começa a conversar sobre isso com os outros e mudar altas percepções sobre a vida? Foi isso que esse livro fez comigo. Gostei demais. Sem falar que ele tem ótimas referências e é super divertido. Amo de paixão a road trip deles e sou apaixonada pelo Ben e pela Lacey <3

    Beijo!

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    1. Anna Vitória, "Cidades de papel" virou o meu preferido do John Green! Adorei demais esse livro e fica até difícil de explicar tudo o que pensei enquanto o lia. Não sei porque tanta gente o acha fraco e sem graça. Sinceramente, acho que não leram as entrelinhas ahaha. As referências são muito boas mesmo; preciso ler The Bell Jar agora! A parte da road trip é muito boa e só gostava do Ben quando ele estava com a Lacey, porque, no geral, achei ele bem chato ahaha.

      Beijos

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  4. Cidades de Papel <3
    Amo de paixão esse livro... Sabia que vai virar filme?
    Amei seu blog
    Beijinhos
    Leti

    umdiiadesses.blogspot.com

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    1. Oi, Letícia

      Tudo bem?

      Adorei Cidades de Papel também! É o meu preferido do John Green! Vi sim que vai virar filme :)

      Fico feliz que tenha gostado do blog!

      Beijos

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  5. Oi Michas! :D
    Sei que estou revivendo esse post mas estou acompanhando seu blog muito recentemente e não podia deixar de comentar esse post DD:
    FINALMENTE achei alguém com a mesma opinião que a minha sobre ACDE e Paper Towns! Super me identifiquei com o que você disse. Sempre tento mostrar que Paper Towns é muito mais singelo e subjetivo e merece ser lido sob outro ponto de vista, uma leitura um pouco mais "madura" e que foge dos romances comuns.
    Enfim, vou ler assim que puder Quem é você Alasca (comprei a versão com capa dura, yay <3) já que ela se assimila mais ao Paper Towns :D
    ótimo post! Beijos :3

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  6. Olá :)
    Ah, que bom encontrar mais alguém que concorda comigo! Paper Towns é um livro tão subestimado, né? Para mim, o melhor do autor. Reli A culpa é das estrelas e gostei bem mais do que tinha gostado na primeira leitura. Ainda assim, o livro não falou comigo como Paper Towns falou. É um livro que precisa ser lido com calma e dando atenção ao que está nas entrelinhas. E, claro, não ficar criando expectativas em relação ao desaparecimento da Margo; é preciso entender as metáforas.
    Gostei bastante de "Quem é você, Alasca?" e penso em reler algum dia. Espero que goste ;)


    Beijos

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  7. Também li ACDE e, apesar do meu amigo dizer que eu ia chorar horrores, não fui tão tocada :T É engraçado como um mesmo autor pode escrever coisas tão diferentes e tocar pessoas de formas diferentes né? XD acho isso muito legal! Vou seguir sua dica e passar Alasca na frente de alguns da pilha de livros não lidos SHAUHSUAHSA tenho certeza que não vou me arrepender! ^^ obrigada por responder e ser tão simpática! <3

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  8. Isso, leia "Quem é você, Alasca?" e depois diga o que achou, ok?
    Ah, imagina! Obrigada você por comentar por aqui :)

    Beijos

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  9. William Ribeiro Da Silva Filho20 de julho de 2015 19:50

    Oi michas,vou começar a ler Cidades de Papel semana que vem e não estou criando expectativas para não me decepcionar mas acho que eu vou gostar muito assim como você gostou,vejo vários comentários de pessoas falando mal pra caramba dele,que é muito ruim, clichê,sem graça,o pior livro do John Green,etc,mas eu não LIGO pois cada um tem que ter sua própria opnião né? Eu só vou saber o que eu acho se eu ler né?Me deseje sorte,PS:Amo seu blog de paixão te assisto todos Os dias amo o jeito como você fala obrigado por nos incentivar a cada dia a ter mais amor pela leitura e fazer com que nos dediquemos cada vez mais mais a nossa maior qualidade:O amor pela leitura.

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  10. Oi, William :)
    Tudo bem com você?

    Demorei tanto para te responder (me desculpe!) que acho que você já terminou a leitura de Cidades de papel, hehe. E aí, valeu a pena não criar muitas expectativas? Gostou do livro?

    Então, eu acho que um grande problema que muita gente tem com o John Green é esperar sempre algo fenomenal dos livros dele. E não acho que esta seja a melhor maneira de encarar os livros dele. No geral, ele fala sobre ser jovem e os dilemas que muitos adolescentes enfrentam, levantando algumas reflexões mais sérias e sem subestimar o leitor. Simples, né? haha E é sempre tão divertido :)
    Eu adoro Cidades de papel, é o meu preferido e eu não achei clichê...



    Awn, muito obrigada pelo carinho! Fico feliz que goste do blog e do canal! Gosto muito de compartilhar minhas impressões sobre o que leio e é muito bom saber que tem alguém que gosta de acompanhar! Eu é que agradeço pelo retorno, mesmo! :)


    Beijos e boas leituras!

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