Uma das primeiras metas literárias que me impus depois de criar o blog foi a de me livrar definitivamente da herança maldita do ensino médio: o preconceito com os clássicos nacionais. Isso foi em 2012. Quatro anos depois, finalmente comecei a colocar o plano em prática. Antes tarde do que nunca, certo? Uma das belezinhas que me ajudaram neste processo foi "Capitães da areia", de Jorge Amado. Felizmente, não precisei ler a obra quando estava na escola, o que me proporcionou uma experiência de leitura positiva e me apresentou a um livro sensível e muito, muito necessário.

Publicado em 1937, "Capitães da areia" levanta uma discussão social que permanece atual: o descaso com crianças abandonadas. Jorge Amado ambienta sua história em Salvador e nos apresenta a um grupo de meninos que moram em um trapiche, onde passam a viver como uma família, seguindo seu próprio código de conduta e sobrevivendo com o que resulta de roubos que realizam pelas ruas da cidade. Por meio de uma narrativa não-linear, o autor apresenta o leitor à realidade dos meninos e mostra as diferentes maneiras como estes e suas ações são vistos pela sociedade.

Sem tratar seus protagonistas como marginais, mas sim os enxergando como crianças que tiveram a inocência e os sonhos perdidos, Jorge Amado critica a indiferença com que a sociedade lida com essas crianças, lhes negando oportunidades e fazendo com que recorram ao crime como forma de sobrevivência. No vídeo abaixo, falo um pouco mais sobre a obra e apresento as minhas impressões de leitura.

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Não é de hoje que flerto com a ideia de começar um diário de leitura por aqui. Faz meses que a ideia começou a passear por meus pensamentos e finalmente resolvi colocar em prática. Gostaria de dizer que isso se deu porque consegui me definir sobre como os registros seriam feitos, mas eis a verdade: são 2h20 da manhã de segunda-feira e eu não consigo dormir porque 1) às vezes sofro de insônia e 2) tá um calor absurdo (verão, te amo, mas pegue leve). Assim, pensando com meus botões, resolvi sentar em frente ao computador e comecei a digitar sem muito critério. Para conferir o resultado, basta continuar lendo.

Por que sempre que faço isso, a folha fica feia?

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Antes de começar, preciso dizer uma coisa: eu adoro o Johnny Depp. De verdade, desde que tinha 13 anos e comecei a me interessar minimamente por cinema. Na época, Johnny passava por um momento de transição, saindo da categoria astro-conhecido-mas-meio-alternativo para pirata-de-super-produção. E nem preciso dizer que Michelle de 13 anos, que só foi ao cinema para ver o Legolas de pirata, saiu de lá completamente apaixonada por Jack Sp Capitão Jack Sparrow, né? Ok.

(pausa para ignorar o fato de que ele sempre foi e sempre será velho o suficiente para ser meu pai)
O fato é que, desde então, procuro, na medida do possível  - e, atualmente, de forma mais equilibrada (leia: evitando ataques de fangirl e, claro, parando de me autodenominar Sra. Depp) - demonstrar a minha admiração pelo ator; e faço isso de forma bem simples: assistindo a seus filmes e, eventualmente, compartilhando gifs e fotos no Tumblr.

Gosto de pensar que o acalmar de ânimos veio em decorrência do passar dos anos e da chegada da maturidade (pfff, who am I kidding?), que me permitem admirar um artista com certo distanciamento e apreciando o seu trabalho. Mas a verdade é mais dura e cruel: tenho me interessado menos pelo Johnny porque os filmes dele estão pavorosos. Não sei precisar exatamente quando foi que isso aconteceu, mas creio que foi em meados de 2010, quando aquela bomba que atende pelo nome Alice no País das Maravilhas chegou aos cinemas. A decepção e o choque foram tão grandes que eu - que sempre contrariei aqueles que diziam que suas atuações eram sempre Jack Sparrow com pequenas alterações -  não pude mais defender. O HORROR, meus caros, o HORROR.

