Recentemente assisti a um vídeo do Victor Almeida, do canal Geek Freak, em que ele fala brevemente sobre as séries de livros em sua vida; séries que ele leu, está lendo, pensa em ler e que abandonou. Gostei tanto da ideia que resolvi fazer um vídeo também. Dessa forma, deixo registrado para vocês as séries que li antes de criar o blog e o canal e também aproveito para me lembrar o que ficou meio abandonado ao longo do tempo. Assim, me decido sobre as séries que pretendo continuar e as que pretendo abandonar.

O resultado pode ser conferido no vídeo abaixo e logo em seguida coloquei os links para as resenhas (em vídeo ou em texto) de alguns dos livros mencionados.


Séries concluídas:

Harry Potter 

Percy Jackson e os Olimpianos

As Crônicas dos Kane

Elixir


Séries finalizadas mas que eu ainda estou lendo:

Trilogia da Névoa (Carlos Ruiz Zafón)

Heróis do Olimpo

As Crônicas de Nárnia
"O Sobrinho do Mago": Vídeo | resenha escrita
"O leão, a feiticeira e o guarda-roupa": Vídeo | resenha escrita
"O cavalo e seu menino": Vídeo | resenha escrita

A filha do louco
Resenha escrita: "A filha do louco" e "Her Dark Curiosity"

Fazendo meu filme


Séries que ainda não foram finalizadas e que eu estou lendo:

O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares

O Chamado do Cuco

Cemitério dos livros esquecidos (Carlos Ruiz Zafón)
Resenha escrita de "O jogo do anjo"

Séries abandonadas:

Silo

A Seleção

As peças infernais

***

E por enquanto é só! Penso em dar continuidade neste tipo de vídeo no futuro, meio que fazendo atualizações anuais das séries que concluí, iniciei ou que simplesmente continuei a ler. Veremos :)

Espero que tenham gostado do vídeo! Se sim, não deixem de se inscrever no canal para receber as próximas assim que forem publicadas. :)


Quando tinha 13 anos Juan teve que lidar com uma situação difícil e dolorosa: seus pais se divorciaram. Perdido, assistindo ao sofrimento de sua mãe, sem saber como agir e com raiva do pai, o garoto é enviado para a casa de um tio – na verdade, um primo distante de sua mãe -, onde deverá permanecer durante as suas férias de verão.

Tio Tito é um cara solitário que mora em uma casa antiga, enorme e cheia de cômodos. Ah, e ele tem uma obcessão peculiar: livros. Sua residência é, na verdade, uma grande biblioteca, pois em cada canto – na cozinha, na sala, nos quartos, nos banheiros, nas escadas, etc. – é possível encontrar livros. E a coleção trata dos mais diversos temas, que vão desde “os dentes das avós” até “como governar sem ser presidente”. Contrariado, Juan demora a se adaptar à vida na casa do tio Tito, achando-o um tanto excêntrico e estranhando seus hábitos, como beber chá de cachimbo incessantemente e desprezar qualquer tipo de barulho que interrompa suas experiências de leitura, o que o impede de ter um telefone em casa, por exemplo.

Aos poucos, o garoto começa a compreender a dinâmica da casa e se aventura pelas estantes, mesmo sem gostar de ler, à procura de algum livro que possa lhe interessar. Dividindo o seu tempo entre a leitura e fazer companhia para o tio, Juan recebe deste a missão de encontrar “O livro selvagem”, um livro misterioso, que não se permite ser lido e que está escondido na biblioteca. Para isso, ele irá contar com a ajuda de Catalina, uma garota que trabalha na farmácia da esquina e que compartilha com Juan a recém descoberta paixão pelos livros.

***

Falando de forma direta: amei “O livro selvagem”, que acredito ser uma das melhores leituras que farei em 2015. Juan Villoro conseguiu, em poucas páginas, apresentar uma história cativante, envolvente e capaz de fazer o leitor sorrir a cada virada de página. A leitura me proporcionou sensações semelhantes às que tive quando conheci dois dos meus livros preferidos: “A história sem fim”, de Michael Ende, e “A sombra do vento”, de Carlos Ruiz Zafón.
A narrativa – feita em primeira pessoa por Juan (o personagem) – é simples, fluida e bastante divertida. Por meio dos diálogos entre o protagonista com tio Tito, o autor aproveita para fazer referências e citar autores e livros conhecidos, como Julio Cortazar, “A metamorfose”, de Franz Kafka e “Moby Dick”, de Herman Melville. É também através destas conversas que Villoro tenta mostrar a importância e o poder dos livros para a vida de seus leitores.

Ao longo de toda a leitura é possível deparar com uma metáfora belíssima, em que o autor compara livros com remédios e livrarias/bibliotecas com farmácias. De acordo com tio Tito, pessoas doentes vão à farmácia procurando algum medicamento que as faça se sentirem melhor e o mesmo procedimento pode ser aplicado a uma visita a uma livraria ou biblioteca. As pessoas buscam livros que as deixem bem, dizendo aquilo que precisam escutar naquele exato momento. 

