2015, este ano difícil e do qual eu não via a hora de me despedir, finalmente chegou ao fim! Mais uma vez agradeço a cada um que me acompanhou em 2015 e que, de alguma forma, me motivou a continuar a registrar e compartilhar as minhas aventuras como leitora por mais um ano. E caso você tenha perdido alguma coisa, deixo aqui a lista com tudo o que li:

01. Alta Fidelidade, de Nick Hornby | resenha 
02. Noah foge de casa, de John Boyne | resenha
03. 13 incidentes suspeitos, de Lemony Snicket | resenha 
04. O garoto no convés, de John Boyne | resenha
05. Annie, de Thomas Meehan | resenha
06. O filho de Netuno (Heróis do Olimpo #02), de Rick Riordan 
07. Astronauta Magnetar, de Danilo Beyruth 
08. Objetos cortantes, de Gillian Flynn | resenha (texto + vídeo)
09. Razão e sensibilidade, de Jane Austen | resenha (texto) | vídeo
10. Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie | resenha (texto + vídeo)
11. O livro selvagem, de Juan Villoro | resenha (texto + vídeo)
12. A casa assombrada, de John Boyne | resenha
13. As aventuras de Robin Hood, de Alexandre Dumas | vídeo-resenha
14. A droga da obediência, de Pedro Bandeira | vídeo-resenha
15. Viva a música!, de Andrés Caicedo | vídeo-resenha
16. Por lugares incríveis, de Jennifer Niven | vídeo-resenha
17. A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi | resenha
18. A noiva fantasma, de Yangsze Choo | vídeo-resenha
19. Stoner, de John Williams | resenha
20. Androides sonham com ovelhas elétricas?,  de Philip K. Dick | resenha (texto + vídeo)
21. Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman | resenha
22. Assassinato no campo de golfe, de Agatha Christie | resenha
23. O gigante enterrado, de Kazuo Ishiguro | resenha (texto + vídeo)
24. O cantor de tango, de Tomás Eloy Martínez | resenha
25. Middlesex, de Jeffrey Eugenides | resenha
26. Til, de José de Alencar 
27. O sol é para todos, de Harper Lee | resenha (texto + vídeo)
28. Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
29. A tumba e outras histórias, de H.P. Lovecraft | resenha
30. Matilda, de Roald Dahl | resenha
31. Sonhos partidos, de M.O. Walsh | resenha
32. Bidu: Caminhos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho
33. A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin | vídeo-resenha
34. O homem do terno marrom, de Agatha Christie
35. Um conto de natal, de Charles Dickens | resenha (texto + vídeo)
36. A Marca de Atena de (Os Heróis do Olimpo #03), de Rick Riordan
37. O Palácio da Meia-Noite (Trilogia da Névoa #02), de Carlos Ruiz Zafón 

Contos: 
01. Natal na barca, de Lygia Fagundes Telles | comentário
02. Dia de folga,  de John Boyne 
03. O gigante egoísta, de Oscar Wilde 

E nesta playlist você pode encontrar todos os vídeos de 2015.





"Um conto de natal" é aquele tipo de história que todo mundo conhece mesmo sem ter contato com o material original. Eu, por exemplo, conheci a história do avarento Scrooge quando era criança por meio de uma adaptação em animação da Disney, na qual os personagens de Dickens são ~interpretados~ por Mickey, Pateta, Tio Patinhas (inspirado no verdadeiro Scrooge) e cia. Porém, em 2015, decidi que já era hora de conhecer a história de Dickens pelas palavras do próprio. E não me arrependi, pois o livro é tudo isso que dizem que é.
Publicado em 1843, "Um conto de natal" apresenta o leitor à Ebenezer Scrooge, um senhor ranzinza e amargurado que odeia o natal, só pensa em trabalhar e explorar o seu funcionário, Bob Cretchit. Porém, na noite da véspera de Natal, Scrooge recebe a visita do fantasma de seu antigo sócio, Jacob Marley, que não pode descansar em paz por não ter sido generoso em vida.

