(Aquele sobre a 2ª temporada de Supernatural)

Lembram que eu disse que iria registrar as minhas impressões do rewatch de Supernatural conforme eu fosse concluindo as temporadas? Pois é, já foram seis e eu só falei da primeira. Sorry, my bad. Em minha defesa, digo que não quero que esse blog fique monotemático e mesmo que esta não seja uma justificativa louvável para o ~atraso~ dos posts, é a única que eu tenho além de tava-muito-ocupada-assistindo-Supernatural-para-escrever-sobre-Supernatural. Tenho certeza que 'cês me entendem.

De qualquer forma, hoje vou falar sobre a segunda temporada, que foi ao ar entre 2006 e 2007 e que, durante muito tempo, foi considerada a minha favorita. Ainda não sei se essa é uma verdade absoluta na vida desta que vos escreve, mas assim que tiver uma resposta, eu aviso. 
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Em 2006, Michelle estava no segundo ano do Ensino Médio e, como já sabemos, Supernatural era a sua série preferida. Lembro da angústia enorme que senti durante os meses de espera para que o Warner Channel começasse a exibir a temporada. Na época, lembro de ter feito uma tabela tipo aquelas de horário da escola para organizar as séries que eu acompanhava, marcando o dia, horário e canal.

Era uma época interessante. Eu ainda dividia o quarto com a minha irmã, então costumávamos assistir os seriados juntas e depois a gente comentava o que tinha achado. As terças-feiras eram especiais porque traziam o combo Smallville + Supernatural. A série do jovem Clark Kent foi a primeira que começamos a acompanhar e foi por ela que conhecemos o Jensen Ackles, o que nos levou a ter um mínimo de interesse por Supernatural. Não, a gente não gostava de Gilmore Girls na época, logo, Padalecki who? Porém, de interesse a realmente começar a assistir demorou um pouco e eu precisei convencer minha irmã a assistir porque ela morria de medo só de ver as propagandas.

Talvez, meu carinho pela segunda temporada seja por conta do fato de que foi a primeira que acompanhei em "tempo real" - só que não, porque no BR as coisas chegavam com meses de atraso. Gostava tanto, que pesquisava os horários alternativos para assistir as reprises. Ah, a vida pré-torrents! Ainda sobre assistir na companhia da minha irmã, tinha o fato de que a gente se identificava com os Winchester. Primeiro, pelo motivo óbvio de que eles são irmãos. Mas cada uma se identificava com um deles justamente por conta das personalidades distintas. Coincidentemente, eu, irmã mais velha, me identifico muitíssimo com Dean. Minha irmã, com o Sam. E, sem exagerar, tem uns diálogos deles - daqueles mais corriqueiros, que não envolvem monstros e afins - que poderiam ter acontecido entre nós. Lembro que ela me deixava bilhetinhos assinados como "Sammy". <3


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A segunda temporada começa exatamente do ponto em que Devil's Trap (1x22) parou: os três Winchesters e o Impala foram atingidos por um caminhão dirigido por um demônio. Após serem socorridos e levados para um hospital, acompanhamos o doloroso desenrolar de acontecimentos que levará à morte de John.

Enquanto lidam com o luto, Sam e Dean continuam na estrada, saving-people-hunting-things-the-family-business, ao mesmo tempo em que tentam desvendar o mistério das ~habilidades especiais~ de Sam e, claro, caçar o Azazel (a.k.a. Yellow Eyed Demon). De forma geral, a temporada tem a mesma atmosfera da primeira e, para mim, o grande diferencial está no desenvolvimento dos protagonistas, nas novas camadas exploradas de suas personalidades. Sam superou a perda de Jessica e aceitou o seu lugar na família e o que isso significa, "abraçando" de vez a vida de caçador. Dean, por sua vez, mostra um lado mais vulnerável ao precisar lidar com a ausência do pai, que sempre foi o seu modelo, enquanto segue firme na sua missão de proteger Sam a qualquer custo.

