Bliss é uma adolescente de 14 anos que não foi criada de forma convencional. Vivendo no fim dos anos 1960, cresceu em uma comunidade hippie e tem a sua vida transformada quando seus pais, em forma de protesto, decidem se mudar para o Canadá, deixando-a na casa de sua avó materna - uma mulher bastante tradicional e, de certa forma, triste pelos rumos que sua filha resolveu seguir.

Após ser matriculada em uma escola de elite, Bliss começa a compreender como é a vida de uma adolescente normal. Faz amizades, passa a ter interesse por moda, maquiagem e garotos e, claro, é inserida - contra a sua vontade - no contexto social/hierárquico que é o high school. Mas, ainda assim, sua vida continua a não seguir o que chamaríamos de normalidade. Logo em seu primeiro dia de aula, a garota escuta uma voz vinda de um prédio muito antigo dentro do campus estudantil. Uma voz não-humana, vinda do além, que afirma que Bliss é a chave para tudo, a peça que estava faltando.

Assustada e convencida de que a voz não pertencia a algo/alguém bom, Bliss resolve evitar o prédio em questão e passa a se dedicar à sua nova vida. Enquanto tenta compreender como o ensino médio funciona, ela conhece Thelma que, de certa forma, se torna sua guia de sobrevivência dentro da escola (ela sabe o que é legal e o que não é; quem é popular ou não; com quem falar, o que vestir, como se comportar, etc.); Sarah Lynn Lancaster, a menina mais popular da escola, aquela a quem todos buscam agradar ou de quem querem a amizade; e Sandy, uma garota um tanto quieta e anti-social, que sofre bullying por seu excesso de peso e de quem todos querem ficar o mais longe possível.

Em meio aos conflitos internos entre essas garotas, Bliss começa a compreender que o mundo é bem menos colorido do que ela foi levada à crer. Charles Manson e sua Família estavam sendo julgados pelos crimes do caso Tate-LaBianca, pais de seus colegas integravam a Ku Klux Klan e uma presença maligna se esconde nos arredores de sua escola. Sem saber ao certo como reagir a essas mudanças bruscas em sua vida e na sua forma de enxergar o mundo, ela tenta se manter fiel aos valores que lhe foram ensinados desde criança, buscando sempre enxergar o bem nas pessoas, sem preconceitos.

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Soube de "Bliss" por meio de um vídeo da Tatiana Feltrin e, na época, pesquisei mais algumas opiniões e resolvi encomendar o meu exemplar pelo Book Depository. Faz quase um ano que isso aconteceu e só agora realmente me dispus a lê-lo. E digo que esperava mais. Não que o livro seja ruim, porque não é. 

Bliss é uma protagonista muito boa; mesmo se tratando de um young adult, a sua personalidade consegue ser bem diferente daquela encontrada na maioria das heroínas dos livros voltados para o público adolescente. Longe de ser insegura, Bliss sabe o que quer e não se deixa influenciar pelas opiniões de terceiros, mantendo-se sempre fiel aos seus valores. Mesmo quando o leitor sabe que ela está agindo de forma estúpida, não é possível julgá-la, pois suas ações são muito coerentes com a sua personalidade e com o que ela acredita que seja o certo. Bliss é o tipo de garota de quem eu seria amiga no colégio.

Aos poucos, a trama começa a se desenrolar e alguns mistérios são solucionados enquanto outros surgem. De uma forma geral, consegui prever muito do que viria a acontecer e talvez seja por isso que não tenha gostado tanto do livro. Talvez, se o tivesse lido quando era mais nova, o livro poderia ter me impactado mais. Acredito que hoje já trago em minha bagagem intelectual algumas histórias com elementos semelhantes aos de "Bliss", o que acabou por estragar qualquer sensação de surpresa.

