(Aquele sobre a 1ª temporada de Supernatural)
A primeira temporada de Supernatural é, possivelmente, a temporada de série que mais assisti em toda a minha vida. É sério, mais do que as de The O.C. ou Friends. Michelle de 15 anos era tão obcecada pela saga dos Winchester que resolveu economizar parte do dinheiro do recreio para comprar o box da 1ª temporada. Hoje, analisando a quantidade de vezes que assisti, acho que fiz um bom investimento. O box foi um marco por aqui pois foi o primeiro da minha ~coleção~ de séries.

Ao revisitar a temporada não tive muitas surpresas. Na real, não tive surpresa alguma porque eu realmente me lembrava de tudo. Se não fosse no início, bastava que alguns minutos se passassem para eu recordar os acontecimentos. Então, de verdade, me sinto segura para dizer que dos 22 episódios que a integram, só cinco fazem parte ~mais ou menos~ do arco central da temporada: "Pilot" (1x10), "Home" (1x10), "Shadow" (1x16), "Dead Man's Blood" (1x19), "Salvation" (1x20) e "Devil's Trap" (1x22). Ainda assim, alguns dos demais episódios trazem fragmentos que se ligam com a história principal.

No que diz respeito a premissa da temporada, é tudo bem simples pois é justamente aquilo que o primeiro episódio propõe: a família Winchester, a princípio bastante comum, é vítima de uma tragédia envolvendo coisas ~sobrenaturais~ que resulta na morte de Mary (a esposa e mãe) e, consequentemente, arrasta os demais para um universo de monstros, espíritos e demônios desconhecido por todos, com exceção dos caçadores. O principal objetivo de John, Dean e Sam é descobrir e destruir o que matou Mary; e enquanto isso não acontece, eles caçam outras criaturas também.


Jared Padalecki ainda tinha cara de morador de Stars Hollow e Jensen Ackles mudou pouquíssimo ao longo dos anos.
É claro que tudo é um pouco mais complexo do que eu fiz parecer e a temporada é bastante eficiente ao apresentar não só uma história interessante, mas também ao construir um universo, com sua mitologia e personagens. É tudo bem introduzido e desenvolvido. Logo no primeiro episódio já conseguimos saber de forma clara quem são Sam e Dean e antes mesmo de chegar à metade da temporada, já entendemos as motivações, medos e traumas de cada um (e aqui vale destacar o trabalho excelente de Jared Padalecki e Jensen Ackles, que, na época, carregavam a série sozinhos). O ~estilo de vida~ de caçador fica explicado em poucos episódios e o roteiro não precisa fazer malabarismos: não é uma profissão remunerada e você provavelmente terá que viver ~perigosamente~ e de crimes para poder exercê-la. E é por meio das caçadas dos Winchesters que a gente vai entendendo quais são as criaturas sobrenaturais e como proceder na hora de eliminá-las.

Ao longo dos anos - e eu só fui acordar para esta questão recentemente -, a série já foi apontada como racista e sexista, porém, preciso dizer que 1) não pesquisei muito sobre o assunto e 2) realmente não observei este detalhe enquanto revia a temporada. No entanto, não acredito que estas questões sejam um problema muito grande neste ponto da jornada, visto que a temporada tem como principal função introduzir a trama e o universo e, intencionalmente, deixa coisas para serem exploradas mais para frente. Porém, como mulher, não deixei de notar a forma como as personagens femininas são tratadas e, de forma geral, é mais ou menos assim: vítimas, criaturas malignas ou, claro, de forma objetificada em algum bar. E quando não é de forma negativa, é apenas para reforçar alguns estereótipos, como a mãe recatada. Felizmente, na segunda temporada as coisas mudam um pouco por aqui.

Sobre o racismo, pelo menos nesta temporada, a série se posiciona contra. Tem um episódio que traz o assunto como essencial no caso da semana, "Route 666" (1x13), e introduz a personagem Cassie, uma mulher negra bastante forte (yay!) e antigo caso amoroso do Dean. Aliás, pelo que é dito no episódio, ela foi a única que ele realmente amou a ponto de contar a verdade sobre a sua ~profissão~. No entanto, esta foi a única aparição da moça em ONZE anos de série e isso não faz muito sentido, principalmente quando a gente considera o arco do Dean na terceira temporada e toda aquela coisa de viver intensamente cada dia como se fosse o último. São questões e estou atropelando as coisas.

