Certa vez, conversando com alguns colegas sobre as leituras que fizemos nos anos da escola, o nome Pedro Bandeira surgiu. Alguns deles tiveram que ler os livros de Bandeira no Ensino Fundamental e gostaram muito da experiência. Confesso que me senti excluída e privada de algo legal, porque, ao contrário de muita gente com a minha idade, eu não tive a minha pré-adolescência (este termo ainda é usado?) marcada pelos livros de Pedro Bandeira; acho que minha escola não adotava os livros dele...sei lá. O fato é que vivi até os 25 anos sem saber como são as histórias que ele escreveu, ou quem eram os Karas. 

Porém, durante uma visita à uma biblioteca, resolvi mudar esta situação e peguei emprestado um exemplar de "A droga da obediência", o livro que consagrou Pedro Bandeira e apresenta o leitor a Miguel, Crânio, Magri, Calu e Chumbinho - os Karas. Em "A droga da obediência" encontrei uma história com ares de filme da Sessão da Tarde, com uma turminha da pesada que vive altas aventuras e muitas confusões. O livro também levanta algumas questões interessantes sobre saúde (uso de drogas na adolescência) e ética; imagino que seja uma ótima leitura para ser trabalhada em sala de aula (lembrando que não sou professora e falo apenas com a experiência de aluna). No vídeo abaixo falo um pouco mais sobre a história e sobre a experiência de leitura.



Londres, Inglaterra, 1867. 

Eliza Caine é uma jovem professora que culpa Charles Dickens pela morte de seu pai e, consequentemente, por torná-la uma pessoa sozinha no mundo. Afinal, foi após a decisão de sair de casa em uma noite chuvosa e fria para assistir a uma leitura que Dickens faria na galeria Knightsbridge, que seu pai, um entomologista fascinado pela obra do famoso romancista, ficou ainda mais doente e faleceu. 

Sozinha e sem condições de pagar o aluguel da confortável casa em que vivia com o pai, Eliza responde a um misterioso anúncio em um jornal e se torna a nova governanta de Gaudlin Hall, propriedade localizada no condado de Norfolk. Ao chegar à mansão, ela nota, ao ser recebida pelas crianças das quais deverá cuidar, que há algo de estranho no local. Isabella se comporta de maneira muito formal e séria para uma garota de 12 anos e Eustace parece assustado; ambos escondem algo. E, aparentemente, não há nenhum adulto na casa. 

Sem muitas informações sobre quem fez o anúncio, ou sobre as crianças, Eliza resolve fazer perguntas às pessoas que vivem na região, mas todos se mostram bastante incomodados com a menção do nome Gaudlin Hall, se tornam frios e se distanciam. De volta à mansão, uma série de acontecimentos inexplicáveis se apresenta a ela: janelas impossíveis de serem abertas, cortinas que se movem sozinhas, uma estranha sensação de estar sendo observada. E seu desespero aumenta quando descobre que é a sexta governanta que a propriedade teve em menos de um ano. 

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De uma forma geral, gostei da leitura de “A casa assombrada”. O terror em si não foi o que mais me impressionou – tendo em vista que já li outros livros do gênero -, mas sim a forma como John Boyne conduz a história, com a criação de mistérios e a constante atmosfera de suspense. Durante a leitura fiquei o tempo todo com a sensação de que algo estava prestes a acontecer.
A narrativa, envolvente e fluida, é feita em primeira pessoa pela própria Eliza Caine, que com suas impressões dos acontecimentos faz com que o leitor se sinta inserido na história. Gostei de como ela se mostra determinada a entender o que está acontecendo e não se importa com até onde tenha que ir para chegar à verdade (mesmo que tenha que ferir a etiqueta e “se intrometer” na vida alheia). Mesmo que as pessoas fujam de suas perguntas e mudem de assunto, ela sabe que precisa proteger as crianças e não quer ter o mesmo destino das governantas anteriores. 

