(Aquele em que eu gostaria de ter criado um título melhor, mas não consegui)

Nos últimos meses percebi que tenho sentido uma vontade literária nova: quero ler mais livros de não ficção. Não precisa ser uma biografia enorme de alguém super famoso ou algum livro que busque provar alguma teoria super complexa. Estou falando de livros em que a pessoa que escreve - conhecida por algo de notável que tenha feito - resolve contar um pouco da sua história, fala um pouco do seu trabalho e compartilha algum aprendizado que surgiu a partir de suas experiências. Não sei se a minha ~explicação~ foi clara, porém, como vou aproveitar este post para falar sobre três leituras de não ficção que se encaixam no que eu quis dizer, talvez vocês entendam do que eu tô falando. Coincidentemente (ou não), os três livros foram escritos por mulheres. \o/


A arte de pedir (Amanda Palmer)

Amanda Palmer é uma cantora americana que foi responsável pelo caso mais bem sucedido de crowdfunding dos EUA. Após romper laços com uma gravadora, ela decidiu que iria lançar seu próximo projeto de forma independente e pediu ajuda aos fãs para financiar tudo por meio da plataforma Kickstarter. Ao arrecadar mais de um milhão de dólares (!), Amanda desafiou os padrões da ~indústria musical~.

Em A arte de pedir, uma mistura de autobiografia e bate-papo, Amanda fala sobre a importância da conexão entre artista e público e de como isso influencia diretamente o seu trabalho. Ela também fala sobre o que significa ser artista e mulher no mundo atual e sobre os obstáculos enfrentados ao se encontrar em tal posição. Desde muito jovem, ela já sabia que queria trabalhar com arte e se esforçou para ser autossuficiente e levada a sério, porém o maior desafio foi lidar com a dificuldade em aceitar a ajuda de outras pessoas para que isso pudesse acontecer. No livro, ela explica que não há nada de errado em parecer vulnerável e pedir/aceitar ajuda.

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Como ser mulher -  um divertido manifesto feminino (Caitlin Moran)


Caitlin Moran é uma jornalista britânica que já trabalhou para diferentes veículos de comunicação. Em Como ser mulher - um divertido manifesto feminino, ela se utiliza de situações de sua vida, assim como momentos-chave de sua ~formação~ como mulher (primeira menstruação, as transformações da adolescência, primeira relação sexual, preconceito no trabalho, gravidez, etc.), para contar como o feminismo chegou e se faz presente em sua vida. Partindo do pensamento de que o feminismo é importante demais para ser debatido apenas no âmbito acadêmico, Caitlin tenta aproximar o assunto das pessoas fazendo com que discussão seja acessível à todos e aborda questões centrais do universo feminino e que, claro, estão relacionadas à luta feminista, como os padrões de beleza impostos pela mídia, a objetificação da mulher e o aborto.

É interessante mencionar que, por ser uma mulher branca, heterossexual e de classe média em um país desenvolvido, Caitlin, ao falar do feminismo, não vai além da esfera na qual está inserida. No entanto, estes aspectos não desvalorizam seus argumentos ou tornam suas ideias menos relevantes, certo? O livro pode funcionar como uma porta de entrada para quem quer começar a conhecer o feminismo. Ah, e sua escrita é bem dinâmica e irônica, o que torna a experiência de leitura bem prazerosa.


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Tá todo mundo mal - o livro das crises (Jout Jout)

Acho que todo mundo já conhece o canal da Jout Jout, né? Então, não vou gastar linhas explicando quem ela é. Com um título autoexplicativo, o livro vai tratar do desespero que é você ter vinte e poucos anos e não ter muita noção do que tá fazendo com a vida e onde é que tudo isso vai parar. No entanto, ao invés de escrever uma tragédia, Jout Jout faz uso do bom humor e da autodepreciação. Com capítulos curtos, nos quais relata alguns acontecimentos e/ou ideias que lhe ocorreram, ela apresenta as diferentes crises com as quais lidou ou continua a lidar e, com isso, faz com que o leitor se sinta melhor porque não está sozinho; tá todo mundo mal. Não vou mentir, para quem já está familiarizado com o trabalho da Jout Jout, o livro não sai do lugar comum e nem traz muita profundidade. O que temos aqui é mais do mesmo. No entanto, e apesar de ter uns trechos meio vergonha-alheia-meu-Deus-too-much-information, a leitura não deixa de ser divertida e de gerar certa identificação.

Os três livros são leituras rápidas e acredito que sejam ótimas opções para o fim de semana. Agora, gostaria de pedir à vocês, caso conheçam, recomendações de livros neste estilo. Como disse, ando numa fase de livros assim, então, vai ser ótimo ter umas recomendações.

- Michas



4 Comentários

  1. O livro da Amanda muda vidas! Pra mim foi muito mágico e muito único e me trouxe coisas maravilhosas!

    Já tinha visto esse da Caitlin na lista de livros da nossa miga Emma Watson e quero muito ler (seu comentário me empolgou, porque ainda estava meio incerta se a escrita ia me prender e achei o que você falou sobre a esfera dele um comentário muito válido). Quero ler também esse "Do que é feita uma garota" que está na sidebar.

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  2. Oi, Nicas
    Concordo com você sobre o livro da Amanda Palmer. Durante a leitura, não percebi o quanto fui absorvendo do que ela estava falando. Aí, do nada, meses depois, começo a perceber o quanto das palavras dela levei comigo. É uma leitura muito boa :)
    O livro da Caitlin Moran é bem divertido e faz a gente pensar em algumas coisas. Espero que você goste! Comecei a ler "Do que é feita uma garota" há pouco tempo e até agora estou gostando. É um romance.

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  3. Preciso ler logo A arte de pedir. Mas agora é só uma questão de organizar o tempo porque o livro já tenho rs
    Li o da Jout Jout e gostei! É aquele lugar comum mesmo mas super divertido de ler.
    Indico Grande Magia - Vida criativa sem medo, da Elizabeth Gilbert. Falei dele no blog essa semana.
    beijos!

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  4. Oi, Jeniffer
    Gostei muito de "A arte de pedir", é gostoso de ler e parece um bate-papo. Espero que goste :)
    Pois é, apesar de não ter achado o livro da Jout Jout super incrível, valeu a pena pela diversão.
    Nunca li nada da Elizabeth Gilbert, vou ler o seu post :)
    Beijos

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