Por fim, mas não menos importante, é também na 1ª temporada que somos apresentados àquele que, para mim, é um dos melhores aspectos da série: o ~clima~ de roadtrip. Cada episódio traz um caso em uma cidade diferente e, para investigar, os irmãos atravessam os EUA de carro (um Chevy Impala 67, também conhecido como Baby) acompanhados pelo som das fitas cassetes (!) do Dean, que estão recheadas de clássicos do Rock. Já cheguei a comentar por aqui a importância da série para a minha ~formação musical~, né? Pois é, então, tudo culpa do gosto musical do Dean.

Episódios preferidos

Pilot (1x01)
Não poderia deixar de citar o episódio em que tudo começa. Aqui, além de entendermos o que fez com que os Winchester entrassem para essa vida de ~caçadores de monstros~, compreendemos o quão desestruturada é a família e, principalmente, como foi traumatizante a infância dos irmãos. Em poucos minutos percebemos que John Winchester se transformou em um homem obcecado pela vingança e negligenciou muito a criação de seus filhos. Rapidamente conhecemos as personalidades bem diferentes de Sam e Dean e dá para perceber que os atores já se sentiam confortáveis em seus papéis. O ~monstro da semana~ é a Mulher de Branco - dá medinho! - e toca AC/DC! <3

Home (1x09)
Gosto deste episódio porque Sam e Dean retornam à casa de infância para investigar um caso de espírito perturbado e acabam sendo salvos por outra ~presença~. É um momento emocionante e cheio dos feelings. Tem também uma breve participação do John, que só serve para, mais uma vez, mostrar como ele é um pai...complicado.

Scarecrow (1x11)
Um espantalho mata casais no meio da noite. Só isso já rende uma história bem interessante, porém, aqui somos apresentados às diferentes visões de vida de Sam e Dean. Assistimos à uma discussão entre os dois, eles se separam. Dean acaba caindo no meio da história do espantalho assassino e Sam conhece a infame Meg.

Faith (1x12)
Acho que foi com esse episódio que eu me dei conta de que a série era muito mais do que dois caras na estrada mantando monstros. Por meio de uma história com um curandeiro que opera milagres, a série explora a questão da fé. Qual é a importância da fé? Por que alguns têm e outros não? Foi aqui que percebi que Dean Winchester, muito mais que um crush eterno na minha vida, é um personagem muito complexo e incompreendido. Ah, e o episódio tem um dos melhores momentos musicais da série, com a música Don't Fear The Reaper, do Blue Öyster Cult.

Provenance (1x19)
É aquele com um quadro muito sinistro de uma família. Foi o primeiro episódio que eu assisti e foi aqui que tudo começou para mim. Analisando a vasta lista de episódios da série, Provenance não tem nada de muito especial, é apenas um caso. Porém, é uma das ~investigações~ mais legais e eu adoro o plot twist. E tem também a questão do Sam conseguindo começar a superar a perda da Jessica.

Outros três episódios, apesar de não serem favoritos, merecem destaque:

Skin (1x06)
Somos apresentados aos shapeshifters e é aqui que começam as complicações dos Winchester com a polícia. Os consequências deste episódio irão perseguir os irmãos até a terceira temporada, se não me engano.

Nightmare (1x14)
Aqui a gente descobre um pouco mais sobre as ~habilidades especiais~ do Sam e sobre o fato de que ele não é o único assim. O roteiro já começa a dar algumas pistas do arco da segunda temporada.

The Benders (1x15)
Fantasmas, demônios e vampiros são assustadores, mas sabem o que é ainda mais assustador? O ser humano. Este episódio não tem absolutamente nada de sobrenatural, mas o terror se faz presente o tempo todo.

Atualmente, acabei de iniciar a 3ª temporada, então, acredito que a próxima parte do ~diário de caçadora~ não deve tardar.

- Michas



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