2015, este ano difícil e do qual eu não via a hora de me despedir, finalmente chegou ao fim! Mais uma vez agradeço a cada um que me acompanhou em 2015 e que, de alguma forma, me motivou a continuar a registrar e compartilhar as minhas aventuras como leitora por mais um ano. E caso você tenha perdido alguma coisa, deixo aqui a lista com tudo o que li:

01. Alta Fidelidade, de Nick Hornby | resenha 
02. Noah foge de casa, de John Boyne | resenha
03. 13 incidentes suspeitos, de Lemony Snicket | resenha 
04. O garoto no convés, de John Boyne | resenha
05. Annie, de Thomas Meehan | resenha
06. O filho de Netuno (Heróis do Olimpo #02), de Rick Riordan 
07. Astronauta Magnetar, de Danilo Beyruth 
08. Objetos cortantes, de Gillian Flynn | resenha (texto + vídeo)
09. Razão e sensibilidade, de Jane Austen | resenha (texto) | vídeo
10. Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie | resenha (texto + vídeo)
11. O livro selvagem, de Juan Villoro | resenha (texto + vídeo)
12. A casa assombrada, de John Boyne | resenha
13. As aventuras de Robin Hood, de Alexandre Dumas | vídeo-resenha
14. A droga da obediência, de Pedro Bandeira | vídeo-resenha
15. Viva a música!, de Andrés Caicedo | vídeo-resenha
16. Por lugares incríveis, de Jennifer Niven | vídeo-resenha
17. A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi | resenha
18. A noiva fantasma, de Yangsze Choo | vídeo-resenha
19. Stoner, de John Williams | resenha
20. Androides sonham com ovelhas elétricas?,  de Philip K. Dick | resenha (texto + vídeo)
21. Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman | resenha
22. Assassinato no campo de golfe, de Agatha Christie | resenha
23. O gigante enterrado, de Kazuo Ishiguro | resenha (texto + vídeo)
24. O cantor de tango, de Tomás Eloy Martínez | resenha
25. Middlesex, de Jeffrey Eugenides | resenha
26. Til, de José de Alencar 
27. O sol é para todos, de Harper Lee | resenha (texto + vídeo)
28. Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
29. A tumba e outras histórias, de H.P. Lovecraft | resenha
30. Matilda, de Roald Dahl | resenha
31. Sonhos partidos, de M.O. Walsh | resenha
32. Bidu: Caminhos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho
33. A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin | vídeo-resenha
34. O homem do terno marrom, de Agatha Christie
35. Um conto de natal, de Charles Dickens | resenha (texto + vídeo)
36. A Marca de Atena de (Os Heróis do Olimpo #03), de Rick Riordan
37. O Palácio da Meia-Noite (Trilogia da Névoa #02), de Carlos Ruiz Zafón 

Contos: 
01. Natal na barca, de Lygia Fagundes Telles | comentário
02. Dia de folga,  de John Boyne 
03. O gigante egoísta, de Oscar Wilde 

E nesta playlist você pode encontrar todos os vídeos de 2015.





"Um conto de natal" é aquele tipo de história que todo mundo conhece mesmo sem ter contato com o material original. Eu, por exemplo, conheci a história do avarento Scrooge quando era criança por meio de uma adaptação em animação da Disney, na qual os personagens de Dickens são ~interpretados~ por Mickey, Pateta, Tio Patinhas (inspirado no verdadeiro Scrooge) e cia. Porém, em 2015, decidi que já era hora de conhecer a história de Dickens pelas palavras do próprio. E não me arrependi, pois o livro é tudo isso que dizem que é.
Publicado em 1843, "Um conto de natal" apresenta o leitor à Ebenezer Scrooge, um senhor ranzinza e amargurado que odeia o natal, só pensa em trabalhar e explorar o seu funcionário, Bob Cretchit. Porém, na noite da véspera de Natal, Scrooge recebe a visita do fantasma de seu antigo sócio, Jacob Marley, que não pode descansar em paz por não ter sido generoso em vida.

Marley diz que Scrooge ainda pode se salvar e lhe informa que naquela noite três fantasmas o visitarão: os fantasmas do Natal Passado, do Natal Presente e do Natal Futuro. A partir das visitas dos fantasmas,da interação de Scrooge com os mesmos e das situações que ele presencia, Dickens apresenta o leitor à reflexões acerca do verdadeiro significado do natal.
Aos olhos atuais, o enredo pode até parecer previsível, óbvio e, talvez, batido. Mas precisamos lembrar que Charles Dickens escreveu "Um conto de natal" no século XIX e, a partir disso, ajudou a moldar o imaginário coletivo ocidental do Natal. O conto permanece um clássico por conta de seu caráter atemporal e universal - pois aqui não há menção a religiões e aos valores que estas atribuem ao natal. É muito fácil se identificar com a mensagem que Dickens quis transmitir com a busca por redenção de Scrooge e ao enfatizar a importância das boas ações e do amor ao próximo não apenas no natal, mas durante o ano todo.

A narrativa envolvente e divertida de Dickens dispensa comentários, pois é uma delícia de ler. Hoje sei que preciso ler mais deste autor tão querido por tanta gente. Apesar de complementar o post com a foto da minha edição lindinha da Collector's Library, li a edição em português publicada pela L&PM e que traz a tradução de Carmen Seganfredo e Ademilson Franckini; gostei bastante e recomendo. E caso você ainda não tenha lido "Um conto de Natal", por favor, leia. Prometo que não irá se arrepender.






2015 já está caminhando para o seu fim e, no que diz respeito a leituras, confesso que estou me arrastando. E isso está acontecendo porque estou cansada e não sinto aquela vontade urgente de ler. Assim, optei por não ler um romance de natal este ano, mas sim alguns contos. Como o tempo está corrido e não sei se conseguirei fazer todos os vídeos que quero até o fim do ano, vou registrar as minhas impressões dos contos por aqui. E já que eles são curtos, não irei fazer resenhas aprofundadas, mas sim tecer comentários sobre os mesmos.

O primeiro conto que escolhi para este natal foi "Natal na barca", de Lygia Fagundes Telles (o conto está na coletânea "Antes do Baile Verde", publicada pela Companhia das Letras, mas você pode ler aqui). Não é de hoje que tenho interesse em conhecer a obra da autora e agora finalmente posso dizer que já li algo que ela tenha escrito e que gostei a ponto de querer conhecer mais.

Como indicado pelo título, o conto é ambientado em uma barca durante a noite da véspera de natal. São quatro as pessoas que lá se encontram: um velho bêbado, uma mulher com uma criança de colo e a narradora; nenhum deles tem seu nome revelado. Já no início, podemos perceber que a narradora é uma mulher solitária e que gosta disso, preferindo não quebrar o silêncio da viagem com o início de uma conversa.

