Hoje vou continuar a responder o Meme Literário de Um Mês e se você não sabe do que eu tô falando, a primeira parte da série de perguntas está aqui. Assim, sem mais delongas, vamos às respostas.

11. O que faz um grande escritor? O que faz um grande livro? Quais são as qualidades essenciais em ambos, na sua opinião, para que eles estejam entre os melhores?
Perguntas complicadas e com respostas bem subjetivas. No meu caso, acho que um grande livro é aquele que me faz ficar interessada pelo enredo e pelos personagens, que me envolva e que, ao final da leitura, me deixe com a sensação de que aprendi algo e de que carregarei alguma coisa tirada de lá. Um grande escritor é aquele que consegue escrever uma história que traga as características que mencionei. Alguns exemplos de autores que já li e que, para mim, entram nessa ~categoria~ são Jane Austen, J.D. Salinger, as irmãs Brontë, Machado de Assis, Oscar Wilde e Mark Twain. Dos contemporâneos, gosto do Carlos Ruiz Zafón e do John Boyne.

12. Você prefere livros narrados em primeira ou em terceira pessoa? Na sua opinião, o tipo de narrador pode influenciar a história do livro? Fale sobre o assunto.
Não tenho preferência e acho que há espaço para as duas formas de narrativa, desde que o livro seja bem escrito. Porém, acredito que o tipo de narrador pode sim influenciar na forma como vamos receber o livro. Uma narrativa em primeira pessoa faz com que o leitor fique o tempo todo preso "dentro da cabeça" do personagem e isso pode ser bom e ruim; se não existir identificação com o personagem, por exemplo, o leitor pode achar a narrativa enfadonha e detestar a experiência de leitura.


13. Cite um trecho de um livro que você gosta. 
Ando pensando muito em O apanhador no campo de centeio ultimamente - acho que tá na hora de uma releitura - e, por isso, resolvi compartilhar um pouco da sabedoria de Holden Caulfield:

Boy, when you're dead, they really fix you up. I hope to hell when I do die somebody has sense enough to just dump me in the river or something. Anything except sticking me in a goddam cemetery. People coming and putting up a bunch of flowers on your stomach on Sunday, and all that crap. Who wants flowers when you're dead? Nobody.

Outro livro no qual tenho pensado bastante é Em algum lugar nas estrelas, o meu favorito de 2016 e que eu já quero reler. Então, vou compartilhar um trecho que, para mim, só mostra como Early é um personagem incrível.

Acontece, sabe? Ficar lelé da cuca quando se perde. Eles chamam de "perder a cabeça", mas não é "perder a cabeça" de ficar muito bravo, é de ficar maluco. (...) Você também pode dizer "doido", "biruta", "insano" ou "perturbado". "Lunático" é o meu favorito. É como os britânicos preferem. E você, Jackie, de qual gosta mais? Prefere perder a cabeça por ficar com raiva ou de ficar maluco? Eu prefiro perder a cabeça de doido, porque dá pra ficar lelé e continuar feliz.

14.Você costuma frequentar bibliotecas?  Quantos livros costuma pegar? Fale um pouco sobre o assunto.
Quando estava na escola e na faculdade, costumava frequentar bibliotecas. Tanto para pegar livros emprestados, quanto para ler algum livro que já tivesse comigo. Durante o ensino fundamental, fiz algumas ~atividades extracurriculares~ oferecidas pelas escola e, por isso, tinha dias em que ficava lá por período integral. Foi assim que desenvolvi o hábito de ter ou procurar sempre algo para ler. Na faculdade, a biblioteca foi mais utilizada para o empréstimo de livros acadêmicos, mas de vez em quando pegava algum romance. Hoje não frequento mais bibliotecas, mas quero voltar a fazer isso.

15. Se você pudesse escolher um único livro para ganhar/comprar até o final do ano, qual seria?
Provavelmente a nova edição de O morro dos ventos uivantes que a Zahar lançou recentemente. Eu amo muito esse livro e, se pudesse, teria todas as edições. Mesmo não podendo fazer isso, vou sim adquirir a edição nova porque adoro o trabalho que a Zahar faz com os clássicos da literatura mundial. Tenho certeza de que será ótimo revisitar a história com uma edição caprichada.

16. O que te faz largar a leitura de um livro no meio do caminho? Que defeitos imperdoáveis um livro tem que ter para você abandoná-lo? 
Atualmente, largo toda e qualquer leitura que não esteja me cativando naquele momento. Já fui mais de persistir, de só largar um livro depois que a leitura estivesse concluída, mas hoje sinto que isso só atrapalha e frustra a experiência. Assim, não tenho problema algum em parar uma leitura que não está fluindo. Algumas voltam para a estante e sei que em um momento mais oportuno iremos nos reencontrar. Outras vão embora mesmo porque percebo que jamais nos entenderemos. Quanto aos defeitos imperdoáveis, é difícil falar porque depende muito do momento e da leitura. Porém, tenho a tendência a odiar livros em que sinto que o autor está enrolando para chegar a algum lugar ou que fica criando um suspense desnecessário. Detesto chegar ao fim de um livro de 400 páginas, por exemplo, e perceber que a história poderia ter sido contada de forma mais eficiente e interessante em 100.

17. Na sua opinião, qual é o propósito da literatura? Entreter? Educar? Ampliar horizontes? Fale um pouco sobre isso. 
Acho que o propósito da literatura é justamente entreter e educar ao mesmo tempo em que amplia os nossos horizontes. A literatura nos tira da nossa zona de conforto e nos faz enxergar o mundo de diferentes formas, aprendemos mais sobre o outro, sobre tudo o que nos é desconhecido e, de certa forma, vivemos várias vidas a partir desse tipo de experiência. Sou o tipo de pessoa que acredita que muitos dos problemas do mundo poderiam ser solucionados a partir da leitura e da literatura.

