Na minha família temos uma tradição de sempre nos despedir do/iniciar o ano na praia. É assim desde que me entendo por gente e, mesmo quando rola um ~atraso~, para nós é como se a transição de um ano para o outro só estivesse realizada depois de alguns dias de praia, mar e muito sol. Este foi o caso dessa vez.

Passei a virada do ano em São Paulo e, embora agradável,  a ocasião não teve muito impacto. Não senti aquela vibe de mudança, sabem? Teve também o fato de que meus pais estavam longe, coisa que já tinha acontecido antes, mas mesmo assim, me gerou estranhamento. Preciso registrar que Ano Novo sem o pavê da minha mãe não é a mesma coisa.

Assim, me despedi de 2016 na companhia da minha irmã, meu cunhado e uma amiga deles. Demos muita risada, comemos e bebemos bastante, escutamos música e, claro, assistimos ao Show da Virada na Globo - porque somos brasileiros e é assim que as coisas acontecem por aqui. Também foi possível ver fogos pela sacada, o que eu achei ótimo porque, por mais que deteste o barulho, acho lindo de assistir e penso que é um costume legal para receber uma nova fase. Principalmente depois do fatídico 2016.

Das tradições particulares, a única que consegui manter foi a de ativar o shuffle e deixar o destino escolher a primeira música do ano e, consequentemente, lançar o tom do novo período que se inicia. Faço isso todo ano e tenho um ritual: espero o momento adequado - normalmente, quando as coisas estão mais calmas e eu já estou de pijama, deitada na cama e pronta para dormir -, apago as luzes, coloco fones de ouvido e deixo o modo aleatório fazer a sua mágica. Confesso que, de todos os costumes de despedida/início de ano,  este é o meu preferido. Sempre fico nervosa e apreensiva, com medo de começar o ano com uma nota negativa. Contudo, 2017 chegou de forma louvável ao escolher Rhiannon, do Fleetwood Mac, para sua estreia. Quédizê, não dá para esperar coisas ruins de um ano que começa com Fleetwood Mac. 
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Mas, como ia dizendo, temos a tradição de viver a transição de um ano para o outro na praia. E foi assim que, depois de jogar uns biquinis, uns vestidos e umas Havaianas na mala, na madrugada do dia seis de janeiro, caí na estrada junto com meus pais e minha irmã. Desde criança, gosto de fazer essa viagem e conheço de vista vários pontos da estrada. Adoro ver a paisagem de concreto de São Paulo ir se transformando em campos verdes - cheios de plantações de eucaliptos e de vaquinhas no pasto - e, depois, em vegetação litorânea. O céu muda, as cores mudam, o ar muda. E, consequentemente, as vibes mudam. Enquanto cochilava e escutava a minha playlist de rock pé na estrada, pude assistir ao nascer do sol. Viver é bom demais!



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De uns dois anos pra cá, venho me surpreendendo com o quanto o mar me faz bem. Na verdade, acho que a surpresa vem do fato de que me lembrei de como o mar me faz bem. Já cheguei a mencionar anteriormente que praia e mar se fizeram presentes em minha vida desde antes de eu nascer. Reza a lenda que, em meus tempos de pequeno muffin, gostava de engatinhar/me arrastar para a água e era preciso que algum adulto responsável (leiam: meus pais) ficassem de olho para que uma tragédia não acontecesse. Juro que fico admirada com a coragem de baby Michas, já que o mar pode ser bem intimidador. Tenho para mim que há algo de muito místico no mar, uma força da natureza primitiva. Olho para as ondas, escuto seus ruídos e o que sinto é algo entre o medo e o encanto. Tem algo de muito mágico no mar e acho que a gente precisa respeitar.

