Decidi que iria para a Bienal nos 45 do segundo tempo. Acontece que nunca fui o tipo de pessoa louca por Bienal e creio que isso aconteça por alguns motivos, sendo os principais: 1) moro bem longe do Pavilhão do Anhembi; 2) não sei lidar direito com lugares nos quais as pessoas se aglomeram e fico o tempo todo irritada e um tanto desesperada; 3) adoro comprar livros pela internet porque os preços são sempre melhores. Então, de verdade, nunca fiz questão de ir à Bienal, apesar de achar o ideia toda do evento ótima e apoiar muito esse tipo de coisa.

Porém, desde que comecei a fazer parte da ~comunidade literária~ na internet, escrevendo e gravando vídeos sobre as minhas leituras, passei a prestar mais atenção nesse tipo de evento e não demorei para perceber que a Bienal é o mais aguardado de todos. Muito mais do que uma ocasião para editoras divulgarem seus lançamentos e incentivarem a leitura, a Bienal se tornou um ponto de encontro para aqueles que amam ler e produzir/consumir ~conteúdo literário~ na internet. Nos três anos que vivi nessa comunidade, conheci muitas pessoas legais e a oportunidade de conversar com elas pessoalmente é algo imperdível. É muito bom poder abraçar e olhar nos olhos de quem a gente assiste e/ou de quem assiste a gente e falar sobre livros, a nossa paixão pela literatura, a experiência da Bienal ou jogar conversa fora sobre o calor absurdo, as filas para comer e ir ao banheiro e, claro, sobre as compras e preços.



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Assim, mesmo sem uma gota de empolgação em relação ao booktube - isso diz mais sobre mim do que sobre a comunidade -, decidi que iria à Bienal na esperança de reviver um pouquinho da emoção que vivi no evento de 2014. Adotei uma postura ~misteriosa~, só comentei brevemente sobre o assunto no Snapchat (segue lá: michasborges) e com a Mell (que eu decidi que será minha companhia de Bienal sempre que der) e fui. Cheguei lá por volta das 11h30 e, apesar de ter credencial, observei que não tinha uma fila quilométrica para entrar. Minha irmã e meu cunhado também foram e, curiosamente, conseguiram entrar antes de mim. Depois de passar por todos os estágios do Ritual da Credencial, me perdi brevemente entre alguns estandes e consegui encontrar a Mell e a Ju próximas ao Trono de Ferro.

Como todas nós viemos de longe - elas de Jundiaí e eu do extremo oposto da região da Bienal; São Paulo é uma cidade enorme, gente -, acordamos cedo e, obviamente, já estávamos com muita fome. Resolvemos comer hambúrguer com batata frita e refrigerante antes de irmos para o local onde estava marcado para acontecer o Encontro de Booktubers™. Não me lembro o nome da lanchonete, mas lembro que achei um absurdo pagar 20 dinheiros em um lanche de padaria. Não tivemos que esperar muito para a comida ficar pronta, mas foi difícil encontrar lugar para sentar; assim, muito providas de classe, nos sentamos no chão e comemos ali mesmo, enquanto conversávamos e a Ju fazia uns snaps. Poucos minutos depois, uma moça que acompanha os nossos canais nos reconheceu e veio conversar com a gente e ela foi muito fofa. Tiramos algumas fotos e tô só esperando que ela me marque nas redes sociais para deixar um comentário de agradecimento pelo carinho e pelas risadas. Foi nesse momento também que conheci a Marcela e, apesar de termos conversado pouco, a achei adorável. Pessoas dos livros são as melhores pessoas <3.

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Quando terminamos de almoçar - não aguentei comer o lanche inteiro -, observamos que um grupo de pessoas ~confraternizava~ um pouco à frente e fomos informadas de que era ali que iria acontecer o encontro. Fomos até lá e não demorei a reconhecer alguns sorrisos. E aí, começaram os abraços, os "ai, não acredito que você tá aqui", os "nossa, faz um tempão que a gente não se vê, né?", os "ah, adorei te conhecer", os "você é diferente de como eu imaginava" e, claro, os "KHGSAUBLOIHCLU QILGU". Tem coisas que a gente não consegue dizer ou descrever, só sentir. #feelingsaretheonlyfacts SEMPRE.

Tentei conversar com o máximo de pessoas e distribuir o máximo de abraços que pude. Recebi um monte de abraços e sorrisos também e, sério, gente, sorrisos e abraços são muito bons. Tirei algumas fotos e posei para outras porque no meio de toda a emoção a gente quer registrar um pouco, né? Infelizmente, não registrei tanto quanto gostaria e esse é um dos motivos que me fizeram escrever esse post. Vou escrever para me lembrar.

