Não vou nem entediar vocês com desculpas esfarrapadas para a demora em fazer este post ou com explicações sobre os motivos de o blog (e o canal) estarem meio abandonados ultimamente. Em linhas gerais: falta tempo e, às vezes, motivação. Não se preocupem, estou bem. E agora, vamos então aos filmes de outubro!

A máquina do tempo (The Time Machine, 1960)

Não sei muito bem o que dizer deste filme, que apesar de muito bem feito, não me agradou tanto quanto eu esperava. Primeiramente, gostei da homenagem feita a H.G. Wells ao batizar o Viajante do Tempo (que não tem um nome no livro) com seu nome. Aliás, gostei que os personagens no filme tem nomes, inclusive aquele que nos conta a história.

Acho que o meu maior problema diz respeito ao foco mantido na adaptação. Mesmo mantendo a história original do romance de H.G. Wells, o filme se prende bastante no romance entre o viajante e uma moça Eloi que ele conhece no futuro, de forma que, muitas vezes, aventura e mistério - bastante presentes no livro - perdem espaço. Também sinto que muitas das reflexões levantadas por Wells a respeito do homem e o futuro da humanidade não receberam o devido destaque, o que torna o filme bastante superficial.

Como produção, é uma obra de arte. Os figurinos e os cenários são todos muito bonitos e atraentes aos olhos de quem, como eu, tem um certo fascínio por produções clássicas. Sempre fico encantada com a capacidade que as equipes de produção de antigamente tinham para criar um universo sem fazer uso das tecnologias atuais. A trilha sonora sonora também merece destaque. Muito bonita e emocionante.


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Professora sem classe (Bad Teacher, 2011)

Sabe quando um filme chega ao fim e lhe faltam palavras para explicar o quanto você o detestou? Pois é, foi exatamente isso que aconteceu comigo quando terminei de assistir Professora sem classe.

Quando resolvi assistir, procurava um filme divertido, previsível e que me mantivesse entretida por um tempo. Não estava procurando nada revolucionário ou que fosse mudar a minha visão de mundo. Logo, minhas expectativas eram baixas e a minha única motivação era saber que a Cameron Diaz está no elenco. Pensem o que quiserem e me julguem, mas eu gosto da Cameron. Mas nem ela foi capaz de salvar o filme ou me cegar para tudo o que há de errado na história.

Terminei de assistir e não entendi o objetivo de nada, não entendi o personagem do Justin Timberlake, não entendi o que o Marshal de How I Met Your Mother tinha que fazer lá e não entendi a professora absurda interpretada pela Cameron Diaz. Juro, a única coisa positiva do filme foi fazer referência ao clássico O sol é para todos, de Harper Lee, que pretendo ler algum dia. Para concluir: não recomendo. É um filme incoerente demais. Passem longe, sério.


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Divergente (Divergent, 2014)

Ao contrário de quase todo mundo que vi falando do filme, eu gostei da adaptação do romance de Veronica Roth. Não é segredo para ninguém que me acompanha no YouTube o quanto me decepcionei com a série distópica que originou o filme. Mas, meus problemas começaram com o segundo livro, de forma que gostei da primeira parte da história e tinha sim uma certa curiosidade em assistir a adaptação.

O roteiro se manteve fiel ao livro, mesmo com algumas modificações já esperadas. Gostei de não ter que ficar presa aos pensamentos de Tris e poder acompanhar os acontecimentos conforme eles desenrolavam. De certa forma, o filme ficou mais leve, cortando algumas partes mais violentas; acredito que isso tenha ocorrido por conta da faixa etária que a produção pretendia atingir. Ainda assim, nem tudo é perfeito. Por ter lido o livro, sinto que a adaptação foi bem feita, porém, acredito que tudo pode ter ficado um pouco confuso para aqueles que descobriram a história a partir do filme. Pouco se explica sobre as facções e sobre a cerimônia de escolha. Também achei que todo o mistério da identidade do Quatro não foi muito bem trabalhado, de forma que quando é revelado quem ele é, não faz muita diferença ou sentido para o espectador.