O enredo conta também, ainda que de forma sutil, com alguns elementos de fantasia que só o tornam ainda mais interessante. A biblioteca de tio Tito, por exemplo, traz livros que se movimentam quando ninguém os observa, mudando de lugar quando querem ser lidos ou não, podendo também escolher o leitor. Catalina, quando lê uma história, pode transformá-la em algo muito melhor. E há “o livro selvagem”, que se esconde nas sombras da biblioteca, pois não quer que ninguém o leia.
"Nada tem tanto caráter quanto um livro. Uma biblioteca é um 'almário': uma coleção de almas, sobrinho. Os livros se locomovem como as almas nos cemitérios, para se aproximar ou fugir de alguém". (p.35)

"(...) Há duas maneiras de um livro chegar até você: a normal e a secreta. A normal é aquela em que você o compra, ou alguém lhe dá ou empresta. Já a secreta é muito mais importante: nesse caso, é o livro que escolhe seu leitor. Às vezes, as duas maneiras se confundem. Você acha que decidiu comprar um determinado livro, mas na verdade foi ele que se colocou ali para que você o enxergasse e se sentisse atraído." (p. 37)

Quando faltavam poucas páginas para a conclusão do livro – que tem apenas 192 páginas, vejam só! -, fiquei triste porque não queria que a história chegasse ao fim. Ao mesmo tempo em que fiquei encantada com o universo da biblioteca do tio Tito, não pude deixar de me afeiçoar também aos personagens e acompanhar o desenvolvimento de suas histórias enquanto procuravam o livro misterioso. Gosto muito da forma como o autor foi construindo a relação entre Juan e o tio Tito e de como a literatura e o amor pelos livros se relaciona com tudo isso.

Acho difícil que um leitor apaixonado se sinta de forma diferente, pois “O livro selvagem” cativa o leitor, que se identifica com Juan descobrindo o mundo da leitura e o poder que os livros têm de nos tocar, nos ajudar e nos transformar. Por isso, a leitura é mais que recomendada; ainda que o livro seja direcionado à um público juvenil, a história é atraente para adultos também.

"Todo livro está adormecido até que um leitor o acorde. Dentro dele vive a sombra da pessoa que o escreveu". (p. 164)

Livro cedido pela editora em parceria com o blog.


Em Americanah o leitor será apresentado à história de amor de Ifemelu e Obinze, por meio da qual a autora trará à tona reflexões sobre as sociedades estadunidense e nigeriana. O livro tem início com a protagonista, Ifemelu, estabelecida há anos como uma blogueira de sucesso nos Estados Unidos, mas prestes a retornar à Nigéria, o seu país de origem. Em um salão de beleza, enquanto aguarda que as tranças de seus cabelos fiquem prontas, ela começa a recordar a sua vida até o momento e a pensar no seu futuro na Nigéria e no reencontro com Obinze, seu antigo namorado e com quem não tem contato há muito tempo. 

Ifemelu e Obinze se conheceram durante a adolescência, se apaixonaram e planejaram uma vida juntos, de preferência nos Estados Unidos, país que Obinze ama sem nunca ter conhecido. Após a entrada dos dois na universidade, a Nigéria sofre um golpe militar e uma sequência de greves se sucede, de forma que uma oportunidade se apresenta à Ifemelu: a possibilidade de ir para os Estados Unidos para viver com sua tia Uju e obter uma formação universitária. Ela decide aceitar e Obinze promete encontrá-la depois que terminar seus estudos. Porém, inexplicavelmente, uma ruptura ocorre entre os dois, que param de se falar.

Ao chegar aos Estados Unidos, Ifemelu se depara com diferentes choques de realidade, que vão desde a diferença climática entre o país e a Nigéria até a questão racial tão marcante na sociedade americana. Antes de se tornar uma imigrante, ela nunca tinha parado para pensar no que significa ser uma pessoa negra ou em racismo. Ela também vai perceber que para os americanos, de uma forma geral, a África não é um continente diversificado, mas um grande país; assim, não importa se você vem do Senegal, da Nigéria ou de Gana: você é africano e isso é o que te define.

É por meio das observações da protagonista – posteriormente registradas em um blog que ela criará – que o leitor procura as respostas para as questões “o que significa ser negro nos EUA?” e “o que é ser um negro não americano nos EUA?”. A partir destas questões e das reflexões por estas levantadas, Ifemelu irá tentar construir um panorama da sociedade americana, no que toca a questão racial, do ponto de vista de alguém de fora e que não consegue compreender a estrutura de uma sociedade que afirma não ser racista, mas que na prática se revela o oposto.

