Hoje eu quero falar sobre amizade. Basicamente, quero deixar registrado o que penso hoje sobre o assunto, mas acho legal falar um pouco sobre como a minha percepção da ideia de amizade mudou (ou não) através dos anos.

Nunca fui o tipo de pessoa que tem um milhão de amigos. No entanto, de forma um tanto estranha, sempre fui capaz de conciliar a minha timidez (é sério, eu sou bem tímida) com algumas habilidades comunicativas e isso sempre me possibilitou fazer amizades nos primeiros dias de aula. Então, apesar de não ter um milhão de amigos, nunca passei o recreio sozinha na escola. Aliás, falemos um pouco sobre quem eu era no Rolê da Escola. Nunca fui a garota popular, no entanto, também não era 1) a pessoa que ninguém lembra o nome, 2) a pessoa que sofre bullying, ou 3) a pessoa esquisita e caladona com quem ninguém gosta muito de falar. Sei lá, eu tinha meus amigos, mas sempre que estes estavam ausentes, eu conseguia "me enturmar" com os integrantes das ~outras tribos~.


Se o meu Rolê da Escola fosse tipo aqueles filmes de ensino médio americano, eu jamais sentaria na mesa da Regina George ou do Troy Bolton. Porém, gosto de pensar que meu squad seria formado por pessoas legais como o Seth Cohen, a Veronica Mars e, claro, o Dawson Leery (na real, eu seria muito BFF do Dawson). Analisando friamente, acho que todos esses personagens podem ser classificados como "desajustados" e era exatamente assim que eu me sentia na escola (e na vida, pra ser sincera). Por mais que tivesse amigos e colegas e me sentisse confortável com essas pessoas (as quais conhecia desde sempre porque estudei na mesma escola durante toda a minha vida), também me sentia completamente deslocada, como se aquela galera - que era legal - não fosse a minha galera, sabe? Não sentia que eu pertencia àquele lugar.
Por um tempo essa percepção me incomodou bastante, porque me sentia meio sozinha (mal sabia que essa era a realidade de todo e qualquer pisciano), porém tinha esperança de que os anos de faculdade fossem melhores; ao mesmo tempo em que morria de ansiedade só de pensar em ter que conhecer gente nova e iniciar novos laços de amizade com pessoas que, talvez, me achassem estranha ou não gostassem de mim e me condenassem à mais quatro anos de muita solidão (apenas um exemplo de meu hiperbolismo; como sabemos, eu tinha amigos na escola). Não foi o que aconteceu.

Fiz Jornalismo e se tem uma coisa que você precisa saber sobre estudantes deste curso é: 95% deles são bem desajustados. Então acho que posso dizer que havia encontrado a minha turma. E a gente se divertia e tudo era lindo e mágico. Um bando de gente jovem e ~descolada~ sofrendo com a faculdade e de crises existenciais, escutando Beatles e Pink Floyd e sendo felizes desse jeito. Porém, como tudo o que é bom tem final, a Vida Estudantil chegou ao fim e cedeu seu lugar à Vida Adulta.
Ai, a Vida Adulta. Deixem que eu fale uma coisa para vocês sobre a Vida Adulta: ela não é gentil com os desajustados, mas isso é assunto para outro post. O fato é que saí da faculdade com algumas amizades, porém, hoje só mantenho contato real e diário com duas amigas. E, enquanto a Michelle de 16 anos acharia isso um tanto deprimente, hoje eu acho que tá tudo bem. Há também as amizades que surgiram pelo booktube e pelas mídias sociais, que também não são muitas (há uma diferença entre amigo e colega, ok?), mas que considero pakas e sou muito grata à word wide web por isso.

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Depois de toda essa enrolação introdução recordação e sem ter a menor ideia de onde quero chegar com este texto, acho que posso dizer que já fiz as pazes com o fato de que não sou o tipo de pessoa que tem um milhão de amigos. E quando falo de amigos, me refiro a amigos de verdade, o tipo de gente para quem eu ligaria caso assassinasse alguém e precisasse de ajudar para esconder o corpo. Esse tipo de amigo. Gosto de ser o tipo de gente que conhece pessoas - porque, convenhamos, é legal conhecer pessoas, conversar e trocar ideias -, mas que não guarda todas elas à sete chaves dentro do coração. É só para algumas que reservo este espaço (ando assistindo muito Full House, logo, tô brega).
Gosto também de ser o tipo de pessoa que fica bem quando está sozinha. Nesta aventura muito louca que é a da aceitação de quem realmente somos, finalmente decidi gritar para o universo que sou introspectiva sim, muito bem, obrigada. Acho maravilhoso o fato de que gosto de passar o tempo comigo. Sabe, se nem eu me aguentar, como é que os outros irão? Claro que o fato de gostar de ser meio ~loba solitária~ não quer dizer que eu não sinta a necessidade de convívio social, porque, oras, sou humana e gosto de ver gente. De vez em quando. Tem dias que gente demais me estressa, me incomoda, me cansa. Então, para concluir esta reflexão meio confusa, o que quero dizer é que enxergo amizades como essenciais para quem eu sou, mas não faço questão de ter mais amigos do que dedos em minhas mãos.  #BEIJOSDELUZ

