Recentemente "descobri" uns textos que escrevi para um antigo blog. Na época, com 19 anos, tinha acabado de sobreviver ao primeiro semestre da faculdade de jornalismo e ideias - muitas ideias! - estavam pipocando na minha cabeça. Nada inovador ou empreendedor, apenas aqueles tipos de pensamento que surgem vez ou outra quando a gente passa por choques de realidade e nossas visões de mundo começam a mudar ou a ser formar.

Dramática e hiperbólica como era - e sempre serei! -, havia algo de fatalista na forma como eu enxergava as coisas, tanto que o ~subtítulo~ do blog era algo como "os desabafos de uma mente perturbada pelas loucuras da vida". Ah, o exagero! Bom, o fato é que hoje não vejo mais a-vida-o universo-e-tudo-mais como a Michelle de 19, porém, a minha versão de 26 adorou  muito a experiência de visitar o passado por meio daquelas palavras. É impressionante como alguns parágrafos foram capazes de me transportar para outra época e, inevitavelmente, me fazer lembrar de todos os anseios e angústias que senti e vivi naqueles tempos. E isso só foi possível porque eu escrevi sobre tudo aquilo. Há algo de muito mágico nas palavras. Sejam elas de um Machado de Assis, de uma Taylor Swift ou, sei lá, de nós mesmos.




Eu escrevi sobre como estava de saco cheio de pessoas que, de tanto falar, não eram capazes de escutar seus próprios pensamentos e, claro, me impediam de escutar os meus. Escrevi sobre o badboy que partiu meu coração (porque todas nós temos uma fase de badboys na vida, não é mesmo?). Escrevi sobre meus conflitos existenciais e sobre o fato de que não gosto de religiões. Escrevi sobre a felicidade por saber que tinha feito a escolha certa ao não optar pelo Direito, mas também falei da angústia por não saber se Jornalismo tinha sido uma boa escolha  (não foi!). Escrevi sobre guardar meu coraçãozinho em frangalhos e depois, falei sobre me apaixonar novamente (por outra pessoa; também boy lixo). Escrevi sobre amizades e rock 'n' roll. Creio que meus restos mortais tenham escrito algo após minha cabeça explodir com o Dark Side of The Moon. 
Aí, eu parei de escrever. Ou melhor, parei de escrever sobre mim e sobre as minhas ~impressões~ do que vivia e hoje tenho uma lacuna nas minhas memórias. É claro que eu lembro do que vivi nos últimos anos, mas sabe aqueles pequenos detalhes e sensações que ocorrem em dias aparentemente banais mas que, na real, revelam muito de nós? Então, perdi vários deles. Existe um enorme buraco entre os 22 e os 26 e eu lamento demais. E não quero que a Michelle de 30 sinta o mesmo. Por isso, resolvi me entregar de vez à minha insanidade e me propus um desafio: BEDA (Blog Every Day in August). \o/

Sim, é isso mesmo. Eu, Michelle, estou me comprometendo a publicar um post por dia neste prestigioso (?) espaço da world wide web durante o mês de agosto. Estou empolgada? Sim! Vai dar certo? Tenho minhas dúvidas. Vou sobreviver? Provavelmente não. Os textos serão reflexões profundas sobre o destino da humanidade e a origem da vida? 'Cês tem noção de quem é que tá escrevendo? Os textos serão sobre tudo e, com toda a certeza, sobre nada. O importante é 1) escrever e 2) me divertir durante o processo. E, claro, registrar. Registrar para que eu possa me lembrar.
Tenho certeza de que daqui a uma semana estarei profundamente arrependida desta ideia, mas ainda assim, me esforçarei ao máximo para cumprir o desafio. Até montei uma tabela e comecei a usar um sistema de cores para me organizar. Acho que vai ficar tudo bem e tomara que dê tudo certo. E quem quiser me acompanhar, pode vir! E se for louco, embarque nessa também! Vai ser incrível!

Ontem, quando este post já estava preparado e programado, veio a meu conhecimento o grupo Se organizar, todo mundo bloga lá no Facebook, que tá cheio de gente que vai participar do BEDA! Então, se você quer participar, mas precisa de um incentivo e/ou ajuda para posts, fica aí uma sugestão de lugar para conhecer pessoas simpáticas que também gostam do universo dos blogs. ;)


- Michas


10 Comentários

  1. Me identifiquei com este texto e me senti acolhida por outra pessoa dramática e hiperbólica como eu. Rsrs. Acho que é preciso ser assim para compreender toda a loucura do mundo, né? Muito legal você trazer esta reflexão, porque a escrita também é uma forma de marcar nosso amadurecimento. Assim como você, percebo as mudanças em mim, mas não sei como aconteceram. Tua ideia foi sensacional! Amei a proposta do BEDA! Já estou ansiosa para acompanhar esta aventura aqui no blog.
    Abraços

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  2. Nicole Fitzpatrick1 de agosto de 2016 11:17

    Adorei a ideia e as fotos Michelle, ansiosa! Bjss
    http://simplyradioactive.blogspot.com.br/

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  3. Michas, já me cativei pelo título do post! Acho que esse é um dos motivos mais nobres que existem para escrever: registrar memórias pra gente mesmo, pra gente ver o quanto mudou, o quanto cresceu, ou o quanto no fundo sempre continuamos sendo a gente.
    Não vou brincar, mas vou tentar acompanhar!
    Beijos,
    Analu.

