Faltou energia e todos os meus planos para uma tarde de domingo preguiçosa foram frustrados. Só queria ficar na cama fazendo vários nada intercalados com pausas para ler uns blogs, assistir uns episódios, escrever um pouquinho. Mas, não. Faltou energia e eu não tinha um plano B.

Felizmente, o dia estava ensolarado e eu resolvi ficar na sacada, tomando sol enquanto observava o movimento da rua, como imagino que os gregos antigos deviam fazer. Nada de muito emocionante acontecia: mãe e filha sentadas na calçada enquanto um cachorro fazia companhia, um grupo de jovens conversando e lavando um carro, duas senhoras jogando conversa fora na porta de uma casa. Tudo bem corriqueiro, sem emoção alguma. Mas fiquei ali, só observando e pensando na vida. Foi então que me dei conta de que há muito tempo eu não fazia algo assim, tão banal.

Passo tanto tempo conectada, assistindo a vida e o mundo acontecerem através de telas, que às vezes é fácil esquecer de como a vida ocorre no mundo real, desconectado. Percebi que cada vez mais me torno tão dependente dessa conexão que o fato de faltar energia me desesperou porque eu não poderia usar a internet. Não fiquei preocupada porque poderia não ter água quente para tomar banho ou para carregar o celular, mas porque não poderia usar a internet. E aí, pensei em como meu tempo é consumido quando uso a internet.



Gostaria de dizer que a uso de forma consciente e inteligente, mas não é bem assim que acontece. Ultimamente, passo mais tempo do que deveria procrastinando no Twitter, por exemplo. Pior é quando alguém compartilha algum link do BuzzFeed e eu sou arrastada para um limbo do qual não há volta. Gasto tempo que não vou recuperar e que com toda a certeza poderia utilizar para fazer algo mais produtivo - inclusive usando a internet. Adoro assistir filmes, então, por que não usar esse tempo aproveitando algo no catálogo na Netflix, por exemplo? Ou, quem sabe, longe do computador/celular/tablet e na companhia de um livro?

Porque sim, é claro que essa procrastinação conectada tem ligação direta com o fato de que não estou lendo tanto quanto costumava. Eu sei que ultimamente tenho buscado fazer outras coisas e por isso não tenho lido tanto, mas sei também que há sim momentos na minha rotina que poderiam ser facilmente aproveitados para ler, mas que são desperdiçados com a primeira lista de filhotíneos-fofíneos-que-você-precisa-ver. E o mais curioso nisso tudo é que eu nem sei direito quando foi que virei esse tipo de pessoa. Vejam bem, sempre gostei de internet e das possibilidades que ela oferece, mas gosto de pensar que sabia controlar o tanto de influência que ela exerceria sobre mim. E por um bom tempo foi assim, mas em algum momento, perdi a noção das coisas.

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Não demorou muito para a energia voltar, mas fiquei feliz por ter conseguido aproveitar um tempo do dia para me dedicar unica e exclusivamente à companhia de um dos meus livros preferidos, O apanhador no campo de centeio. Domingos são dias preguiçosos e, de certa forma, bem melancólicos e acho que eu poderia aproveitá-los mais para descansar, não só o corpo - porque, convenhamos, eu adoro dormir até meio-dia nos domingos -, mas a mente. Poderia fazer dos domingos dias mais lentos, nos quais aprecio as coisas simples da vida sem precisar dos filtros do Instagram ou dar ~satifação~ ao universo por meio de twitts e snaps (satisfação essa que nunca me foi exigida, mas que por motivos que desconheço, resolvi que precisava dá-la). Sinceramente, acho que preciso de um detox digital para reaprender como me conectar de forma saudável.

- Michas


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