É nessa temporada que vamos conhecer alguns dos personagens mais queridos pelo fandom: Ellen e Jo Harvelle e Ash. Tem o Trickster também - que eu achava bem irritante nesta fase - e o Bobby, que a gente já conhecia, mas que aqui começa a assumir a posição de figura paterna para os garotos. Infelizmente, é aqui que somos apresentados também a Gordon Walker, um dos personagens mais odiados (é o número um na minha lista, by the way), mas que serve para levantar alguns questionamentos sobre a ~profissão~ de caçador e a necessidade de eliminar toda criatura sobrenatural que anda pela Terra. Será que todo monstro é, de fato, uma ameaça para os seres humanos? E se não forem perigosos, precisam mesmo morrer? Acho bem interessante como os posicionamentos dor irmãos são divergentes perante tais questões. Sam é mais aberto ao diálogo, enquanto Dean é super adepto do shoot-first-ask-questions-later. O mais legal é acompanhar a visão dele mudando quando Sam passa a ser encarado como um monstro.
Por fim, vale mencionar que é nesta fase que os irmãos começam a ter problemas com a polícia, o que dificulta muitíssimo o trabalho deles. Ah, e a temporada volta a questionar, ainda que brevemente, a ausência de Deus (ou qualquer força superior) enquanto o mundo é constantemente ameaçado por demônios, espíritos e outras criaturas malignas - além, claro, do ser humano, das guerras, da fome, etc.


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Episódios preferidos


In My Time of Dying (2x01)
Este é, possivelmente, o meu episódio preferido de Supernatural. E isso ocorre porque ele consegue reunir, ao longo de seus 50 minutos, tudo aquilo que a série tem de melhor: cenas de ~medinho~, drama familiar e um Winchester vendendo a alma para salvar outro (s). Dean tá meio-vivo-meio-morto - e interagindo com a ceifadora que veio colher a sua alma - e dói acompanhar o desespero do Sam por não saber se o irmão vai sobreviver. O John também tá bem machucado, mas ainda assim consegue ser...John Winchester, o pior pai do mundo (mentira, tem o Darth Vader). Quer dizer, um dos filhos tá quase morrendo, mas ele prefere brigar com e dar ordens ao outro. Ah, mas ele vende a alma para salvar o Dean e morre no final!, você me diz. Pois é, mas não sem antes delegar à ele a missão de matar o Sam (fato que é mantido em segredo até a metade da temporada). John Winchester, mestre na arte de criar filhos traumatizados. Ainda assim, um excelente episódio.

Crossroad Blues (2x08)
Iniciando com a ~lenda~ de Robert Johnson, o episódio tem como objetivo explicar como funciona o sistema de venda e coleta de almas e também de apresentar o Demônio da Encruzilhada. Aqui, somos apresentados às alucinações pré-morte (?) e aos hellrounds - o que rende algumas das cenas mais assustadoras da série. É neste episódio que Dean descobre que sua vida foi comprada com a alma de seu pai, que está no Inferno sendo torturado por demônios.

Nightshifter (2x12)
Aqui temos Supernatural se arriscando e brincando com o seu formato. Assim, o que poderia ser apenas mais uma investigação resulta em 47 minutos de muita tensão, nos quais temos uma situação que envolve um assalto à banco, reféns, um atirador, a polícia, a imprensa e, claro, shapeshifters. Já que caçador não é uma profissão reconhecida, Dean - já foragido - é tido pelo FBI como o sequestrador e Sam passa a ser encarado como seu cúmplice. Logo, Winchesters estão com suas fichas bem sujas. Com muita dificuldade, os irmãos conseguem solucionar o caso e escapam do banco em uma das melhores sequências musicais da série.

