(Aquele sobre um livro que poderia dar certo, mas não deu)

Não me lembro de como ou onde ouvi falar de "Midwinterblood", de Marcus Sedgwick. Assim, só me resta aceitar o fato de que comprei o livro de forma impulsiva pelo Book Depository, em 2014, e sem pensar muito sobre o que estava fazendo. O exemplar ficou parado na estante por dois anos até que decidi transformá-lo em uma das minhas escolhas da #MLI2016; e agora venho contar o que achei, mas já aviso: foi uma experiência duas estrelinhas, it was ok.

Pois bem, comecemos pela estrutura. "Midwinterblood" é dividido em sete partes que funcionam quase de forma independente, como se fossem contos, mas que, quando juntas, contam uma só história. No início, somos apresentados a Eric Seven, um jornalista do ano 2073, que visita a ilha Blessed (localizada, possivelmente, próxima da Suécia) com o intuito de realizar uma reportagem investigativa. Aparentemente, há algo de misterioso à respeito do lugar, que serve de inspiração para diversos rumores, entre eles o de que seus moradores vivem para sempre e o de que bebês não nascem por ali. Curioso, Eric começa a explorar o local e descobre que há uma área da ilha completamente isolada , sobre a qual seus moradores - ainda que cordiais e dispostos a ajudar - evitam comentar. Aos poucos, ele percebe que há algo de estranho acontecendo, ao mesmo tempo em que Blessed e seus moradores começam a lhe parecer familiares, mesmo que não tenha recordações deles.

Nas demais partes acompanhamos histórias situadas em diferentes momentos e com outros personagens: um grupo de arqueólogos que vive em 2011, um piloto da Segunda Guerra Mundial, um pintor no início do século XX, gêmeos de 1848 que gostam de histórias de fantasmas, um vilarejo viking do século X e uma civilização tão antiga que não se sabe de que tempo é. Todas elas, com  elementos mágicos e sobrenaturais, se entrelaçam de alguma forma e têm como palco principal a ilha Blessed.

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Quando iniciei a leitura, achei tudo bastante intrigante - imagino que essa tenha sido a intenção do autor - e, apesar de não entender muito bem para onde tudo estava caminhando, tinha esperanças de encontrar uma história na qual tudo se encaixasse. Achei que a experiência seria como a de ler um romance policial: o autor entrega as peças e o leitor monta o quebra-cabeça. Por trazer uma estrutura bem diferente e nada linear, imaginei que chegaria a um ponto da história em que tudo faria algum sentido. Mas não foi muito bem o que aconteceu. Nesta entrevista, Marcus  Sedgwick explica que sua inspiração para escrever "Midwinterblood" surgiu após ele ter conhecimento da pintura "Midvinterblot" (1905), de Carl Larsson. Ele decidiu criar uma história ~baseada~ no quadro, porém, acrescentou mais seis histórias que, não só abordam a ideia de sacrifício, mas também estão interligadas.

A ideia é boa, o problema fica por conta da execução. Há sim um cuidado com a construção da história, mas não é suficiente para entregar algo convincente. Quando cheguei ao ponto em que descobri o motivo de tudo estar acontecendo, não senti como se fosse uma grande revelação porque 1) é bem previsível e 2) não há explicação alguma sobre a ~mitologia~ da história, de forma que coisas acontecem e não existe uma lógica. Vejam bem, eu sei que não existe racionalidade quando falamos de fenômenos sobrenaturais e/ou mágicos em histórias, mas é preciso que um mínimo de noção do mundo em que tudo acontece seja explorado. A impressão que fica é que o autor começou a escrever, não sabia mais o que fazer e inventou qualquer coisa óbvia.

No que diz respeito ao romance - porque sim, isso aqui é também uma história de amor -, irei poupá-los sendo direta: não faz sentido, tem instalove, é esquisito pra caramba e não me convenceu.
Também não entendi o porquê de o livro ter vencido o Printz Awards. Além de mal desenvolvido, o livro não tem nada que o classifique como YA. Sério, não há protagonista adolescente, não há questões sobre a adolescência sendo abordadas e não há aquele ~amadurecimento~ de personagens ao longo da história. Na real, quando penso em "Midwinterblood", só enxergo: ???

E é isso. Não consigo ir além, tenho um enorme ponto de interrogação pintado na cara e só não digo que esta foi a pior experiência literária de 2016 porque li "A sereia" e nada consegue ser pior que aquele livro.

- Michas


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