Há também muitas referências ao contexto histórico da época. Durante toda a história, Bliss e seus colegas conversam e discutem à respeito do assassinato de Sharon Tate e seus amigos, bem como do casal LaBianca, e sobre os rumos do julgamento de Charles Manson e sua Família. Cada capítulo tem início com alguma citação referente à época: trechos de notícias, letras de músicas, falas de "The Andy Griffith Show" e até frases do próprio Charles Manson. Por mais interessantes que fossem as citações, não entendi o porquê de estarem no começo de cada capítulo; não me pareceram acrescentar nada à trama.

Ainda assim, afirmo que, com uma narrativa fluida e bastante envolvente, o livro pode ser uma ótima escolha para quem não está muito habituado a filmes/séries/livros de terror e suspense. É um YA bem diferente dos que encontramos com maior frequência. E para aqueles que já estão habituados a este tipo de história, "Bliss" se apresenta como um bom entretenimento; previsível, mas ainda assim, gostoso de ser lido e que deixa saudades quando a leitura é concluída.


6 Comentários

  1. Oi, Michas,
    Esperava algo completamente diferente desse livro pela capa e até rápidos comentários que já tinha visto dele (também nos vídeos da Tati Feltrin). Só lendo agora sobre o que se trata, pude ter uma ideia mais clara e, confesso, não me interessou muito. Por mais que possua algo diferente, tô um pouco cansada do gênero YA com pitadas de sobrenatural, além da previsibilidade.
    Beijo!

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    1. Oi, Eduarda

      Também fiquei meio surpresa quando comecei a ler, porque pelo que vi na internet e nos comentários de quem havia lido, Bliss parecia ser bem diferente. No fim, achei previsível. É divertido, sim. É um YA diferente, sim. Preciso ler agora? Não necessariamente.

      Gostei da leitura, mas para por aí.

      Beijos

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  2. Oi Michas!
    Tudo bem?

    Então, desde que vi o video da Tatiana comentando esse livro fiquei com vontade de ler, mas ando tão chata com leituras que depois dessa sua resenha desanimei... Quer dizer, não por causa da sua resenha, que, btw, está excelente, como sempre, mas estou um pouco cansada dos YA...
    O livro não saiu da minha lista de leitura, mas definitivamente não é prioridade mais.
    Aproveitando a deixa, li As Virgens Suicidas por sua causa, e meu Deus. Estou sem palavras até agora. Postei uma tentativa de resenha no meu blog, agradei a indicação lá, mas quero agradecer por aqui também. Obrigada mesmo por ter me convencido a ler! :)

    Beijos!

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    1. Oi, Dani!

      Te entendo completamente! Ando super sem paciência para YA. Continuo lendo, mas para eu gostar mesmo o livro tem que trazer algum diferencial. Não foi o caso de Bliss; não que ele seja como todos os YAs que a gente encontra, porque não é. Na verdade, é bem diferente...mas a história é um tanto manjada, sabe? Já vi coisas parecidas em filmes de terror para adolescentes dos anos 1990. Ainda assim, é uma leitura divertida. Não é a melhor, mas entretém.

      Acho que nunca vou ter palavras para descrever o que senti lendo As Virgens Suicidas. Já já vou visitar o seu blog e aí, leio o que você disse. Fiquei muito feliz por saber que você decidiu ler o livro por minha causa :)

      Beijos

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  3. Achei interessante, Michas (:

    Logo de cara, ao ver a capa, me lembrei de Carrie, A Estranha. Até certo ponto ela e a Bliss são parecidas... A capa me deixou curiosa e acho que seria uma leitura interessante, apesar das questões que você apresentou na sua resenha.

    Vou dar uma chance

    Beijos!

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    1. Oi, Mari

      Bliss é um livro legal, uma leitura divertida e parou por aí para mim. A capa é bem interessante, mas a menina não é a Bliss, ahahha. Logo no início, temos uma descrição física da Bliss e é bem diferente da moça na capa. A história tem umas pitadas de Carrie mesmo. Acho que por isso não gostei tanto...

      Mas se você está com vontade de ler, leia sim. Depois conta o que achou!

      Beijos

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