Quanto aos atores, não vou dizer que os achei perfeitos, mas também não os achei péssimos. Gostei da Shailene Woodley como Tris e apesar de achar Theo James bem no papel, ele não se parece nada com o Four que imaginei. Também estranhei um pouco o Ensel Algort como o Caleb, mas ainda temos as sequências para nos acostumar, certo? No fim, acho que gostei mais do filme do que do livro.

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Tarde demais para esquecer (An Affair To Remember, 1957)

Há muito tempo queria assistir Tarde demais para esquecer. São tantas as referências feitas a esse clássico que foi impossível não saber spoilers, ainda assim, gostei muito da experiência e imagino como deve ter sido emocionante para aqueles que não sabiam o que ia acontecer.

Como já mencionei por aqui, adoro assistir a filmes antigos porque eles me levam à outra época, onde as coisas pareciam acontecer mais devagar e as pessoas pareciam pensar mais, viver mais e sentir mais. Não sei se isso de fato acontecia, mas é essa a sensação que Tarde demais para esquecer me transmitiu. A fotografia é linda e me fez ficar nostálgica, os figurinos e os cenários também são impecáveis. Adorei as partes na Itália.

Os protagonistas dispensam comentários. Cary Grant e Deborah Kerr estão muito convincentes em seus papeis, esbanjando muito charme e glamour. O final é de partir o coração e ouso dizer que o filme é uma ótima recomendação para esta época de fim de ano. É aquele tipo de história que quanto mais a gente assiste, mais a gente gosta.

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Annabelle (Annabelle, 2014)

Nunca assisti Invocação do Mal e só fui ao cinema assistir Annabelle porque estava no clima de Halloween e uma história de terror era tudo o que eu queria. Claro que agora quero assistir ao primeiro filme, cuja história ocorre depois da que está em Annabelle.

O filme, propriamente falando, não tem nada de inovador. Se você já assistiu a clássicos como Exorcista ou O Bebê de Rosemary, vai ficar o tempo todo com uma sensação de déjà vu (não que as histórias sejam parecidas, mas há algo que remete aos clássicos). Ainda assim, nada te impede de levar uns sustos e fechar os olhos em algumas partes. Não costumo assistir a muitos filmes do gênero porque não sinto medo, mas sempre que fico com calafrios é porque o filme envolve espíritos e/ou demônios, criaturas que realmente me assustam e geram bons filmes.

Gostei da ambientação nos anos 1960 e das referências a O Bebê de Rosemary e ao caso Tate-LaBianca. Apesar do elenco ok e da história estar carregada de clichês, o filme é uma boa opção para quem está procurando algo que assuste.

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O morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights, 2009)

Nunca fiz questão de esconder o meu amor pelo livro de Emily Brontë. Li pela primeira e única vez a história de Cathy e Heathcliff quando tinha 18 anos e, desde então, aguardo o momento para uma releitura. E depois de assistir pela segunda vez essa adaptação, que não sei se é um filme ou uma minissérie em duas partes, sinto que o momento está próximo.

Antes deste filme, assisti a adaptação dos anos 1990 com Juliette Binoche e Ralph Fiennes e, eles que me perdoem, mas detestei o filme. Não sei bem ao certo o que me incomodou naquela adaptação, mas o tempo todo fiquei com a sensação de que a obra de Brontë estava mal retratada. Quando resolvi assistir a adaptação de 2009, estava com muito receio, mas felizmente gostei do que vi.

