Eu nunca fui uma pessoa com medo de livros clássicos. Juro que não tô falando isso para parecer aaaah-nossa-que-intelectual-que-ela-é, mas sim para explicar que até um tempo atrás nunca tinha parado para pensar muito no ~peso~ deles. Quando comecei oficialmente a minha vida como gente que gosta de ler, aos 11 anos, não havia muita opção além de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e O Diário da Princesa, fato que me faz sentir uma certa invejinha de quem é xófem hoje, que tem realmente MUITAS possibilidades de escolha. Contudo, como dizia, eu não tinha tantas opções, de forma que recorria aos adultos que conhecia à procura de alguma iluminação. Posso afirmar que as melhores recomendações foram feitas pelo meu pai, que me apresentou a alguns dos livros que leu na ~época do ginásio~ e que, por coincidência, eram clássicos: As aventuras de Tom Sawyer, A Ilha do Tesouro e Viagem ao centro da Terra

Então, acho que dá para dizer que desde que me entendo por leitora, já tinha algum contato com os chamados clássicos, às vezes conhecidos como livros inalcançáveis, de difícil leitura e compreensão, além de absurdamente chatos e complexos. Só que não era assim que eu enxergava as coisas, para mim esses livros eram apenas livros que tinham se tornado famosos ao longo dos séculos porque muitas pessoas os tinham lido e aprovado; e isso já era o suficiente para instigar a minha curiosidade em relação a eles. Para a versão menor deste pequeno hobbit, clássicos eram livros como quaisquer outros. Só que aí, as coisas começaram a mudar e o tal do medo resolveu bater à minha porta. Não sei ao certo até que ponto estou correta, mas sinto que comecei a me sentir intimidada por alguns livros clássicos depois que resolvi brincar de booktube. Talvez porque haja alguma ~idealização~ desse tipo de livro, talvez porque comecei a me interessar por clássicos de fato assustadores. Não sei, são questões. O fato é que tenho uma listinha TBR de clássicos que quero ler antes de morrer, mas de uns tempos pra cá, sinto que sou completamente incapaz de riscar alguns itens da lista simplesmente porque eles me intimidam. Me apavoram. Me paralisam. #dramaqueen
Aí, em tempos de quase-BEDA fajuto, sem ideias e com um total de zero motivação, eis que Mia sugere uma pauta que serviu como uma luva, tanto para que eu tire as teias de aranha deste singelo espaço na world wide web, quanto para me lembrar de alguns ~livros de peso~ que estão na minha estante, apenas aguardando para serem lidos e celebrados de alguma forma. Afinal de contas, se eles estão lá é porque eu os adquiri e isso quer dizer que os quero ler. Eventualmente. No futuro. Um dia. Antes de morrer. (Bear with me). Pois bem, sem mais delongas - porque esse introdução já tá enorme -, vamos aos clássicos que me intimidam)


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(A lista não está organizada de acordo com algum critério; todos os livros são igualmente assustadores aos meus olhos)

Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski, 1866)
Vejam bem, existe alguma coisa a respeito dos escritores russos que sempre me faz pensar que AAAAAH MEU DEUS, OS RUSSOS! E Dostoiévski é, sem sombra de dúvidas, o principal responsável por me fazer pensar assim. O medo que sinto é real. Principalmente depois de tentar - e falhar miseravelmente -  ler Crime e Castigo em 2013. Em minha defesa, a tradução não me parecia das melhores. O fato é que um ano depois (ou seriam dois?) adquiri uma nova edição que me encara diariamente, enquanto eu desvio o olhar prometendo que um dia nos encontraremos. Creio que o que mais me intimida aqui é a temática densa, pesada, forte. Não acho que vou ler Crime e Castigo e me sentir bem enquanto o faço, sabem? Mas um dia hei de ler, Raskólnikov que me aguarde.
Os Três Mosqueteiros (Alexandre Dumas, 1844)
Ok, vou admitir que aqui estamos lidando com um caso de procrastinação derivada de preguiça e pavor de calhamaços. Digo isso porque já conheço o estilo de escrita e de história que Alexandre Dumas traz e sei que é exatamente o tipo de coisa que vai me divertir absurdamente. Intrigas, aventura, ~cenas~ de ação, personagens cativantes, mocinhos contra vilões, aquela coisa de capa e espada, etc. Juro que só não li até agora porque o livro é realmente enorme. Queria muito ter uma justificativa melhor, mas não é o caso. Prometo melhorar, não desistam de mim.