Tall Tales (2x15)
Sam e Dean, no melhor estilo gente-como-a-gente, brigam por motivos de irmãos (computador, carro, bagunça, etc.) e precisam da ajuda de Bobby para solucionar o caso que estão investigando.
O episódio é engraçadíssimo porque acompanhamos a mesma narrativa contada pelas perspectivas diferentes de cada irmão. É ótimo ver Dean pelos olhos de Sam e vice-versa. O caso em si é super bizarro e nada faz sentido - crocodilo que vive no esgoto? Aliens? -, mas assim que Bobby começa a analisar a situação, descobre que os meninos estão lidando com um Trickster. O episódio ganha um significado ainda maior quando, mais pra frente, descobrimos a real identidade do Trickster.

All Hell Breaks Loose - Part 2 (2x22)
Possivelmente, minha finale preferida da série. Mais uma vez, muito drama familiar e muitos feels. Sam está morto e Dean se sente o maior fracasso que já andou pela Terra (e o Jensen Ackles me destruiu com sua interpretação). Desesperado, ele vende sua alma em troca da ressurreição do Sam, ganhando apenas um ano de vida (e criando um gancho angustiante para o arco da próxima temporada). Só isso já seria emoção suficiente, mas não. As portas do Inferno são abertas, os Winchester apanham um pouco e antes de ~ir para a luz~, John consegue ver Dean vingar a morte de Mary ao matar o Yellow-Eyed Demon.

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Outros episódios que não entraram para a minha lista de favoritos da temporada, mas que merecem destaque:

Playthings (2x11)
Por motivos de casa antiga e assombrada, quarto cheio de bonecas estranhas e garotinha com amiga imaginária que, na verdade, é um fantasma. O final é assustador.

Roadkill (2x16)
Gosto de como acompanhamos a história pela perspectiva de Molly, que após sofrer um acidente de carro, acaba por encontrar os Winchester no meio de uma investigação. Além de um espírito assustador, que anuncia a sua chegada com House of The Rising Sun (nunca mais consegui escutar essa música sem sentir medo), o episódio traz uma enorme reviravolta no final.

Heart (2x17)
Hoje reconheço que este é um dos episódios mais problemáticos da série. Acho completamente inviável aceitar a ~pegação~ do Sam com a Madison porque, apesar de sabermos que ele é um cara legal, Madison não sabe. Para ela, Sam é um cara estranho - com um irmão mais estranho ainda - que, aparentemente, está tentando protegê-la. De repente, ela é acusada de ser um monstro, Sam a amarra em uma cadeira (!!!) e ameaça matá-la (sim, nós sabemos que ela é um lobisomem que tá matando pessoas inocentes, mas ela não sabe e está assustadíssima). Depois dessa situação traumática e de uma explicação bem ruim sobre como ele estava enganado, a moça simplesmente decide transar com o cara? Nada faz sentido e esse roteiro é péssimo.

No entanto, gosto muitíssimo da cena final, quando Madison descobre a verdade sobre quem é e pede para que Sam a mate. Dean entende a situação horrível do irmão e decide assumir a responsabilidade, mas Sam não aceita. As lágrimas da moça e do Sam já seriam trágicas o suficiente, mas não. O episódio precisa terminar com Dean chorando por perceber que, por mais que tenha tentado, ele não poderá evitar que o irmão tenha a mesma vida que ele. Ser um Winchester é uma verdadeira maldição e Sam não poderá escapar.

What Is and What Should Never Be (2x20)
A criatura sobrenatural da vez é um Djinn (gênio?) que prende Dean em um sonho, no qual ele vive uma realidade alternativa em que sua mãe não morreu, ele está em um relacionamento estável e Sam virou um advogado prestes a se casar com Jessica, que também está viva. Tudo parece perfeito, mas Dean não demora para perceber que há algo de estranho acontecendo e, por mais doloroso que possa ser, ele sabe que precisa voltar para a vida que sempre teve. O que mais gosto nesse episódio é o fato de percebermos que são justamente as coisas ruins na vida dos Winchester que os tornam tão próximos. 


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