Porém, sem compreender muito bem o porquê, ela inicia um diálogo com a outra mulher à bordo. A princípio, ambas discorrem sobre assuntos corriqueiros, mas aos poucos a mulher começa a falar sobre a sua vida, suas decepções e sua fé em Deus. Ao longo da leitura o leitor nota que a narradora é uma pessoa cética, por isso, sua forma de pensar contrasta com a de sua interlocutora. Antes de chegar ao desfecho, o conto apresenta uma situação que "brinca" um pouco com a percepção do leitor - e da narradora -, ao não deixar claro se o que ocorreu teria alguma influência divina, se seria algum tipo de milagre de natal.

O conto é bem curto e fácil de ler, pois traz uma narrativa bastante fluida e envolvente. O que mais gostei foi o caráter ~duvidoso~ dos acontecimentos, já que estes são narrados em primeira pessoa e aparecem carregados de impressões subjetivas, o que torna impossível confiar 100% no que é descrito.


Há algum tempo perguntei lá no Instagram qual das minhas leituras mais recentes alguns de vocês gostariam de ver lá no canal e, sem margem para empate, "Razão e Sensibilidade" liderou os pedidos. Demorei um pouco para gravar (me desculpem!), mas as minhas impressões sobre o primeiro livro publicado por Jane Austen já podem ser conferidas também em vídeo.

 

Minha leitura de "Razão e Sensibilidade" foi feita em duas edições, uma em português (da Martin Claret, que vocês podem conferir no post com a resenha escrita) e uma em inglês, publicada pela Sterling e vendida pela Saraiva. Essa coleção reúne vários clássicos da língua inglesa e traz todos os romances da Jane Austen. Acho a edição linda e caprichada (capa dura, jacket, páginas amareladinhas), por isso resolvi tirar umas fotos para mostrar para vocês.

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Além do romance, a edição traz introdução e notas de Jennifer C. Garlen, uma breve biografia da autora, notas explicativas, uma lista de obras baseadas no livro e recomendações de outras leituras.



"Sonhos partidos", lançamento recente da editora Intrínseca, é o romance de estreia do estadunidense M.O. Walsh. Ambientado em Baton Rouge, a capital do estado da Louisiana, durante os anos 1980, o romance é uma mistura de drama, mistério e história sobre amadurecimento.

O narrador, que nunca nos revela seu nome, resolve contar a alguém os acontecimentos que marcaram a sua vizinhança durante o verão em que ocorreu a sua transição da infância para a adolescência. Woodland Hills é o típico bairro de subúrbio, com casas que trazem belos gramados, crianças que brincam nas ruas e um clube no qual as famílias sorridentes deixam claro que vivem uma vida perfeita. Pelo menos é o que parece.

No verão de 1989, a adolescente Lindy Simpson é estuprada próximo de sua casa e o acontecimento, além de chocar a vizinhança à procura de suspeitos, evidencia que até aquele que parece ser o mais tranquilo dos lugares pode ser palco para pesadelos. O narrador, apaixonado por Lindy desde quando os dois eram amigos de infância, se torna um dos suspeitos do crime, ao lado de um vizinho encrenqueiro e um psiquiatra violento.

A narrativa envolvente - para mim, o melhor aspecto do livro - é feita anos mais tarde, o que torna a visão de tudo o que ocorreu um tanto lúdica, incerta. Apesar das investigações, a polícia nunca encontrou pistas conclusivas, de forma que o crime nunca foi solucionado. Porém, mesmo depois de anos, o narrador não consegue deixar de pensar no assunto e de tentar encontrar o culpado revisitando suas memórias da juventude com um olhar adulto. Neste ponto, me lembrei bastante de "As virgens suicidas", de Jeffrey Eugenides, um dos meus livros favoritos da vida.
Apesar de parecer o enredo de um thriller policial, "Sonhos partidos" se aproxima mais do drama. Muito mais do que focar na busca por um culpado, o narrador se preocupa em mostrar como a vida de Lindy se transformou depois do ocorrido e de como tudo isso repercutiu na vida cotidiana dos subúrbios de uma cidade pequena. Ele também nos conta um pouco de sua própria história, recordando o dia em que seu pai saiu de casa e os momentos conturbados que vieram depois disso; o distanciamento de sua mãe, que parecia acreditar que ele seria capaz de cometer o crime contra Lindy; os amigos e colegas que tinha na época; a relação com suas irmãs.

Durante toda a leitura, enquanto acompanhava, pela perspectiva do narrador, o desenrolar dos fatos em Batom Rouge, senti uma sensação de melancolia. Não pude deixar de pensar em como certos acontecimentos e/ou ações são capazes de alterar completamente os rumos de nossas vidas, assim como as nossas percepções de mundo. Algumas experiências nos fazem enxergar a vida de forma diferente e, uma vez que isso acontece, não podemos mais voltar a ser o que éramos. Ainda assim, apesar do tom pessimista, o autor conclui o livro de forma esperançosa.

"a vida é feita, cada vez mais, daquilo que você não pode mudar" (P.142)

"Sonhos partidos" se mostrou bem diferente do que eu imaginei quando li a sinopse, porém, se revelou uma grata surpresa e, possivelmente, um dos meus livros preferidos do ano. Leitura recomendada!

 

Livro cedido pela editora em parceria com o blog.


Há mais de um ano resolvi iniciar por aqui um projeto chamado The Austen Adventures, que propõe que a gente leia todas as obras de Jane Austen e, se possível, assista algumas de suas adaptações para o cinema e/ou a televisão. Como muitos dos projetos que a gente começa na empolgação, este ficou um pouco abandonado; porém, como tenho como meta a leitura de toda a obra de Jane Austen, resolvi trazê-lo de volta das cinzas e apresentá-lo lá no canal também.


Aproveito este momento para fazer uma correção. Inicialmente, a minha intenção era realizar a leitura em ordem cronológica, porém, percebi que me enganei e comecei o projeto pelo livro errado, "A Abadia de Northanger", quando deveria ter iniciado com "Razão e Sensibilidade". Ao que tudo indica, mesmo que "A Abadia de Northanger" tenha sido publicado de forma póstuma, a história é um dos primeiros escritos de Austen. Ainda assim, "Elinor & Marianne" - o primeiro título de "Razão e Sensibilidade" - consta como o início da carreira da autora. Penso que a confusão não irá atrapalhar o projeto, pois "A Abadia de Northanger" é considerado por muitos - por mim também, inclusive - como um livro diferente da autora.
Abaixo você pode conferir a ordem cronológica em que os livros de Jane Austen foram escritos (ignorando as datas de publicação e levando em consideração a ordem em que ela começou a escrever):

Juvenília 
Razão e Sensibilidade
Orgulho e Preconceito
A Abadia de Northanger (foi publicado após a morte de Jane)
The Watsons e Lady Susan (o primeiro ficou inacabado; ambos foram publicados postumamente)
Mansfield Park
Emma
Persuasão
- Para mais informações sobre a cronologia, clique aqui.