Além da clara referência a Charles Dickens, o livro me fez pensar em outros dois romances do século XIX. O enredo me lembrou bastante o de “A outra volta do parafuso”, de Henry James (resenha), tanto pelo fato de que ambos trazem governantas como as protagonistas e narradoras, quanto pelo fato de que as mansões em que as histórias acontecem parecem ser habitadas por espíritos. Acredito que a semelhança com o clássico de Henry James seja intencional. Em alguns trechos, a história também me fez pensar em “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë (resenha); não tanto pelo enredo, mas pelo elemento “casa-antiga-que-guarda-um-segredo”. 

Por ser ambientado no século XIX e narrado por uma mulher, o livro apresenta ao leitor um pouco de como era a realidade feminina daquela época, quando uma jovem de 21 anos podia trabalhar, mas o ideal mesmo era ter um marido. Eliza nunca se preocupou com namorados e, depois de terminar os estudos, se tornou professora. Em vários momentos ela é indagada por outras mulheres a respeito de casamento e se ela não pensa em ter filhos, apesar de não ser tão atraente. Mesmo constrangida com as perguntas, ela se mantém firme em sua decisão de ser independente, mesmo que isso desagrade algumas pessoas ao seu redor. Gosto do fato de a protagonista pensar de forma à frente de seu tempo.
No que diz respeito ao desenvolvimento da história, não vou mentir: achei bastante previsível. E talvez isso tenha acontecido justamente por já ter lido a obra de Henry James. Porém, vale a pena mencionar que as duas histórias trazem desfechos diferentes. Enquanto acho o final de “A outra volta do parafuso” muito bom, o mesmo não posso dizer do que ocorre nos últimos capítulos do livro de John Boyne. Achei tudo muito absurdo e, ouso dizer, mirabolante. Ainda assim, não acho que o final tenha ofuscado a obra como um todo. O livro é bem escrito e sua experiência de leitura é agradável, pois prende a atenção do leitor. Recomendo principalmente para dias frios.


Em abril consegui cumprir uma das minhas metas para este ano: assistir mais filmes. Tá certo que foi só depois de quatro meses, mas ok. De qualquer forma, estou feliz com o resultado porque, de uma forma geral, foi bem diversificado e dos seis filmes que assisti apenas um não me agradou. Logo abaixo vocês podem conferir os meus comentários (todas as sinopses foram retiradas do Filmow, exceto quando indicado).
O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos, 2009)
Direção: Juan José Campanella 

Sinopse: 
Após trabalhar a vida toda num Tribunal Penal, Benjamín Espósito se aposenta. Seu tempo livre o permite realizar um sonho longamente postergado: escrever um romance baseado num acontecimento que vivera anos antes. Em 1974, foi encarregado de investigar um violento assassinato. A Argentina entrava num ciclo de extrema violência política e a investigação colocou em risco sua vida. Ao escavar velhos traumas, Benjamín confronta o intenso romance que teve com sua antiga chefe, assim como decisões e equívocos passados. Com o tempo, as memórias terminam por transformar novamente sua vida.

Comentários: 
Não sei o motivo por trás da minha demora em assistir a este filme, mas estou feliz por finalmente ter feito isso. O enredo traz uma mistura dos gêneros policial, drama e romance que funciona muito bem para deixar tudo mais dinâmico e envolvente, capaz de prender a atenção do começo ao fim. A história, a princípio sobre uma investigação policial, começa a ganhar proporções muito maiores conforme o filme se desenrola até chegar ao final espetacular, do tipo que te faz rever a forma como você pensa em determinados assuntos. De maneira bastante sutil (ênfase em sutil, ok?) e bem menos perturbadora, o filme me proporcionou reflexões parecidas com as que tive quando assisti ao, também espetacular, “A pela que habito”, de Pedro Almodóvar. 

O elenco dispensa comentários de tão talentoso. Já tinha escutado comentários sobre Ricardo Darín e preciso dizer que tudo de positivo que falam sobre a atuação dele é verdade. Não sou conhecedora do cinema argentino e arrisco dizer que, talvez, “O segredo dos seus olhos” seja a minha primeira experiência na área, mas se tudo o que foi produzido recentemente na terra dos hermanos for tão bom quanto este filme, preciso conhecer mais e provavelmente começarei pelos filmes de Juan José Campanella.

