A ideia de escrever sobre esse assunto está morando no meu cérebro deste que resolvi fazer o ~reboot~ do blog, mas ainda não tinha encontrado ocasião oportuna. No entanto, para a felicidade geral da blogosfera, digo à todos que o BEDA me deu forças para tal. \o/

Não gosto do termo guilty pleasure. É sério, não entendo muito bem o porquê dessa expressão e a noção de que há culpa em algum gosto não faz o menor sentido para mim. Vejam bem, não estou falando de coisas criminosas, mas sim das pequenas coisas da vida que nos fazem bem. No meu caso, falo de cultura e entretenimento, mas a lógica pode ser aplicada à outras coisas, tipo comida (mas aí, tem a questão da saúde, então nada sei).

Penso assim: aquilo que você gosta está te fazendo mal ou afetando negativamente outras pessoas? Se a resposta for não, então seja feliz e ame intensamente aquilo que te faz bem sem se importar com o que os outros vão pensar e/ou dizer sobre você. Sabe, a gente só vive uma vez e a vida é muito curta para nos sentirmos constrangidos pelos nossos gostos. Ou pior: deixar que outras pessoas nos façam nos sentir dessa maneira.


Parece algo simples de assimilar, né? Mas acho que só comecei a pensar dessa forma há alguns anos. Ontem mesmo comentei que quando eu era adolescente ~pegava mal~ gostar de Panic! At The Disco, então, eu fingia que não gostava e escutava escondida no meu mp3 player. Só que, na real, não é como se existisse uma lei que proibisse os seres humanos de escutar e gostar de Panic! At The Disco publicamente. Ou seja, o preconceito com a banda partia, em primeiro lugar, de mim. Por razões que não compreendo - como tudo que faz parte do nosso processo de formação durante a adolescência -, eu me incomodava com a ideia de ter a minha ~reputação~ de grunge-dos-anos-2000 manchada por gostar de uma banda que todos aqueles que faziam parte da minha esfera social consideravam ~emo~. Aliás, até hoje não entendi por que raios a banda é classificada dessa forma, mas ok.

E a situação toda não faz o menor sentido porque, pensem comigo, eu não gostava que me rotulassem - quem é que gosta? -, por isso, eu tinha medo que soubessem que eu gostava de uma banda porque não queria ser enxergada como emo e, principalmente, porque não queria que deixassem de me enxergar como grunge. GRUNGE. NO BRASIL. NOS ANOS 2000. SOCORRO. Hiperbolismos à parte, basicamente, o que eu queria fazer era fugir de um rótulo para poder manter outro. Eu, a mocinha que se achava super alternativa e, por isso, jamais capaz de ser rotulada.

Não vou nem entrar na questão de quão ridículo e contraditório era fugir do rótulo emo quando se escutava NIRVANA (risos, muitos risos; risos eternos e supremos). E não, não acho que quem escuta Nirvana é emo ou que quem escuta bandas emo necessariamente é emo. Esse não é o foco deste post.

***
Enfim, toda essa enrolação para dizer que acho triste que muita gente se sinta mal por gostar de certas coisas a ponto de considerá-las guilty pleasures. Ou que precisem justificar (!) seus gostos fazendo uso da expressão guilty pleasure. Ou ainda, que não se permitam conhecer coisas diferentes por medo do que vão pensar delas. O fato de você gostar de uma coisa ~inesperada~ não anula o fato de que você pode gostar também de muitas outras. Não é como se a gente precisasse se provar o tempo todo e buscar algum tipo de validação. E, sinceramente, se alguém te tratar mal por causa de algo que você gosta, é melhor nem ter esse tipo de gente na vida, né?

Então, sei lá, sejam felizes amando aquilo que vocês amam. E lembrem-se: feelings are the only facts.

- Michas


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