Acessando a primeira postagem do blog sobre o projeto, é possível encontrar a lista de obras já assistidas, lidas e resenhadas. De acordo com a cronologia, a próxima leitura (no caso, uma releitura) que realizarei é "Orgulho e Preconceito"; isso deve acontecer no início do ano que vem. Avisarei a todos pelas redes sociais. E para quem gosta de me acompanhar pelo YouTube, já aviso que em algumas horas o vídeo sobre "Razão e Sensibilidade" já estará disponível; então corra e se inscreva para não perder. ;)



Pois bem, estamos em outubro e, desde sempre, para mim este mês significa duas coisas: dia das crianças e dia das bruxas. Pensando na realidade de blogs e canais literários, outubro significa buscar livros infantis e de terror. Assim, hoje trago minhas impressões sobre a minha primeira escolha: "Matilda", livro de 1988 escrito por Roald Dahl.

Matilda é uma garotinha de cinco anos que parece um peixe fora d'água aos olhos de quem analisa a sua família. Seus pais e irmão são mesquinhos e indiferentes; são pessoas vazias, fúteis e que não enxergam a educação como algo benéfico. Incompreendida, por vezes solitária, Matilda se descobre leitora e encontra refúgio nos livros. Após aprender ler sozinha com a ajuda de um livro de receitas de sua mãe, Matilda resolve ir até a biblioteca e, para a surpresa da bibliotecária, devora clássicos da literatura. Em sua lista estão títulos como "As vinhas da ira", "O velho e o mar", "Jane Eyre", "A revolução dos bichos", entre outros. 

Logo que chega à idade adequada, a menina passa a frequentar a escola, assistindo as aulas da Srta. Mel - uma mulher doce e que logo percebe que Matilda é especial -, que logo se mostram muito básicas para a sua capacidade. Ela também terá que lidar com a Sra. Taurino, a diretora da escola que odeia crianças e parece fazer de tudo para atormentá-las e/ou agredi-las. 

Conheci "Matilda" ainda durante a minha infância por meio da adaptação cinematográfica de 1996. Apesar de ser um favorito da Sessão da Tarde, não me lembro de ter assistido muitas vezes, de forma que nem tudo sobre o enredo permanecia em minha memória. "Matilda" é uma leitura leve e com uma narrativa simples, marcada pelo humor. É uma ótima opção para os pequenos leitores, pois, além de trazer uma história divertida, os apresenta à uma protagonista leitora e que enxerga nos livros uma forma de entretenimento. Assim, penso que o livro é um incentivo à leitura; até porque o narrador cita vários livros que Matilda leu, deixando o leitor com vontade de lê-los também. Aqui estão alguns dos que consegui anotar durante a leitura:

- O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett
- Grandes EsperançasOliver Twist , Sr. Pickwick e Nicholas Nickleby, de Charles Dickens
- O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, de C.S. Lewis
- Jane Eyre, de Charlotte Brontë
- Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
- Tess, de Tom Hardy
- Kim, de Rudyard Kipling 
- O homem invisível, de H.G. Wells
- O velho e o mar, de Ernest Hemingway
- O som e a fúria, de William Faulkner
- As vinhas da ira e O potro vermelho, de John Steinbeck
- Os bons companheiros, de J.B. Priestley
- O condenado, de Graham Greene
- A revolução dos bichos, de George Orwell 

Outro aspecto que me agradou é o fato de que Roald Dahl não subestima seus leitores. Engana-se aquele que pensa que por se tratar de uma história infantil "Matilda" é cheio de fofura. Os pais da menina são pessoas desprezíveis: a mãe defende a ideia de que uma menina não deveria ler, pois homens não se interessam por isso. Já o pai gosta de tirar vantagem de tudo e vive de um trabalho desonesto. Os dois demonstram pouco interesse pela filha e não conseguem compreender como ela pode preferir ler a assistir televisão. O pai, em um dos trechos mais revoltantes e tristes,destrói um dos livros de Matilda para forçá-la a ser como ele. 

Encaro os pais de Matilda como vilões mais assustadores do que a Sra. Taurino, porque sabemos que pessoas com estes tipos de pensamento são reais e me entristece pensar na quantidade de crianças que poderiam ter se tornado leitoras, mas que por falta de incentivo ou até crítica dos pais, acabaram perdendo o interesse pela leitura. A Sra. Taurino, apesar de malvada, é um pouco mais caricata. Claro que isso não a torna menos desprezível aos olhos dos leitores.
De forma geral, gostei de "Matilda", mas, como de costume, sinto que teria aproveitado muito mais a leitura quando era criança; principalmente por ser fácil de se identificar com a protagonista. Quanto ao desfecho, creio que seja diferente daquele encontrado no filme; ainda assim, é um final satisfatório. Leitura recomendada para todas as idades.


Doctor Who voltou com uma nova temporada e, pela primeira vez desde o natal de 2013, estou bem empolgada com a série, que já mandou bem logo na estreia com um episódio em duas partes muito bom. Capaldi parece ter encontrado o seu Doutor e Clara, The Impossible Girl, continua adorável, como sempre (que nem a adorável Jenna Coleman). Aproveitando o retorno da série, decidi espalhar um pouco o meu amor whovian respondendo a Doctor Who TAG, na qual falo um pouco sobre as minhas preferências no universo da série.


Dos muitos nomes que entraram para a minha lista de leituras por conta do booktube, H.P. Lovecraft é sem sombra de dúvidas um dos mais antigos. Mencionado normalmente ao lado de Edgar Allan Poe, Lovecraft se consagrou por escrever histórias aterrorizantes que fogem à nossa compreensão, misturando elementos de fantasia e ficção científica e, consequentemente, revolucionando o gênero de terror. Publicado no Brasil pela editora L&PM, "A tumba e outras histórias" reúne treze textos de H.P. Lovecraft que evidenciam as diferentes nuances do autor durante as fases de sua vida.

Na primeira parte - que soma oito escritos - , encontramos os melhores contos da coletânea, produzidos durante a fase madura da carreira de Lovecraft. É aqui que encontramos os aspectos de suas histórias que nos fazem ficar de cabelos em pé: criaturas diabólicas e sobrenaturais, construções assombradas e o terror psicológico e perturbador. Não vou mentir: as histórias com cara de filme de terror foram as que menos me impressionaram: "A tumba", "Ele", "A estranha casa que pairava na névoa" e "O clérigo diabólico" trazem o sobrenatural e o inexplicável como elementos para causar horror; aqui encontramos histórias que remontam ao passado, espíritos vingativos e obsessão mórbida pelo desconhecido. 

