Pois bem, estamos em outubro e, desde sempre, para mim este mês significa duas coisas: dia das crianças e dia das bruxas. Pensando na realidade de blogs e canais literários, outubro significa buscar livros infantis e de terror. Assim, hoje trago minhas impressões sobre a minha primeira escolha: "Matilda", livro de 1988 escrito por Roald Dahl.

Matilda é uma garotinha de cinco anos que parece um peixe fora d'água aos olhos de quem analisa a sua família. Seus pais e irmão são mesquinhos e indiferentes; são pessoas vazias, fúteis e que não enxergam a educação como algo benéfico. Incompreendida, por vezes solitária, Matilda se descobre leitora e encontra refúgio nos livros. Após aprender ler sozinha com a ajuda de um livro de receitas de sua mãe, Matilda resolve ir até a biblioteca e, para a surpresa da bibliotecária, devora clássicos da literatura. Em sua lista estão títulos como "As vinhas da ira", "O velho e o mar", "Jane Eyre", "A revolução dos bichos", entre outros. 

Logo que chega à idade adequada, a menina passa a frequentar a escola, assistindo as aulas da Srta. Mel - uma mulher doce e que logo percebe que Matilda é especial -, que logo se mostram muito básicas para a sua capacidade. Ela também terá que lidar com a Sra. Taurino, a diretora da escola que odeia crianças e parece fazer de tudo para atormentá-las e/ou agredi-las. 

Conheci "Matilda" ainda durante a minha infância por meio da adaptação cinematográfica de 1996. Apesar de ser um favorito da Sessão da Tarde, não me lembro de ter assistido muitas vezes, de forma que nem tudo sobre o enredo permanecia em minha memória. "Matilda" é uma leitura leve e com uma narrativa simples, marcada pelo humor. É uma ótima opção para os pequenos leitores, pois, além de trazer uma história divertida, os apresenta à uma protagonista leitora e que enxerga nos livros uma forma de entretenimento. Assim, penso que o livro é um incentivo à leitura; até porque o narrador cita vários livros que Matilda leu, deixando o leitor com vontade de lê-los também. Aqui estão alguns dos que consegui anotar durante a leitura:

- O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett
- Grandes EsperançasOliver Twist , Sr. Pickwick e Nicholas Nickleby, de Charles Dickens
- O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, de C.S. Lewis
- Jane Eyre, de Charlotte Brontë
- Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
- Tess, de Tom Hardy
- Kim, de Rudyard Kipling 
- O homem invisível, de H.G. Wells
- O velho e o mar, de Ernest Hemingway
- O som e a fúria, de William Faulkner
- As vinhas da ira e O potro vermelho, de John Steinbeck
- Os bons companheiros, de J.B. Priestley
- O condenado, de Graham Greene
- A revolução dos bichos, de George Orwell 

Outro aspecto que me agradou é o fato de que Roald Dahl não subestima seus leitores. Engana-se aquele que pensa que por se tratar de uma história infantil "Matilda" é cheio de fofura. Os pais da menina são pessoas desprezíveis: a mãe defende a ideia de que uma menina não deveria ler, pois homens não se interessam por isso. Já o pai gosta de tirar vantagem de tudo e vive de um trabalho desonesto. Os dois demonstram pouco interesse pela filha e não conseguem compreender como ela pode preferir ler a assistir televisão. O pai, em um dos trechos mais revoltantes e tristes,destrói um dos livros de Matilda para forçá-la a ser como ele. 

Encaro os pais de Matilda como vilões mais assustadores do que a Sra. Taurino, porque sabemos que pessoas com estes tipos de pensamento são reais e me entristece pensar na quantidade de crianças que poderiam ter se tornado leitoras, mas que por falta de incentivo ou até crítica dos pais, acabaram perdendo o interesse pela leitura. A Sra. Taurino, apesar de malvada, é um pouco mais caricata. Claro que isso não a torna menos desprezível aos olhos dos leitores.
De forma geral, gostei de "Matilda", mas, como de costume, sinto que teria aproveitado muito mais a leitura quando era criança; principalmente por ser fácil de se identificar com a protagonista. Quanto ao desfecho, creio que seja diferente daquele encontrado no filme; ainda assim, é um final satisfatório. Leitura recomendada para todas as idades.


Doctor Who voltou com uma nova temporada e, pela primeira vez desde o natal de 2013, estou bem empolgada com a série, que já mandou bem logo na estreia com um episódio em duas partes muito bom. Capaldi parece ter encontrado o seu Doutor e Clara, The Impossible Girl, continua adorável, como sempre (que nem a adorável Jenna Coleman). Aproveitando o retorno da série, decidi espalhar um pouco o meu amor whovian respondendo a Doctor Who TAG, na qual falo um pouco sobre as minhas preferências no universo da série.