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A origem dos guardiões (Rise of the Guardians, 2012)
Direção: Peter Ramsey

Sinopse:
As crianças do mundo inteiro são protegidas por um seleto grupo de guardiões: Papai Noel, Fada do Dente, Coelho da Páscoa e Sandman. São eles que garantem a inocência e as lendas infantis. Mas um espírito maligno, o Breu, pretende transformar todos os sonhos em pesadelo, despertando medo em todas as crianças. Para combater este adversário poderoso, a Lua designa um novo guardião para ajudar o grupo: Jack Frost, um garotinho invisível que controla o inverno. Sem conhecer sua própria vocação de guardião, ele embarca em uma aventura na qual vai descobrir tanto sobre as crianças quanto sobre seu próprio passado. 

Comentários: 
Pra começar, achei que este filme era aquele com umas corujas que nunca despertou meu interesse. Obviamente, estava enganada e aqui vai o meu obrigada à Netflix por me recomendar a animação da DreamWorks. O filme é inspirado na série de livros "Os Guardiões", de William Joyce. 

Adorei a ideia de os protetores das crianças serem justamente os personagens folclóricos que povoam o imaginário infantil - claro que alguns, como Sandman e Jack Frost são meio desconhecidos aqui nas terras tupiniquins -, assim como o vilão, o temido Bicho Papão. Gostei do tom humorado e do incentivo à imaginação que o filme traz. Ah, também morri de amores pelo jeito meio Peter Pan do Jack Frost. O filme me encantou tanto que assim que terminei de assistir na Netflix, corri no Submarino e comprei o DVD para fazer parte da minha coleção. Desde então, já assisti três vezes. Recomendado para crianças e adultos.

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Ela (Her, 2014)
Direção: Spike Jonze

Sinopse: 
Em um futuro próximo na cidade de Los Angeles, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro.

Comentários:
Sinceramente, esperava mais. Muito mais. Desde que vi que o filme estava concorrendo ao Oscar em 2014 e li os comentários absurdamente positivos sobre o mesmo, fiquei muito curiosa em relação à história do homem que se apaixona por um sistema operacional com voz de Scarlett Johansson.

“Ela” traz umas reflexões muito boas sobre como vivemos nesta era digital, apresentando um futuro não muito diferente do presente em que as interações entre as pessoas ocorrem mais por meio da internet do que pelo contato físico. Assim, o que encontramos é uma realidade marcada por certo egocentrismo e bastante solitária; novamente, não muito distante do que vivemos atualmente. Porém, não vou mentir: apesar de lindo visualmente (queria mandar um abraço para o pessoal da fotografia, do cenário e dos figurinos) e trazer interpretações bastante satisfatórias, achei o filme muitíssimo tedioso, de forma que toda hora olhava para o relógio para saber quando meu martírio chegaria ao fim. É um filme válido, mas cansativo.

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Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2014)
Direção: Matthew Vaughn

Sinopse: 
Uma organização supersecreta recruta um deselegante mas promissor garoto para o programa de treinamento supercompetitivo da agência justo quando um perverso gênio tecnológico ameaça o planeta.

Comentários:
Por onde começar? Fui ao cinema apenas sabendo que o Colin Firth estava no elenco e saí de lá surpreendida e sem saber muito bem o que pensar sobre o filme. “Kingsman: Serviço Secreto” consiste, eu acho, em uma homenagem aos grandes filmes de espionagem do passado (?), tipo os de James Bond com Sean Connery, mas sem se levar à sério. Há momentos mirabolantes, absurdos e intencionalmente toscos; e acho que era essa a intenção mesmo. 

As interpretações são boas (minha gente, Michael Caine tá no elenco, pode uma coisa dessas?), o enredo é divertido e as cenas de ação são exatamente o que se espera de um filme de espiões. Não é um filme obra-prima do cinema, mas garante uma boa diversão para uma tarde de domingo na companhia de amigos e um balde de pipoca.