O conto "Aprisionado com faraós", que traz o maior número de páginas, é um híbrido entre diário de viagem e suspense aterrorizante. No início, o narrador se estende por longas descrições e explicações sobre o Egito e o terror fica por conta do final, quando novamente temos contato com o inexplicável. Apesar de ter um certo fascínio em relação ao Antigo Egito, este foi o conto de que menos gostei; ouso dizer que o achei bastante enfadonho. Em "O Festival" encontramos uma das primeiras histórias do chamado Cthulhu Mythos - a mitologia criada por Lovecraft - ao acompanhar o narrador durante as celebrações do Yule em uma cidade que parece ter parado no tempo.

Por fim, as minhas preferências nesta primeira parte: "Horror em Red Hook" e "Entre as paredes de Eryx". No primeiro conto, encontramos uma história de investigação que envolve loucura e folclore e nos conduz a um dos desfechos mais surpreendentes e assustadores da coletânea. O segundo, uma história de ficção científica, nos apresenta à uma realidade futurística, na qual a humanidade passa a explorar Vênus à procura de cristais. Nesta história, acompanhamos a jornada de um explorador que encontra um labirinto transparente e teme a presença de uma espécie primitiva.

***

A segunda parte, "Primeiras histórias", reúne textos escritos durante a adolescência de Lovecraft e já revelam um pouco do que viria a ser o estilo do autor. Ao todo, são cinco textos, dos quais vale a pena destacar "A fera na caverna" e "A transição de Juan Romero". No primeiro, o leitor é envolvido por suspense ao acompanhar a história de um homem que se perde em uma caverna escura e tem a constante sensação de estar sendo observado em sua solidão. Já no segundo, somos apresentados a dois mineradores que são surpreendidos por um poço sem fundo misterioso e que esconde algo aterrador.

Os demais contos desta parte não me impressionaram, apesar de se mostrarem interessantes e promissores. "O Alquimista" é uma história sobre vingança e feitiçaria, na qual somos apresentados a uma maldição que se arrasta por gerações de uma mesma família. Em "Poesias e os deuses", o jovem Lovecraft passou longe do terror e nos apresenta uma história com elementos da mitologia grega. Por fim, "A Rua", um conto diferente, nada assustador, mas criativo. Aqui, temos uma rua como protagonista e acompanhamos os acontecimentos que a marcaram ao longo dos anos.
Na terceira parte, temos acesso à quatro fragmentos - textos e notas - que Lovecraft escreveu com o intuito de transformar em algo maior, mas que nunca vingaram. O primeiro deles, "Azathoth", apesar de não explicitar no texto, faz referência ao Cthulhu Myhtos em seu título. Em "O descendente", há uma aparição do Necronomicon, famoso livro criado por Lovecraft e que faz parte da mitologia do autor, aparecendo em diversos contos. "O livro" inicia a história de um homem que recebe um livro antigo e misterioso que faz uma série de eventos estranhos ocorrerem. Por fim, "A coisa ao luar" resultou de um sonho de Lovecraft e serviu de base para um conto de J. Chapman Miske. Nenhum dos fragmentos apresenta um desfecho para suas histórias.

De forma geral, considero este meu primeiro contato com o trabalho de H.P. Lovecraft como estranho. Ainda que a coletânea traga textos escritos em diferentes épocas, pude perceber alguns padrões como características do autor e que não me agradaram completamente. Lovecraft é considerado um dos maiores escritores de terror, porém, não consegui sentir o medo, o horror, propostos em suas histórias. Acredito que isto tenha ocorrido por conta de sua narrativa, que considero bastante descritiva e lenta, talvez com o intuito de construir suspense, mas que para mim funcionou como uma forma de afastar o interesse. Falando de forma franca: achei a narrativa de Lovecraft cansativa. Ainda assim, fiquei impressionada com "Entre as paredes de Eryx", de forma que pretendo procurar mais escritos do autor voltados para a ficção científica. Por trazer alguns dos primeiros textos de Lovecraft, acredito que "A tumba e outras histórias" possa ser de maior interesse para aqueles que já conhecem e admiram o trabalho do autor.

Livro cedido pela editora em parceria com o blog.


Foi apenas depois de conhecer o booktube que ouvi falar pela primeira vez em Philip K. Dick e sobre o livro que deu origem a "Blade Runner - o caçador de androides", filme de Ridley Scott. Lembro de ter assistido a adaptação há anos, por sugestão de um professor, e de não ter compreendido muito bem. Felizmente, após a indicação da Mell, pude finalmente ter contatato com "Androides sonham com ovelhas elétricas?" e posso dizer que o livro é muito melhor. Ah, e agora posso também riscar mais um livro da minha lista TBR e dizer que cumpri uma das metas para este ano.

"Androides sonham com ovelhas elétricas?", de Philip K. Dick, foi publicado em 1968 e traz uma história ambientada no então futurístico ano de 1992. Após a Guerra Mundial Terminus, a Terra foi devastada e a maior parte da população migrou para outros planetas, como Marte, que são chamados de colônias. Aqueles que ficaram - divididos entre Normais e Especiais - vivem em meio a uma poeira radioativa que afeta seus genes, causando diversos problemas de saúde, entre eles, a infertilidade. Os Especiais são as pessoas que foram afetadas pela poeira e que, por isso, não podem deixar o planeta e vivem excluídos. 

A poeira também é responsável pela extinção de praticamente toda a vida terrestre, de forma que animais se tornaram artigos de luxo, capazes de conferir status a quem os possuir. A tecnologia, já bastante avançada, permitiu a criação de androides com o intuito de realizar serviços nas colônias. Parte máquinas e parte materiais biológicos, os androides atingem a cada novo modelo um patamar de semelhança - física e intelectual - com os seres humanos, de forma que é quase impossível distinguir um do outro. A principal diferença se encontra na capacidade de sentir empatia, exclusividade dos seres humanos. Ao longo das décadas, androides cansados da servidão fugiram para a Terra com o intuito de viver em liberdade, porém, ao chegar são encontrados pelos caçadores de recompensa que os "aposentam". 

Logo no início, o leitor é apresentado a Rick Deckard, um caçador de recompensas que vive com sua esposa em San Francisco e que, desde que sua ovelha verdadeira morreu, tem como principal objetivo a obtenção de um novo animal verdadeiro, pois acredita que isto irá agregar mais significado à sua existência e elevará o status de sua família. Enquanto esse dia não chega, ele vive de aparências com uma ovelha elétrica. Tudo indica que sua vida irá melhorar quando recebe uma nova missão: aposentar seis androides Nexus-6 fugitivos e receber um excelente pagamento por isso. Ao mesmo tempo em que segue com a história de Rick, o enredo também nos leva à J. R. Isidore, um especial que teve o seu QI reduzido pela poeira e vive solitário em um prédio abandonado e dominado pelo "bagulho" até o dia em que conhece Pris, uma das Nexus-6 procuradas por Rick.
Por meio de uma narrativa envolvente e direta, Philip K. Dick conduz o leitor por uma série de reflexões existenciais ao mesmo tempo em que levanta questões sobre avanços tecnológicos e científicos e até onde estes levarão a humanidade. Ao longo de toda a leitura somos apresentados à ideias, concepções e contradições que nos fazem perguntar o que de fato faz com que um ser seja considerado humano. São muitos os trechos em que Deckard age e pensa como um ser inanimado, quase como uma máquina programada para desempenhar uma função. Há também os momentos em que os androides se comportam de maneira quase humana, demonstrando sentimentos e ambições, como a vontade de viver e a busca por emoções.

