"Iluminadas", de Lauren Beukes, mistura elementos de histórias policiais, de fantasia e de ficção-científica para apresentar ao leitor a história de Harper Curtis, um andarilho violento que vive na Chicago dos anos 1930, marcada pela crise econômica, Lei Seca, gângsters e cortiços. Certa noite, enquanto fugia da polícia, entrou em uma casa abandonada, que revelou uma peculiar propriedade: a de transportar quem ali entra pelo tempo.

Apesar da aparência exterior de abandono, o interior da casa é mobiliado e bastante aconchegante. Harper decide morar ali e passa chamar a nova residência de Casa. Estimulado por algum comando que parecia partir da Casa, Harper se transforma em um serial killer e passa a perseguir as chamadas "meninas iluminadas", garotas escolhidas meticulosamente e espalhadas por diferentes décadas. Com a possibilidade de viajar no tempo, Harper comete crimes impossíveis de serem solucionados ou conectados, saindo impune da cada uma das situações. Comete o crime perfeito em todas as vezes. Ou quase todas.

Kirby Mazrachi, uma jovem estudante de jornalismo, vive na Chicago dos anos 1990 e poderia ser considerada uma garota comum, não fosse pelo fato de que era uma das "meninas ilumidadas" de Harper e sobrevivera ao seu ataque. Após quase perder a vida de forma grotesca e marcada por muitas cicatrizes físicas e emocionais, Kirby desiste de esperar que a polícia encontre o homem que a atacou. Ao conseguir um estágio no Chicago Sun-Times como estagiária do ex-repórter policial Dan Velasquez, Kirby passa a procurar por crimes semelhantes àquele do qual foi vítima no arquivo do jornal e, aos poucos, começa a se convencer de que sobreviveu ao ataque de um serial killer. Mas quanto mais ela investiga, mais se convence de que diante de algo impossível.

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No momento em que li a sinopse, já sabia que tinha que ler "Iluminadas". Livro policial com viagem no tempo? I'm sold! A proposta de misturar elementos de diferentes gêneros resultou em um thriller bastante envolvente e difícil de abandonar, pois tudo é muito intrigante.

A narrativa, feita em terceira pessoa, é dividida entre os pontos de vista de Harper, de suas vítimas - com maior destaque para Kirby -, do jornalista Dan Velasquez e de um viciado em drogas. Cada um desses personagens dá título a um ou mais capítulos, que aparecem acompanhados pela data em que os fatos ocorrem. Apesar da narrativa de Harper ser linear, os crimes que ele comete não são. Ou seja, o leitor começa a história nos anos 1930, vai até os 1980, volta para os 1950, e por aí vai. As narrativas de Kirby e Dan também são lineares, mas por vezes apresentam flashbacks, mostrando o passado deles, e flashforwards, mostrado o futuro. Os capítulos são intercalados entre as perspectivas dos personagens, permitindo ao leitor acompanhar de forma paralela os crimes de Harper e as investigações de Kirby. Pode parecer um pouco confuso à princípio, mas conforme a leitura vai avançando, o leitor se acostuma e entra no ritmo da história. 

No que diz respeito ao desenvolvimento do enredo, Lauren Beukes peca em alguns aspectos. Um deles é a falta de profundidade das vítimas de Harper. Com exceção de Kirby, todas são apresentadas brevemente, o leitor tem conhecimento superficial de quem são, o que fazem e, pronto!, elas morrem. Não dá tempo de conhecê-las, entender suas motivações e de sofrer com suas mortes. Por mais grotescos que sejam os procedimentos de Harper, não consegui sentir nada em relação às suas vítimas; com a exceção de Kirby, como já foi mencionado.

Há também o romance entre Kirby e Dan. Enquanto o leitor tem a visão de Dan do que está acontecendo, nada é apresentado em relação à Kirby, de forma que fica tudo meio abrupto quando começa a acontecer, o que torna a situação meio difícil de acreditar. Fiquei na dúvida se era necessário inserir um romance na história, porque, no fundo, não acrescentou nada ao desenvolvimento do enredo.

A investigação começa bem, mas em alguns momentos mais para o final, não é muito explorada. De modo que o leitor sabe que Kirby fez descobertas, mas não entende muito bem a linha de raciocínio dela. Não chega a ser algo completamente negativo, mas pode incomodar quem for mais detalhista. Aliás, é válido mencionar que este não é um livro que traz explicações para tudo. As investigações são concluídas, descobrimos o porquê de muitos acontecimentos, mas é importante ter em mente que algumas questões, como a viagem no tempo, não serão explicadas. Mais uma vez: não é algo que atrapalhe a leitura, mas pode incomodar algumas pessoas. 

De uma forma geral, gostei da leitura pois a achei bastante instigante. É um livro policial bastante inusitado e diferente de tudo o que já li. O fato de ter o ponto de vista do assassino também foi bem interessante, pois não me lembro de ter lido algum livro policial que me apresentasse esse tipo de perspectiva. Também não me incomodei com o fato de não encontrar explicações para tudo, porque o que prevaleceu foi uma atmosfera de mistério que me permite criar teorias. Ainda que de forma sutil, o livro traz aspectos de romance histórico; por meio das narrativas das vítimas, podemos ter um panorama geral na época em que viviam. Gosto quando livros me permitem visitar o passado e conhecer locais e períodos diferentes. Leitura recomendada para quem gosta de thrillers e se interessa por histórias de viagem no tempo e/ou de serial killers.


Gente, estamos na metade do ano! 2014 está voando! E aqui está o post com as leituras, o resumo do que rolou por aqui e pelo canal e os favoritos do mês de maio. :)

Leituras e resumo:

Em maio li um total de cinco livros e dois mangás, deixando apenas uma das leituras sem conclusão: "A ilha do Dr. Moreau", clássico de H.G. Wells, que pretendo terminar. As leituras do mês foram (para ler ou assistir as resenhas, basta clicar nos títulos): "A filha do louco" (Megan Shepherd), "O inimigo secreto" (Agatha Christie), "Juvenília" (Jane Austen e Charlotte Brontë), "Eleanor & Park" (Rainbow Rowell) e a releitura de "A culpa é das estrelas" (John Green). 

De uma forma geral, gostei das minhas leituras de maio, apesar de esperar mais de alguns livros. A grande surpresa (?) foi a releitura de "A culpa é das estrelas", que me permitiu compreender porque tanta gente ama o livro. Esperava mais de "O inimigo secreto" e do queridinho do momento, "Eleanor & Park". Me irritei com a Juliet, de "A filha do louco", mas, ainda assim, pretendo continuar com a série. Também aproveitei o mês para ler alguns mangás e pretendo continuar com a série "Sailor Moon".

Para junho tracei o seguinte plano de leitura: "Por isso a gente acabou" (Daniel Handler), que deveria ter lido em maio; "Iluminadas" (Lauren Beukes), "Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo" (Benjamin Alire Sáenz) e iniciar a série "Heróis do Olimpo" (Rick Riordan). O clássico do mês ainda não foi definido, mas devo escolher algo de Shakespeare ou da literatura nacional.


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