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Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu ando com saudades de escrever por aqui. Porém, indecisa que sou, não queria escrever por aqui (migos, sou pisciana, tenham paciência). Não me levem a mal, não é nada pessoal, é só que ando meio sem saber ao certo como vou manter o canal e o blog este ano. A ideia, como disse em um post anterior, é continuar registrando as minhas leituras - só não sei como farei isso. Sinto que essa coisa de produzir o mesmo conteúdo para o blog e para o canal não está mais funcionando para mim, tanto porque exige mais, quanto porque não tem mais me feito feliz. Coisas precisam ser mudadas.

Brace yourselves, meus caros,  porque agora sou a louca dos gifs.

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Logo que vi a capa de "Miniaturista", de Jessie Burton, me encantei e decidi que iria ler. Ambientado em Amsterdã, no ano de 1686, o livro traz a história de Petronella Oortman, uma jovem de 18 anos que se casa com o importante e rico comerciante Johannes Brandt, um homem muito mais velho. Entre as dificuldades de se adaptar à nova vida, aos novos familiares e à casa de bonecas que ganhou de presente, Nella - como prefere ser chamada - irá deparar com um misterioso miniaturista. O artesão, jamais visto, passa a lhe enviar objetos não solicitados e estes parecem dizer muito do que acontece em sua casa e do que poderá acontecer.

Assim que a Intrínseca divulgou a data de lançamento, solicitei um exemplar da editora e finalmente pude conhecer a história que me despertou tantas expectativas. Apesar de bem escrito e e intrigante, o livro infelizmente não é o que eu esperava. No vídeo abaixo falo um pouco mais sobre "Miniaturista" e as minhas impressões de leitura da obra.

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Como disse acima e também no vídeo, o livro não atendeu as minhas expectativas e acredito que estas eram um pouco equivocadas. Quando iniciei a leitura, esperava um romance histórico com elementos de mistério e fantasia; porém, o livro tem como foco maior os dramas familiares e as relações entre os personagens. Talvez, se soubesse deste fato teria encarado a leitura com outros olhos.
Ainda assim, apesar dos problemas que tive com a leitura, vale ressaltar que esta é apenas a minha opinião; portanto, se você tem interesse em "Miniaturista", não se deixe levar apenas por minhas impressões e pesquise outras opiniões, porque o livro foi bastante elogiado, muita gente gostou da leitura e pode ser que a sua experiência seja melhor do que a minha, certo?

Trechos preferidos:

(...) Nella sobe na sua cama gigante e senta-se com o pacote. Volumoso, do tamanho de um prato de jantar, foi embrulhado com papel macio e amarrado com barbante. Escreveram uma frase em volta do sol, em letras maiúsculas: Toda mulher é arquiteta de sua própria sorte.
(Página 73)

- Cornelia, alguma vez Marin já amou alguém?
- Amou?
- Sim, foi o que eu perguntei.
Os dedos de Cornelia apertaram o prato.
- A madame diz que amor é melhor como fantasma do que quando se torna realidade; melhor ao ser perseguido do que quando conquistado.
(Diálogo entre Nella e Cornelia, página 146)

- As lareiras estão acesas - comenta Nella. - Mas não faz a menor diferença. Vocês perceberam isso?
- É porque nosso estoque de lenha diminuiu - explica Otto.
- Não faz mal conhecer o frio - retruca Marin.
- Mas a experiência sempre precisa passar pelo sofrimento, Marin? - pergunta Nella.
Todos se viram para Marin.
- No sofrimento conhecemos verdadeiramente a nos mesmos - sentencia ela.
(Página  169)

Informações sobre a edição:

Título original: The Miniaturist
Autora: Jessie Burton
Tradução: Rachel Agavino
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
ISBN: 978-85-8057-816-4
Livro enviado pela editora em parceria com o blog.