Além desta questão principal, o autor também aproveita para fazer críticas à sociedade de seu tempo por meio do comportamento e de aspectos típicos da realidade pós-apocalípita de sua história. É assustador perceber que o que era criticado nos anos 1960 ainda se faz relevante hoje, como a ideia de ter para ser. No romance, Deckard, com o intuito de conseguir status social, faz o possível para que seus vizinhos acreditem que a sua ovelha elétrica é verdadeira, pois seria vergonhoso admitir que não tem dinheiro para comprar um animal. É fácil perceber forma de pensamento semelhante nos dias atuais, marcados pelo consumismo exacerbado e o exibicionismo em redes sociais. 

A ideia de escapismo - também bastante atual - é abordada na obra de duas formas: pela indução de sensações e pela religião. É possível observar que na sociedade criada por K. Dick há um certo vazio existencial e as pessoas, à procura de algum preenchimento espiritual, recorrem ao mercerismo - religião, na qual os adeptos fazem uma fusão por meio de um mecanismo chamado caixa de empatia. Nos dias em que está se sentindo triste, por exemplo, uma pessoa pode recorrer ao sintetizador de ânimo e em poucos minutos seu humor é alterado. E aqui encontramos mais semelhanças com a atualidade, quando muitas vezes nos anestesiamos para fugir da realidade.



De forma geral, gostei de "Androides sonham com ovelhas elétricas?", porém não irei negar que senti estranhamento e dificuldade de imersão ao longo da leitura. Acredito que isso tenha ocorrido porque - ainda! - não estou acostumada com ficção científica, que é um gênero que exige tempo para que o leitor consiga se entregar completamente ao que está escrito nas páginas. Também senti falta de mais informações e/ou explicações acerca do mercerismo, um conceito complexo e interessante que não ficou tão claro (pelo menos para mim). Ainda assim, penso que foi uma leitura válida, que me fez sair da minha zona de conforto e levantou questões interessantes. Com certeza vou procurar outras obras do autor.


No início deste ano, antes de viajar para Buenos Aires, fiz algumas pesquisas sobre a cidade, lugares que gostaria de visitar e também sobre filmes e livros para conhecer antes da viagem. Assim, esbarrei em um post do blog Viaggiando, em que Camila Navarro conta as suas impressões de "O cantor de tango", livro do argentino Tomás Eloy Martínez, publicado aqui no Brasil em 2004 pela Companhia das Letras. Infelizmente, não consegui ler a obra antes de viajar, mas pude ter a experiência de leitura há alguns dias e agora conto para vocês o que achei.

Em "O cantor de tango" somos apresentados à Bruno Cadogan, um acadêmico norte-americano que estuda uma tese de Jorge Luis Borges a respeito das origens do tango. Após seguir uma recomendação de seu orientador, Bruno vai para Buenos Aires, onde sai à procura do misterioso e lendário cantor de tango Julio Martel. Pouco se sabe a respeito do cantor que, por não gostar de intermediários entre a sua voz e o público, nunca gravou um disco. Suas apresentações não são agendadas, de forma que ocorrem em horários e locais inusitados. Aqueles que tiveram a oportunidade de ouvi-lo cantar afirmam que a sua voz é tão bela como - se não for melhor - a de Carlos Gardel.

Ao chegar a Buenos Aires, Bruno irá percorrer as ruas históricas da cidade e, com o intuito de conseguir assistir a uma das apresentações de Martel - que acredita-se estar muito velho e debilitado por sofrer de hemofilia -, tenta estabelecer um padrão no roteiro das apresentações do cantor. Por meio de seus passeios e visitas a construções antigas, o leitor é transportado por Buenos Aires através do tempo; ora nos dias atuais (a história é ambientada em 2001 e tem início pouco antes do fatídico 11 de Setembro), marcados por uma iminente crise econômica, ora nos séculos passados, marcados pela imponência da arquitetura de seus palácios muitas vezes comparados aos de Londres e Paris. 
"Estranhei que Buenos Aires fosse tão majestosa acima dos segundos e terceiros andares, e tão ruinosa no nível do chão, como se o esplendor do passado tivesse permanecido suspenso no alto e se negasse a descer ou a desaparecer". (pág. 17)
A narrativa é feita por Bruno, que conversa com o leitor e, por vezes, cede espaço para os relatos de pessoas com quem encontra pelo caminho. Por meio destes diálogos, o leitor tem acesso à história de Buenos Aires, ao passado de glória e também àquele que não foi documentado na esperança de que fosse esquecido. Mesclando realidade, ficção e fantasia, Tomás Eloy Martínez remonta a história de Buenos Aires desde a sua fundação, passando pelos anos de ouro do Tango entre as décadas de 1920 e 1940, depois pelo horror vivido durante as ditaduras militares que assolaram o país, até chegar aos anos 2000, tornando-se uma cidade globalizada, cheia de cafés e transformada em destino turístico, mas também marcada por manifestações, crise política e financeira e pessoas deixando a Argentina.
Na Argentina tem-se o hábito, já secular, de riscar da história os fatos que contradigam as ideias oficiais sobre a grandeza do país. Não existem heróis impuros nem guerras perdidas. Os livros canônicos do século XIX se orgulham do desaparecimento de negros de Buenos Aires, sem levar em conta que, ainda nos registros de 1840, um quarto da população se declarava mulata. (Pág. 67)
Um aspecto de que gostei no livro é o fato de o autor criar personagens e/ou histórias tão "reais" que me surpreendi ao descobrir que eram fruto de sua imaginação. Além do mítico Julio Martel - que evoca os tempos áureos, um período de glória de um povo que transpira cultura, em contraste com a realidade atual - o leitor vai se deixar levar, por exemplo, pela história da jovem Felicitás Alcantâra que encontra o seu mórbido destino no Palacio de Aguas Corrientes. Por meio da história inventada de um crime macabro e com ares de lenda urbana, o autor aproveita também para falar sobre a importância do palácio para o abastecimento de água da cidade. Através da também inventada Violeta Miller, o leitor pode ter contato com a triste realidade do tráfico de mulheres europeias realizado por cafetões judeus com o intuito de praticar exploração sexual nos bordéis da Buenos Aires do início do século XX.
Durante toda a leitura, pude perceber como Martínes manuseia as palavras de modo a fazerem com que o leitor obtenha as mais diversas sensações. Por vezes, me sentia encantada pela aura fantástica de Julio Martel e da boemia da Buenos Aires do passado, com suas ruas estreitas, monumentos e personalidades históricas. Em outros momentos, senti meu estômago embrulhar com as descrições de um matadouro de bois e como algumas das técnicas ali utilizadas foram aproveitadas para a tortura de pessoas durante os regimes militares. 