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Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, 2015)
Direção: Josh Whedon

Sinopse: 
Quando Tony Stark tenta reiniciar um programa de manutenção de paz, as coisas não dão certo e os super-heróis mais poderosos da Terra, incluindo Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro, terão que passar no teste definitivo para salvar o planeta. Com o aparecimento do vilão Ultron, a equipe dos Vingadores tem a missão de neutralizar seus terríveis planos.

Comentários:
Preciso confessar uma coisa: não gosto do Homem de Ferro. Nada contra filmes de super-heróis (eu adoro, aliás) e universos compartilhados, mas Tony Stark me incomoda profundamente e eu nem sei direito o motivo. E sei que o problema deve estar comigo porque todo mundo que eu conheço, aparentemente, adora ele. E por que eu estou falando isso? Porque “Era de Ultron” tem tudo a ver com Tony Stark e seu exército de armaduras de homem de ferro (perdoem a ignorância, não leio quadrinhos de heróis), ou quase isso. O fato é que, se tivéssemos que escolher um vingador principal nesta história, seria Stark. Porém, mesmo com este empecilho, gostei bastante do filme pelos seguintes motivos: Gavião Arqueiro e Feiticeira Escarlate (é assim que vai se chamar?).

Gostei de perceber que neste universo em que deuses nórdicos lutam ao lado do Incrível Hulk e de um super-homem (perdoem o trocadilho!) herói de guerra, há espaço para um cara normal que usa arco e flechas. Confesso que não tinha simpatia pelo Gavião Arqueiro porque não entendia a utilidade dele no time, mas este filme mostrou que ele é uma peça fundamental. A Feiticeira Escarlate também foi uma grata surpresa porque 1) ela de fato desempenhou um papel interessante para a trama e 2) fiquei surpresa que a irmã-Olsen-não-gêmea (Elizabeth Olsen) felizmente não herdou o “talento” de Mary-Kate e Ashley e mandou bem na atuação.

Tirando o ~romance~ entre Bruce e Natasha, a ausência de Thor em algumas cenas (porque nunca me canso do Thor), e o fato de que Ultron não é um vilão tão cativante quanto Loki, o filme é bem legal e acho que deverá agradar todo mundo que gosta desse tipo de filme.

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Meu amigo Totoro ( となりのトトロ, 1988)
Direção: Hayao Miyazaki

Sinopse: 
Mei, é uma jovem que encontra uma pequena passagem em seu quintal, que a leva à um lendário espírito da floresta, conhecido como Totoro. Sua mãe está no hospital, e seu pai, divide o tempo entre dar aulas na faculdade e cuidar de sua mulher doente. Quando Mei, tenta visitar a mãe por conta própria, se perde na floresta, e só o grande e fofo Totoro, pode ajudar a menina a achar o caminho de volta para casa.

Comentários:
Assisti a este filme por indicação de vocês depois que falei de “O serviço de entregas da Kiki” e adorei! Não sei se conseguirei me expressar, porque “Meu amigo Totoro” é mais um daqueles filmes que a gente sente, sabe? E fica meio complicado falar sobre.

O filme tem um tom melancólico, mas belíssimo. Fico impressionada com a forma sutil utilizada para apresentar a tristeza e a angústia das duas garotinhas sem precisar recorrer a muitas palavras, pois as ações e os gestos delas falam por si mesmos. A relação que ambas estabelecem com o Totoro é linda; fiquei encantada ao perceber que ele cuida delas e tenta fazer com que se sintam melhor. Juro que por pouco não chorei na parte em que a pequena Mei desaparece e senti o desespero de sua irmã tentando encontrá-la. Se tivesse que apontar um “defeito” (entre aspas, porque essa belezinha não tem nada de defeituoso), seria o fato de que o filme termina muito rápido; queria mais, pois senti falta das personagens. Ainda assim, é um filme lindíssimo e que deve ser assistido por todos.