Claro que em meio ao fuzuê que é o verão praiano brasileiro, é quase inviável atingir esse estado contemplativo, mas gosto quando ele acontece. Porém, quando não estava entregue às minhas elucubrações lunáticas e piscianas, me permiti derreter debaixo do sol - com muito protetor solar! -, beber umas coisinhas - porque também sou filha de Deus - e desfrutar a minha playlist de summer vibes. Viver é bom demais!

Foram cinco dias dedicados a não pensar muito e apenas sentir. Sentir o calor abafado e úmido da praia. Sentir o ar puro do litoral. Sentir a água salgada limpando os resquícios de 2016 que ainda estavam na pele. Sentir os efeitos do consumo de álcool no calor. Sentir as gotas da chuva de verão caindo na minha cabeça. Sentir all the feels assistindo The O.C. e Keeping Up With The Kardashians. Sentir o amor incondicional dos meus pais. Sentir a primeira bad real do ano chegar e depois partir. Sentir as good vibes de renovação. Sentir a alegria do verão. Sentir sono cedo e aproveitar. Sentir esclarecimento. Sentir o otimismo fazendo morada dentro de mim. Sentir que vai dar tudo certo. Enfim, sentir que mais uma página foi virada no livro da minha vida e que tô pronta para começar a escrever uma nova.

Não vou mentir: não tenho muita ideia do que vou escrever e morro de medo do resultado. Mas a gente vai aguentando firme, começamos uns rascunhos e tudo se ajeita. Fazendo um comparativo com a Michelle de um ano atrás, posso dizer que tá tudo muito melhor, sem muito desajuste e desconforto. 2017 já começou tão gentil que não fomos importunados nenhuma vez por aqueles turistas inconvenientes que acham de bom tom levar uma caixa de som para a beira da praia. Ah, e quando fui mergulhar, encontrei uma moeda de um Real dentro do mar! Ouvi dizer que isso é um bom presságio. E, vejam só vocês, Ed Sheeran voltou de seu ~retiro espiritual~ e nos agraciou com, não uma, mas DUAS músicas novas. Ou seja, já tenho motivos de sobra para esperar coisas positivas de 2017. Agora posso, finalmente!, respirar fundo aliviada e receber o ano novo de braços abertos. De preferência, com positividade e sem muitas crises e frustrações. (pfvr!) (risos)
Seja bem-vindo, 2017. Seja doce. Seja gentil.
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4 Comentários

  1. Amei o post, Michas.
    Deu pra viajar com você e senti um pouco de tudo que sentiu durante esses dias.
    Que 2017 seja lindo e especial pra você.
    bjão
    www.jeniffergeraldine.com

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    1. Oi, Jeniffer <3
      Fico muito feliz que tenha gostado do post e que tenha conseguido sentir um pouco da minha empolgação :)
      Qur 2017 seja um ano muito especial para você também!
      Beijos

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  2. Gente, eu achei que só eu tinha essa tradição da música aleatória! A minha foi Hold on you, do (amor da minha vida) Jake Bugg. Interpretei como um sinal de boa sorte kkk
    Eu não gosto de praia por causa do sol, da areia e do excesso de calor, mas confesso que uma das partes mais legais de ir é poder ficar observando o mar. É praticamente uma hipnose ver as ondas se formando, crescendo, quebrando, virando espuma e depois tudo outra vez. Concordo com você que o mar tem esse quê de assustador e incrível e que ele impõe uma força que tem que ser respeitada.
    Que seu 2017 seja lindo :)
    Beijos

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    1. Menina, eu adoro essa tradição da primeira música aleatória! Levo super a sério, hahaha. Que bom que o seu ano começou com uma música que você gosta e do amor da sua vida; com certeza é um bom sinal! HAHAHA
      Então, tive uma fase que não aguentava praia-calor-areia-etc, mas de uns anos pra cá, percebi que amo e que preciso disso algumas vezes ao longo do ano. O mar me faz muito bem e, sim, é assustadoramente incrível e, por isso, merece respeito!
      Que seu 2017 seja lindo também <3
      Beijos

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