(Aquele sobre a 3ª temporada de Supernatural)

É uma verdade universalmente desconhecida que sábados são dias meio mornos na blogosfera. Ou na internet de forma geral. Eu acho. Assim, decidi que os sábados de Blogmas serão dias dedicados à pendências. No caso, meu foco principal será minha atualização dos diários do rewatch de Supernatural. Fiz uns cálculos (mentira, nem fiz) e, se tudo der certo, conseguirei encerrar o ano falando de toda a fase clássica da série.

Então, sem mais delongas porque não quero que este post fique gigante, falemos sobre a 3ª temporada da saga dos Winchester. Ao contrário do que aconteceu nos posts anteriores desta ~série~, não tenho muitas coisas para comentar sobre a época em que assisti a temporada pela primeira vez. Ainda assim, vou me esforçar para recordar alguns fatos.
Entre o final de 2007 e o início do ano seguinte, ocorreu a famigerada greve dos roteristas e muitas produções foram afetadas. Séries foram canceladas sem encerramento, histórias nunca foram concluídas, o Globo de Ouro não teve cerimônia! E eu só me recordo do desespero que sentia ao imaginar a possibilidade de a CW não continuar com a história de Sam e Dean. Hoje, depois de 12 temporadas, chega a ser cômico pensar na série sendo cancelada, contudo, na época, a possibilidade era bem plausível. Ainda assim, mesmo que tenha sofrido o impacto da greve, Supernatural sobreviveu e nos brindou com uma temporada mais curta - foram 16 episódios.

Lembro, principalmente, do sentimento de completa ansiedade que senti durante os meses de espera por The Magnificent Seven (3x01); mais pela falta que sentia de Sam e Dean do que por qualquer outro motivo, já que a temporada anterior não terminou com um gancho muito tenso (não é como se o Impala em movimento tivesse sido atingido por um caminhão no meio da madrugada). O plot principal consiste na busca por uma forma de cancelar o acordo que Dean fez com o Demônio da Encruzilhada em troca da vida de Sam. E enquanto eles não encontram uma solução, o Winchester mais velho vive intensamente cada dia como se fosse o seu último - vale lembrar que ele só ganhou um ano de vida -, Sam está justificadamente preocupado e os dois ainda precisam lidar com um monte de coisas que escaparam do Inferno quando os portões foram abertos na finale anterior.
Já no primeiro episódio, somos apresentados à Ruby - nesta temporada, interpretada belamente por Katie Cassidy -, uma demônia misteriosa que, aparentemente, quer ajudar os garotos. Alguns episódios mais para frente, conhecemos Bela Talbot, vivida por Lauren Cohan, uma caçadora de artefatos mágicos que parece cruzar o caminho dos irmãos apenas para atrapalhar a já complicada vida que eles levam. Não vou mentir, apesar de achar Bela uma personagem de caráter duvidoso (pelo menos até que descobrisse o porquê de ela ser do jeito que é), shippei muito um possível relacionamento dela com Dean. Acho que os dois teriam feito um belíssimo casal - em todos os sentidos.
I will go down with this ship

Apesar de terem sido personagens utilizadas, principalmente, como recursos para movimentar a trama e que são descartadas assim que seus propósitos são cumpridos, gostei muito das duas personagens. Até então, não eram muitas as personagens femininas com algum destaque além de um episódio; e essas quase sempre eram trabalhadas de forma superficial. Com Ruby e Bela foi diferente, ambas são complexas, fortes e donas de seus destinos. Nenhuma das duas faz o papel de donzela em perigo, muito pelo contrário. Ruby faz sua estreia chutando bundas e  salvando Sam. Bela - por mais que, pela perspectiva dos Winchester, seja um empecilho -, se coloca sempre em primeiro lugar, de forma que tudo o que faz é prezando o seu bem-estar - e, sejamos sinceros, não há nada de errado nisso.  Ela sabe o que quer e não deixa que dois machões como Sam e Dean fiquem em seu caminho (o que não quer dizer que todas as suas atitudes sejam justificáveis; muitas não são).

Ainda falando de personagens coadjuvantes, Bobby - como sempre - continua a desempenhar um papel importante, tanto no auxílio aos irmãos (sério, o cara é tipo uma enciclopédia, sabe de várias criaturas e como matá-las), quanto como um ~substituto~ de John na vida deles. Para ser bem sincera, em muitos aspectos, acho que Bobby foi um pai muito melhor do que John. Gostei que pudemos conhecer um pouco sobre o passado do personagem, assim como os motivos que o transformaram em um caçador.