Há também um diálogo constante com a obra de Jorge Luis Borges, mais precisamente o conto "O Aleph", e com a ideia de labirintos e histórias que se bifurcam. Confesso que não percebi muitas das referências à Borges porque ainda não tive a oportunidade de ter contato com a obra do autor. Por isso, já aviso que "O cantor de tango" entrou para a lista de releituras e, assim que tiver contato com o trabalho de Borges, pretendo revisitar Buenos Aires através dos olhos de Bruno Cadogan. Por fim, acho importante mencionar que, apesar das poucas páginas, o livro tem um ritmo mais lento, como se não fosse escrito para ser devorado, mas sim sentido e aproveitado a cada parágrafo. Leitura recomendadíssima! 

Livro cedido pela editora em parceria com o blog.


Confesso que não sabia da existência de “Stoner” até assistir a um vídeo da Isa (Lido Lendo) em que ela fala sobre o interesse antigo que ela tinha pelo livro e de como estava feliz por finalmente poder lê-lo nesta nova edição. Os comentários positivos e entusiasmados da Isa me convenceram de que precisava conhecer o romance de John Williams, que chegou ao Brasil recentemente pela editora Rádio Londres.

Publicado nos Estados Unidos em 1965, “Stoner”, de John Williams, obteve um breve sucesso e caiu no esquecimento até 2003, quando foi redescoberto pela New York Review of Books e despertou o interesse de novos leitores. Desde então, o livro se tornou um best-seller em países europeus – como Itália, Alemanha, França – e agora chega ao Brasil pela primeira vez pela Rádio Londres, em uma edição acompanhada por um posfácio de Peter Cameron. 

O livro traz a história de William Stoner, um cara normal, com uma vida mediana e sem muitos acontecimentos marcantes. Como disse Tatiana Feltrin, ele “é um coadjuvante de sua própria vida”. Desde o início, o leitor já sabe que irá acompanhar o protagonista desde a sua juventude até o momento de sua morte. A graça está em descobrir o que acontece durante este período e as pessoas que irão cruzar o seu caminho. 

Narrada em terceira pessoa, a história tem início no fim do século XIX, com o nascimento de Stoner, sua criação simples no campo e o momento em que seus pais decidem o enviar para a universidade, onde deveria ingressar no curso de Ciências Agrárias. Era o início de um novo século, período cheio de promessas de progresso, e Stoner deveria utilizar seus novos conhecimentos para melhorar os negócios da família. Porém, após um momento de epifania em sala de aula, ele se dá conta de que o seu real interesse e futuro se encontram na literatura, nos livros e em suas histórias. Assim, sem avisar os pais, ele muda de curso e, em quatro anos, obtém a sua graduação, inicia o doutorado e passa a lecionar na mesma universidade.

O livro segue narrando os acontecimentos que marcaram a vida do protagonista - como um casamento conturbado e conflitos no ambiente de trabalho – e a impressão que fica para o leitor é a de que Stoner assiste a sua vida passar e não faz quase nada para alterar o curso dos acontecimentos; nem mesmo quando a situação é ruim. E, por mais que em alguns momentos haja identificação com o protagonista, penso que seja impossível ficar indiferente à indiferença dele. Seu casamento com Edith, por exemplo, fracassou antes mesmo de começar e, mesmo detestando a esposa, ele se permite ficar preso em um relacionamento desgastante sem tentar entender o que deu errado ou melhorar a situação. 

Já no que diz respeito ao seu trabalho como professor, ocorre o oposto e Stoner, que a princípio adota uma postura medíocre (posição esta que ele adota em praticamente tudo o que faz), passa a se interessar, a descobrir o que de fato quer ensinar e a se empenhar para que suas aulas sejam boas e disputadas. Percebemos que é por meio dos livros e de sua paixão pela literatura que Stoner sai, ainda que temporariamente, de seu constante estado de inércia e indiferença em relação ao mundo e passa a sentir. Os livros são os seus melhores amigos e se apresentam como um refúgio em uma vida amarga, uma existência marcada por possibilidades nunca concretizadas. 

Em termos de texto, ainda que o enredo se desenrole de forma lenta, a leitura flui bem. Há sim, em alguns momentos, o uso de metáforas que deixam a narrativa poética em alguns trechos, mas de forma geral, achei a escrita de John Williams bastante direta. Ele fala o que tem que falar sem rodeios. No entanto, preciso chamar a atenção para o fato de que "Stoner" parece ser um livro de camadas, diferentes nuances. Digo isso porque sinto que não consegui absorver tudo o que livro tinha para me dizer; por baixo de uma história aparentemente simples, muitos significados e reflexões estão econdidos. Assim, sinto que este é um livro que irei revisitar daqui a alguns anos e, possivelmente, interpretarei de forma diferente.

Livro cedido pela editora em parceria com o blog.


Não vou mentir: estou surpresa com o que resultou das metas de leitura que estabeleci para o mês de julho. Dos quatro livros principais que escolhi, consegui ler três e juro que pensei que ia mudar de ideia de forma completamente aleatória e não daria conta de nenhum. Com esse sentimento de ~vitória pessoal~ gostaria de dar continuidade à brincadeira e aqui estão as minhas metas literárias para agosto:


Mais uma vez começo o mês com uma leitura em andamento; desta vez, "Middlesex" de Jeffrey Eugenides, que iniciei durante a Maratona Literária de Inverno (#MLI2015), mas que optei por pausar na terceira semana de leituras. Apesar de estar gostando do livro, não sei se o mesmo é uma boa opção para uma maratona literária. Acho que faltam certa de 200 e poucas páginas e pretendo concluí-las ainda na primeira semana do mês.

O segundo da lista não saiu do lugar. Por conta de alguns imprevistos e motivos pessoais, acabei alterando um pouco as minhas metas de leitura, de forma que "O sol é para todos" acabou, mais uma vez, deixado de lado. Porém, juro que quero mudar este fato, pois estou ansiosa por esta leitura e farei o possível para realizá-la em agosto. Depois, quero ler "Nós", de David Nicholls, que me parece ser um romance/drama bem legal, leve e gostoso de ler.

