Todo ano digo que, quando o natal estiver se aproximando, lerei vários contos temáticos para entrar no clima e... todo ano falho miseravelmente. Será que 2016, este ano sem sentido algum, é o ano em que serei capaz de cumprir minha missão? Não garanto nada, mas vamos torcer.

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Publicado em 1888, O gigante egoísta, de Oscar Wilde, é um conto natalino infantil que foge do óbvio. Aqui, somos apresentados ao Gigante, que após retornar de uma longa visita ao Ogro da Cornualha, encontra o seu jardim ocupado por crianças, que o transformaram em palco para suas brincadeiras. Irritado, ele as expulsa e constrói um muro ao redor do jardim. As crianças, infelizes, ficam sem lugar para brincar.

Os meses passam e a Primavera, o Verão e o Outono chegam à todos os lugares, menos ao jardim do Gigante egoísta. Ali, o Inverno permanece imutável e habitado por Neve, Geada e, posteriormente, Granizo. Um dia, chateado e sem compreender o porquê de as estações não mudarem em seu jardim, o Gigante é surpreendido pelo canto de um pássaro e, ao olhar para fora de sua janela, observa que as crianças conseguiram entrar no jardim, que agora também recebe a Primavera. A situação transforma o Gigante, que passa a olhar as coisas com uma nova perspectiva.

Vou parar por aqui porque sinto que tudo o que eu disse já foi muito. É sério, o conto não tem nem quatro páginas. O primeiro aspecto que chamou a minha atenção é a descrição do jardim do Gigante. Oscar Wilde sabia muito bem como usar as palavras e não demorou muito para que eu me sentisse dentro do ambiente que ele criou. E isso um feito notável, se considerarmos o tamanho do conto.

Era um jardim grande e adorável, com grama verde e macia. Aqui e ali, por entre a grama, havia belas flores, iguais às estrelas. Havia doze pessegueiros que na estação primaveril irrompiam em delicados botões rosados e perolados, e, no outono, ficavam carreados de frutas saborosas. Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão docemente que as crianças costumavam interromper seus jogos para ouvi-los.

Depois que as crianças conseguem entrar no jardim, a história ganha uns ~ares enigmáticos~, que duram alguns parágrafos e só fazem sentido no final. Como disse, é um conto que foge do óbvio, mas ainda assim, consegue transmitir a mensagem e o significado reais do natal, além de fazer referências à religião cristã - que, creio eu, só ficam claras para o olhar mais atento. 

Sobre o desfecho, digo apenas que é do tipo triste, mas que aquece o coração. Recomendo fortemente a leitura à todos os entusiastas do natal.

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O conto faz parte da coletânea O príncipe feliz e outras histórias, que pode ser encontrada separadamente ou nessa edição que eu tenho, que reúne todos os contos do autor - tanto em português, quanto em inglês. Acho válido mencionar que encontrei a seguinte frase na página 22: "Costumavam perambular entorno do muro alto quando as aulas acabavam e de conversar a respeito do lindo jardim que havia dentro dele". É. Eu avisei.





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