Marley diz que Scrooge ainda pode se salvar e lhe informa que naquela noite três fantasmas o visitarão: os fantasmas do Natal Passado, do Natal Presente e do Natal Futuro. A partir das visitas dos fantasmas,da interação de Scrooge com os mesmos e das situações que ele presencia, Dickens apresenta o leitor à reflexões acerca do verdadeiro significado do natal.
Aos olhos atuais, o enredo pode até parecer previsível, óbvio e, talvez, batido. Mas precisamos lembrar que Charles Dickens escreveu "Um conto de natal" no século XIX e, a partir disso, ajudou a moldar o imaginário coletivo ocidental do Natal. O conto permanece um clássico por conta de seu caráter atemporal e universal - pois aqui não há menção a religiões e aos valores que estas atribuem ao natal. É muito fácil se identificar com a mensagem que Dickens quis transmitir com a busca por redenção de Scrooge e ao enfatizar a importância das boas ações e do amor ao próximo não apenas no natal, mas durante o ano todo.

A narrativa envolvente e divertida de Dickens dispensa comentários, pois é uma delícia de ler. Hoje sei que preciso ler mais deste autor tão querido por tanta gente. Apesar de complementar o post com a foto da minha edição lindinha da Collector's Library, li a edição em português publicada pela L&PM e que traz a tradução de Carmen Seganfredo e Ademilson Franckini; gostei bastante e recomendo. E caso você ainda não tenha lido "Um conto de Natal", por favor, leia. Prometo que não irá se arrepender.






2015 já está caminhando para o seu fim e, no que diz respeito a leituras, confesso que estou me arrastando. E isso está acontecendo porque estou cansada e não sinto aquela vontade urgente de ler. Assim, optei por não ler um romance de natal este ano, mas sim alguns contos. Como o tempo está corrido e não sei se conseguirei fazer todos os vídeos que quero até o fim do ano, vou registrar as minhas impressões dos contos por aqui. E já que eles são curtos, não irei fazer resenhas aprofundadas, mas sim tecer comentários sobre os mesmos.

O primeiro conto que escolhi para este natal foi "Natal na barca", de Lygia Fagundes Telles (o conto está na coletânea "Antes do Baile Verde", publicada pela Companhia das Letras, mas você pode ler aqui). Não é de hoje que tenho interesse em conhecer a obra da autora e agora finalmente posso dizer que já li algo que ela tenha escrito e que gostei a ponto de querer conhecer mais.

Como indicado pelo título, o conto é ambientado em uma barca durante a noite da véspera de natal. São quatro as pessoas que lá se encontram: um velho bêbado, uma mulher com uma criança de colo e a narradora; nenhum deles tem seu nome revelado. Já no início, podemos perceber que a narradora é uma mulher solitária e que gosta disso, preferindo não quebrar o silêncio da viagem com o início de uma conversa.

Porém, sem compreender muito bem o porquê, ela inicia um diálogo com a outra mulher à bordo. A princípio, ambas discorrem sobre assuntos corriqueiros, mas aos poucos a mulher começa a falar sobre a sua vida, suas decepções e sua fé em Deus. Ao longo da leitura o leitor nota que a narradora é uma pessoa cética, por isso, sua forma de pensar contrasta com a de sua interlocutora. Antes de chegar ao desfecho, o conto apresenta uma situação que "brinca" um pouco com a percepção do leitor - e da narradora -, ao não deixar claro se o que ocorreu teria alguma influência divina, se seria algum tipo de milagre de natal.

O conto é bem curto e fácil de ler, pois traz uma narrativa bastante fluida e envolvente. O que mais gostei foi o caráter ~duvidoso~ dos acontecimentos, já que estes são narrados em primeira pessoa e aparecem carregados de impressões subjetivas, o que torna impossível confiar 100% no que é descrito.