Outra escolha é "A tumba e outras histórias", de H.P. Lovecraft, que recebi da L&PM, e me deixa bastante curiosa. Como o livro reúne contos, penso em intercalar a leitura deles com a dos outros livros. Como tenho algumas leituras iniciadas e pausadas, resolvi que vou tentar concluir pelo menos uma delas por mês e a escolha para a gosto é o clássico brasileiro "Til", de José de Alencar. Iniciei a leitura em junho, estava adorando e não sei por qual, razão não terminei de ler. Por fim, temos "A Guerra dos Tronos", que estou lendo devagar para matar a saudade de Westeros, Game of Thrones e Jon Snow; assim, vou ler só alguns capítulos durante o mês, ok?

Novamente, vale lembrar que não garanto que lerei todos os livros que coloquei na meta. Como já disse algumas vezes, mudo de ideia em relação a isso ao longo do mês; ainda assim, farei o possível para ler alguns - ou todos! - dos livros escolhidos, ok? No fim do mês a gente vê o resultado. \o/



É sempre assim, quando sinto que vou entrar em ressaca literária e/ou estou desmotivada com as minhas leituras, basta pegar um livro da Agatha Christie para me sentir curada deste mal. A semana passada foi conturbada para mim, não consegui ler o tanto que queria para a #MLI2015 e já estava pensando em desistir, quando decidi começar a leitura de "Assassinato no campo de golfe", terceiro romance da rainha do crime e o segundo com o famoso detetive belga Hercule Poirot.

Narrado em pelo capitão Hastings, o mistério tem início quando Hercule Poirot recebe uma carta de monsieur Renauld, um bilionário sul-americano, solicitando os seus serviços com bastante urgência e informando, sem muitos detalhes, que a sua vida está em risco. Intrigado, Poirot resolve partir para a França, onde seu futuro cliente vive. Ao chegar, ele nota que há algo de errado e é logo informado de que monsieur Renaul está morto. Fora assassinado na última madrugada com uma punhalhada nas costas e seu corpo fora deixado no campo de golfe próximo a sua residência. 

Surpreso e com a impressão de que há algo muito familiar neste caso, Poirot, fazendo uso de suas "células cinzentas", irá juntar as peças do quebra-cabeças que era a vida de monsier Renauld, buscando por motivos e suspeitos até que chegue ao verdadeiro culpado. Mas antes ele terá que enfrentar depoimentos contraditórios e a presença de Girauld, um renomado detetive francês com métodos de investigação bastante questionáveis e que parece determinado a chegar à uma conclusão sobre o caso antes de Poirot. 

Com uma narrativa envolvente e intrigante - como já era de se esperar de Agatha -, "Assassinato no campo de golfe" é um dos casos que mais gostei de ler. A investigação - cheia de detalhes, pistas (verdadeiras ou não) e personagens que prendem a atenção - torna impossível largar o livro até que se revele o desfecho. O caso, creio que um dos mais complicados que Poirot já encontrou, traz muitas reviravoltas, de forma que a chance de ser surpreendido no final é muito grande. Confesso que, como sempre, tentei investigar junto e errei. Aliás, mesmo com todas as pistas, não cheguei nem perto de descobrir o verdadeiro culpado. Ah, é neste livro que uma personagem é introduzida na vida do capitão Hastings.
A minha edição é a mais recente lançada pela editora Globo Livros, que traz uma capa bem bonita e atraente para os novos leitores, além das amadas páginas amareladas. A diagramação é satisfatória, assim como o tamanho da fonte. Porém, vale atentar para o fato de que alguns erros de revisão passaram; ainda assim, não chega a ser algo que vá atrapalhar a leitura. 

Por fim, fica aqui mais uma dica de um livro bem legal da Agatha Christie e que, creio, pode funcionar muito bem para aqueles que nucna tiveram contato com o trabalho da autora. 


Quando comecei a fazer parte da comunidade booktuber vários autores se tornaram de meu conhecimento, ainda que nunca tivesse lido nada que tivessem escrito. Um destes autores era o japonês Kazuo Ishiguro, famoso pelo livro "Não me abandone jamais" (2005). Finalmente pude ter contato com a sua obra e o livro escolhido foi "O gigante enterrado", primeiro lançamento do autor em dez anos e publicado recentemente pela Companhia das Letras.

Em "O gigante enterrado" - uma mistura de fábula e épico de fantasia - somos transportados para um passado mítico e lendário, na Idade Média de poucos anos após a morte do rei Arthur, em um contexto marcado pelos povos bretão e saxão, ogros, pássaros gigantes e fadas. Quando a história tem início, é um momento de paz entre os povos e o leitor é apresentado a Axl e Beatrice, um casal de idosos bretões que decidem abandonar a aldeia em que vivem para ir ao encontro de seu filho - de quem não se lembram muito bem e com quem já não têm contato - em uma aldeia vizinha.

A região foi afetada por uma misteriosa névoa que faz com que a população sofra de um tipo de amnésia coletiva. Pessoas desaparecem e ninguém parece notar; discussões ocorrem e ninguém entende o porquê. Ao se sentirem negligenciados na comunidade da qual fazem parte e com um objetivo em mente, Axl e Beatrice saem em sua nova jornada e têm seus caminhos cruzados por uma série de personagens - incluindo um guerreiro saxão e um cavaleiro arthuriano - e acabam se envolvendo em uma missão que inclui monges malignos e a destruição de uma grande ameaça: um dragão.
O livro é dividido em cinco partes, com capítulos narrados - em sua maioria - em terceira pessoa e que apresentam as perspectivas de diferentes personagens. Apesar de bem escrito, trazer metáforas e fluir com facilidade, confesso que tive problemas com o texto de Ishiguro, que durante as primeiras 200 páginas me manteve presa à leitura, mas que depois começou a me incomodar por conta de uma narrativa que se tornou arrastada e repetitiva. Houve um momento em que não aguentava mais ler os diálogos entre Axl e Beatrice afirmando que iam encontrar seu filho na aldeia vizinha, ou que não se lembravam de uma determinada discussão que tiveram. O mesmo vale para os devaneios enfadonhos de Sir Gawain acerca de seu tempo como cavaleiro do rei Arthur.

Quanto aos personagens, não sei até que ponto gostei deles, porque todos me pareceram bastante unilaterais e sem profundidade, de forma que, mesmo em um universo fantasioso, não consegui acreditar neles. Ainda assim, torci por Axl e Beatrice e fiquei intrigada com Winstan (meu personagem preferido) e Edwin; o mesmo não digo em relação a Sir Gawain, que de uma forma geral, achei bastante irritante. 

