Sobre best-sellers


Hoje quero falar um pouco com vocês sobre best-sellers. Mais precisamente sobre o que eu penso a respeito deles e do preconceito que algumas pessoas direcionam a esse tipo de livro. Preparados? Então vamos lá!

Antes de começar, acho interessante apresentar uma definição de best-seller: termo em inglês para se referir a um livro que atingiu um número elevado de vendas, superando as vendas de outros do mesmo gênero. Então, de uma forma geral, podemos afirmar que um livro best-seller é um livro que alcança um grande público e, consequentemente, é um sucesso de vendas. E isso quer dizer que esses livros são literatura da melhor qualidade? Não. Mas também não quer dizer que são livros mal escritos e feitos apenas com o intuito de vender e garantir uma grande quantidade de dinheiro para as editoras e o autor.

Particularmente, não costumo levar em consideração o fato de um livro ser um best-seller ou não antes de decidir se quero lê-lo. Se a história for atraente e estiver de acordo com o meu gosto, há sim uma grande chance de me interessar pela leitura, coisa que pode acontecer com qualquer livro dentro das características já citadas. Sendo assim, busco encarar best-sellers como encaro qualquer livro: apenas uma história que pode ou não me agradar, independentemente do número de cópias vendidas. Claro que há sim muita coisa nas livrarias que foi escrita apenas com o intuito de lucrar, logo, não traz qualidade alguma em seu conteúdo. Mas falta de qualidade não é exclusividade de best-seller e é definida de forma bastante subjetiva. Afinal, o que eu posso considerar incrível pode não ser tão maravilhoso para outra pessoa e vice-versa.

Com isso em mente, não entendo o preconceito da parte de muita gente em relação a livros que são listados entre os mais vendidos. Não consigo deixar de encarar a ação de descartar uma leitura, sem nem ao menos saber do que a história trata, apenas por esta ter vendido milhares de cópias ao redor do mundo como uma perda para o leitor. Sempre fico pensando que se tanta gente está lendo um determinado livro, alguma coisa este livro deve ter e, por isso, resolvo pesquisar mais para saber se eu também posso me interessar pela história. Dessa forma, descartei muitas coisas, mas também pude conhecer muitos livros dos quais gostei bastante, como A sombra do vento (Carlos Ruiz Zafón), a trilogia Jogos Vorazes (Suzanne Collins) e O Palácio de Inverno (John Boyne). Se não tivesse visto tais livros nas estantes de mais vendidos das livrarias, talvez nunca os tivesse conhecido e teria perdido ótimas experiências como leitora.

Também é preciso considerar o fato de que muitos leitores são formados por meio dos best-sellers. Quando tinha 11 anos fui apresentada ao universo de Harry Potter e por causa da série de livros do bruxinho me tornei a leitora que sou hoje. E jamais teria conhecido Harry Potter se o trabalho de J.K. Rowling não tivesse se transformado em um best-seller. Vejam bem, no início dos anos 2000 não era tão fácil se comunicar com pessoas - principalmente aos 11 anos - para obter recomendações literárias, então, a gente dependia muito das livrarias e das listas em revistas e jornais.

Hoje, me pergunto quantas pessoas devem ter se interessado pela leitura de A menina que roubava livros, por exemplo, por conta da adaptação para os cinemas que, por sua vez, só foi possível graças ao sucesso de vendas que é a obra de Markus Zusak. Essas pessoas abriram a porta para um mundo novo e cheio de possibilidades. Pode ser que quem começou a ler com best-sellers, continue apenas a ler esses livros - o que de forma alguma é algo negativo - , mas também pode ser que essas pessoas resolvam conhecer outros mundos e outras épocas através de leituras diferentes que hoje não figuram entre as mais populares ou figuram como clássicos.

Falando de clássicos, é preciso lembrar também que alguns autores que hoje consideramos grandes nomes da literatura escreveram best-sellers. Alguns desses livros, inclusive, foram best-sellers em seu tempo, como Grandes esperanças, O retrato de Dorian Gray, Memórias póstumas de Brás Cubas e Jane Eyre. E aí, lhe pergunto, você simplesmente descartaria a leitura de um livro escrito por Charles Dickens simplesmente porque ele figurava na lista dos mais vendidos?

Eu não descartaria, assim como não pretendo descartar nenhuma leitura que possa me interessar, sendo ela best-seller ou não.


Texto originalmente publicado na coluna Literalmente Falando, do blog Literature-se.

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