Como nem tudo são rosas, a terceira temporada conta com uma dose de personagens annoying-pain-in-the-ass. Gordon Walker está de volta e consegue ser ainda mais insuportável com seu ódio irracional por Sam. Dessa vez, além de conseguir trazer mais caçadores para sua causa, ele é transformado em um vampiro e decide que suas ~habilidades~ podem ser usadas à seu favor. Para a alegria geral de todo o fandom, seus planos são frustrados por Sammy, que arranca a sua cabeça em uma das cenas mais incrivelmente grotescas da série.
Outros personagens chatos que dão as caras na temporada são os Ghostfacers, vistos pela última vez em Hell House (1x17). O que mais me incomoda nesse time de caça-fantasmas amadores é que eles não são insportáveis de um jeito mais ou menos útil para a trama - como é o caso do Gordon, do Trickster (que eu adoro, mas que é chatinho com os Winchesters) e, futuramente, do Metatron -; eles estão lá apenas por estar. São uma forma de alívio cômico que, creio eu, deve agradar uma parte do fandom na qual não me incluo. Não os acho engraçados e não consigo, de forma alguma, compreender o porquê de eles continuarem a aparecer esporadicamente na série. Eles  ganharam até uma websérie!
Por fim, mas jamais menos importante, temos Lilith, a grande ameaça da temporada e uma vilã que, pelo menos nessa temporada, se mostrou tão ameaçadora quanto o Yellow-Eyed Demon. Casualmente mencionada por Ruby no episódio Jus In Bello (3x12) como uma nova líder que está ascendendo no Inferno, Lilith surge na forma de uma criança e isso é aterrador. Mais para frente, descobrimos que ela não só tem uma ligação direta com o exército de pessoas com habilidades psíquicas criado por Azazel, como também é justamente a demônia que detém o acordo de Dean.

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Episódios preferidos

The Magnificent Seven (3x01)
Em uma excelente estreia de temporada, Sam e Dean precisam lidar com alguns dos piores demônios que escaparam do inferno: os Sete Pecados Capitais. Eles são bem antigos e, em suas ações, representam cada um dos pecados. Os irmãos cruzam o caminho de um casal de caçadores e é por meio da interação com eles que podemos perceber a fama negativa que os Winchester estão construindo por acidentalmente terem aberto os Portões do Inferno. O episódio também é responsável por uma cena na qual um homem bebe desinfetante e o resultado é tão grotesco quanto parece ser. E é aqui que conhecermos Ruby, que literalmente chega para salvar a vida de Sam.
The Kids Are Alright (3x02)
Contando os dias para a sua morte, Dean decide visitar Lisa, um grande amor de seu passado e com quem não tem contato há oito anos. Ele chega na casa da moça sem aviso e acaba participando da festa de aniversário de 8 anos do filho dela, Ben. Obviamente, não demora muito para que ele comece a desconfiar de que o menino seja filho dele, principalmente depois de observar seus trejeitos, estilo e gosto musical. Mesmo quando descobrimos que Dean não é o pai da criança (fato que nunca aceitei, btw), não deixa de ser interessante observá-lo refletindo sobre a possibilidade, já que está com o pé na cova. Além disso, o episódio tem uma boa dose de terror e nos apresenta aos changelings, criaturas que assumem a aparência de crianças e se alimentam da força vital de suas mães. Nem preciso dizer que as crianças-do-mal são assustadoras, né?

Bedtime Stories (3x05)
Pessoas são atacadas em situações que remetem a histórias como João e Maria e Chapeuzinho Vemelho. ou seja, Supernatural meets contos de fadas e, como não poderia ser diferente, a coisa é bem macabra. Em termos de investigação, é tudo bem simples e não chega a ser muito diferente do que já vimos até então, de forma que a graça se encontra mesmo nas referências aos contos de fadas. É interessante notar que aqui, as soluções chegam na base do diálogo e não da violência e, convenhamos, é um grande diferencial. Gosto também do final, quando Dean se mostra resignado com seu destino inevitável e Sam questiona - um tanto revoltado - se é isso que o irmão espera dele também. O diálogo ganha um peso maior quando, na cena seguinte, o Winchester mais novo confronta o Demônio da Encruzilhada na esperança de cancelar o acordo do irmão. Frustrado por seu plano não ter funcionado, Sam mata o demônio com a Colt.