18. Você costumar ler e-books? Ou prefere o bom e velho livro em papel? Por quê?
Costumo ler tanto e-books quanto livros físicos e gosto das duas formas. Acredito que ambas as experiências de leitura trazem vantagens e desvantagens e o mais legal é ter duas possibilidades. Mas, claro, realmente adoro folhear páginas e sentir o livro em minhas mãos enquanto estou lendo. Porém, jamais descarto os e-books porque eles são uma forma de tornar a leitura mais acessível e, de certa forma, confortável. Um calhamaço, por exemplo, não é pesado no formato eletrônico. Sem contar a possibilidade de alterar o tamanho da fonte.

19. O que você acha da elitização da literatura?
Morro de preguiça de pensar na expressão ~elitização da literatura~. Literatura é arte, é entretenimento, é educação. E ninguém deveria ser privado disso. E as pessoas precisam parar de achar que quem lê é superior ou melhor de alguma forma. Não existe esse tipo de coisa. Literatura é para todos os que querem ler, oras. 

20. Cite três livros importantes em sua vida (fale um pouco sobre eles).
Harry Potter e a Pedra Filosofal, que me fez entender que ler pode ser uma atividade tão prazerosa quanto qualquer outra forma de entretenimento. Foi com ele que comecei a dar os primeiros passos para me tornar alguém que gosta de ler. A história sem fim, um livro que já amava antes de ler e com o qual me identifico tanto que nem sem me expressar à respeito. O apanhador no campo de centeio, um clássico lindo que chegou para mim na hora certa e me abraçou. Esses foram os três primeiros nomes em que consegui pensar, mas já falei sobre livros que me marcaram aqui e aqui.

- Michas


4 Comentários

  1. Michas, pensamos iguais sobre as questões abandonar livros, propósito da leitura e ebooks.
    Já tentei ler O Apanhador mas não estava no momento. Vou tentar mais uma vez, em breve.
    Sempre que alguém fala que um livro marcou a vida fico curiosa com a leitura rs
    bjs
    www.jeniffergeraldine.com

    ResponderExcluir
  2. Michas! Eu sempre tive problemas em ler livros narrados em primeira pessoa justamente pelos motivos que você citou. Existem personagens muito limitados que são protagonistas de grandes tramas, isso me deixa meio irritado com o desenvolvimento das coisas.

    É muito legal ver mais alguém que não fica esnobando os e-books, não sei qual a necessidade disso. Também gosto dos dois formatos, só que o físico tem a vantagem de ainda ser um objeto de decoração. Se for um calhamaço melhor ainda...rs

    Eu amo História sem fim, fez parte de toda a minha infância. Lembro de ver os filmes na casa da minha avó e de assistir uma série animada que tinha todo dia de manhã. Só li o livro muito tempo depois, e foi demais porque era algo novo mas com gosto de nostalgia sabe.

    Eu confesso que fui uma criança/jovem que foi estimulado a ler pela televisão. Sempre notei referencias, e isso meio que guiou o meu gosto literário. Sherlock holmes, Um conto de Natal, O médico e o monstro são exemplos de clássicos que são muito lembrados em programas infantis.

    Acabei escrevendo demais...rs
    Até a próxima!

    ResponderExcluir
  3. Oi, Jeniffer :)
    Haha, olha, a vida é curta demais pra gente ficar se prendendo à leituras que não estão fluindo, né? Já desapeguei da ideia de ler todo e qualquer livro que iniciei. Se não tá legal, vai voltar para a estante! Ler é para ser algo prazeroso!
    E-books são ótimas alternativas, né? Tudo que torna a leitura mais acessível é válido.
    Ah, dê outra chance para O apanhador no campo de centeio sim. É um livro lindo, adoro muito!
    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Oi, Abner :)

    Pois é, essa coisa da narrativa em primeira pessoa é muito delicada, porque pode estragar uma história ótima, né? Um livro que seria muito melhor se fosse narrado em terceira pessoa é Jogos Vorazes. Nada contra a Katniss, mas a visão dela é meio limitada em alguns pontos. Felizmente, os filmes "corrigem" isso um pouco.

    Olha, também não entendo o porquê de desprezarem e-books. Penso que toda e qualquer ~ferramenta~ que torne a leitura acessível, é válida. E é completamente viável gostar das duas formas, né? As pessoas gostam de problematizar tudo.

    A história sem fim também me lembra muito a minha infância. Assistia aos filmes na televisão e, curiosamente, minha avó também estava presente, haha. Nossa, a série animada! Lembro de assistir alguns episódios e adorava também! Sempre sinto um sentimento nostálgico quando penso em Fantasia, Atreyu, Bastian, Falkor <3

    Que legal essa coisa de ser estimulado a ler pela televisão. Normalmente, as pessoas dizem que tv afasta as crianças da leitura, mas no seu caso o que aconteceu foi o oposto, né? Talvez o mesmo tenha acontecido comigo, apesar de eu nunca ter pensado sobre isso. Eu assistia muita TV quando era criança - anos 90, tv à cabo chegando no Brasil e morando em cidade grande.
    Lembro de uma animação de Um conto de Natal que sempre passava no Cartoon Network na época das festas de fim de ano; acho que foi assim que tive meu primeiro contato com a história do Dickens.

    Ah, que é isso! Pode sempre escrever bastante por aqui. Adoro ler os seus comentários :)

    Abraços e até mais!

    ResponderExcluir