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  4. Amo quando encontro alguém que também acredita que, muito mais do que escrever como exercício, a escrita também é uma forma da gente se lembrar das coisas. Depois que eu aprendi isso, acho muito difícil parar - e é por isso que, mesmo respirando com a ajuda de aparelhos, o blog continua lá. Eu sinto muita falta das minhas memórias de adolescência, porque foi um período que eu vivi muitas coisas, muitas mudanças, e que tirando alguns poucos e-mails que eu mandava pras minhas amigas, eu não só não lembro o que senti como provavelmente teria esquecido muito do que aconteceu. Eu não quero que isso aconteça de novo. Então a gente escreve e seguimos assim.

    Obviamente, amei a sua escrita e o seu blog e não me surpreende nem um pouco que sejamos piscianas, afinal identificação bateu e ficou, risos eternos. Boa sorte pra nós <3

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  5. Oi, Mariucha :)
    É sempre um prazer conhecer pessoas hiperbólicas! E, sim, só desse jeito pra gente dar conta essa vida muito louca.
    Fico feliz que tenha gostado da ideia de fazer BEDA. Não sei muito bem no que eu estou me jogando, mas espero - de verdade! - que dê tudo certo! Acho que pela escrita conseguimos enxergar o nosso amadurecimento de duas formas: 1) pelas ideias que a gente desenvolve ou pela forma como as entendemos e expressamos nos textos e 2) pela escrita propriamente dita. Lendo textos que escrevi há 3, 4 anos, percebi que mudei muito meu jeito de escrever e acho que foi de forma positiva. Então, acho que o BEDA será divertido principalmente no futuro, quando eu decidir reler os posts!
    Muito obrigada pela visita e pelas palavras! :)

    Beijos

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  6. Oi, Nicole!
    Que bom bom que gostou! Elas são, quase todas, da fase da ~lacuna~ que mencionei no texto! :)

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  7. Oi, Analu :)
    Ai, que comentário lindo! E concordo muito com você sobre como podemos ver como mudamos, crescemos (ou não) a partir dos nossos registros em textos.
    Que pena que você não vai participar, adoro ler seus textos (mesmo quando não comento), mas fico feliz por saber que vai tentar acompanhar :)
    Obrigada pela visita!
    Beijos

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  8. Oi, Ana Luíza (Sharon?)

    Cara, adorei esse comentário!

    Pois é, ultimamente tenho pensado muito nessa coisa de registrar a forma como penso por meio da escrita. E o que acho mais interessante é que nem sempre os textos precisam ser sobre a vida, o universo e tudo mais, sabe? Um breve comentário sobre, por exemplo, um filme pode refletir muito quem eu sou hoje. E eu acho isso tão maravilhoso! Nos últimos anos, só postei sobre minhas leituras e, por mais que eu consiga - a partir dos textos - lembrar de como era a época em que li o livro, não é muita coisa. Quero tentar registrar mais as minhas impressões de momentos vividos, pessoas que conheço, ou, sei lá, conceitos, sabe? Não sei se tô fazendo sentido, mas vou tentar fazer um pouco disso no BEDA.

    Muito obrigada pelas palavras e pelo comentário fofo <3
    Adoro conhecer gente de Peixes porque a gente sempre se entende! Então, nem preciso dizer que já me identifiquei com o pouco que conheci de você pelos seus textos, né?

    Beijos e boa sorte pra nós! <3

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  9. Michas, adorei o texto!!
    O que você falou me lembra de uma das razões do diário ser tão importante: são registros. Eles te remetem a uma época em que você, provavelmente, pensava totalmente diferente do que pensa agora. E é ótimo ver essa mudança! Não com apegos, mas como um incentivo pra seguir em frente.

    Também estou no BEDA e adorei você falar sobre "se divertir durante o processo". É isso que eu quero pra mim também :)

    Bom BEDA/Boa sorte pra nós!!
    Beijos!

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  10. Oi, Mari :)

    Fico feliz que tenha gostado do texto! O que disse sobre diários é muito verdadeiro, são registros de quem fomos e/ou somos, né? Não tenho muita disciplina para manter um diário regular, mas sempre que lembro ou sinto vontade, escrevo alguma coisa. Espero que com o blog as coisas funcionem com mais organização, haha. O BEDA vai ajudar, tenho certeza!
    Não sabia que você também estava na brincadeira! Vou agora mesmo no seu blog ;)

    Boa sorte pra gente!

    Beijos

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