Como produção, o filme não peca de forma alguma. Tudo é feito com muito cuidado e o mundo criado por Emily Brontë ganha vida. A trilha sonora também é um show à parte, contribuindo bastante para a ambientação da história. Tom Hardy e Charlotte Riley estão perfeitos como Heathcliff e Cathy (ele é um tanto diferente do que imaginei, mas brilhante no papel; ela é exatamente como pensei) e gostei bastante também de Andrew Lincoln (sim, o Rick de The Walking Dead) como o Edgar Linton. Burn Gorman também faz um ótimo trabalho como o desprezível Hindley Earnshaw.

Apesar das alterações no que diz respeito ao começo da história, ainda não encontrei uma adaptação de O morro dos ventos uivantes tão boa como esta, que recomendo fortemente.


5 Comentários

  1. Ahhh fiquei curiosa quanto à citação de O sol é para todos. O que ele tá fazendo num filme tão lixo assim? Que dózinha hehehehe
    E meu Deus, passo longe de terror. Só de ver essa boneca de Annabelle terei pesadelos.
    Não tenho muita vontade de assistir A máquina do tempo, mas estou louca para ler, ainda mais depois da sua resenha.
    E PRECISO ler O morro dos ventos uivantes, assim como assistir aos trocentos filmes que existem hahaha
    Beeijo

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  2. Oi Michas, tudo bem? :)
    De todos os filmes citados eu só assisti Divergente e O Morro dos Ventos Uivantes... E gostei bastante dos dois.

    Concordo com as mudanças que você citou sobre Divergente, em relação ao livro, mas também achei um filme ok, até porque foi ele quem me motivou a ler o livro rsrs

    Ah, já tentei ler O Morro dos Ventos Uivantes umas três vezes, mas sempre empaco no meio da leitura, um dia ainda consigo!

    Annabelle eu nem me atrevo a assistir, sou muito medrosa kkkk E Professora Sem Classe já comecei a ver mas achei muito tosco ><

    Beijos e boas leituras!

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  3. Então, a Cameron Diaz é uma professora de literatura (???) e o livro é meio que leitura obrigatória lá nos EUA, né? Em umas cenas mostra ela com o livro na mão, ou mandando os alunos lerem...


    Hahaha, Annabelle traz todos os tipos de clichês imagináveis envolvendo brinquedos do mal, sério. E justamente por isso dá uns sustos. Fora as referências a O bebê de Rosemary, o filme mais pertutbador que já vi!


    Olha, o filme de A máquina do tempo é interessante pelo valor cinematográfico, sabe? É um clássico, mas como adaptação não é muito bom não; melhor ler o livro mesmo.


    O morro dos ventos uivantes <3 <3 <3
    Leia, e depois procure essa versão que eu comentei. É LINDA!


    Beijos

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  4. Oi, Patrícia
    Tudo bem sim, e com você?


    Então, até que gostei do filme de Divergente e em algumas partes até achei melhor que o livro, sabe?
    O morro dos ventos uivantes é um dos meus livros preferidos da vida, então sou meio suspeita para falar dele, hehe. Mas, assim, o começo é meio lento e confuso mesmo. Ainda assim, recomendo muito a leitura :)
    Espero que um dia consiga ler :)


    Annabelle tem uma história bem manjada, mas dá uns sustos! E tem umas cenas feias, sabe? Que dão medinho, haha.
    Professora sem classe é péssimo. Não recomendo para ninguém!


    Beijos e boas leituras para você também!

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  5. Oi, Le!
    Muito tempo mesmo, né?
    Olha, não chorei assistindo "Tarde demais para esquecer", mas na cena final, com o Cary Grant, na hora que ele entra no quarto e vê os quadros...olha, quase rolou uma lágrima! Achei que, mesmo sem falar, ele passou a emoção do momento, sabe?
    HAHAHAHA, sua avó estragou o filme! Que mancada!

    Então, já vi essa versão de O morro dos ventos uivantes; até mencionei acima. Não gostei...não sei exatamente o motivo, mas achei que não passou a essência do livro, sabe? Sei lá, vou ver se assisto de novo daqui a um tempo!

    Beijos

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