- Michas


4 Comentários

  1. Adorei esse seu texto, aliás, gosto de todos os seus textos, falam muito comigo, refletem o que penso e sinto nos dias de hoje. Mas esse me tocou bastante pois ando pensando muito sobre isso nos últimos meses. E cheguei à conclusão que o conceito de amizade foi mudando ao longo da minha vida, era uma coisa aos 15, outra aos 22 e agora sofre uma nova mudança. Também acho importante aceitar essas mudanças, aceitar que qualidade importa mais que quantidade e que, às vezes, algumas amizades sofrem um distanciamento mesmo que a distancia física não aumente ou que não haja nenhuma briga ou desentendimento. Bom, como disse, ainda ando pensando muito sobre isso... rs
    Estou adorando o BEDA, é sempre muito bom ler seus textos.
    Beijos de luz também!😁

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  2. Lindo o seu texto, Michas!
    De verdade


    Você falou da solidão como uma característica pisciana, né? Eu sou ariana (sem julgamentos), mas me sinto dá mesma forma. Talvez pelos dois signos estarem tão juntinhos na mandala (um abre e o outro fecha) eles compartilhem esse sentimento.

    Também fui uma desajustada. Me identifiquei totalmente com tudo que você falou. Gosto de ficar sozinha também, porém ainda estou tentando aprender que poucos amigos não significa pouco gostada. É um desafio diário, porque às vezes me faz questionar a minha própria capacidade de fazer amizades ou se eu sou realmente uma pessoa legal para se ter por perto. Caraminholas na cabeça.

    Mas acho muito lindo, ao mesmo tempo, como isso vai evoluindo. Como você mesmo falou: se fosse a minha versão do ensino médio olhando pra mim hoje me me chamaria de prega (expressão da minha cidade) na hora.

    A coisa mais importante que eu tenho lembrado esses dias que o meu padrinho disse é que os amigos mesmo, de verdade, você conta em menos de uma mão. E além de contar numa mão, também não é pra sempre. São fases da vida :)


    Beijos!
    Amei mesmo

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  3. Oi, Fernanda :)
    Me identifiquei com o que você disse sobre o seu conceito de amizade mudar com o passar dos anos; acho que comigo acontece o mesmo. Quando eu era mais nova, eu sentia aquela pressão para ter muitos amigos, sabe? Como se para ser 'legal' eu tivesse que conhecer um monte de pessoas e ter vários melhores amigos. Hoje, acho até meio estranha essa concepção, porque amigo, para mim, é o tipo de pessoa com quem temos um laço quase tão forte quanto o laço familiar, sabe? Logo, não tem como ter um milhão de amigos, pelo menos não para mim; não consigo confiar em um milhão de pessoas, hahaha. Assim, prefiro ter poucos amigos que sejam muito próximos e com quem posso sempre contar.
    Sobre o distanciamento, também acho que é um processo natural. A vida segue e muitas vezes nos leva à diferentes lugares e, inevitavelmente, a gente se afasta de algumas pessoas. Não é porque não gostamos delas ou não tenhamos um bom relacionamento, é a vida. Simples assim.
    Fico feliz em saber que está gostando do BEDA! Tem sido uma experiência interessante e, apesar de ter achado a primeira semana bem tranquila, tô meio tensa com a segunda que está prestes a começar. Não consegui deixar nada planejado, logo, tudo vai rolar na base do desespero! Mas vai ser legal :)
    Beijos de luz pra você ;)

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  4. Oi, Mari ;)
    Awn, obrigada pelas palavras <3

    Pois é, essa coisa de ser desajustada me incomodava muito quando era mais nova. Hoje, me sinto confortável sendo quem eu sou e do jeito que sou. Mas, é um processo mesmo, a gente precisa aceitar e se acostumar; e quando somos adolescentes, é difícil e tudo é muito intenso, né? Concordo com o que seu padrinho disse sobre amizades.

    Haha, há julgamentos com arianos? Não entendo tanto de astrologia quanto gostaria, mas sei que Áries é o primeiro signo, não? E Peixes é o último, o mais ~evoluído~? Preciso me informar mais.

    Beijos :)

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