Apesar de meu descontentamento com alguns aspectos, acho importante ressaltar que o livro trata de temas universais - como a perda da memória (tanto no aspecto literal, quanto de forma mais simbólica, como quando o tempo passa a parte da história é esquecida), a guerra e suas consequências, a morte e o arrependimento - e deixa margem para diversas reflexões. E ainda levanta uma questão interessante:

O que é melhor: apagar/esquecer o passado e viver feliz ou saber a verdade, recobrando lembranças dolorosas, e ter que viver com as consequências desta decisão?
Por fim, gostei da leitura de "O gigante enterrado", mas não sei se foi uma escolha sábia para iniciar o meu contato com o autor, já que esta foi a sua estreia no gênero de fantasia. Ainda que com ressalvas, recomendo a leitura para aqueles que gostam de histórias de fantasia à la "O Hobbit", mas com uma pitada de melancolia.



Exemplar cedido pela editora em parceria com o blog.


Confesso que não fazia ideia do tempo que passou desde que escrevi o último post sobre filmes assistidos. Nos últimos dois meses fui ao cinema e também assisti bastante coisa na Netflix, mas resolvi fazer uma seleção apenas com aqueles que assisti na telona, ok? Vamos lá!
Entre Abelhas (2015) | Direção: Ian SBF
Não sei o que há de errado em gostar do Fabio Porchat. Digo isso porque toda vez que vejo alguém falando sobre ele é para criticar de forma negativa. Particularmente, não morro de amores pelo Porta dos Fundos, mas não tenho nada contra o moço e até gosto de "Meu passado me condena". Em "Entre Abelhas" podemos encontrar uma faceta diferente do ator, mais distante do humor e mais próxima do drama. Há sim um pouco de humor, mas este aparece na medida certa.

Gostei da proposta do filme, que me prendeu desde o início e que me deixou curiosa para tentar entender o que estava acontecendo com o protagonista. O filme também atenta para o fato de que hoje as pessoas parecem viver apenas para si, em um estado de extremo egocentrismo e incapazes de enxergar qualquer coisa ou pessoa ao seu redor. O final também é bem interessante, sem cair em clichês e aberto para diferentes interpretações.

Jurassic World - O mundo dos dinossauros (Jurassic World, 2015) | Direção: Colin Trevorrow
Não vou mentir: esperava me decepcionar profundamente com este filme. Felizmente, ele acabou se revelando uma grata e nostálgica surpresa. Mais que apresentar o universo de "Jurassic Park" para uma nova geração, o filme faz uma homenagem recheada de referências ao filme de 1993.

A história é praticamente a mesma - afinal, a única diferença está no fato de que o parque finalmente foi inaugurado - e todo mundo já sabe como vai terminar, porém isto não quer dizer que a diversão será menor. Muito pelo contrário, tive a impressão de que virei criança novamente e vibrei de emoção ao ver os velociraptors e o T-Rex de novo em cena; também morri de medo do Inominus Rex, o novo vilão. Adorei o personagem do Chris Pratt, a criança esperta-mas-sem-ser-chata e seu irmão adolescente americano clichê e desinteressado até tudo se transformar em uma aventura. A única coisa que me incomodou foi a personagem da Bryce Dallas Howard, porque não entendi muito bem as alterações no comportamento dela e juro que gostaria de entender o porquê da decisão de fazer a mulher usar salto alto durante o FILME TODO. Inclusive para fugir do T-Rex. A trilha sonora, como era de se esperar, continua incrível e emocionante. Já estou ansiosa pela sequência.

Minions (2015) | Direção: Kyle Bada e Pierre Coffin
Ultimamente, parece que há uma revolta da parte de muita gente com esse excesso de minions, mas eu nem ligo, eu amo os minions! Logo, estava bem curiosa para saber como o filme ficaria e para saber a origem daquelas fofuras amarelinhas. No fim, achei...ok. Porém, creio que o problema não está só no filme em si, mas no trailer que praticamente conta o filme todo, inclusive as piadas. 

O roteiro não está perfeito, mas é divertido. Gostei de que pelo menos três minions tem nomes e a gente sabe diferenciar cada um deles (Bob <3). As referências pop também são bem legais, assim como a trilha sonora, que foi bem selecionada. Ainda assim, esperava mais e fiquei com a sensação de que algo estava faltando (provavelmente a Agnes, que ótima!). A vilã, apesar de bastante caricata, não traz carisma, como aconteceu com Gru. Enfim, é um bom filme, garante umas risadas, mas não chega aos pés dos filmes originais.

O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator: Genisys, 2015) | Direção: Alan Taylor
Antes de assistir a este filme é preciso ter em mente que tudo o que você conhecia de O Exterminador do Futuro será distorcido, porque é isso que acontece com viagens no tempo. Aqui temos algo meio parecido com o que acontece com o Marty McFly em De volta para o futuro 2, quando ele volta a 1985 e percebe que está tudo diferente de como ele lembrava. Sarah Connor não é mais aquela jovem inocente e assustada que precisa de proteção, muito pelo contrário, ela já sabe cuidar de si desde muito pequena. E a Skynet, mais uma vez, faz o possível para que o dia do Julgamento Final aconteça e chega, inclusive, a tomar medidas drásticas no que concerne a John Connor.

Gostei muito da escolha de Emilia Clarke para dar vida à Sarah Connor, já gostava dela em Game of Thrones (tá certo que a Khaleesi tá bem ruinzinha ultimamente) e acho que ficou muito bem no filme. O personagem do Matt Smith, que ninguém sabia muito o que seria, também foi uma boa revelação e adição à nova franquia; Arnold Schwarzenegger reprisa o seu papel de Terminator (porém, um tanto modificado) e satisfaz, como era de se esperar. Também gostei das novas camadas que Jason Clarke conferiu à John Connor. Meu único problema ficou por conta do ator escolhido para ser Kyle Reese, que não tem absolutamente nada a ver com o ator do filme original.

Cidades de Papel (Paper Towns, 2015) | Direção: Jack Schreier
Não é segredo para ninguém que meu livro preferido do John Green é "Cidades de papel" (leia a resenha); assim, estava muito ansiosa para ver como a adaptação tinha ficado e estou muito feliz por saber que o filme é bom. Em termos de adaptação, tudo está bem fiel, algumas alterações foram feitas, mas de forma geral, a essência está mantida (exceto por uma cena no início que faz sentido no livro e fica meio solta no filme). A principal diferença que encontrei está no tom das obras. Enquanto o livro parece trazer um tom mais sombrio e ~triste~, fiquei com a impressão de que o filme é mais leve, bem humorado. Ficou com cara de filme do John Hughes e, por isso, me fez sentir nostalgia. 

O elenco foi muito bem selecionado; Nat Wolff ficou muito bem como Quentin, e os atores que vivem Radar e Ben foram sábias escolhas. Meu problema ficou por conta de Cara Delevigne. Não acho que ela tenha interpretado mal, só acho que ela tem mais a ver com a Alaska, de forma que ficou faltando algo à sua Margo. Ainda assim, pode ter sido apenas impressão minha. A trilha sonora é ÓTIMA. Por fim, recomendo tanto a experiência de assistir ao filme, quanto a de ler o livro. Ambas se complementam.