Red Sky At Morning (3x06)
Sinceramente, este episódio está longe de ter o melhor enredo; e tanto a investigação, quanto as explicações, são um tanto frustrantes. No entanto, gosto deste episódio, principalmente, porque aqui Sam e Dean estão em um ambiente completamente diferente de tudo com o que estão acostumados: a alta sociedade de Nova Iorque. Eles também encontrarão Bela, que, a princípio, atrapalha os planos deles, mas depois se torna uma ~aliada~. O episódio gira em torno de um navio fantasma que aparece para pessoas prestes à morrer, temos um baile de gala, Sam dançando com uma senhora um tanto ~abusada~ e, claro, Dean e Bela oferecendo muito, mas muuuuuito material para shippar. Pouco antes do fim, descobrimos alguns fatos chocantes sobre o passado de Bela.

A Very Supernatural Christmas (3x08)
Seguindo a mesma vibe de Bedtime Stories, o episódio com temática natalina é medonho - em um bom sentido. Aqui temos deuses pagãos que se aproveitam de alguns costumes natalinos para obter sacrifícios humanos. São algumas as cenas macabras apresentadas, mas acho que nenhuma chega aos pés do garotinho que assiste ao pai ser morto pelo ~Papai Noel~ e depois arrastado dentro do saco de presentes. Há também um pouco de alívio cômico com a cena de Sam e Dean cantando Silent Night. No entanto, a melhor parte do episódio fica por conta dos flashbacks, em que vemos pela primeira vez como foi a infância dos irmãos. A cena em que o pequeno Sam descobre a verdade sobre o passado da família e o porquê de o pai deles estar sempre distante é de partir o coração. Amo demais a cena em que ele resolve dar para Dean o amuleto que tinha comprado de presente para o John, porque ali fica claro que para Sam, Dean é aquele que sempre esteve ao seu lado, o protegendo. ❤ E, mais uma vez, a cena ganha ainda mais significado quando nos lembramos que é o irmão mais velho que está com os dias contados e precisando de proteção.

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Consideração digna de nota - parte 1: gosto muito do diálogo que Dean tem com um demônio no episódio Sin City (3x04), no qual descobrimos que uma guerra entre demônios está para começar. É durante essa cena que, pela primeira vez, a série aponta para a existência de Lúcifer e, consequentemente, de anjos. Aliás, toda a cena ganha um novo significado depois da 4ª e da 5ª temporadas.

Consideração digna de nota - parte 2: Bela é, sem sombra de dúvidas, uma das personagens mais complexas que já apareceram na série. Por mais que, como já mencionado, ela tenha funcionado como um recurso narrativo, havia muito a ser explorado em relação ao seu passado e, genuinamente, acredito que ela poderia ter se tornado uma personagem recorrente na série. Não gosto do fato de que seu passado e suas motivações ficaram claros para os espectadores, mas jamais para os Winchesters. Bela foi para o inferno e continuou sendo vista como egoísta, mesquinha e assassina de pais. Acho horroroso o último diálogo que ela tem com Dean e, por mais que saiba que ela não merecia escutar tudo aquilo, não consigo condená-lo porque ele nunca teve a chance de conhecer a Bela de verdade. Tenho para mim que a personagem seria melhor explorada nas temporadas seguintes, mas por conta da greve, a atriz assinou contrato para outros trabalhos e por isso não pode voltar.

Consideração digna de nota - parte 3: a cena do sonho ~erótico~ do Sam, no qual ele se imagina romanticamente com Bela (Dream a Little Dream of Me - 3x10). Nada nessa cena faz sentido, principalmente porque a série jamais indicou qualquer tipo de envolvimento e/ou tensão entre os dois personagens. Eu juro que não entendo o porquê da cena existir.

Consideração digna de nota - parte 4: é nessa temporada que descobrimos 1) a existência da faca capaz de matar demônios; 2) que demônios são, na verdade, almas humanas que foram torturadas por séculos no Inferno; 3) que nem tudo no mundo de Supernatural é preto-e-branco, já que Ruby, por exemplo, era uma bruxa na Idade Média e fez um pacto com um demônio com o intuito de ajudar as pessoas, mas ainda assim foi para o Inferno e virou um demônio. A mesma lógica pode ser usada no caso da Bela, que só fez um acordo para se livrar de um pai abusivo e uma mãe conivente. Se analisarmos bem, as intenções de Dean também não são questionáveis, já que ele vendeu a alma para ressuscitar o irmão.




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