Sobre procrastinar leituras

Lembro de que quando estava na faculdade, uma das leituras mais recomendadas era a de Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. Não me lembro dos diferentes contextos das recomendações, mas é fato que pelo menos três professores disseram que a leitura era importante, já que estamos falando de uma das distopias mais influentes do século XX. Assim, fiz uma nota mental para não me esquecer de comprar o livro e descobrir o porquê de a obra de Huxley ser tão importante. Fiz a compra há três anos, me formei há dois e...até agora não li nem a primeira linha do livro.

E acontece que a situação descrita acima não é a única em minha vida. Sinceramente, não tenho noção da quantidade de livros que adquiri por conta de recomendações e que permaneceram intocáveis na minha estante. As brumas de Avalon, As ilusões perdidas e O Sol é para todos são só alguns dos títulos. Não preciso nem dizer que depois que comecei a escrever e a falar sobre as minhas leituras, o número de novas aquisições só aumentou, né? E o mais surpreendente em tudo isso é que meu interesse por essas histórias não sumiu. Morro de vontade de conhecer essas histórias e a minha ansiedade para lê-las fica ainda maior quando vejo um vídeo ou leio uma resenha de alguém que gostou muito dos livros e recomenda fortemente a experiência de leitura.



É então que me pergunto: qual é o meu problema? Por que não leio esses livros logo? Juro que não encontro resposta racional para essas perguntas, mas creio que tenha algo a ver com expectativas. A maioria dos livros que aguardam eternamente para serem lidos é formada por clássicos ou histórias aclamadas e amadas por muita gente. Tenho medo de me frustrar e, por isso, sempre que penso em ler algum deles, fico pensando se seria o "momento certo" para aquela leitura e sempre que opto por não ler, digo que é porque não era a hora. Mas, até que ponto o momento é errado e até que ponto sou eu interferindo nas minhas leituras por medo de uma possível frustração? Não sei. De verdade, não sei.

Como não pretendo abandonar o blog e/ou o canal, sei que recomendações de bons livros continuarão a ser feitas e, consequentemente, continuarei a acumular boas histórias não lidas em minha estante. E, naturalmente, continuarei a ter mais livros do que posso ler. No fim, quem acaba perdendo sou eu, óbvio. Porque tenho certeza que, mesmo com algumas frustrações pelo caminho, muitas dessas histórias irão me encantar e eu vou me arrepender profundamente pela demora em conhecê-las. E não há uma fórmula ou uma receita a seguir para solucionar este problema. O único jeito de saber se vou ou não gostar desses livros é lendo-os, certo? Então está aí mais uma meta literária para 2014: perder o medo de histórias aclamadas e amadas.


Texto originalmente publicado na coluna Literalmente Falando, do blog Literature-se.

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