Ilusões Perdidas (Honoré de Balzac, 1843)
Olha, para ser bem sincera, apenas a menção do nome Balzac já me faz sentir as pálpebras pesadas e uma vontade enorme de bocejar. Não sei se é algum tipo de preconceito que me faz pensar que o autor é meio pomposo, ou se é algum resquício dos anos de faculdade, mas o fato é que sinto sono ao pensar em Ilusões Perdidas. Me lembro até hoje de uma aula no curso de jornalismo em que uma professora muito querida falou sobre o livro e me deixou com bastante vontade de ler. Cheguei até a emprestar da biblioteca, mas não fui muito além dos primeiros capítulos porque ele só me fazia dormir. Em defesa de Balzac, tudo me fazia dormir nos tempos de faculdade. Hoje, já nem me lembro mais sobre o que o livro trata, mas sei que tem alguma relação com jornalismo. Poderia facilmente sanar essa dúvida com uma rápida pesquisa no Google, mas não. Prefiro manter o ar de mistério. Um dia, Ilusões Perdidas e eu iremos nos encontrar, tenho certeza. Quédizê, olha esse título, sabe? Que título!

Mrs. Dalloway (Virginia Woolf, 1925)
Além de morrer de medo da Virginia Woolf - mais uma cortesia das leituras obrigatórias e dos traumas da vida universitária -, também morro de preguiça do tal do fluxo de consciência. Desculpem desapontar, mas é o meu jeitinho, me deixem. Por outro lado, tenho sim muita curiosidade em relação ao livro, que, além de ser um dos mais importantes da carreira da Virginia Woolf, é também sempre citado em listas de livros feministas. 
Laranja Mecânica (Anthony Burgess, 1962)
Olha, não vou mentir, aqui lidamos menos com intimidação e mais com preguiça. A real é que já tentei ler Laranja Mecânica há alguns anos e só parei porque não estava com paciência para o nadsat, que me fazia ter que verificar o glossário no final do livro o tempo todo. Juntando isso com o fato de que a edição ruinzinha que emprestei da biblioteca da faculdade trazia uma letra minúscula, não fica difícil compreender meus motivos para querer abandonar a leitura. Há também o fato de que já assisti ao filme do Stanley Kubric, de forma que conheço a história e isso sempre me afasta um pouco de seu material de origem. Porém, como há uns anos minha irmã me deu de presente aquela edição lindona em capa dura da Aleph, pretendo dar uma segunda chance ao Alex DeLarge dos livros. Um dia. Antes de morrer. Prometo.

20 mil léguas submarinas (Jules Verne, 1870)
Mais um caso de abandono, só que aqui sinto que virou uma questão de honra me esforçar para ler essa história e pagar a minha dívida com Jules Verne - que na minha época se chamava Júlio. Digo isso porque 1) eu me divertia muito lendo suas histórias, quando tinha meus 11 ou 12 anos; 2) eu realmente acredito que só abandonei 20 mil léguas submarinas porque ainda não estava preparada. Para ser franca, pouco me recordo além de um sujeito chamado Capitão Nemo e de extensas descrições que pareciam retiradas de um livro de biologia. Não sei bem como vou lidar com o último aspecto quando nosso reencontro acontecer, mas garanto que vou tentar focar mais no lado aventureiro e explorador do livro. Me aguarde, Júlio, nosso revival será uma thing.

A redoma de vidro (Sylvia Plath, 1963)
Confesso que até uns meses atrás, estava bem tranquila em relação a esse livro, que sempre enxerguei como algo semelhante a O apanhador no campo de centeio, só que um pouco mais pesado. Mesmo sabendo um pouco sobre a história de Sylvia Plath e do fato de que A redoma de vidro tem um quê de autobiografia, me considerava preparada para essa leitura, que de forma alguma deixaria que me abalasse. Só que aí, conversando com Manu, Mia e Sharon, comecei a ficar amedrontada. Os avisos de gatilhos me assustaram. As recomendações para apenas ler quando estiver 100% trabalhada na ~vibe directioner~ também. Então é isso aí, o livro me intimida porque acho que vai me deixar na ultra bad, sabem? Contudo, não vou desistir pois sou brasileira o coloquei nas minhas metas literárias de 2017.  Aguardemos.




Um Comentário

  1. Olá Michas!
    O primeiro livro que considero o início do meu caminho como leitor foi Robinson Crusoé, mas era uma adaptação para jovens. Então na infância eu lia muitos clássicos, amava Jules Verne também. Livros YA só fui ler mesmo agora mais velho, acabei fazendo o caminho inverso. Sou da época do Harry Potter mas não foi com ele que comecei a ler.
    Gostei muito de Dostoiévski, li Crime e Castigo e O duplo, o próximo que pretendo ler é Os irmãos Karamazov. Outro que quero muito ler é A comédia humana, projeto para a vida...rs
    Um livro que me intimidava era A divina Comédia, mas eu já li, agora o que me deixa inibido é Fausto do Goethe. Quero muito ler, mas não tenho coragem de começar...rsrs
    E vai com fé no Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros é uma ótima leitura. Engraçado, com ação e capítulos realmente primorosos, amei a leitura. Sem contar uma das melhores vilãs que já vi.

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