Lembro de ter conversado um pouco com a Bruna e de termos, mais uma vez, divagado sobre o fato absurdo de morarmos na mesma cidade e nos vermos tão pouco. Abracei o Vitor e, na correria, trocamos uns sorrisos. Aí, vi  Gabi e mandei minha timidez passear porque eu queria muito falar com ela; não é todo dia que a gente conhece whovians ao vivo e ela é muito legal. Depois, a Pat me encontrou, a gente riu, ela me deu um marcador e eu a reconheci. Foi mais ou menos nesse momento que também conheci a Nati, que foi muito sorridente, e tiramos foto. Depois, esbarrei no Gabriel e ele me falou o que estava achando de São Paulo e de como foi uma experiência marcante conhecer o Terminal Rodoviário do Tietê. Não o julgo, aquele lugar é um tanto overwhelming. Não lembro como, mas juntos a gente conversou com a Nath, que mencionou meu amor por Supernatural. Gabriel não conseguiu ir além da décima temporada, mas eu disse para ele que a série tá boa ainda (risos).

Em algum momento, alguém me falou que a Tati estava ali e eu fui conferir. Ela estava li mesmo e, obviamente, fui tentar dar um abraço na pessoa que me apresentou ao booktube. Não vou mentir, fiquei um tanto surpresa por ela me reconhecer. "Olha só quem tá aqui! Michas!". Tati é muito simpática, gente, e, por isso, abracei algumas vezes. Um pouco antes disso, conheci a Daniela, que disse que gostava do canal, me abraçou e tiramos uma foto juntas.

Meio que, do nada, encontrei a Úrsulla e foi super legal conversar com ela, ainda que brevemente. Aí, encontrei a Luciana e a Thaynne, que estavam conversando com a Mell (que nós três admiramos muito). Mais fotos foram tiradas. Acho que foi nesse momento que conheci a Ingrid e, pouco depois, a Nathália. Conversamos brevemente, trocamos abraços e sorrisos. A partir desse ponto as coisas começam a ficar meio borradas e a minha memória começa a falhar. Talvez seja culpa do calor e da sede. Porém, muitas pessoas se aproximaram - algumas me conheciam e outras não -, me entregaram marcadores de seus blogs/canais, tiramos fotos, reclamamos do calor e, claro, falamos sobre livros. Vou aproveitar esse momento para agradecer o carinho que recebi de todo mundo que veio conversar comigo, gostaria de ter passado um tempão falando com vocês, afinal de contas, não é todo dia que a gente encontra pessoas dos livros ao vivo, né?
Aí, o local começou a esvaziar um pouco e pude conversar com aqueles que já conhecia, mas que ainda não tinha conseguido encontrar. Falei bem rapidinho com a Anna, aí, encontrei o Luan que me deu o abraço mais espontâneo e alegre do dia. Ficamos conversando um pouco e tiramos algumas fotos. Depois, finalmente consegui falar com calma com o Victor, que é, sem dúvidas, o unicórnio mais lindo. A Mell me apresentou para a Hady - na verdade, a gente já se conhecia de blogs passados e nos reencontramos, mas só percebemos isso depois -, que é uma pessoa muito carinhosa e simpática e, sério, querida. Já virei fã - já era, né, mas não lembrava - e pretendo ler o blog atual dela inteirinho. Ah, ela nos apresentou à irmãzinha dela, que eu decidi que é a criança mais fofa do mundo. <3

Só fiquei um tanto chateada porque não consegui conhecer a Ju e nem a Raquel. </3

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Meu rolê na Bienal chegou ao fim por volta das 16h, quando alguns de nós estávamos sentados em um círculo, descansando. Foi quando consegui falar um pouco com a Taís e conheci o Prata. Minha irmã me mandou uma mensagem dizendo que já estava cansada e, como concordei porque estava exausta, decidi que era melhor voltar para casa. Me despedi dos migos dos livros - os novos e os antigos - e fui embora com a saudade já batendo na porta. Pessoas dos livros são as melhores pessoas, gente.

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Faz quase dois meses desde que postei o último vídeo no canal e, como comentei minha newsletter, não senti falta. Em 2016, além de perceber que estou lendo menos porque prefiro fazer outras coisas, me dei conta de que o canal, que nunca foi uma prioridade, deixou de ser o meu lugar principal na internet. Percebi que ele não me diverte mais como fazia quando o criei. E tá tudo bem. Não vou mentir e dizer que durante esse período de afastamento não pensei em abandonar, porque eu pensei isso sim. Mas ir para a Bienal e encontrar tantas pessoas que gostam de ler e de livros como eu me lembrou do motivo que me fez criar um canal: falar sobre minhas leituras e conhecer outras pessoas que gostam de ler. E, sinceramente, ainda quero fazer isso. Só que só vou fazer quando sentir vontade. Então, acho que agora sou uma ~booktuber~ ocasional. E tá tudo bem.

- Michas



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