Ultimamente tenho pensado em como eu preciso escrever mais. Vejam bem, não tenho a menor pretensão de me tornar uma Grande Escritora Contemporânea™, mas sabem aquela história de que escrever é uma atividade terapêutica e que faz bem para a gente? Então, é disso que tô falando. Lembrei de como durante boa parte da minha adolescência eu mantive diários e de como eu gostava de separar um momento do meu dia para me dedicar completamente à eles. Nem me lembro muito bem sobre o que eu escrevia - provavelmente algo que envergonharia profundamente a minha versão atual -, mas recordo a sensação de tranquilidade que acompanhava o ato de colocar algumas palavras em uma folha de papel.

Os diários também tinham uma quantidade de coisas coladas que variavam entre fotos de cantores/atores que eu achava bonitos, papéis de bala, bilhetinhos que trocava com as amigas de escola, adesivos, desenhos, etc. Infelizmente, não tenho nenhuma foto deles para compartilhar com vocês - o que não é algo necessariamente ruim - porque Michelle de 18 anos, em um ato de rebeldia, decidiu que não era mais mocinha de escrever diários e se desfez de todos os registros escritos de quem havia sido até então. Não vou chateá-los com lamentações, apenas saibam que o arrependimento é real.

Durante o BEDA, precisei me disciplinar para conseguir escrever um pouquinho por dia e agora, um mês e alguns dias depois do fim do desafio, começo a sentir falta daqueles momentos. Mas como sei que não sou louca de me jogar em outra cilada que envolva parir um post por dia, começo a considerar novamente a possibilidade de manter um diário e/ou journal. No ano passado, decidi que iniciaria um no meu aniversário de 25 anos porque achei que a data tinha algo de ~místico~ e digno de ser registrado em um texto escrito à mão. Aí, eu comecei o diário e ele ficou quase um ano sem nenhuma atualização. Em 2016, prometi que me empenharia mais e, vejam só, se escrevi pelo menos duas vezes até setembro, foi muito.



Penso na minha proposta de escrever para me lembrar e de como venho falhando miseravelmente. É claro que lembro do que vivi desde os meus 18 anos, mas não ter um registro escrito de quem eu fui desde aquela época é algo que me deixa um pouco triste. É tipo o que acontece quando penso que aqui em casa temos vários álbuns de fotografias que guardam registros de toda a minha infância, mas quase tudo depois dos meus 12 anos está salvo em alguma pasta dentro de algum HD externo. E aí, penso na mísera quantidade de registros fotográficos que fiz nos últimos três anos e em como isso não faz sentido algum se levarmos em consideração o fato de que vivemos nos tempos das selfies. 

Mas já estou divagando. Não sei muito bem qual é o objetivo dessas reminiscências, mas acho que, no fundo, só estou registrando a minha vontade atual de voltar a manter diários. Inclusive, há pouco menos de um mês, resolvi seguir os conselhos da Tary e comecei a exercer o hábito de escrever um pouquinho todos os dias (ou quase isso). Ainda não tenho algo de muito concreto para falar sobre a experiência, mas mais pra frente comento por aqui. Por enquanto, apenas digo que estou gostando e tem me feito bem. Aguardemos as cenas dos próximos episódios.


6 Comentários

  1. O BEDA foi mesmo ótimo pra fazer a gente escrever (e lembrar que a gente gosta de escrever). Eu fiz agendas cheias de colagens elaboradíssimas durante muitos anos (Escola Confissões de Adolescente de Arte), mas pra escrever mesmo sempre me apeguei ao blog (e aos comentários nos blogs dos outros, porque um assunto puxa outro e sempre virava uma boa conversa e eu acabava descobrindo coisas sobre mim ali no meio).

    Espero que você volte a se encontrar nos diários... e que não se desfaça deles dessa vez! Perdi minhas agendas há anos e morro de saudade delas.

    Beijos

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  2. Entendo bem esse sentimento. Eu nos meus 15 anos costumava escrever sobre tudo que eu lia. E essa foi a minha era de ouro da leitura, hoje em dia o máximo que eu escrevo é em comentários online...rs Também quero escrever mais, não pra criar um blog ou algo do tipo, mas como terapia, para organizar os pensamentos e aprimorar a escrita...rs
    Notei que quando coloco os pensamentos para fora, as vezes descubro coisas que não tinha percebido antes. Hoje em dia absorvemos tantas informações de tantas mídias diferentes que esse tipo de coisa faz muito bem. Organiza as ideias na cabeça.

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  3. Oi, Nicas
    Verdade, o BEDA me fez muito bem justamente por me motivar a escrever um pouquinho a cada dia.
    Haha, ah, as agendas cheias de colagens e adesivos. Que saudades <3 <3
    No meu caso, vou escrever nos diários, mas também vou continuar no universo dos blogs, acho que consigo me encontrar nos dois. É que tem coisas que prefiro não publicar e escrevo mais para mim mesmo, para a minha versão do futuro.
    E pode deixar, dessa vez não vou me desfazer de nada. É horrível não ter as recordações que ficaram nos diários da minha adolescência.
    Beijos

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  4. Oi, Abner
    Eu com 15 anos também escrevia sobre o que eu lia e, principalmente, sobre o que eu assistia, porque naquela época era mais ligada a filmes. E também escrevia sobre mim, coisas que me aconteciam, ideias que eu tinha, etc. Com o tempo, fui deixando a prática de lado e hoje sinto que me fez falta.
    Como você, percebo que colocar minhas ideias em uma folha de papel me ajuda a organizar meu pensamento e também a me entender. É realmente uma terapia e ajuda muito nesses tempos conectados e velozes que vivemos. E pense em como será legal ler o que escrevemos daqui há uns anos, né?
    Recomendo muito que você faça isso, escreva para você e quando você quiser, sem pressão ou pretensão. Boa sorte ;)

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  5. Eu to brincando de escrever faz anos, mas volta e meia passo por uns momentos como o seu, em que nada faz sentido e todos os blogs/diários/journals/apps de registro ficam esquecidos lá no fundo da gaveta. É um arrependimento constante, mas acho que se cobrar pra fazer coisas enormes também não adianta muito! Escrever um pouquinho por dia é legal pra retomar o ritmo e criar algumas memórias sem pressão, eu acho. Vai fazendo as coisas no seu ritmo, e espero que logo você sinta que está conseguindo escrever mais :D beijos! :**

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  6. Oi, Manu :)
    Concordo com você, não vale a pena ficar se cobrando para fazer esse tipo de coisa. Se manter journals/blogs/diários se tornar uma obrigação, qual é a graça, né? No meu caso, é mais uma questão de colocar a ideia na prática mesmo, parar de procrastinar, haha.
    Não escrevo todos os dias, mas tenho mantido um journal e tem sido interessante. Tô levando da mesma forma que levo o blog: não abandono, mas não escrevo sempre que dá ou tô afim. Assim tá dando certo e acho que vai ser legal ler o que escrevi daqui a uns anos.
    Obrigada pelo comentário <3
    Beijos

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