***

Quando soube da publicação de Americanah não tive meu interesse despertado de forma imediata e foi só depois de acompanhar a repercussão do livro - não só na blogosfera e no booktube, mas também na mídia “oficial”- que resolvi dar uma chance ao tão aclamado livro de Chimamanda Ngozi Adichie. Gostei do que encontrei, mas não tanto quanto esperava. 

Primeiramente, acho interessante explicar o título. O termo americanah é apresentado como uma expressão usada por Ifemelu e seus colegas de colégio para se referir aos nigerianos que iam para os Estados Unidos e retornavam cheios de afetações, com ares de superioridade e um sotaque americano forçado. A conotação é pejorativa, com uma sonoridade bastante exagerada (“americanaaaaaah”). Só entendi o título ao concluir a leitura e acho que foi uma sábia escolha, porque tem tudo a ver com a história. 

O livro é narrado em terceira pessoa e traz tanto a perspectiva do que ocorre com Ifemelu, quanto do que acontece com Obinze, de forma que o leitor sempre tem conhecimento de como está a vida de ambos, mesmo que os próprios personagens não o saibam. A estrutura da narrativa também é interessante, pois não é totalmente linear, iniciando no tempo presente e voltando aos tempos de adolescência dos personagens; a partir deste momento, os fatos passam a ser contados conforme eles vão ocorrendo, culminando com o momento em que Ifemelu finalmente retorna à Nigéria. Apesar do número de páginas – mais de 500! –, a leitura flui bem e pode ser concluída em poucos dias. A escrita da autora é envolvente e faz com que o leitor se sinta preso à história que está sendo contada.

Uma das características que mais me interessaram no livro é o fato de a autora se utilizar da história de Obinze e Ifemelu para tratar de questões sociais e culturais nigerianas e estadunidenses. Porém, é justamente neste quesito que meus problemas começam. Não há como negar que a autora aborda uma questão bastante importante ao tratar de raça nos Estados Unidos, no entanto, fiquei com a sensação de que em alguns momentos Chimamanda se tornou repetitiva e em outros perdeu grandes oportunidades de levantar discussões. O melhor exemplo, para mim, está no ocorrido relacionado ao sobrinho de Ifemelu, Dike, mais para o final do livro. Naquele ponto, a autora poderia – e deveria! – ter explorado o assunto, porém, pouco é dito e o próprio leitor fica sem entender muito bem o que aconteceu. 

Por outro lado, inúmeras são as observações feitas pela protagonista sobre os padrões de beleza impostos à mulheres negras, ou sobre como negros americanos tratam os negros não americanos com um certo ressentimento. Não estou dizendo que estas e outras questões relacionadas não são válidas, porque são. O incômodo foi causado por vê-las tantas vezes trazidas à superfície enquanto outras questões igualmente importantes foram deixadas de lado.

Outro empecilho para que eu amasse Americanah se encontra na história de amor entre Ifemelu e Obinze. Acredito que ambos se amaram no início do relacionamento, porém, depois da partida de Ifemelu para os EUA, algo mudou. Tanto no foco da narrativa, quanto nos próprios personagens. Assim, toda a tensão criada em relação ao retorno de Ifemelu à Nigéria não me convenceu, porque quando cheguei a este ponto da história, já não acreditava mais na relação deles como um casal. Os acontecimentos que sucedem o retorno da protagonista, assim como os outros relacionamentos que ela teve no decorrer de sua vida apenas me fazem ter mais certeza de que o que ela sentia por Obinze não era amor.

Ifemelu não me agradou. Inicialmente, sentia apenas indiferença em relação a ela, porém, com o virar das páginas, a protagonista foi se revelando intragável. Ifemelu é cheia de defeitos e isto a torna humana e real, porém também faz com que gere antipatia. O que mais me irritou/incomodou foi o fato de que ao longo de todos os anos que a acompanhamos, Ifemelu não evoluiu como ser humano, não amadureceu. É prepotente, egocêntrica, preconceituosa e extremamente incoerente. É uma americanah.

Por fim, o terceiro aspecto que me impediu de morrer de amores pelo livro se encontra no desfecho. Quando falta cerca de cinquenta páginas para a conclusão da história, há um obstáculo a ser vencido, porém, a autora prefere nos apresentar um panorama geral da situação imobiliária da Nigéria e entregar o final em apenas duas páginas. Logo, a conclusão foi corrida, mal elaborada ou explicada e completamente irreal. A sensação que ficou é a de que Chimamanda não queria mais pensar em um final e escreveu qualquer coisa apenas para contentar o leitor. 

Americanah se revelou um tanto pretensioso, gerando altas expectativas que não foram atingidas. É um bom livro? Sim. É uma leitura válida? Claro! É tudo isso que estão dizendo? Não, de forma alguma. Ainda assim, recomendo a leitura e provavelmente irei ler os demais trabalhos da autora (Meio sol amarelo e Hibisco Roxo, ambos publicados pela Companhia das Letras).

***
 
Livro cedido pela editora em parceria com o blog.