Silo, de Hugh Howey


Em 2011, Hugh Howey publicou um conto de forma independente pelo sistema Kindle Direct Publishing, da Amazon. Após o sucesso repentino da publicação e dos pedidos de leitores, ele decidiu expandir a sua história com mais quatro contos que, posteriormente, foram unidos como um único livro chamado Silo, que se tornou um best-seller, teve seus direitos comprados pelos estúdios 20th Century Fox e chegou às livrarias brasileiras em 2014, pela editora Intrínseca.

Silo nos apresenta a um futuro distópico e pós-apocalíptico em que, após guerras e destruição, a superfície terrestre se tornou tóxica e cheia de radiação, forçando os seres humanos a viverem embaixo da terra em uma estrutura semelhante a um silo (recipientes utilizados para o armazenamento de sementes e outros produtos agrícolas). Enclausurados, aqueles que vivem lá dentro estabeleceram uma nova sociedade, onde todos tem uma função e não devem questionar o sistema. Aqueles que comentem crimes ou demonstram o desejo de sair do silo são condenados e mandados para fora, onde morrem em poucos minutos. Suas mortes são captadas por câmeras externas e seus corpos ficam à deriva, decompondo e visíveis à todos os que estão no silo.

Pouco se sabe da vida antes do silo e das pessoas que viviam na superfície; perguntar sobre o passado pode ser visto como algo errado e levar à limpeza. Ao longo dos anos, o silo sofreu com vários levantes, que sempre foram controlados e seguidos pela paz. No começo da história, temos conhecimento das circunstâncias estranhas da morte de Holson, o xerife do silo. Com motivos para acreditar que algo muito ruim está para acontecer, a prefeita Jahns e o delegado Marns, partem para os níveis mais baixos do silo à procura de Juliette, uma mecânica que creem ser a melhor opção para o cargo de xerife.

Sem compreender o motivo de ser escolhida, mas acreditando poder ajudar seus amigos, Juliette aceita o novo emprego. Após alguns dias, mortes estranhas começam a acontecer e quanto mais ela tenta investigar a situação, mais misteriosas e complicadas as coisas ficam. Tudo piora quando é a vez dela de fazer a limpeza.

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Pouco sabia sobre o enredo de Silo quando iniciei a leitura, de forma que cada página foi uma surpresa. Logo no início, acompanhamos as últimas horas de Holston, o xerife do silo, e também somos apresentados a essa sociedade subterrânea e a sua forma de funcionamento. Apesar do ritmo lento e do detalhamento do começo, tudo me soava bastante intrigante e curioso, me fazendo querer continuar com a leitura. Porém, depois da página 100 as coisas se tornaram um pouco conturbadas e inconstantes.

O livro traz uma proposta interessante e que abre margens para discussões sobre política, controle de informação e manipulação de massas, porém, fiquei com a sensação de que a ideia poderia ter sido melhor executada. Sinto que o maior problema com Silo não é a história, mas sim a forma como ela é contada. A narrativa de Hugh Howey é simples e em terceira pessoa, porém extremamente enfadonha na maioria das partes, com descrições em excesso, repetitivas e desnecessárias. É cansativo ter que ler sobre cada movimento feito por um determinado personagem e nos momentos em que seria necessário um maior detalhamento, o autor opta por ser breve e deixa tudo um pouco confuso. Terminei a leitura sem conseguir visualizar muito bem o silo e a limpeza.

Há também a questão do desenvolvimento lento da trama. Juliette é a protagonista e a heroína da história, porém a sua estreia ocorre apenas no fim da segunda parte. Antes disso, o leitor acompanha páginas e mais páginas da jornada da prefeita e do delegado pelas escadas do silo, carregada das já mencionadas descrições enfadonhas. Não que nada de interessante aconteça neste momento da trama, mas é bastante claro que um número menor de caracteres teria sido uma escolha melhor, já que faz com que o leitor perca o interesse pela leitura.

Os personagens são interessantes, mas pouco cativantes. Desde a primeira aparição de cada um deles, já fica claro quem é vilão e quem é mocinho; não há espaço para especulação ou desenvolvimento de camadas. Por conta deste aspecto, suas ações são bastante previsíveis e somadas à narrativa cansativa, resultam mais uma vez em motivos para o leitor não querer continuar com a leitura. Há também um pouco de romance, mas a forma como é introduzido não me convenceu, já que tudo ocorreu meio que abruptamente, com pouco desenvolvimento, de forma que ficou parecendo sem propósito e até meio contraditório.

Sinceramente, meu interesse pelos acontecimentos só voltou a surgir no final da quarta parte, lá pela página 300. A partir deste ponto, a história começa a ficar interessante, com reviravoltas e um ritmo mais agitado. O final é satisfatório, ainda que deixe algumas questões em aberto, principalmente sobre o funcionamento do silo. Porém, por se tratar de uma trilogia, acredito que essas dúvidas deverão ser respondidas nos próximos livros. Ainda que seja a primeira de três partes, Silo traz uma conclusão e fecha um arco, deixando alguns ganchos para o que virá. 

A leitura de Silo, para mim, não foi uma experiência prazerosa, por isso ainda não sei se irei ler suas continuações. Ainda assim, gostei da proposta e acredito que o livro possa agradar a muita gente; uma rápida pesquisa no Skoob e no Goodreads mostra que faço parte de uma minoria. Assim, recomendo que aqueles que tem interesse pelo livro pesquisem outras opiniões antes de decidirem se irão ler ou não. 

Livro enviado pela editora em parceria com o blog.

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