2015 já está caminhando para o seu fim e, no que diz respeito a leituras, confesso que estou me arrastando. E isso está acontecendo porque estou cansada e não sinto aquela vontade urgente de ler. Assim, optei por não ler um romance de natal este ano, mas sim alguns contos. Como o tempo está corrido e não sei se conseguirei fazer todos os vídeos que quero até o fim do ano, vou registrar as minhas impressões dos contos por aqui. E já que eles são curtos, não irei fazer resenhas aprofundadas, mas sim tecer comentários sobre os mesmos.

O primeiro conto que escolhi para este natal foi "Natal na barca", de Lygia Fagundes Telles (o conto está na coletânea "Antes do Baile Verde", publicada pela Companhia das Letras, mas você pode ler aqui). Não é de hoje que tenho interesse em conhecer a obra da autora e agora finalmente posso dizer que já li algo que ela tenha escrito e que gostei a ponto de querer conhecer mais.

Como indicado pelo título, o conto é ambientado em uma barca durante a noite da véspera de natal. São quatro as pessoas que lá se encontram: um velho bêbado, uma mulher com uma criança de colo e a narradora; nenhum deles tem seu nome revelado. Já no início, podemos perceber que a narradora é uma mulher solitária e que gosta disso, preferindo não quebrar o silêncio da viagem com o início de uma conversa.

Porém, sem compreender muito bem o porquê, ela inicia um diálogo com a outra mulher à bordo. A princípio, ambas discorrem sobre assuntos corriqueiros, mas aos poucos a mulher começa a falar sobre a sua vida, suas decepções e sua fé em Deus. Ao longo da leitura o leitor nota que a narradora é uma pessoa cética, por isso, sua forma de pensar contrasta com a de sua interlocutora. Antes de chegar ao desfecho, o conto apresenta uma situação que "brinca" um pouco com a percepção do leitor - e da narradora -, ao não deixar claro se o que ocorreu teria alguma influência divina, se seria algum tipo de milagre de natal.

O conto é bem curto e fácil de ler, pois traz uma narrativa bastante fluida e envolvente. O que mais gostei foi o caráter ~duvidoso~ dos acontecimentos, já que estes são narrados em primeira pessoa e aparecem carregados de impressões subjetivas, o que torna impossível confiar 100% no que é descrito.


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